A Hóspede
8 Ainda na memória de alguém
Notas iniciais
Valendo pra domingo que provavelmente não poderei postar.
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Enjoy Hospedeiros!!!
A preguiça me consumia e as lembranças me dominavam. Horas atrás, aquela deusa estava sobre mim, a sensação daquela pele macia entrelaçada no meu corpo não passava, ontem à noite seu corpo era como um lençol de seda deslizando em mim. Seus cabelos, oh, como me enfeitiçam! Parece que foi encomendado para ela, só para ela.
De dez coisas na minha cabeça, onze envolvem ela e a noite passada, isso nunca aconteceu comigo antes. É algo tão bom e perigoso... Acho que é esse o sentimento que eu evitei por todos esses anos, só que não quero que isso aconteça.
Quando agente ama uma pessoa, precisamos dela com agente para sermos felizes; Sakura vai embora quando a neve cessar, esse sentimento tem que ir junto com ela pois eu não posso me apegar a alguém que jamais terei novamente. Talvez, eu queira, mas a questão não é o que eu desejo, é o que é melhor para mim.
É tão bom! Fazia tanto tempo que não sentia o calor de uma mulher, o prazer de um beijo, o arrepio de um simples toque. Agora é como se eu não pudesse mais viver sem isso. Eu sei, pareço um virgem falando, é que todas as outras foi algo tão superficial, forçado. Foi como jogar xadrez só que pelados. Com Sakura não, era corpo e emoção, desejo de ambas as partes. Quando tudo acabou e ela deitou no meu peito eu senti uma paz indescritível, como se tudo estivesse bem depois de tantos anos de angústias.
Tomei um banho rápido, por conta da água gelada, e me cobri de blusas. Estava uns -7°C, frio pra caramba. Peguei mais umas blusas para a Sakura e fiquei na sala mexendo no notebook. Ainda restavam duas horas para a bateria expirar.
Meu telefone vibrou.
-Alô? –Falei baixo.
-Antigamente você atendia já me xingando de idiota! –Disse com a mesma voz rouca de tempos atrás. –Vejo que ficou mais sofisticado!
-Naruto?! –Perguntei para confirmar, sabia que era ele, impossível não reconhecer.
-E aí cara? Tudo bem?
-Tudo! –Estava quase gargalhando de felicidade. Fazia mais de três anos que não nos falávamos, isso porque somos amigos desde que nos entendemos por gente! –Por que não deu notícias esse tempo todo, seu otário?!
-Trabalhando muito... Essa profissão de médico é embaçado! Mas você se deu bem na vida, hein! Todo charmoso fazendo música para os outros, ganhando milhões de dólares... –ri e o corrigi: Não é nem cem mil por trimestre! –Casou? Tem filhos?
-Que casado nada, estou aqui no meu mundinho, sozinho.
-Hehe! ‘Sozinho’, é? Mas fala sério, pode confiar em mim, não vou colocar no site de fofocas não celebridade. Tá pegando a Megan Fox?
-Cala boca! Só estou na minha, sem ninguém para me encher. –Respondi irritado. Desde jovens ele sempre foi assim, pervertido e pegador, sempre cobrou o mesmo de mim só por eu ser amigo dele. Acho que sempre fui isolado, mesmo antes do acidente, depois só piorou.
-Sasuke! Já está pronto! –Sakura me chamou da cozinha.
-Quem está te gritando aí? –Não acredito que ele ouviu.
-É só a Sakura, uma mulher que tá aqui em casa enquanto a rua tá com um metro de neve. –Expliquei sem jeito.
-Sei... Tá gostando dela?
-O quê? Ela só está hospedada aqui, em casa, não tem nada demais!
-Que feio Sasuke! Se for mentir, por favor, ensaie antes, ensaie várias vezes! Eu sei que os dois transaram, conheço você não é de hoje, sei quando pega alguém. –Percebe-se. –Anda, conta aí: foi gostoso? Ela é boa?
-Cala a boca Naruto seu pervertido!
-Relaxa irmão, sou teu amigo!!! Pode falar comigo. Você tá gostando dela?
-... –Nem mesmo eu sabia o que eu estava sentindo por ela. Na verdade, é possível sentir algo por uma pessoa que acabei de conhecer?
-Ahhh! Meu Deus!!! Você está gostando da menina!!!
-Mas eu não disse nada!
-Mas eu sei! –Ainda não descobri como ele sabe das coisas a distância. Se estivéssemos falando cara a cara eu entenderia porque apenas um olhar revela frases complicadas, mas estamos tão longe um do outro... –Me manda a foto dela depois para eu ver se aprovo ou não.
