A História de Nós Dois
23 Capítulo Extra: Fungos Indesejáveis
Notas iniciais

Capítulo Extra
Fungos Indesejáveis
Hyoga já havia adormecido e Milo esperava na cama ainda acordado. Já era tarde da noite quando Camus voltou do mictório com uma cara não muito boa.
Ao ver a expressão de dor se desenhar no rosto do ruivo, Milo franziu o cenho, estranhando o fato
— Algum problema, amor? Você não me parece muito bem — perguntou dando espaço ao outro pra que se acomodasse ao seu lado
— Ahhh...não sei — a expressão de dor aumentou nessa hora, fazendo Camus apertar os olhos — quando fui urinar senti uma ardência, uma dor incômoda. Ainda arde um pouco...
Mal terminou de explicar-se e levou a mão ao pênis por cima da roupa, que agora coçava, irritado
Camus virou-se de lado e Milo se encaixou nele por trás, fazendo uma conchinha. Milo sentia Camus se coçar várias vezes, e assim ficaram até adormecerem.
No dia seguinte, a coceira de Camus só aumentava.
Na livraria, Dite se divertia observando as senhoras e senhoritas que coravam ao serem atendidas por Camus. É que inevitavelmente, entre uma consulta e outra, o ruivo acabava levando as mãos entre as pernas e se coçava por fora da calça.
— Do que é que está rindo tanto, Afrodite? Tenho cara de palhaço? — perguntou um ruivo sério e visivelmente irritado
— Oh não Camus, não rio de você, mas das pobres senhorinhas que você está matando de vergonha. Pare de coçar suas partes íntimas diante das clientes!!
Agora era Camus quem corava, enquanto Dite ria abertamente, divertindo-se com o mal estar do amigo.
— Oras, não faço por malícia. Estou com um problema! Não consigo evitar...
Mal terminava de falar e já estava coçando-se deliberadamente.
Mais tarde, em casa, desabafou com Milo o problema que assolou seu dia inteiro
— Acho que espantei todas as clientes da livraria. E não é pra menos, quem quer ser atendida por um bibliotecário que vive com a mão nas partes íntimas — sussurrou envergonhado
— PAPAI CAMUS TÁ COM COCEIRA NO PINTO!!
— HYOGA! O que é isso??
Camus deu um grito com o garoto, corando mais uma vez de vergonha. Milo ria da situação e tentou amenizar
— Calma, Oga é criança e é menino. Não tem nada aí que ele também não tenha
— Mas ele é só uma criança, não quero ele falando essas coisas
— Eu sei, eu sei...olha, vamos ao Doutor Aiacos. É nosso médico de familia há anos, eu o conheço desde moleque. Ele vai dar um jeito nisso aí rapidinho.
— Doutor Aiacos? Será?
— Claro, confie em mim!
Hyoga saiu correndo para pegar seu carrinho de madeira, Milo abraçou Camus pela cintura e o ruivo correspondeu passando os braços pelo pescoço do loiro. Os lábios colaram em um beijo intenso e apaixonado
— Acho que não vamos poder fazer nada enquanto você estiver assim...
— É ange, eu posso passar isso pra você e não vai ser nada bom. Acho que terá de se contentar com beijos.
— Humm...não pode parar de coçar nem enquanto nos beijamos? — ao mesmo tempo em que beijava os lábios de Camus, Milo sentia o parceiro coçando-se sem parar
— Não dá...não consigo
Naquela tarde mesmo os dois foram ao consultório do médico de familia que cuidava dos Bloedorn há muitos anos, funcionava na verdade na própria casa do doutor. Uma das saletas da bela casa em estilo vitoriano se convertia em consultório, com uma mesa onde ele anotava os receituários, uma maca para atender os pacientes e uma estante contendo todo tipo de remédios, inguentos, emplastros, entre outras coisas.
O cheiro de éter quase revirou o estômago de Camus quando o médico o chamou
— Vai lá, boa sorte!
