A História de Como Salvamos a Terra

3 Arco 1 - O Vermelho que Queima como Fogo [Capítulo 2]


Notas iniciais
Olá, aqui é o Jonas, mais uma vez. Lembra quando eu disse que nessa historia eu estaria com um grupo de estranhos com habilidades especiais? Então, aqui está a primeira delas. Aquela que traz a luz vermelha que queima como o fogo.

A explosão foi poderosa. O grito de dezenas das criaturas que estavam ali dentro foi angustiante, mas ao mesmo meio que prazeroso. Algumas delas saltaram do bloco de chamas que o prédio havia se tornado e corriam desesperadas tentando se livrar do fogo que queimava seus corpos.

— Como você fez isso? — Perguntei.

— Havia um tanque de gás nos fundos, fiz com que pegasse fogo e explodisse. — Ela respondeu.

— Precisamos sair daqui. — Disse o policial. — Toda essa comoção irá atrair mais delas.

Começamos a correr. A munição estava quase no fim e tivemos muitas perdas, chegar ao abrigo era mais do que uma emergência naquele momento.

O problema era que o policial estava certo. A explosão e o grito das criaturas que morreram fez com que todas as demais que estavam pelas redondezas migrassem para aquele ponto. O que, consequentemente, significava que estávamos no ponto de convergência de todas elas.

Enquanto corria minha atenção foi chamada para algo no chão. Quando olhei percebi que se tratavam de sombras, passando como vultos, uma atrás da outra. Olhei para cima e tive a explicação para o que via. No alto dos prédios e casas várias criaturas começavam a se reunir, muito mais do que havia no galpão.

— Policial Martins! — Gritei e apontei para cima.

— Droga, droga, droga... — Ele começou a pestanejar.

— Não vamos conseguir chegar a tempo. — Disse um dos homens do grupo.

E não iriamos mesmo. Todas aquelas criaturas saltaram de onde estavam e se jogaram no meio de nós. Acabamos nos separando. O policial ficou com a mulher que havia vindo conosco. Os dois homens ficaram juntos e eu acabei com a garota estranha.

— Vem! — Ela correu na direção oposta. A segui.

Porém, logo à frente duas criaturas bloqueavam o caminho.

— Você por acaso não está vendo o que está bem na nossa frente? — Perguntei.

— Cala a boca e me segue. — Foi o que ela respondeu.

Então ela acelerou o passo. As criaturas se espantaram com o comportamento tão fora do comum que demonstrávamos e demoraram para reagir. Foi ai que eu vi a garota estender as mãos na direção das criaturas e delas saiu um jato de fogo, como se ela fosse um lança chamas humano. Aquele fogo era diferente, possuía uma tonalidade mais avermelhada e parecia inflamar com facilidade o corpo das criaturas, por mais que elas não parecessem trazer substancias inflamáveis na superfície dele. Em questão de segundos as duas tinha sido reduzidas a pó.

— Para onde estamos indo? — Perguntei.

— Para o meu abrigo. — Ela falou e continuou correndo sem olhar para trás.

Não sabia onde exatamente ela queria ir, mas diante de tudo que já tinha visto ela fazer, achei que seria mais prudente continuar por perto. O problema era que nosso caminho não estava livre, a cada esquina que virávamos havia a chance de dar de cara com um dos monstros.

— Quanto ainda falta? — Perguntei, ofegante.

— Pouco.... — Ela disse e apontou em direção a uma torre de telefonia que se estendia a poucos quarteirões. — É logo depois daquela torre.

Viramos mais uma esquina e lava estavam elas, mais três criaturas esperando por nós. Elas avançaram. Olhei em volta e peguei uma barra de metal que estava no chão, trazia um pedaço de cimento preso a uma das extremidades. Era pesada, mas eu conseguia manipular sem grandes problemas.

Uma delas veio em minha direção, ergui a barra de ferro e me coloquei em posição de combate. Ela grunhiu ameaçadoramente para mim. Poderia ser loucura querer enfrentar aquelas coisas, mas era isso ou correr até cansar e ser devorado. Enquanto isso a garota de fogo estava lidando com as outras duas. Cercada pelos dois lados. Começou a disparar jatos de fogo, mas as criaturas não eram bobas, saltavam e desviavam dos jatos.

