A Hóspede

5 Caridade ou algo a mais?


Notas iniciais
Olha como eu sou boazinha!
3 CAPÍTULOS EM 1 DIA!!!
QUERO RECOMENDAÇÕES HAM!
E TBM REVIEWS U.U
BJINHOS!

Respirei fundo e deixei meu orgulho de lado. No fundo, eu não sabia o que estava fazendo, sabia que era o certo e o oposto do que eu queria, mas eu precisava fazer isso. Não apenas por ela, não para ter sua presença e sorriso garantido até a neve dar uma brecha, mas por mim também. Acho que aos poucos estou perdendo meu lado humano e me isolando das pessoas como alguém fútil e egocêntrico.

Fui grosso com ela, admito isso. Só detesto saber que o certo a fazer é me desculpar, afinal, minha intolerância sempre esteve presente, bem antes dela chegar aqui. Respirei fundo e deixei o notebook de lado, olhei para trás, ela já ultrapassava o batente da porta, cabisbaixa, como um animal ferido. Apesar deu ter sido indelicado com ela, vamos ser realistas, não é pra tanto.

–Hey! –Chamei, ela parou. –Desculpe por falar daquele jeito. Não convivo com ninguém, portanto me esqueço de como deve se tratar as pessoas quando se está... nervoso com algo. –Aquela frase foi mais pra mim do que pra ela. Ela não se moveu, permaneceu de costas para mim. –Volta para sala, vamos conversar...

Não acredito que disse aquilo! Eu não queria falar aquilo para ela, estava com medo de que ela não aceitasse, acabei falando aquilo. ‘Aquela’ sensação ia voltar de novo... De repente, ela se virou e caminhou lentamente até mim, como um anjo recuperado, exalando calma, ainda assim com um semblante de tristeza, e, algo me dizia que com essa tristeza que ela estampava, eu não tinha nada haver. Parou a uns centímetros do meu corpo, senti sua inspiração quente bater no meu peito e desaparecer num instante.

Aquilo era tão bom...

Ela então em um piscar de olhos, se agarrou ao meu corpo, meia sem jeito, mesmo assim me abraçando com vontade. Senti seus seios em mim, o cheiro de seus cabelos róseos, seus dedos pequenos apertando meus ombros.

Poderia eu beijá-la agora?


Não! Não quero beijá-la! Não posso me deixar levar por... por lindos olhos verdes me olhando tão docemente e pó mãos delicadas massageando minhas costas... Não seria eu quem ira beijá-la e sim ela que iria me beijar. E eu, como um cavalheiro fino e sofisticado como ela me classificou antes, jamais recusaria um beijo. Pelo contrário, corresponderia na mesma dose e um pouco mais se ela permitisse.

–Sabe... -Disse baixinho olhando meus lábios. –Você é bem bonito... –Estava travado, só ouvindo ela sussurrar a centímetros dos meus lábios. –Me deixou ficar com você só por caridade ou por algo a mais?

–Minhas intenções são as melhores, senhorita. –Respondi baixo. –O que irá fazer aqui durante esses dias é escolha sua. –Ela mordeu os lábios fitando os meus.

–Posso escolher qualquer coisa? –Perguntou com uma voz sedutora. Covardia! Esse método sempre funciona, por quê? Isso é uma conspiração? É só a mulher engrossar mais a voz e tá tudo certo? Isso é golpe baixo! Não vou responder pelos meus atos se ela continuar com esse joguinho.

–Dê exemplos. –Sugeri.

–Qualquer coisa que supostamente envolva você? –Ela arrumou o colarinho da minha jaqueta e me olhou nos olhos finalmente. Dava para ver tudo naquelas orbes, menos vergonha. Isso não me incomodava, pelo contrário, precisa ter muito peito pra jogar indiretas tão indiretas assim a centímetros de distância de um homem que nunca viu na vida. Respeitei essa atitude, para não dizer outra coisa, vocês sabem. Ela se afastou de mim e voltou ao ateliê. –Está desculpando, fofo. –Disse cheia de charme.


