A Herdeira dos Riddle
8 Defesa
Notas iniciais

"Eu apenas gostava de estar perto de você, mesmo que não disséssemos nada — O lado bom da vida"
Acordei com os primeiros raios do Sol entrando pela janela e batendo em meu rosto. Ontem três pessoas falaram comigo o que era estranho, levando em conta que ninguém nunca falava comigo. Provavelmente eles não falariam comigo hoje, mas eu não ligaria, já estava acostumada com a solidão e isso não me incomodava mais, não tanto.
Levantei e fui para o banheiro, tomei um banho longo e coloquei minhas vestes de Hogwarts. Eu não sabia qual seria minha primeira aula, pois ainda não havia recebido meu horário, ele provavelmente seria entregue agora no café da manhã, então não peguei material nenhum e desci de mãos vazias.
O "meu" Salão Comunal estava arrumado, com certeza bem mais arrumado que o da Sonserina deveria estar. Senti vontade de entrar la, mas não faria aquilo, eu não ia lá desde o meu primeiro ano e não seria agora que voltaria.
O que eu não entendo é o por que de todos me odiarem tanto. Quer dizer, os Sonserinos pelo menos. Agora que já estava mais velha e começava a entender as coisas, me toquei de que vários deles são filhos de Comensais que eram seguidores dos meus pais. O que significa que eles são tão errados quanto eu. Mesmo que não tenham feito nada, tem um sobrenome marcado pela guerra e talvez nem tenham culpa nisso, mas se eu estou errada por ter o sobrenome que tenho, eles também estão.
Desci para o Salão Principal e senti alguém puxando meu braço, segurei a respiração e virei-me para trás, mas era só Mackenzie.
– Calma — disse ela tranquila sorrindo.
– Você me assustou — disse levando a mão ao peito.
– Desculpe — disse ela tombando a cabeça para o lado.
– Tudo bem — disse balançando a cabeça e rindo.
– Como foi a noite na suíte presidencial? — perguntou ela e eu estreitei os olhos.
– Não — disse e ela riu — Pensei que não falaria mais comigo?
– O que? — perguntou ela e eu dei de ombros — Por que?
– Todos temos que manter as aparências.
– Sério isso? — perguntou ela e eu a encarei — Eu não sou assim, Sophia. Tenho certeza que você não é perigosa e realmente quero ser sua amiga.
– Por que? — perguntei confusa.
– Tem que ter motivos? — perguntou ela me encarando e ergueu as sobrancelhas.
– Eu não sei — disse dando ombros — Nunca tive amigos.
– Nenhum? — perguntou ela como se aquilo fosse a coisa mais absurda do mundo. E pensando bem, era sim, a coisa mais absurda do mundo.
– Não — disse negando com a cabeça.
– Isso é péssimo — disse ela e eu dei de ombros — O que você pensa disso tudo?
– No começo era estranho, eu não sabia por que tudo isso — expliquei a ela — Quer dizer, eu vim para este colégio, pensando que pela primeira vez na vida seria feliz, que aqui teriam pessoas que seriam legais comigo. Mas não foi o que aconteceu e foi um choque para mim no início, ainda mais quando troquei de dormitório, eu me senti ainda mais sozinha. Só que agora já me acostumei com o peso que meu sobrenome tem na sociedade e o quanto isso vai interferir na minha vida, o que eu não entendo é que vários alunos da Sonserina tem o sobrenome marcado pelo passado e por ter seguido o meu "pai" e nenhum deles é tachado por isso.
– Você ta certa — disse ela — Isso é ridículo, ninguém tem o direito de fazer isso com você, te excluir socialmente dessa maneira. Eu estou me sentindo péssima por não ter falado com você antes, de verdade. Me desculpe, por ter demorado tanto.
– Antes tarde do que nunca — disse sorrindo para ela que retribuiu — E você não tem motivo nenhum para se desculpar por nada, eu ainda estaria falando com meu travesseiro se não fosse por você.
– Você conversa com seu travesseiro? — perguntou ela erguendo as sobrancelhas.
– É uma expressão — disse rindo e ela riu também.
– Isso me deixa mais tranquila, acredite — disse quando parou de rir — Vamos para o Salão Principal?
– Ahn... tudo bem — disse dando de ombros, mas entraríamos juntas?
– Você vai se sentar comigo e os meninos — disse ela apontando para mim.
– Eles sabem disso? — perguntei encarando o nada.
– Sabem, mas tanto faz, se não soubessem.
– E concordam? — perguntei a encarando.
– Sim — disse ela me encarando também — Sophia, relaxe, ta legal?
– Tudo bem — disse e ela sorriu.
– Agora, vamos deixar toda Hogwarts de boca aberta.
– O que? — perguntei confusa e ela entrelaçou nossos braços e foi em direção ao Salão — Tem certeza disso?
– Shiu — foi a sua resposta maravilhosa e eu dei de ombros.
Chegamos a porta do Salão e todos se viraram para nos encarar, várias pessoas juntaram as cabeças e começaram a murmurar algo, enquanto outras me encaravam como se fossem me matar a qualquer instante ou como se estivessem com nojo de mim.
Senti minhas bochechas esquentarem e segurei a respiração.
– Me deixa ir embora — choraminguei para Mackenzie que segurou meu braço com mais força.
– Não — disse ela e eu a encarei.
Alvo veio até nós e me encarou por alguns segundos e depois virou-se de frente para todos.
– O que vocês estão olhando? — disse ele em voz alta para que todos ali presente escutassem — Por que estão olhando para Sophia assim?
– Ela é uma Riddle — cuspiu uma garota na mesa da Sonserina.
– E você uma Dolohov — disse ele erguendo as sobrancelhas — Seu pai foi seguidora do dela, ta lembrada disso?
– Mas isso foi ele — disse ela vermelha se defendendo — Eu não o segui e ele sim, não tenho culpa.
– Do mesmo jeito que ela não tem culpa pelas coisas que o pai fez — disse ele e a menina revirou os olhos — Alguma vez, ela já fez algo contra alguém nessa escola? — ninguém falou nada — Pois é, então parem de julgá-la e passam a cuidar da vida de vocês, principalmente os que os pais tiveram relação com Voldemort!
– Não precisa ter feito isso — sussurrei para ele.
– Precisava sim — disse ele revirando os olhos.
Fomos para mesa da Sonserina e eu abaixei os olhos para o meu sapato quando passei pelas mesas.
– Belo discurso — disse Tommy rindo — Como vai Sophia?
– Bem — disse a ele — E você?
– Indo — disse ele sorrindo.
Mckenzie se sentou comigo em todas as aulas e eu descobri que ela e Tommy eram namorados. Bom, tava meio na cara, mas okay.
Foi um dia diferente de todos que eu já tive até hoje, eu não me senti solitária e estava feliz por estar em Hogwarts.
Combinamos de ir a cabana de Hagrid na sexta após as aulas e irmos a Hogsmeade juntos.
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