A terceira avançou em minha direção e saltou para cima de mim. Me abaixei e rolei para frente, girei na direção dela e me pus de pé. Ela pousou no chão e também se virou, mas agi rápido e desferi um golpe com a barra de ferro. A massa de cimento acertou em cheio a cabeça do bicho, que cambaleou para trás. Avancei, lancei outro golpe de cima para baixo, aproveitando a tontura dela. Acertei em cheio. Não parei, mandei outra. Ainda tonta a criatura tentou me arranhar com as garras, mas estava lenta, eu desviei e esmaguei sua mão com uma porrada certeira. Ali perto a garota tentava manter as duas outras criaturas longe com suas chamas. Várias marcas de queimaduras estavam espalhadas pelo chão e paredes, além de vários pontos estarem em chamas.

Continuei batendo na criatura. Ela caiu no chão, mas eu não parei, continuei acertando sua cabeça com toda a força que tinha. Fechei os olhos e uma raiva mortal subiu à minha cabeça. Aquelas malditas coisas apareceram do nada e quase destruíram tudo de mais importante para mim e por muito tempo me senti impotente e fraco, mas não mais, não iria mais fugir, iria lutar até acabar com a raça da ultima delas. Quando dei por mim estava gritando e golpeado aquela desgraçada sem parar, liquido espirrava para todos os lados e em minhas roupas. Quando abri os olhos estava diante de uma verdadeira carnificina. A cabeça da criatura havia sido esmigalhada e desfigurada. Uma substancia cinzenta formava uma poça e estava por todo o meu corpo. Aquela ali certamente não feriria mais ninguém.

— Aaarhg! — Ouvi um grito de dor e me voltei na direção da garota.

Ela havia sido ferida no braço esquerdo e estava de joelhos no chão. Umas das criaturas parecia ter sido atingida, pois conseguia ver uma pilha de cinzas mais à frente. Porém a outra a havia acertado e agora estava pronta para a mordida final. Abaixei, peguei uma pedra enorme e joguei contra ela. Aceitei nas costelas. Ela grunhiu e se voltou em minha direção. Então avançou.

Levantei a barra de ferro pronto para o segundo round. Ela saltou para me pegar e eu estava preparado para desviar quando uma onda de calor surgiu do nada e a criatura foi desintegrada em cinzas bem na minha frente. Quando a poeira baixou pude ver a garota com o braço bom estendido na direção onde a criatura estava. Então ela deixou o corpo cair no chão. Corri até ela.

— Aguenta firme, acho que posso dar um jeito nisso. — Falei.

— Acha? — Ela disse.

— Tenho quase 100% de certeza... — Respondi. — Mas preciso descobrir como antes...

— Ótimo... — Ela contraiu o rosto em dor. — Só me ajuda a levantar e chegar ao meu abrigo logo, antes que mais delas nos alcancem.

— Espera... só me dá um minuto.

— Não temos um minuto.

A ignorei. Fechei os olhos e me concentrei. Havia feito aquilo duas vezes antes, deveria poder fazer uma terceira. Deixei a vontade de querer salvá-la preencher minha mente e desejei com força que a ferida sumisse e ela estivesse bem. Então senti novamente a sensação de que alguma coisa fluía pelo meu corpo, se espalhava até o corpo dela. Abri os olhos e vi a feira ser envolta em um brilho verde e começar a fechar até sumir completamente.

— Mas que... — Ela tentou dizer, mas estava surpresa demais para conseguir completar a frase.

Respirei aliviado.

— Pronto. Agora podemos ir.

Ela se sentou e ficou me encarando com os olhos semi-cerrados.

— O que?

— Você... Você é que nem eu, também achou um cristal não é?

— Sim. — Confirmei.

— Achei que eu era a unica. — Ela disse pensativa.

— Eu também... Até você aparecer.

Fiquei de pé e estendi a mão para que ela usasse de apoio para levantar.

— Eu me chamo Jonas. — Falei.

Ela segurou minha mão e ficou de pé.

— Cassandra. — Ela disse.

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Seguimos caminho até que chegamos a uma casa que estava com as janelas fechadas com tabuas e cheia riscos de queimaduras espalhadas por todos os lados.

— Vem. — Ela me fez segui-la pela lateral da casa até os fundos, abriu uma porta e entramos.

Me deparei com uma cozinha. Então seguimos até a sala da casa, avistei o sofá e fui direto me jogar sobre ele, exausto da jornada até ali.

— Nem pensar! — Ela me fez se afastar. — Você está um lixo, todo sujo dessa gosma nojenta. Vai tomar um banho antes de tocar em qualquer coisa aqui.

— Está bem... — Falei contrariado. — Onde fica o banheiro.

— Segunda porta à direita. — Ela disse apontando para um corredor logo à frente.