Dei um sorriso e a acompanhei. Agora não havia como eu evitá-la, ela mexeu comigo. E como disse, o que ela quiser fazer aqui é escolha dela, se rolar alguma coisa, não será escolha minha. Lógico que vou tirar proveito, não sou besta em deixar passar a chance de perder minha abstinência de sexo. Digo que, se ela quiser transar, to aqui, aqui na poltrona, mexendo no notebook até cair no sono. Não vou tomar atitude, vou esperar isso dela e com certeza atitude nela não falta.

Peguei uma caixa de bombons e sentei na poltrona ao lado da dela, ainda com um sorriso travesso no rosto.

–E aí? –Pegou um bombom. –Quer falar sobre o quê? Dá tempo de fazermos alguma coisa útil...

Fazer?

Coisa útil?

Sexo?

Essa mulher quer acabar comigo, só pode!


–Não sei... –Respondi encabulado com meus pensamentos pervertidos.

–Me fez voltar para não dizer nada? –Coloquei um bombom na boca. – e permaneci olhando fixo para a lareira. Ela riu e aproximou-se de mim, dizendo num sussurro:

–Vou falar sobre mim, pode ser?

–Sobre você? –Seria bom ou ruim falar sobre ela? Pelo menos saberia seu nome, do que trabalha...

–Sim, sobre mim. –Confirmou. –Posso?

–A vontade! –Respondi ainda olhando a lareira apagada.

–Quis dizer se posso fumar perto de você. -Olhei pro lado e a vi segurando um cigarro apagado. –Não preciso de permissão para falar sobre mim.

–Não me importo.

–Você fuma? –Perguntou acendendo a droga.

–Ás vezes. –Ela me passou um cigarro e o acendeu com a brasa do seu, era quase como um beijo, mas os cigarros matinha nossos lábios a uma certa distância. Não sabia se gostava ou não disso, meu desejo era não gostar, mas não seu, os instintos falam mais auto quando você está quase um ano sem dormir com alguém. –O que vai falar sobre você? –Perguntei tentando me desligar do clima estranho que ficou.

–Coisas básicas que já deveríamos ter contado antes. Estou em sua casa há horas e nem sei seu nome, e você não sabe o meu. Na verdade, só vou me apresentar. –Fez um breve silêncio e soprou a fumaça venenosa de seus pulmões. –Moro aqui há uns seis meses ou mais, vim do Japão em busca de algo que ainda não achei, acabei encontrando duas grandes amigas, veja. –Mostrou-me a foto do papel de parede de seu celular. Fingi interesse e aparentemente a convenci. Não poderia agir como se já tivesse visto a foto. –A loira é a Ino e a Hinata é a morena com cara de anjo do lado dela.



–São daqui de Ottawa? –Perguntei.

–São. Conheci elas em uma casa noturna, somos dançarinas de lá.

–Você é uma stripper?! Perguntei meio assustado, meio alegre, meio... ah! Melhor nem explica o que eu senti quando passou a imagem na minha cabeça dela rodopiando em um cano alto, só de langerie, com um salto alto e um corpo flexível.

Chega! A imagem já foi em embora!

–Lógico que não! –Me deu um tapa de leve no braço. –Sou uma dançarina! Católica! Jamais seria uma garota assim, mesmo que o salário seja gordo, eu não estou tão no vermelho para passar por cima dos meus princípios e rebolar seminua para um bando de machos! –Mas tem corpo e desembaraço para isso.

–Desculpe! –Ri. –Vivem só disso? –É uma possibilidade, afinal, são mulheres muito bonitas, duvido que não as pagam bem para darem uns perdidos nos banheiros imundos dos bares.

–Não. Também trabalho em uma cafeteria na parte da manhã. –Então era por isso que ela fez um cappuccino tão bom...

Talvez ela faça mais do que um cappuccino para mim, talvez até dance para mim de noite e me deixe tocá-la e... Saia da minha cabeça mulher!!! Não quero pensar nessas imagens obscenas! Meu “amigo” vai pirar.

