A Herdeira Elementar
18 Capítulo 18
Terceira Pessoa POV:
Voldemort dirigiu-se ao fim das alas anti aparatação da mansão Malfoy, segurando firmemente o braço de Marlene Mckinnon que tentava a todo custo se soltar.
Do seu outro lado, Isabella, com um olhar infeliz em seu rosto, embora aliviado, andava livre acompanhando os dois, segurando em sua mão com mais força que o necessário um telefone celular. O seu telefone celular.
Quando os três passaram as alas anti aparatação, Marlene já havia desistido de tentar se libertar, deixando lágrimas silenciosas caírem de seus olhos enquanto olhava para sua filha que evitava seu olhar a todo custo.
- Muito bem minha querida. Faça isso. – Voldemort disse à Bella que o olhou assustada e confusa. – Se você fizer o portal não poderá me acusar de que mandei-a para outro lugar. – Explicou ele quase pacientemente.
Bella assentiu nervosamente, apertando o celular em suas mãos, ela sacou sua varinha colocando o celular na palma de Marlene e murmurando por baixo da respiração enquanto pensava com o máximo de intensidade possível em Sirius. Ela usaria seus poderes com os elementos, para garantir que as alas anti aparatação, e anti portais da sede não impedissem a chegada de Marlene. O portal a mandaria para onde quer que Sirius estivesse não importa as alas ao seu redor.
- Pronto. – Bella murmurou sombriamente soltando a chave de portal. – Em trinta segundos. – Alertou. Marlene soltou um soluço seco olhando para Bella como se quisesse abraçá-la, mas antes que fizesse qualquer movimento ela foi sugada pelo portal desaparecendo dali.
Bella sentia seus olhos quentes com a vontade de chorar, mas ignorou isso, precisava ser forte.
Voldemort sorriu retirando um anel do bolso em forma de uma serpente de prata.
- Me dê sua mão minha querida. – Ordenou. Hesitando um pouco Bella levantou a mão direita e Voldemort colocou o anel em sua palma úmida. Por um segundo nada aconteceu, então lentamente um tipo de magia se espalhou pela palma de Bella expandindo-se por seu corpo até cobri-la completamente. Bella fechou os olhos com a sensação fria de entorpecimento, ela então sentiu algo se mover em sua mão, abrindo os olhos repentinamente ela viu que o anel tinha desenrolado-se em uma serpente de prata que rastejava-se por sua mão indo em direção ao seu dedo indicador. Ela sacudiu a mão em reflexo, mas a serpente continuou em sua pele, o corpo de metal se enrolou confortável mente ao redor de seu dedo, ponta e cabeça se encontrando na parte de cima do dedo enrolando-se ao redor de uma pequena pedra de ônix, completamente negra e carregada de poder.
Imediatamente a sensação de frieza aumentou e Bella dobrou-se em si mesma sentindo-se quase congelando. Alguns segundos se passaram e lentamente a sensação desapareceu. Bella voltou a levantar-se, mas agora seus olhos não eram tímidos, nervosos e assustados. Agora eram frios e calculistas. Não havia um mínimo rastro das emoções inocentes que ela carregava antes, ela não era mais Bella a namorada de Harry, adolescente brincalhona de coração bondoso.
Ela era Isabella Black, a comensal da Morte, e a arma de Voldemort.
[...]
Do outro lado da cidade, Sirius estava no quarto de Bella, como sempre, olhando para o teto com amargura. Sentia falta dela, e não conseguia dormir bem, os pesadelos sobre o que ela e Marlene passavam entre os comensais da morte o assombrando perpetuamente.
Ele se sobressaltou ao ouvir o baque de um corpo dentro do quarto, seguido de um choro forte, e levantou-se rapidamente apontando a varinha para a origem do som.
- Bella? – Foi o primeiro nome que veio em sua mente ao ver os cabelos brancos. Mas ao som de sua voz, a mulher levantou o rosto e Sirius arregalou os olhos assustado. – Marlene... – Sirius olhou em dúvida para a mulher no chão. Queria abraçá-la. Mas não podia deixar de cogitar a idéia de que talvez não fosse ela ali.
Uma batida na porta o tirou de seus pensamentos, e logo em seguida a voz de Lilian flutuou para dentro do quarto.
- Sirius? Está tudo bem? Ouvimos algo caindo... – Marlene levantou os olhos turvos e confusos para a porta parecendo chocada.
- L-Lily? – Gaguejou ela paralisada.
- Quem disse isso? – Dessa vez uma voz masculina perguntou.
