Notas iniciais
Mais um, espero que gostem e deixem comentários. Eu postei uma nova fanfic, então quem puder dar uma passadinha, eu agradeço.

“Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário – John Green”

Meu corpo doía, minha cabeça doía e tudo doía, abri os olhos e percebi que estava no Salão Comunal e não no dormitório.

Apertei os olhos com força e soltei um gemido me arrependendo de ter bebido instantaneamente.

– Droga! – resmunguei e me ajeitei, só então percebi que estava com a cabeça no colo de Alvo, arregalei os olhos e me levantei tão rápido que senti minha cabeça girar.

Fiquei de pé em frente a Alvo que estava dormindo sentado na poltrona, coloquei meu cabelo atrás da orelha e parei para pensar na noite anterior.

Eu havia beijado Alvo. Eu havia o beijado e nem sequer lembrava direito.

– Merlin – deixei que saísse pelos meus lábios como um suspiro e toquei meus lábios com a ponta dos dedos.

Eu havia dado meu primeiro beijo e nem sequer estava sã.

– Não acredito que eu fiz isso – disse novamente e subi para o meu dormitório pensando que encontraria Mackenzie, mas ela não estava ali. Devia ter isso para seu dormitório antes de eu acordar ou ontem a noite mesmo.

Fiquei na duvida entre descer ou ficar ali, para falar a verdade à segunda opção me tentava bastante.

– Encare seus problemas, Sophia – disse a mim mesma e desci as escadas.

Alvo ainda dormia, me aproximei relutante e cutuquei seu ombro. Nada.

– Hey, Alvo? – chamei o balançando de leve.

– Hum? – perguntou ele se espreguiçando, ainda com os olhos fechados.

– Ahn... eu acho melhor você ir dormir no seu dormitório – disse e ele abriu os olhos preguiçosamente.

– Oi – disse ele bocejando e coçou os olhos.

– Oi – disse me abraçando e desviando o olhar do dele.

– Dormiu bem? – perguntou ele ficando de pé.

– Aham – disse dando um passo para trás.

– Está tudo bem? – perguntou ele com as sobrancelhas erguidas.

– É que... – mordi os lábios – Eu estou com dor de cabeça.

Não era mentira, eu estava mesmo com dor de cabeça, ela latejava e latejava. Nunca mais beberia nada que viesse de Mackenzie.

– Eu vou para o dormitório – disse ele, sua voz estava diferente – Até mais tarde.

– Até mais – respondi e ele saiu dali sem dizer mais nada.

Eu não podia me dar esperanças ou podia?

Porque bom, ele era um Potter e eu uma Riddle.

O pai dele havia matado o meu anos atrás, para salvar o mundo bruxo. E eu fui criada pelo mesmo motivo, para destruir o mundo bruxo. Mas necessariamente para me vingar de todos os Potter.

– Não se iluda – disse subindo as escadas e entrando em meu dormitório, me encarei no espelho e vi minhas roupas amassadas e meu cabelo desgrenhado.

Fui para o banheiro e liguei o chuveiro, deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo e levando aquela ressaca junto.

Saí do banheiro enrolada na toalha e fui até o pequeno armário ali no canto, peguei um pijama e a coloquei. Levei a toalha para o banheiro e voltei para o quarto me jogando na cama, minha cabeça ainda doía.

Me lembrei de que não tinha escrito muito para tio Ben ultimamente. Peguei um pergaminho e uma pena com o tinteiro e apoiei num livro que estava na cabeceira.

“Tio Ben,

Sei que faz tempo que não lhe mando cartas e me desculpo por isso. Espero que você esteja bem e que a entojada da Pansy não esteja infernizando sua vida.

As pessoas estão achando que fui eu que mandei os Comensais da Morte para o povoado trouxa, então começaram a falar hoje e Alvo me defendeu como sempre.

Tem uma menina, Savannah, que vem me atazanando. Ela sabe sobre eu ter que vingar meu pai, eu pensei que ninguém soubesse.

Alvo acabou por vê-la nos jardins me atazanando e agora ele sabe sobre tudo.

Você conhece essa menina? Quem é ela?

Estou com saudades,

Sophia.”

Pensei em dizer sobre o beijo, mas acho que ele não iria gostar muito de saber que eu havia beijado. Ele provavelmente passaria a aceitar a vingança e ainda iria querer me ajudar a matar Alvo.

Peguei o livro que havia apoiado para escrever a carta e comecei a foliar. Fiquei ali por um tempo indeterminado e só parei de ler quando vi que estava anoitecendo.

Peguei a carta e reli. Talvez não devesse preocupa-lo, mas era a única forma, ele era a única pessoa que poderia me ajudar. Deixei o pergaminho em cima da cama e levantei para trocar de roupa e ir até o corujal, também já não tinha mais sono.

Coloquei uma calça jeans e uma camiseta qualquer, enfiei o tênis no pé e coloquei os cadarços para dentro sem nem amarrar, peguei o pergaminho em cima da cama e desci os degraus passando pelo quadro e indo para o corujal.

Amarrei o pergaminho na patinha de uma coruja das montanhas e acariciei suas penas, antes dela levantar voo.

Fiquei ali por alguns minutos até que escutei meu estômago roncar.

– Acho que preciso comer – disse para mim mesma e fui para o Salão Principal, já era hora da janta.

Só agora percebi quanto tempo havia se passado e que eu não comi nada hoje, tinha percebido que estava anoitecendo, mas não me toquei que tinha passado o dia inteiro no dormitório.

Desci e as pessoas ainda cochichavam, mas nem tanto. Só como sempre.

Entrei no Salão Principal e fui para a mesa da Sonserina, sentei ao lado de Mackenzie e de frente para Alvo, nossos olhares se encontraram por um segundo e ele desviou tão rápido quanto eu.

– Onde passou o dia? – perguntou Mackenzie franzindo as sobrancelhas.

– No dormitório – disse dando de ombros e enchendo meu prato – Depois fui até o corujal, não comi nada hoje. Estou morrendo de fome.

– Percebe-se – disse ela e eu revirei os olhos.

Comi tudo o que meu estomago aguentou e a fome havia sumido.

– Satisfeita?

– Sim.

– Vamos lá – disse ela se levantando e me puxando – Eu te acompanho para o dormitório. Sozinha.

Os outros dois voltaram a se sentar, ambos bufando ou revirando os olhos.

– O que foi? – perguntei quando chegamos a entrada no meu dormitório.

Você e Alvo se beijaram.

– Bem... – comecei mas ela me interrompeu.

– Não foi uma pergunta – ela disse cruzando os braços.

– O que quer? – perguntei revirando os olhos.

– Você está insegura – ela disse – Acha que ele não pode gostar de você por você ser uma Riddle. Mas saiba de uma coisa, ele nunca ficou assim por uma garota antes.

E dizendo isso ela saiu dali, me deixando estática atrás.

Sinceramente ela tinha que parar de fazer isso sempre.