-Não tenho foto dela e se tivesse não enviaria punheteiro!
-Se enxerga! Como assim não tem? Há quanto tempo está com ela aí na sua casa?
-Nem um dia.
-E já está apaixonado? A transa deve ter sido feroz para você gostar da garota tão rápido! –E foi de fato. –Quantos anos ela tem?
-Minha idade.
-É canadense?
-Não, é do Reino Unido.
-Wow! Uma branquela ruiva, acertei?
-Errou. Sou mais branco do que ela e o cabelo dela é... rosa.
-Rosa? Ela é punk, otaku, doente?
-Se for não nos diz respeito.
-Tá certo então! O que ela faz da vida? Apresentações de circo?
-Ela é garçonete e dançarina.
-Ela é stripper?! Que demais! Uma stripper de cabelo rosa! Não sabia que você tinha essa fantasia...
-Mas eu não tenho.
-Não mais porque já realizou. Parabéns!
-E também nunca tive.
-Quem me garante?
-E ela não é stripper, ela é dançarina! D-A-N-Ç-A-R-I-N-A!
-Humm... Ela dançou para você?
-Ainda não... –Me entreguei para a conversa, não tinha jeito, com o Naruto não tem mas nem escapatória.
-Hehehe! Vai fazê-la dançar para você Sasuke-kun?!! –‘Sasuke-kun’? Pensei que ele tinha largado as cortesias japonesas assim como eu. –Safadinho!!! –Fiquei com vergonha de mim mesmo. Não devia porque estou com uma mulher muito linda, mas sei lá, o Naruto me deixa embaraçado com esse jeito pervertido dele.
-Se nos deixar a sós talvez eu consiga fazê-la dançar pra mim! –Disse por fim. Precisava encerrar a conversa ali, Sakura estava escorada no batente da porta com aquela expressão meiga, me esperando. Havia quanto tempo que estava ali? Espero que não muito.
-Está bem! Está bem! Só queria saber como você está, sinto muito sua falta cara!
Sente minha falta?
Sente falta de mim?
Quer dizer que alguém se importa ainda?
ºººFlash Back Onººº
9 anos atrás
No meu quarto, só havia a cama que meu pai decidiu não levar com a mudança, fora ela, tudo o que sobrou foram caixas lacradas. Caixas com enfeites, livros, cadernos, fotos, caixas, caixas e mais caixas. Todas cheias, eu vazio. Elas tinham mais de mim do que eu mesmo naquele momento. Só no meu quarto havia nove, no quarto do Itachi devia ter o dobro.
A campainha tocou e minha mãe atendeu a porta, pude ouvir a voz forte dele à curta distância que nos separava. Seja qual fosse a distância entre agente, eu sempre reconheceria sua voz rouca e seu sorriso enorme estendido de orelha à orelha.
-Sasuke! –Chamou minha mãe tão docemente que soou como uma melodia. Ela era tão amena e delicada, como uma flor nos últimos dias da primavera, tão delicada que às vezes eu pensava que ela poderia se despedaçar com um pequeno sopro.
Levantei da cama com a boca seca de palavras, tudo o que eu dissesse teria que ser pensado duas ou três vezes para então ser dito afinal.
-Não quer entrar, Naruto? –Perguntou minha mãe Mikoto.
-Obrigado, vou ficar por aqui mesmo. –Disse muito educado.
-Oi... –O cumprimentei a uns dois metros da porta. Sua expressão constantemente alegre havia sumido.
-Eu vou terminar de embalar as coisas. –Informou minha mãe. –Fique um pouco com o Naruto-kun lá fora antes de irmos, Sasuke.
-Então era verdade? –Ele tomou posição. –Não era uma desculpa para não viajar com o pessoal do colégio?
Conseguiu sair do meu lugar com a cabeça erguida, como se minha repentina mudança de país fosse algo desinteressante, comum, parte da rotina monótona da pequena cidade em que vivíamos. Passei por ele e fui para a praça em frente a minha casa. As bromélias já floresciam em abundância, o vento surrava suas pétalas levantando o pólen, visível quando rodopiavam pelos feixes de luz do sol que penetrava por entre as folhas verdes das árvores. Era lindo e era triste. Eu iria embora para longe antes de vê-las florescer por completo.
Sentei –me num banco de pedra e ele parou na minha frente, com aquela expressão de minutos antes, aquela expressão desconhecida e nada compatível com o seu eu. Tomei fôlego e disse algo.
-Por que achou que eu estivesse mentindo? Alguma vez já menti para você?