- J-James? – Marlene gaguejou de novo com os olhos impossivelmente arregalados. – Oh Merlin... – Ela sussurrou.
- Quem está ai Almofadinhas? – James perguntou. Sirius não respondeu olhando aflito para Marlene. – Nós vamos entrar... – Alertou. – 1... 2... 3 – Com um estrondo a porta abriu-se com força revelando James e Lilian que apontavam as varinhas firmemente para o quarto. Os dois olharam para Sirius então para Marlene arregalando os olhos chocados.
- M-Mar-Lene? – Lilian gaguejou. A resposta de Marlene foi seu corpo caindo com um baque surdo desmaiado.
[...]
Quando Marlene acordou novamente estava em um quarto fechado, com vários membros da ordem ao seu redor. Ela sentou-se assustada olhando para os diversos rostos conhecidos e desconhecidos encolhendo-se um pouco quando Dumbledore se aproximou dela segurando o celular de Bella nas mãos, afinal era prova de que aquela era a Marlene verdadeira, ou pelo menos que ela tinha estado com Bella.
- Marlene McKinnon certo? – Ela franziu o cenho confusa para ele, mas algo a induziu a responder.
- Sim. – Sua voz era baixa, rouca e seca pela falta de uso.
- Como você chegou aqui? – Novamente a resposta flutuou para fora de seus lábios antes mesmo que ela pensasse em responder.
- M-Minha filha... Fez um acordo com v-você-sabe-quem. – Sussurrou ela apertando os braços ao redor de seus joelhos.
- O QUE? — Sirius e James berraram em uníssono fazendo Marlene os olhar assustada e se encolher ainda mais na cama. Seu olhar parou em uma figura de negro do outro lado da sala e ela se encolheu ainda mais.
Sirius e James colocaram expressões culpadas por assustar a mulher, enquanto Severo não encontrava seu olhar.
Ignorando os protestos dos marotos, Dumbledore continuou a interrogá-la.
- Que tipo de acordo? – Perguntou cauteloso. Os olhos de Marlene se encheram d’água e ela soluçou.
- E-ela... Ela concordou com ele... Ele disse... Ele... – Ela soltou outro soluço quebrado. Logo depois de concordar com a proposta de seu algoz, Bella dirigiu-se à sela de Marlene para uma primeira e ultima conversa. Ela contou as condições do acordo e as conseqüências de aceitá-lo. Marlene teria aceitado morrer, mas ela percebeu que sua opinião não importava, Bella a queria longe dali, tanto por ser sua mãe, como por ela ser um tipo de refém. Se Bella não concordasse com algo, Marlene era o que Voldemort usaria contra ela, portanto, era a melhor chance que Bella tinha. Aceitar a proposta de Voldemort.
Marlene sentiu braços ao seu redor enquanto ainda soluçava e se encolheu assustada olhando para cima para encontrar duas orbes verdes esmeralda a olhando com dor, compaixão e compreensão. Fazia tanto tempo que não sentia contato humano gentil que era algo estranho para ela, quase... Errado. Mas ainda era um alivio.
Marlene controlou seu choro, fungando um pouco antes de respirar fundo.
- Eu não a vi novamente por um longo tempo... Até que ela veio me encontrar ontem à noite... Ela me disse... Me disse que ele a estava treinando... Que ele a estava transformando em um tipo de arma indestrutível... Mas que para ser indestrutível... Ela precisava... Eliminar seus inimigos... Ela disse que não conseguia matar... Não era da sua natureza e ela simplesmente travava, principalmente depois do episódio com... – Ela engoliu em seco. – Lestrange... Eu... Assumo que vocês... Saibam... – Ela vacilou olhando para Snape rapidamente antes de desviar o olhar.
- Nós sabemos. – Dumbledore falou suavemente.
- Você-sabe-quem não estava satisfeito com isso... Ele passou meses tentando convencê-la... Mas ela simplesmente não conseguia se forçar... Então ele fez uma proposta... A minha liberdade por... – Marlene soluçou novamente.
- Por...? – Incitou Sirius sentindo um aperto doloroso no peito quase como uma previsão do que estava por vir.
- Por seus sentimentos... – Marlene sussurrou tão baixo que apenas Dumbledore e Lilian ouviram.
- O que? – Lilian perguntou chocada. – Ele... Ele... Merlin! – Ela balançou a cabeça melancolicamente abraçando Marlene outra vez.
- O que ele quis em troca? – Sirius perguntou agitado.