Milo lhe depositou um selinho carinhoso nos lábios e Camus entrou, em um misto de vergonha e alívio por finalmente poder tratar aquele problema tão incômodo.
— E então Sr. Garret. Qual o problema? — perguntou o Dr. olhando algumas fichas, ainda sem encarar o paciente
— Er...bom...estou com uma coceira há um ou dois dias e ontém a noite senti muita ardência ao urinar
— Coceira onde? No pênis? — perguntou, direto e sem rodeios
— Si..sim — respondeu corado
— Certo, encoste na maca e desça as calças até os joelhos
A ordem fez Camus corar ainda mais, a ponto de ficar da cor de seus cabelos. Mesmo sem jeito, fez o que lhe foi pedido. Colocou-se encostado á maca e abaixou as calças.
O doutor se colocou diante dele, sentado, observava atentamente o órgão sexual do paciente. Afim de ficar menos nervoso, Camus olhava um ponto fixo. Escolheu uma imagem de um santo, que estava sobre a estante e ficou encarado-o até que a consulta terminasse.
Aiacos tocou, olhou, cheirou...e depois do exame minucioso, decretou
— Está bem, pode vestir-se.
A ordem fora um alívio para Camus, que se recompôs rápido
— E então doutor, o que tenho? — perguntou voltando a sentar-se diante dele, do outro lado da mesa de consultas.
Aiacos buscou um vidrinho contendo uma espécie de óleo e iniciou o diagnóstico
— O que o senhor tem é um fungo, Sr. Garret. Eles provocam a coceira, ardência e também um odor forte na área. Costuma ter uma vida sexual ativa?
— Ah...sim, bastante ativa — disse meio tímido
— Esta pode ser a causa. É um mal muito comum entre homens e mulheres, principalmente com a prática sexual e o acúmulo de fluídos no local. O tratamento é simples: deverá aplicar esse óleo na área, todos os dias após lavar-se. Faça sempre uma boa higiene. Fará o tratamento por uma semana e os fungos desaparecerão. Ah! Importante: sem relações sexuais neste período!
— Sim senhor, muito obrigado doutor.
Após agradecer e pegar o remédio, Camus saiu encontrando Milo do lado de fora.
— Milo! Mande recomendações ao seu pai e aos Bloedorn! — gritou o médico ao ver o mais novo
— Ah, sim...claro!
— E o senhor, sem sexo por uma semana hein!!
— O QUE??????? — Milo deu um grito
— Fica quieto, vamos embora — pediu Camus entre dentes arrastando Milo dali — esse médico deve viver mesmo numa bolha pra não saber sobre você e seu pai.
— ELE DISSE SEM SEXO!!!! SEM SEXO!!
— Oh mon Dieu....
No caminho para casa, cada um sobre seu cavalo, por conta da coceira Camus rebolava frenéticamente sobre a sela, aproveitando o atrito do cavalgar para aliviar sua coceira ainda mais. O gesto fazia todas as senhoras corarem pelo caminho e gritos de "pervertido" e "tarado" serem ouvidos na direção do ruivo que acabava por corar também. Milo apenas ria descontroladamente da situação do amado
— Para de rir, Milo! Não vê que isso é um sofrimento...ahhh — rebolava ainda mais sobre a sela do cavalo
— Desculpe amor, mas tá engraçado o austero Tenente Garret fazendo movimentos tão sensuais sobre seu cavalo
— Isso, vai rindo...porque não é com você...malditos fungos...AHHHHH!!
Mais tarde, já em casa, Milo brincava com Hyoga em seu colo. Os dois jogavam um joguinho de tabuleiro sobre a mesa da cozinha e riam animadamente.
Foram interrompidos quando surgiu um Camus de pijamas, cabelos molhados, recém saído do banho. A expressão do ruivo era de puro alívio.
— E aí, passou o tal remédio?
— Passei...acho que não sinto coçar mais — disse, suspirando com um sorriso de alívio nos lábios
— Papai passou remédio no pinto!
— OGA!!!! — gritaram juntos os dois mais velhos.
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