A Herdeira Elementar
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Desculpem a demora! Sério...
Devo avisar previamente que MATAR A AUTORA NÃO É ACONSELHÁVEL, porque assim vocês não vão poder saber o fim da história, não só dessa mas de todas as minhas outras! *sorrisoamarelo*
Então depois de lerem esse capítulo NÃO ME MATEM!
Boa Leitura!
Bella POV:
Minha cabeça doía. Eu sentia o latejar forte e doloroso reverberando por todo o meu crânio e um segundo depois, isso se espalhou por todo o meu corpo. A dor era horrível. Como ser perfurada mil vezes por centenas de adagas ao mesmo tempo ao mesmo tempo em que meu sangue se tornava puro ácido dentro das minhas veias queimando-me por dentro.
A dor se intensificava cada vez mais e eu já sentia o gosto metálico de sangue em meus lábios bem como manchas escuras apareciam em minha vista. Mesmo assim eu me recusei a deixar qualquer maldito som sair por entre meus lábios. Eu não daria a nenhum deles a satisfação de me ouvir gritar.
Quatro meses, duas semanas e três dias. Era o tempo que eu estava ali presa naquela masmorra horrível, com aroma fétido de sangue, urina e umidade abafada. Eu já tinha me acostumado com os gritos das outras celas. Constantemente eram trazidos mais prisioneiros, alguns duravam apenas algumas horas, outros alguns dias, ou semanas, eu provavelmente sou a que passou mais tempo ali.
No inicio eu tinha esperança de que Harry viesse para mim. Ou Sirius. Ou Remus ou Severo, ou qualquer um, mas com o tempo minhas esperanças foram enfraquecendo até que desapareceram quando não houve nenhum sinal de resgate. Voldemort e Bellatrix faziam questão de dizer isso para mim a toda oportunidade.
Eu sabia por que não estava morta, sabia também que eu não morreria, pelo menos não tão cedo. Sabia também que a qualquer momento poderia parar a tortura, mas eu não conseguia me obrigar a fazê-lo.
Por mais que ele possa não se importar mais comigo eu não consigo cogitar a idéia de traí-lo. Primeiramente Voldemort queria me torturar, em seguida matar e enviar meu corpo para Harry e Sirius como um alerta. Bellatrix se encarregou disso por algumas semanas, tortura tanto psicológica quanto física. Então Voldemort apareceu pela primeira vez, provavelmente para me matar de uma vez por todas. Eu não posso negar que ansiava quase desesperadamente por isso, parar toda aquela dor, e somente me matar. Ele assistiu a tortura de Bellatrix por horas. E em nenhum momento eu dei-lhes a satisfação de me ouvir gritar. Na verdade somente no primeiro dia, quando a dor do Cruciatus e as outras diversas maldições eram novas, quando eu não estava acostumada a sentir uma dor tão grande, eu deixei escapar gritos e lamentos. No segundo dia Bellatrix fez questão de deixar claro que adorava me ouvir gritar, então minha nova meta se tornou não deixá-la ter satisfação nisso. Eu também tentei usar meus poderes, certamente eu seria capaz de fugir a partir deles. Mas ainda assim, eu era muito inexperiente, meu poder era incrivelmente forte, mas não era domado. E logo eu descobri que uma maldição que bloqueava meus poderes foi colocada em mim antes que eu acordasse nas masmorras no primeiro dia.
Eu ainda sentia o poder dentro de mim, mas não conseguia alcançá-lo. Voldemort se intrigou com a minha resistência, resistir ao Cruciatus de Bellatrix sem gritar ou enlouquecer depois de três semanas era algo quase impossível. Eu lembrava muito bem da história dos Longbotton, e acho que isso irritava Bellatrix, o fato de ter sido capaz de enlouquecer dois aurores formados em algumas horas enquanto não conseguia arrancar nenhum gemido de mim em tanto tempo. Voldemort ao contrario dela, não se irritou, na verdade ele ficou interessado. Ele decidiu então que desde que eu me recusava a abrir a boca seria conveniente vasculhar minha mente. Eu não estava preparada para isso, e só tive tempo de proteger algumas poucas memórias longe de sua inspeção. Memórias que poderiam colocar Harry e a ordem em perigo.