-Não. –Respondeu depois de pensar um pouco. –Achei que fosse uma desfeita. Eu o conheço bem, sei que odeia aglomerações de gente em um mesmo espaço, sei que é caseiro e bem íntimo, sabia que não iria ir de jeito nenhum para a excursão, mas eu queria! Tentei te convencer a ir comigo, os professores tentaram e você só dizia que ia viajar para longe no inverno. –Fez uma pausa e se sentou ao meu lado desenganado. –Até agora eu pensei que fosse pretexto para me contrariar e ficar isolado em casa lendo aqueles livros cheios de traça. Quando vi o caminhão de mudança estacionado no seu jardim e todas aquelas caixas eu fiquei pasmo. Não acredito que está partindo! -Daqui a duas horas vamos para o Alasca, meu pai vai dar continuidade ao trabalho dele lá. Disse tudo. Disse da melhor forma. Disse da melhor forma que eu poderia dizer, mas eu sabia que era tarde pois Naruto não iria entender.
-Pelo inverno todo?! –Perguntou tristonho. Cruzei meus dedos sobre os lábios e novamente ensaiei a melhor forma de dizer o que estava indeterminado. –Não vai voltar né? –Respirei fundo e inspirei o ar quente de desapareceu depois de uns segundos na atmosfera fria do final do outono. Era difícil dizer isto. Aquilo estava me matando aos poucos. É incrível como você dá valor às pessoas que você sempre teve quando as está perdendo.
-Não. Não vou. –Afirmei com um nó na garganta.
-Parece que meu destino é esse: perder pessoas. –Falou melancólico. –Perdi meus pais, estou perdendo meu melhor amigo...
-Ainda seremos melhores amigos, Naruto. Estou me mudando, não estou morrendo.
-Mas eu estou. Como é que vai ser daqui para frente? Você lá do outro lado do mundo morando em um iglu e eu aqui sozinho, de novo, só para variar! –Se alterou. –Por que você e sua mãe têm que ir?
-Porque somos uma família. Meu pai me quer ver crescer...
-Crescer mais o que? –Se alterou mais. –Você tem dezesseis anos, não é mais um garotinho de doze anos! Já pode bater o pé e lutar pelo o que você acha melhor para você.Você não quer morar no Alasca, quer? –Bom, para mim não fazia diferença onde eu estivesse desde que minha família estivesse comigo. Não respondi. –Quer mesmo, Sasuke? –Virei o rosto. –Nossa! Você se superou na frieza. –Levantou-se. –Com os outros garotos no ensino médio, ver você sendo irrelevante e grosso é engraçado, inspirador, mas aqui comigo e em um assunto tão complicado como este é triste, desanimador, é tudo de ruim que possa me machucar. Pensei que eu significasse algo para você Sasuke. -Significa, muito!
-Não é o que parece. –Silêncio. Pensamentos. Palavras não ditas das quais anos atrás iria me arrepender de não tê-las contado.
-Sasuke, venha me ajudar!!! –Gritou minha mãe da porta de casa. Olhei para o Naruto e acenei com a cabeça um adeus. Depois de um tempo, virei as costas e saí andando. No meio do caminho ele me puxou e me deu um abraço, parecia que queria levar um pedaço de mim e por incrível que possa parecer, eu retribuí. Estava deixando meu melhor amigo para trás... Aquilo doía em algum lugar do meu peito, mas eu evitava buscar o local, não queria parecer fraco.
-Vou sentir sua falta. –Falei depois de lutar contra meus princípios.
-Vou sentir mais, acredite. Vamos nos ver algum dia?
-Claro. Algum dia. Seremos amigos sempre.
-Quem diria Sasuke Uchiha... –Me soltou. –Não me prometa o que não sabe se poderá cumprir. –Não, eu realmente não podia. –Adeus.
ºººFlash Back Offººº
-Bem... –Interrompeu minhas lembranças. –Sei que você não é bom em despedidas, então vou te poupar desse cargo.
-Me liga mais vezes, por favor! –Soou como um apelo, e foi de fato.
-Beleza. Agora vai curtir sua namoradinha que eu vou voltar para o meu paciente catarrento de setenta anos! Até breve.
-Até. –Desligar o telefone foi como receber uma facada nas costas. É dessa facada que costumo fugir: o adeus.
Odeio despedidas.
Notas finais
Esse é um capítulo mostrando o lado do Sasuke de ser.
...
não gosto desse capítulo particularmente.
Sei lá.
É muito baseado em mim.
Me sinto exposta!
kkkkk
Enfim, beijos hospedeiros!
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