Fui até lá. Me olhei no espelho e percebi que estava bem pior que imaginava. Minha aparência ainda era a mesma, cabelo preto, olhos castanhos e duas pintas que sempre estiveram lá, um na bochecha esquerda e outra logo abaixo do meu lábio inferior, no lado direito. Fora isso, muito sangue cinza seco. Meu cabelo parecia que tinha sido endurecido por gel em algumas partes e outras não.

Tirei as roupas e joguei em um canto, não serviriam mais, precisaria de novas. Entrei no box do banheiro, abri o chuveiro e deixei a água cair sobre meu corpo. Fiquei algum tempo parado com o jato da água sobre mim, era relaxante. Então comecei a lavar toda a substancia do cabelo e depois do resto do corpo. Quando terminei peguei uma toalha no armário abaixo do lavatório, me sequei e me enrolei. Ouvi batidas na porta.

— Já terminou? — Era Cassadara. — Consegui algumas roupas para você usar.

Abri a porta e as peguei. Uma calça jeans e uma camiseta preta. Eram maiores do que o numero que eu costumava usar, certamente ficariam um pouco folgadas, mas era isso ou nada. Vesti e voltei para a sala.

— Serviram? — Ela perguntou quando me avistou.

— Dão pro gasto. — Falei. — Posso me sentar agora?

— Claro. — Ela fez um gesto apresentando o sofá logo em frente ao que ela estava sentada.

— Então? — Olhei em volta para a casa. — É sua?

— É. — Ela respondeu.

— E você mora sozinha aqui?

— No momento, sim.

— E onde está sua família?

— Mortos.

— Ah... Foi mal, eu não sabia. — Me senti péssimo por ter tocado no assunto.

— Tudo bem. Meus pais já estavam mortos antes de tudo acontecer. — Ela disse. — Eu vivia aqui com meu irmão mais velho. Estávamos no mercado fazendo compras quando tudo começou. Conseguimos voltar para cá em segurança e lacrar toda a casa para nos proteger. Mas em uma saída para buscar suprimentos as coisas foram mal e acabamos encurralados. Ele distraiu as criaturas para que eu pudesse fugir, mas não conseguiu enganá-las por muito tempo...

— Sinto muito por isso. — Falei. — E como você conseguiu essas habilidades de fogo? — Mudei o assunto.

— Logo depois que fugi do cerco de criaturas. — Ela começou. — Corri de volta para casa e fui distraída por uma forte luz vermelha que brilhava no alto daquela torre que te mostrei. Ela projetava um feixe de luz que penetrava nas nuvens e era tão linda que eu não resisti em segui-la.

— É, o mesmo aconteceu comigo. — Falei. — Quero, dizer, quando achei o outro cristal. Só que era uma luz verde, estava numa pracinha próxima de onde minha família e eu sofremos um acidente de carro.

— Eu corri até a torre, criaturas me seguiam. — Ela continuou. — Quando chegamos na área em que a luz vermelha se espalhava as criaturas pegaram fogo. Escalei a torre até o topo e lá estava o cristal. Flutuava com um brilho intenso. O peguei e ele penetrou em meu corpo, junto com toda a luz que emanava dele. Depois disso eu desmaiei e quando acordei descobri que conseguia fazer fogo como se fosse um isqueiro ambulante.

— Entendi. — Disse. — Seria possível existir mais pessoas como nós?

— Existem. — Ela falou. — Eu posso sentir.. você não?

Aquilo me pegou de surpresa. Eu ainda não havia tido tempo de parar para assimilar tudo e me abrir para as diversas sensações que sentia e não tinha condições de entendê-las.

— Eu não sei... — Falei. — Como você sente?

— É algo estranho. — Ela disse. — É como uma ligação... Foi assim que cheguei até você. Estava ali por perto e algo dentro de mim me dizia que tinha de ir até lá. Mas não sabia o porque até você me curar.

— Precisamos encontra-los. — Falei. — Se todos puderem fazer coisas como fazemos há uma grande chance de conseguirmos virar o jogo contra essas criaturas dos infernos.

— É possível. — Ela disse.

Aquela conversa era realmente animadora. Sentia uma pontada de esperança surgindo, me dando forças para continuar. Até ouvir o grito ensurdecedor de uma das criaturas e então outras fizeram o mesmo, várias delas, pelo que havia conseguido contar, pelo menos umas dez. Todas em volta da casa.

— Nos acharam. — Cassandra disse. — Temos de ir.

— Deixa só eu achar onde larguei minha barra de ferro. — Falei.

Notas finais
E a nossa jornada continua...