Ele ficou ainda mais interessado quando viu que mesmo com o Bloqueio, que ele mesmo confessou ter colocado em mim, eu pudesse realizar oclumência de forma eficiente. Ele queria ver as memórias escondidas e tentou de tudo para obtê-las, a dor de ser invadida por um Legilimens forçado era horrível, e ele não fazia nada para diminuir a dor, ele parecia se divertir. Depois de horas ele desistiu de tentar por enquanto e decidiu que falar comigo seria uma tática melhor. Ele conversou comigo, sem, é claro obter resposta, ele falava como se fossem velhos amigos e não prisioneiro e malfeitor. Graças ao Legilimens, ele me conhecia bastante, embora ainda não me entendesse segundo ele mesmo confessara em um momento da conversação unilateral. No final ele estava insatisfeito e irritado pela minha falta de reação, embora eu pudesse sentir que ele ainda estava interessado em meus poderes, o brilho calculista em seus olhos ao me observar era perturbador, eu sabia o porquê, simplesmente por ele ter vasculhado mais detalhadamente as memórias em que meus poderes estavam envolvidos. Eu meio que tinha adivinhado o que ele planejava, e não precisava dos meus poderes para isso.
No dia seguinte, como eu previ, ele voltou. Não mais na forma ofídica, mas no corpo de um homem belíssimo, cabelos negros levemente ondulados que moldavam seu rosto embora não chegassem ao seu ombro, pele pálida e translúcida, olhos tão azuis quanto um céu claro de verão, com um anel negro ao redor das pupilas, com suas orbes brilhando fria e calculistas, corpo perfeito, alto, magro e levemente musculoso, seu rosto era anguloso e masculino, resumindo ele era o sonho molhado de qualquer mulher.
Flashback On:
– Bom dia minha querida... – Ele comentou como se aquele fosse um dia casual e fôssemos velhos amigos sentando para o chá das cinco. Eu apenas o encarei sem falar nada. Depois de tanto tempo eu tinha medo que se deixasse escapar uma única palavra algo dentro de mim se quebraria e eu gritaria por toda a dor que sentia. Eu podia não gritar, mas eu ainda sentia toda a dor infligida ao meu corpo, sentia cada nova cicatriz, cada maldição imposta a mim, e ter um tipo de meta em meio a tudo aquilo me ajudava a manter a minha sanidade intacta, como uma rocha que impedia que eu me afogasse em um mar de loucura e dor. – Vejo que ainda está com as roupas de quando chegou aqui, se quiser trocá-las estarei perfeitamente de acordo, tenho certeza que em algum lugar aqui há alguma roupa do seu tamanho... – Comentou ele quase amigavelmente o que me fez desconfiada. – Ainda não responde... – Acrescentou depois de alguns minutos de silencio que eu me recusei a preencher. Ele balançou a cabeça quase como uma mãe repreende uma criança comendo doce antes do jantar e conjurou uma cadeira à minha frente sentando-se majestosamente sem deixar de me olhar.
Eu não podia negar. Ele era lindo, e sua aparência quase o fazia parecer outra pessoa, mas seus olhos... Diz um ditado, que os olhos são a porta da alma... Se isso é verdade então ele está com sérios problemas porque não tem ninguém em casa. Seus olhos são frios para as emoções que normalmente abrigam os olhos das pessoas. Embora houve poucos momentos em que um flash de raiva, insatisfação, calculo e interesse brilhavam ali. Mas não era possível dizer se tudo o que eu via era real ou apenas uma ilusão. Eu não podia saber quando ele fingia ou dizia a verdade, se é que ele fazia isso. Eu podia sentir um pouco de suas emoções, mas não influenciá-las como poderia se tivesse meus poderes completos, isso é o que me ajudava a pelo menos discernir um pouco das emoções que ele emanava. Voldemort era uma pessoa muito contraditória e eu realmente não precisava de outra dor de cabeça, portanto espantei esses pensamentos me focando no que ele dizia.