- As emoções dela. – Marlene disse um pouco mais alto ignorando os ofegos chocados ela continuou. – Ele disse à ela, que os sentimentos... As emoções bondosas e ‘Grifinórias’ dela, estavam atrapalhando seu treinamento, disse que ela precisava desistir disso, afinal ela tinha concordado em ser dele... Ser um dos seus... E um Comensal não deve ter escrúpulos na hora de matar... Eu tentei fazê-la desistir... Mas ela não quis ouvir... – Marlene soluçou outra vez. – Ela disse que mesmo que ainda fosse ‘boa’ ela não era mais a mesma... Uma pessoa não pode passar por tanta tortura, física e psicológica e continuar a mesma... Ela me contou um pouco sobre como era antes... E como ela mudou... Ficou mais dura... Mais fria... Mesmo que ainda houvesse um pouco dela mesma ali... E ela estava desistindo disso... Dessa ultima parte dela por mim... – Outro soluço. – Ela disse que eu seria apenas uma refém nas mãos de você-sabe-quem uma arma para usar contra ela... E que de um jeito ou de outro, com o tempo ela se perderia, tornando-se a arma que você-sabe-quem queria. Aceitando a proposta dele ela ganhava minha liberdade, e apenas aceleraria o inevitável...
- Como assim? Inevitável! Ela não vai ser a arma dele! Não podemos deixar! – Sirius rosnou indignado.
- Você não entende... Você não a viu... Não viu os olhos dela... Eu nunca vi tanta dor... – Marlene se encolheu. – Ela tem os olhos de uma pessoa que já viveu por séculos... E viu coisas terríveis... Ela só tem dezesseis... E já viu tudo isso... Ela confessou que... Aceitou a proposta não só por mim, mas por ela... Ela não queria mais sentir a dor... Não queria mais conviver com a culpa... Ela concordou com ele, e isso em sua visão foi a maior traição que ela cometeu... Não sei se vocês sabem... Mas a iniciação de um comensal... – Ela vacilou.
- É matar. – Snape disse por ela. – Para se tornar um comensal você tem que matar.
Marlene assentiu.
- Mas ela não tinha prática em magia... Não conhecia quase nada sobre o nosso mundo, e ele se aproveitou disso... Ele a ensinou tanto o básico e o avançado... Mas também ensinou artes das Trevas... – Ela vacilou novamente.
- Mas... Artes das Trevas em sua maioria... Principalmente vinda dos comensais... – Remus murmurou.
Marlene assentiu.
- Espera você quer dizer... – Sirius vacilou. – Tortura? – Marlene o olhou com os olhos brilhando de lágrimas não derramadas e assentiu minimamente.
- A culpa dela a estava matando... Não só por ir para o lado escuro, mas por concluir os treinamentos que ele deu pra ela... Ela me disse que a ultima etapa que falta é a morte... E ela confessou que não conseguiria fazer isso sem perder sua mente porque a dor e a culpa piorariam a um ponto extremo... Não ajuda que ela possa sentir as emoções hostis e cruéis ao seu redor... – Marlene estremeceu. — Então ela aceitou para poder cumprir o treinamento... E sobreviver a ele...
- Merlin... – James sussurrou. Então sua expressão passou de chocada para alarmada. – Ela falou algo sobre o quinto elemento? Ela estava estudando esse poder? – Perguntou lançando um olhar alerta para sua esposa.
- Ah... Ela mencionou algo... Ela disse que tinha todos os elementos, e que já podia controlar muito bem quatro deles. E ela disse que estava treinando o ultimo... Mas ela não disse mais nada sobre isso... – James e Lilian empalideceram consideravelmente.
- O que foi? Porque vocês parecem... Assim? – Sirius fez um gesto para os dois indicando suas expressões.
- O quinto elemento... – Lilian engoliu em seco. – Poderia fazer Voldemort verdadeiramente imortal...
[...]
Bella e Voldemort caminharam para dentro da mansão silenciosamente. Bella tinha uma expressão fria, enquanto Voldemort mantinha um sorriso triunfal no rosto, como se nada fosse apagar sua alegria.
Ele tinha conseguido! Ela era sua arma!
Os dois pararam em frente a uma porta de madeira escura ornamentada com alguns detalhes serpentinos feitos de prata. Voldemort abriu as portas com um movimento de varinha e entrou com Bella em seu encalço.
Dentro tinha cinco trouxas. Todos prisioneiros, parecendo sujos e miseráveis.
