A Herdeira dos Riddle
9 Cabana de Hagrid

"Esta inocência é brilhante, espero que isso permaneça — Avril Lavigne."
Hoje era sexta, dia em que marcamos para ir a cabana de Hagrid, o gigante ainda não sabia da nossa amizade, acho que continuava achando que eu era aquela mesma menina assustada que ele ajudara no primeiro ano, mas bom, eu era. Só que não estava mais sozinha.
Estava sentada com Mackenzie, na aula de Feitiços, que era nossa última aula do dia, o que significava que iríamos comer algo e ir direto para cabana de Hagrid. Fiquei pensando em qual seria a reação dele ao ver que Mackenzie, Tommy e principalmente Alvo, estavam falando comigo.
– Hey – chamou Alvo – Acabou a aula.
– Eu tava pensando – disse balançando a cabeça, como se para afastar os pensamentos e juntei meus materiais levantando-me.
– Em quem? – perguntou ele rápido demais.
´- Ninguém – respondi dando de ombros e Mackenzie sorriu de lado saindo da sala com Tommy, eu a olhei confusa não estava entendendo nada.
– Em que, então?
– Sobre o que Hagrid vai pensar ao ver que somos amigos – disse o encarando e abraçando meus materiais – Ele ficará feliz, não ficará ou então decepcionado?
– Ele ficará feliz – disse ele rindo e se aproximando de mim, eu arregalei os olhos e ele me abraçou – Ele te conhece e sabe que você é do bem.
– É – disse e ele ainda me abraçava. Eu não fiz movimento algum, estava toda dura em seus braços e sabia que ele havia percebido, pois escutei sua risada e depois ele se separou de mim.
– É melhor agente ir? – perguntou ele e eu passei a sua frente sem nem responder.
Vi Mackenzie e Tommy se agarrando mais a frente e parei no meio do corredor.
– Tudo bem – disse Alvo me alcançando.
– Como assim?
– Eles vão parar – disse ele rindo e passando a minha frente.
– Vão? – perguntei o seguindo e ele apenas virou para trás com um sorriso brincalhão no rosto.
– Olha como se faz – disse ele e passou entre os dois fazendo-os se separar.
– Filho da puta – reclamou Tommy e eu o encarei assustada. Alvo ria muito e Mackenzie estava vermelha de raiva.
– Olha os modos – disse Alvo.
– Vem Sophia – chamou Mackenzie revirando os olhos. Eu fui até ela, meio constrangida – Você é muito boba.
– Eu o que? – perguntei virando-me para ela.
– Boba e ingênua – disse ela novamente, os meninos estavam brincando de lutinha atrás da gente, o que significava que estavam muito ocupados para prestar atenção no que a gente falava – Você tem muito da vida para aprender comigo.
– Eu tenho? – perguntei erguendo as sobrancelhas.
– Sim, você tem.
Fomos para cozinha e comemos algumas coisas e depois fomos para o vento frio lá fora. Mackenzie entrelaçou nossos braços e foi em direção a cabana de Hagrid, batendo na enorme porta em seguida.
– Soph? – foi a primeira coisa que ele disse ao abrir a porta e eu sorri para ele – O que faz aqui?
– Eles me convidaram – disse e ele olhou surpreso para os outros.
– Verdade – disse Mackenzie – Ela é legal.
– Eu sei – disse Hagrid sorrindo para mim – Só Deus sabe como essa menina é gentil e diferente do que todos pensam.
– Estamos descobrindo isso – disse Alvo sorrindo e me encarando – Não é Soph?
– É – disse desviando o olhar do dele.
Tudo bem, eu continuava sendo a mesma menininha assustada de sempre, só que agora tinha amigos. Eu continuava com medo de tudo a minha volta, das pessoas ou de ter feito algo errado a todo instante possével. Continuava desconfiada e digamos inocente demais. Não sabia como agir na frente das pessoas, o que dizer aos meus novos e únicos amigos e muito menos sobre como agir na frente de Alvo, isso me deixava completamente frustrada e me fazia parecer ter uns 11 anos e não 16. Não sei o por que de ficar tão nervosa do “menino de olhos azuis” como eu costumava chama-lo quando tinha 11 anos, mas eu não sabia e nem fazia sentido. Eu ficava sem fala ou reação quando ele falava comigo, hoje quando ele me abraçou eu não consegui nem me movimentar, fiquei estática e ele certamente deve estar pensando que sou uma idiota. Bati em minha própria testa ao perceber como era infantil.
– Tudo bem? – perguntou Mackenzie e eu balancei a cabeça afirmativamente, ela e os meninos me encaravam como se eu fosse louca.
– Entrem, entrem – mandou Hagrid – Vocês devem estar congelando.
