A História de Karin

29 Companheiros de Combate


Notas iniciais
Yôoo minna! Tudo bem com vocês leitores maravilha? Eheheh Antes de mais nada peço desculpa por não ter actualizado esta fic nestas duas semanas que passaram, estive atafulhada de trabalhos e principalmente testes. Aproveitei estas férias de três dias para manter em dia as minhas fics mais atrasadas e espero que gostem do capítulo, acho que não ficou grande coisa não sei… Deixo a vosso critério eheheh Boa leitura*

Soul Society

Matsumoto Rangiku não era a mesma.

Esta encontrava-se na secretária de seu capitão preenchendo os relatórios concentrada, completamente absorta em seu trabalho. Todos os membros estranharam a mudança repentina da tenente mas ninguém ousou perguntar nada.

A mulher antes extrovertida e irresponsável sofrera uma completa transformação, talvez pelo choque de ter perdido o capitão e a terceira oficial de uma única vez. A ruiva sempre fora solitária, Gin tinha conseguido preencher esse seu vazio mas com a partida dele quando se tornou traidor seu refúgio era o álcool e seu capitão. Após a morte de seu amado, seu consolo eram os seus amigos mais próximos: Hitsugaya e Karin. Mas nenhum deles estava com ela para acalmar a terrível solidão que a atormentava. E o pior: seu capitão estava a ser controlado e ser acusado indevidamente e Karin arriscava sua vida para provar a inocência dele dessa mesma injustiça.

Cada papel que ela assinalava era nítido a tinta negra carregada com muita pressão, demonstrando nesse simples gesto a revolta anterior da tenente que nada podia fazer a não ser aguardar pelo regresso de ambos.

Matsumoto sem tirar os olhos dos papéis, escuta passos que ecoavam pelo corredor. Murmúrios entre dois serviçais eram baixos demais para serem escutados, sendo somente sons indecifráveis para a tenente que não deu muito importância à conversa. No entanto, o volume deles foi aumentando sem se aperceberem, e esta começou a entender o que eles diziam, revoltando-se com as palavras pronunciadas.

— Achas que aceitarão a sua transferência para o sexto bantai?

— Espero que sim! Não quero pertencer mais a um esquadrão de um traidor que se aliou aos zombies!

— Sim, de facto foi uma desilusão da parte do Capitão Hitsugaya…

— Não se atrevam a repetir tamanho absurdo novamente!

— Tenente Matsumoto! Estava aí?

A ruiva assistiu orgulhosa ao pavor reflectido no rosto de ambos, engolindo as palavras antes pronunciadas. Suas esferas azuladas cintilavam demonstrando sua ira pela falta de respeito com seu taicho.

— Uma palavra a mais contra o vosso taicho e serão expulsos. Nenhum capitão vos aceitará por desrespeito. Fui clara? Se saírem deste esquadrão eu me assegurarei que não entram em outro. O taichou não é um traidor e isso irá ser provado brevemente!

— Hai! Nos perdoe Matsumoto-san!

Rapidamente os dois serviçais fugiram pelo longo corredor e a ruiva voltou a entrar no escritório. Ela dirigiu-se a um de seus esconderijos de saquê para se confortar na bebida ardente, porém ao pegar numa das garrafas ela hesita. Opta por voltar a colocar a garrafa no sítio, iria usá-la para festejar o regresso de seu capitão e da Karin-chan.

Matsumoto pega na Haineko e corta seu cabelo até à altura dos ombros, e tirando o lenço róseo de sua cintura o enrola em seu pescoço como na época em que conhecera Toushirou em Rukongai. Sem se preocupar com as madeixas ruivas espalhadas pelo piso ela abandona a sala para fazer seu turno.

Após um membro do quarto esquadrão ter encontrado os três shinigamis, rapidamente os foram socorrer. Momo e Kira ficaram ao encargo da tenente Isane enquanto Karin fora entregue aos cuidados da capitã Unohana. A mulher da longa trança ficou interessada com a peculiar camada de gelo no olho ónix. Aliás toda a extensão de seu olho direito estava arroxeada, uma consequência da baixa temperatura corporal daquela zona. Ao abrir a pálpebra da shinigami pode perceber que a íris negra também ficara branca, como se tivesse perdido a cor pelo gelo. Unohana cuidou dos ferimentos de Karin mas não conseguiu fazer mais pelo olho dela e limitou-se a enfaixar aquela zona. Retirando-se da sala, foi pesquisar sobre a causa daquela lesão, apesar de ela já ter suas suspeitas.

As flores desabrochavam, dançando enquanto recebiam o calor em suas pétalas, as colorindo.

Karin começa a resmungar, despertando. Ela ergue seu tronco e ao abrir os olhos percebe que um está enfaixado. Ela retira essa ligadura mas continuava na escuridão e percebe rapidamente que está cega. Por um momento entrou em desespero, afinal o que tinha acontecido…? A única coisa que se lembrava era do medo que sentira e mais nada.

Repentinamente uma brisa violenta bagunça as cobertas que a cobriam e à sua frente surgem Fujin e Yukino.