- Agora minha querida... Me mostre o que você é capaz de fazer... Torture-os... E mate-os. – Ordenou apontando para os trouxas. Ela fixou seus olhos nele, e então muito lentamente voltou-se para os trouxas. Ela sacou uma de suas varinhas, a varinha ilegal, e acordou todos os cinco. Ignorando o alarme dos trouxas ao acordar, e o medo ao vê-los. Bella apontou a varinha para um deles e sem dizer uma palavra um jato azul voou de sua varinha que ao alcançar o trouxa o fez se contorcer de dor. Bella então colocou essa parte de si que torturava o trouxa de lado em sua mente, virando para olhar para os outros trouxas sem nunca deixar de torturar o outro.
Os trouxas olhavam horrorizados para o homem se contorcendo de dor no chão, Voldemort exibia um sorriso vitorioso. E Bella tinha uma expressão fria, impassível, nenhuma emoção à vista. Nem mesmo o ódio e raiva para lançar o cruciatus. Nem mesmo a satisfação poderosa que se tinha ao usar artes das trevas.
Um ventou frio adentrou a sala, mesmo sem haver qualquer fonte natural para originar a ventania, Os cabelos de Bella flutuaram furiosamente ao redor de sua cabeça e um fio quase transparente, quase como um fantasma, flutuou em direção a um dos trouxas formando uma bolha ao redor dele, o ar então foi diminuindo dentro da bolha, aumentando a força da gravidade naquele pequeno espaço, fazendo o trouxa arquejar, ofegando por ar, que evitava seus pulmões.
Um sentimento de quentura atravessou o quarto e um fio laranja, quase plasmático e transparente como um fantasma, se aproximou de outro dos trouxas, se envolvendo ao redor dele quase como uma serpente em um galho, queimando a pele por onde passava.
Um frio brutal tomou conta da sala, e mais um fio transparente e azulado se dirigiu a outro dos trouxas. Que ao tocar a pele foi absorvido como uma esponja absorve a água. O trouxa então empalideceu consideravelmente, tremendo violentamente, como se estivesse em uma caverna de gelo em uma sunga de praia.
Um aroma de terra molhada e grama saudável, encheu a sala e ao redor do ultimo trouxa, raízes se formaram enrolando-se ao redor de seus membros, e florescendo de seus galhos, apareceram plantas venenosas e algumas carnívoras.
Bella nem ao menos vacilou com os gritos, olhando quase como se não os escutasse, como se em sua mente uma musica calma e acolhedora estivesse distraindo-a.
Ela voltou-se para o primeiro trouxa e girando a varinha outra vez, dezenas de punhais se conjuraram voando em velocidade alarmante para o trouxa, acertando-o por fim. Os punhais se cravaram em sua pele, um deles acertando seu coração e silenciando seus gritos. Ela voltou-se para o segundo trouxa que tinha um olhar de pânico, seus lábios pálidos abrindo e fechando numa tentativa vã de buscar o ar.
Ela girou a varinha em sua direção e um jato de luz cinzento o acertou fazendo a bolha de ar desaparecer, o trouxa estremeceu sua pele ganhando uma cor acinzentada, suas veias se destacando um pouco como se algo caminhasse por dentro delas, sua pele foi se cobrindo de pequenas rachaduras, e por fim ele se desfez em cinzas. O terceiro trouxa tinha a pele em carne viva pelas queimaduras.
Novamente Bella apontou a varinha para ele e um jato laranja disparou em sua direção.
Uma luz vermelho alaranjada se formou vinda de dentro do trouxa, aumentando gradativamente assim como os gritos dele, alguns minutos se passaram e por fim, ele explodiu em chamas.
O quarto trouxa estava à beira da morte. Bella girou a varinha em sua direção e um raio verde o atingiu matando-o imediatamente.
O quinto trouxa não tinha mais boa parte de sua pele, e alguma parte de carne... Bella torceu o nariz levemente para isso, mas não demonstrou mais nada ao lançar um raio negro em sua direção fazendo sua cabeça rolar longe do corpo.
No mesmo instante os elementos se desmaterializaram e ela virou-se para Voldemort. Ele a observou bem, e percebeu que havia algo diferente em seus olhos. Uma resistência que tinha estado lá antes, mesmo depois do anel, tinha desaparecido completamente. Ela agora estava quase pronta. Ele só tinha que treinar sua personalidade um pouco e ela serviria para a sua finalidade.
Fim do Capitulo.
Notas finais
Me perdoem ai pela falta de ação nesse cap... E pela demora também!
Bjs e até mais
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