– Veja então... Eu tenho uma proposta a lhe fazer. – O olhei inexpressivamente, que tipo de proposta ele teria para fazer? Oh, eu provavelmente tinha uma boa idéia do que era. – Eu estava indo para matá-la... – Uma leve quase imperceptível tensão se instalou em meus ombros, mas mesmo assim eu sabia que ele tinha percebido. – Mas uma olhada em você, e em sua mente me fez pensar mais profundamente neste caso... – Ele me olhou intensamente causando um arrepio pela minha espinha, certamente não era um sentimento bom. – Você é muito poderosa para ser eliminada assim, decidi que você merece uma chance. – Arqueei uma sobrancelha em sua direção, mas fora isso nenhum outro músculo de meu rosto se moveu. – Renuncie minha querida. Torne-se uma de nós, você pode se tornar ainda mais poderosa e inteligente se aceitar essa oferta. Eu posso lhe oferecer isso. Posso lhe oferecer todo o conhecimento que você ânsia, todo o poder e controle que você deseja, basta que você renuncie. – Pela primeira vez minha máscara sem sentimentos se desfez e eu não pude fazer nada para impedir. Eu estava chocada de mais, surpresa de mais, para impedir. Eu observava seus olhos que me examinavam calculista observando cada emoção que aparecia em meu rosto. Choque, Confusão, Incredulidade, Raiva, Duvida, Interesse, Desconfiança, Negação, Desejo, Fúria, Mais negação...
Ele quer... Que eu me torne... Uma comensal?
– Exatamente. – Ele disse lendo meus pensamentos. Eu nem tinha percebido sua presença em minha mente, com o turbilhão de emoções que me bombardeavam. – Você vai se tornar uma das melhores, se não a melhor. Estará entre as fileiras mais altas, mais poderosas, e mais próximas de mim. Eu vou treiná-la eu mesmo, estou bastante interessado em seus poderes como você bem observou... – Forcei as emoções dentro de mim e esfriarem deixando apenas a raiva e negação predominar.
Não! Nunca! Eu não vou me juntar a você! Não vou traí-los! Está perdendo seu maldito tempo! – Rosnei mentalmente sabendo que ele ouviria.
Seus olhos azuis escureceram para um tom vermelho perturbador e eu vi a raiva flutuando ali.
– Você tem somente duas opções. Ou você aceita... Ou então Bellatrix e os outros vão continuar se divertindo com você até você quebrar. Eles continuarão a curá-la quando estiver perto da morte, e continuarão a torturá-la até você aceitar seu destino ou morrer. De qualquer forma, você é tola! Se nega a trair Potter e os outros quando eles nem ao menos se importam com você? Eles nem mesmo tentaram resgatá-la. Deixando-a para morrer. Você se importa com eles? – Suas palavras fizeram meu peito arder dolorosamente e eu sabia que não tinha nada haver com a dor física a qual eu sentia quase constantemente. Não, isso era mais profundo, quase como quando Edward me deixou, só que desta vez era pior.
Será que era verdade? Eles nem ao menos tentaram? Eles me deixaram aqui para morrer nas mãos desses monstros? Me esquecendo tão facilmente? Será que... Será que eles encontraram alguém para me substituir? Harry teria... NÃO! Eu não podia acreditar nisso! Não podia cogitar isso. Eu sentia as paredes que eu havia construído ao redor de mim nas ultimas semanas começando a desmoronar e eu não podia permitir isso. Eu não podia perder as esperanças. Eu tinha que ter fé! Tinha que acreditar que eles viriam para mim.
Voldemort riu cruelmente ouvindo o que eu pensava e fixou seus olhos ainda mais intensos em mim.
– É essa a sua decisão? Sofrer um destino terrível por quem não merece o seu esforço? – Zombou.
Certamente você não vale o meu esforço também! – Pensei acidamente vendo a fúria assolar seu rosto.
– CRUCIO! – A dor novamente tomou conta de mim e eu tive que fazer esforço para não gritar. Minhas defesas ainda estavam muito abaladas e a maldição de Voldemort é muito mais forte do que a de Bellatrix. Longos e dolorosos minutos se passaram enquanto eu sentia meu corpo queimando interiormente sob sua fúria, sabendo que minha recusa para ele e desafio implícito de não gritar o irritava mais ainda. Mas eu não lhe daria satisfação.
– Você vai aprender a me respeitar! Mas por enquanto se essa é sua decisão, você escolheu seu destino. Vamos ver quanto tempo mais você vai durar. – Rosnou ele a olhando raiva antes de dar meia volta e sair da sala enviando minutos depois Bellatrix e Rabastan para continuar o trabalho.