— Mestre, lamento não a ter protegido mais do gelo da Hyourinmaru… Acabou por ficar cega de uma vista.

Yukino baixa a cabeça envergonhada e culpada. Fujin compadecendo-se com os olhos lacrimejados da zanpakutou, deposita uma mão em seu ombro, reconfortando-a.

— Fez o que podia Yukino, ela era para estar completamente cega… Ou pior.

Subitamente Karin se recorda do que Fujin lhe avisara. “Se a conexão falhar… As consequências podem ser drásticas”. A shinigami ocultou seus olhos com a franja negrume, atraindo a atenção de suas zanpakutous com esse movimento.

— Então… Eu falhei, é isso? Por isso estou assim…

Nem Fujin, nem Yukino, tiveram coragem de confirmar a dolorosa afirmação. Optam por manter-se em silêncio, esperançosas que a morena não reagisse muito mal à realidade. A Kurosaki deixou um fraco soluço escapar, evitando chorar por ser sinal de fraqueza.

— Eu não pude ajudar o Toushirou.

— Pequena shinigami, é compreensível não ter dominado esta técnica à primeira… Eu já esperava por isso.

— Como assim?

— Nós explicaremos tudo Karin-sama…

— Pequena shinigami… Nós as três somos um. Eu, Yukino e Hyorinmaru provimos da mesma matéria. As espadas do clima tem uma ligação entre si, um elo que se expande até os seus portados. Você e o Hitsugaya estão conectados… Uma conexão em forma de marca. Ninguém, nem mesmo nós sabemos como é essa marca já que ninguém até hoje a conseguiu.

— Não estou a perceber Fujin…

— Nós reencarnamos com os nossos mestres, com nomes e formas diferentes de facto mas o poder é o mesmo.

Se a sua nova vida já era inacreditável, Karin agora já não sabia o que pensar. Nunca acreditara em espíritos mas acabou por se apaixonar por um e agora era reencarnação de outra pessoa?

— Isso quer dizer que sou uma reencarnação da vossa antiga portadora?

— Não propriamente, quem reencarna somos nós com os nossos futuros mestres… Você não tem nada com a antiga portadora.

— E o que é essa marca?

— A marca irá surgir nos vossos corpos e estabilizar os vossos poderes. Poderá invocar a bankai sem danos colaterais por estar interligada com o Hitsugaya e ele por sua vez terá sua bankai completa, já que ela está incompleta por também não ter a ligação consigo. Não é só você que sofre por não ter a conexão com ele.

— Karin-sama a marca é a prova de que vocês estão interligados mas nunca nenhum conseguiu antes.

— Por quê?

— Porque perceberam tudo errado. Os portadores do vento e do gelo sempre se apaixonaram ao longo dos tempos e pensaram que por seu amor ser correspondido isso bastava para conectar seus poderes.

— Aquilo que eu fiz com o Toushirou?

— Sim mas você ia conseguindo, se não tivesse tido medo.

Novamente Karin esconde o rosto por vergonha de seu fracasso, por ter desapontado suas zanpakutous, porém Fujin se aproxima da shinigami e coloca sua mão na cabeça da morena.

— Não se preocupes pequena shinigami, pode recuperar a visão...

— Como?

— Fazendo a conexão correctamente. Então ficará bem…

— E se eu falhar novamente?

— Isso não é uma possibilidade Karin-sama… Só não cometa o erro dos antepassados.

— E qual foi o erro?

— Karin vocês não são somente um casal de apaixonados mas companheiros de combate.

— Então para a conexão ser feita…

— A vossa ligação não depende do amor que sentem mas o companheirismo nas batalhas, a confiança que depositam um no outro.

Uma antiga lenda extraordinariamente bonita, dizia que duas pessoas estão interligadas por um fio vermelho, invisível aos olhos humanos, amarrada ao tornozelo, que liga um ser à sua alma gémea, a pessoa com quem se está destinado a passar o resto da vida não importando a situação. Um fio inquebrável… Esse é o símbolo do sentimento poderoso que os une. Um amor irrecuperável. Quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estão. Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as pessoas destinadas estão.

Segundo esse mito, encontra-se uma explicação para o facto de a Kurosaki ser mais feliz na Soul Society, mesmo com todas as atribulações que enfrentava, só por estar mais perto de Toushirou. E em simultâneo justificava sua tristeza e mágoa profunda no Mundo Real, uma monotonia sem fim por estar distante dele. Agora, novamente afastados, a escuridão retornava para perturbar Karin. Provavelmente não fosse por acaso que eles sentissem os poderes um do outro, que conseguissem interpretar suas emoções mesmo estando longe…

Mas o que Karin faria se conseguisse ver esse fio que interligava seus destinos?

Notas finais
Obrigada a todos vocês e prometo dar o máximo de mim para esta história ^^ Já agora gostaria de uma opinião vossa: acham que deva dar destaque à Yuzu? Tipo pensei em fazer um capítulo especial a ela depois de Karin morrer e a forma como ela lidou com tudo isso, acham que o deva fazer ou foco-me mesmo é na Soul Society?? ^^ Beijinhos, Beijinhos o/