–Tenho que usar um uniforme ridículo! Amanhã eu te mostro. –Mostra? Que covardia... Espero que seja uma roupa mais puxada para bata de freira, do contrário, ou melhor, do joelho para cima, eu não me responsabilizarei pelos meus atos que provavelmente serão bem...

–Você veio para Ottawa há seis meses, certo? Mas de onde veio?

–Inglaterra, mas sou natural do Japão. –Espremeu os olhos verdes de felina. –Você também parece ser asiático, estou enganada? -Não, sou de Tókio. Vim para o Canadá há dois anos, para fazer nada, como você. –Suspirei a fumaça tóxica da nicotina, o que foi nostálgico, me lembrou dos velhos tempos de colegial...

–Não trabalha? Como vive num casarão desse? –Perguntou surpresa.

–Trabalho, mas trabalho aqui em casa, de vez em quando e recebo uma quantia boa.

–Faz o quê?

–Componho melodias para artistas realizados. –Disse tragando mais um pouco. –Recebo no mínimo trinta mil dólares por bimestre. Dá para sobreviver com isso. –Ela estava chocada, talvez porque eu tinha dito que tocava “um pouco” de piano.

Com sete anos eu já tocava Für Elise de Beethoven perfeitamente.

–Dá para sobreviver? –Repetiu. –Eu trabalho seis dias por semana em dois empregos e mal pago o aluguel do meu apartamento!

“Não precisa de dois empregos e de apartamento, pode morar comigo e trabalhar em mim de noite.”

Meus pensamentos me condenam... É culpa do vinho, juro, eu não sou assim normalmente. Se eu dissesse isso, me trancaria dentro do armário e só sairia quando o próximo inverno chegar.

–Por que está rindo? –Perguntou se aproximando. –Estou falando sério!

–Se ela tivesse ouvido meu pensamento riria também ou me socaria até abrir meu sobre cílio!

–Qual o problema em rir? –Perguntei apagando o cigarro.

–Nenhum, se não for de mim.

–Não estou rindo de você. –Expliquei mais sério.

–Então continua. –Disse com uma voz rouca e charmosa.

–Não estava reclamando? –Resolvi entrar no jogo.

–Não, gosto de te ver sorrir! –Nossos olhos se encontraram, então pude ver seu desejo por minha boca.

Gostei dela assim. –Continua! Quero conhecê-lo mais! –Pediu. -É solteiro?

–O que acha?

–Não acho nada. Não sou boa em dedução. Minha especialidade com homens é outra!

–E qual seria? –Me arrisquei.

–Você não respondeu minha pergunta!

–Nem você a minha. –A única que nos dividia era os braços das poltronas, meu rosto estava a uns vinte centímetros do dela. –Solteiro. Por que? Faz alguma diferença?

–Faz sim, muita! –Disse num sussurro. –Como uma boa católica eu não participo de adultérios.

–Vai fazer alguma coisa comigo que seria considerada adultério se eu não fosse solteiro? –Sussurrei com ela.

–Talvez sim, talvez não. Você faria alguma coisa comigo?

–Talvez sim, talvez não. –Respondi triunfante.

–É uma pena um homem tão lindo como você não ter nenhuma mulher para te satisfazer à noite...

–Faria um currículo para ser essa mulher?

–Faria milhares! –Disse no pé da minha orelha me deixando excitado. –Sabe... –Ela saiu da poltrona na qual estava e montou em cima de mim vagarosamente, me encaixando entre suas coxas fortes. Quis tocá-la mais do que tudo, mas permaneci imóvel, respeitando uma linha tênue do limite entre nós dois. –Eu sei que estava louco para me ter em seus braços quando me viu só de toalha... –Ela começou beijar meu pescoço de leve, soltando suspiros e me deixando excitado, não pude deixar de fechar os olhos para sentir aquela sensação. –Então não tem problema se eu ficar um pouquinho sobre você, tem?

–Claro que não! –Disse quase gemendo, jogando a cabeça para trás para ela me beijar mais. Minhas mãos continuavam cravadas nos braços do móvel.



Notas finais
heheheheehehe
preciso de 'notas finais'?
o capítulo fala por si só!
até amanhã HOSPEDEIROS!
beijinhos!