Entramos na cabana e nos sentamos a mesa enorme que tinha ali dentro.
– Estão com fome? – perguntou ele, indo até a lareira – Eu também posso fazer um chá para vocês se quiserem. E tem biscoitos, bolinhos e...
– Já comemos Hagrid – disse Mackenzie o mais gentil possível.
– Então tudo bem – disse ele vindo até nós e se sentando a mesa também – Me conte como conheceram a Soph?
– Eu fui falar com ela – disse Mackenzie dando de ombros.
– Mas, do nada?
– É, do nada – disse ela rindo e revirando olhos – Eu passei muito tempo com Alvo, para saber o quanto o sobrenome dele pesava e comecei a observar Sophia, quero dizer, nunca a vi fazendo mau a ninguém, ela sempre anda olhando para o chão e ninguém nunca dirigiu a palavra a ela.
– Isso é verdade – disse Hagrid – Não sabem quanto essa garotinha já sofreu pelo peso do sobrenome, sendo que nunca nem fez nada a ninguém.
– Pois é – disse Tommy.
– Mas faz quanto tempo que vocês começaram a falar com Soph? – perguntou ele encarando os outros.
– Foi essa semana Hagrid – disse Alvo.
– O pessoal do colégio encarou isso como? – perguntou ele sério.
– Mal, é claro – disse ele revirando os olhos – Todos ficaram encarando Sophia malignamente, como se ela fosse um inseto nojento que precisava a qualquer custo ser esmagado. Eu não aguentei ver aquilo, me levantei na mesma hora e fui até ela e dei uma lição de moral nele.
– Que lição de moral? – perguntou Hagrid fazendo uma careta.
– Só falei para aqueles idiotas coisas que eles deveriam ter ouvido a mais tempo – disse Alvo dando de ombros.
– Você não xingou ninguém, não é? – perguntou Hagrid assustado e Alvo riu abaixando a cabeça.
– Não Hagrid, não fui tão baixo – disse ele parando de rir e fazendo uma expressão pensativa – Mas bem que não teria sido uma má ideia, claro que nossa querida diretora não teria gostado nada disso, mas teria sido divertido.
– Nem fale uma coisa dessas – disse Hagrid.
– Minerva quis falar comigo – disse ele dando de ombros.
– Culpa minha?! – perguntei assustada e ele me encarou.
– Sophia, pare com isso – recriminou ele – Você não tem culpa de nada, nunca teve. Ela queria falar comigo e saber o motivo de eu ter de defendido e eu disse que era uma coisa que eu devia fazer, por você ser importante para mim agora – arregalei os olhos e ele corou – Afinal agora você é minha amiga, eu tenho que te defender. Faço o mesmo com Mackenzie, não é?
– Na verdade, não – disse ela dando de ombros.
– Isso não é verdade! – reclamou ele e ela revirou os olhos – Eu te defendo sim!
– Ta bom, ta bom – disse ela para ele ficar quieto e piscou para mim.
– Voltando – disse ele a fuzilando com o olhar – Ela queria saber se a gente era mesmo seu amigo, disse que sim e ela ficou feliz por isso e me deu os parabéns. E disse que a gente não deveria brincar com seus sentimentos.
– Tudo bem – disse dando de ombros.
Ficamos até a hora do jantar ali, conversando com Hagrid e depois fomos para o Salão Principal jantar. As pessoas ainda não me encaravam muito bem ainda e eu tinha medo de que elas tratassem os meus amigos de maneira diferente. Terminamos de jantar e eles foram comigo até meu Salão Comunal.
– Tudo bem – disse Mackenzie quando paramos ali em frente – Podem ir andando, quero falar a sós com Soph.
– Boa noite – disseram eles e foram andando pelo corredor.
– O que foi? – perguntei a ela.
– Você está a fim de Alvo – disse ela com um sorriso de lado.
– Não!
– Sim! – afirmou ela sorrindo – E ele estava com ciúmes de você hoje.
– Como assim? – perguntei cruzando os braços.
– Quando você disse que estava pensando – disse ela me encarando óbvia – Ele ficou todo nervosinho e perguntou em quem você estava pensando.
– E daí? – perguntei a encarando como se fosse louca.
– Ele perguntou em QUEM você estava pensando Sophia – disse ela revirando os olhos – Ele ficou com medo de que estivesse outra pessoa em sua mente.
– Você está louca – disse revirando os olhos.
– Como já disse uma vez Soph – disse ela se afastando – Você tem muito, muito mesmo, ao que aprender comigo.
E dizendo isso foi embora, me deixando confusa para trás.
Balancei a cabeça e entrei no meu Salão Comunal, afastando aqueles pensamentos importunos da minha mente.
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