Flashback Off.
Voldemort vinha uma vez a cada três dias para me visitar falando comigo, zombando de mim por ter sido abandonada pela ordem, persuadindo-me lentamente a aceitá-lo. Eu continuava a resistir. E ele ficava cada vez mais impaciente com a minha recusa. As semanas se passaram e eu ainda não tinha cedido. Então ele resolveu mudar de tática, percebendo tardiamente que a tortura não levaria a lugar nenhum.
Flashback On:
– Bom dia minha querida? Já repensou sua decisão. – Como sempre eu não o respondi apenas negando minimamente com a cabeça. Sentia o sangue escorrendo em frente a minha camisa devido à atenção de Bellatrix durante as horas anteriores, mas isso já nem me incomodava mais. A dor se tornara parte de mim. – Que pena... Mas isso não durará muito mais. – O encarei com um olhar que dizia claramente “Você é louco se ainda não aprendeu que isso não funciona comigo, mas você é louco de qualquer modo então sinta-se livre para se iludir mas não espere que eu entre no jogo.” – Vamos lá, você precisa trocar de roupa e limpar todo esse sangue. – Disse ele acenando com a varinha e as amarras que me mantinham no lugar se desprenderam. O olhei sem compreender e ele não retribuiu o olhar me puxando pelo braço e me levando para fora da cela. Vi o olhar irritado de Bellatrix quando passamos por ela, e Voldemort nem ao menos reconheceu sua presença. Ele me levou por um longo corredor escuro onde diversas outras celas eram vistas. Impedi-me de olhar para qualquer uma delas com medo de descobrir o que tinha ali, e apenas deixei Voldemort me guiar, afinal o que mais eu poderia fazer? Ele praticamente me arrastava apoiando todo meu peso, desde que eu não conseguia colocar força o suficiente para andar depois de uma facada particularmente profunda e sangrenta em minha coxa esquerda.
Quando chegamos à uma escada ele rosnou por minha lentidão e tentou me puxar com mais força não tendo muito sucesso em me apressar. Ele por fim se irritou e num rápido movimento pegou-me entre seus braços e tornou a subir as escadas muito mais rapidamente que antes. O olhei em choque, porque diabos ele fez isso? Porque não usar um feitiço ou algo assim?
– É mais útil ter a varinha desocupada, além do mais você pesa como uma pena e não é muito esforço para carregá-la e poupa-me de sua terrível lentidão. – Respondeu a pergunta silenciosa.
Resisti a vontade de rosnar para sua intromissão, mais uma vez, em minha mente.
Como se fosse minha culpa eu estar impossibilitada. Você é o bastardo torturador aqui, não eu! – Pensei com raiva. Por mais que ele tentasse me obrigar a parar de tratá-lo de forma rude mentalmente, ele não tinha muito sucesso nisso. Ele rosnou escutando meus pensamentos, mas absteve-se de comentar seguindo agora por alguns corredores vazios, então mais escadas, mais corredores, mais escadas, e por fim, chegamos ao que eu achava ser o ultimo andar do maldito lugar, onde um longo corredor se estendia, saindo por uma porta de carvalho antiga que dava para uma passarela de mármore que levada a porta de uma torre, que como eu adivinhei, era no ultimo andar, provavelmente uns malditos cem metros do chão. Que porra é essa agora? Rapunzel e seus longos cabelos presa na merda da torre encantada pela bruxa malvada? Ou melhor bruxo malvado?
Voldemort me lançou uma olhada de repreensão por meus pensamentos e eu enviei-lhe mentalmente um gesto rude fazendo-o rosnar. Eu sabia que ele se continha para não me lançar um crucio naquele momento ou mesmo me lançar de todos aqueles andares para a morte certa. Mas ele ainda estava interessado de mais em meus poderes para me matar, portanto ele se conteve me apertando ainda mais forte em seus braços aumentando a dor dos meus ferimentos.
Ao chegar a porta da torre ele sibilou em língua das cobras, algo que eu estranhamente compreendi.
“Poder” – Rolei os olhos mentalmente, Obvio de mais...
– Você entendeu o que eu disse? – Perguntou ele olhando-me com curiosidade. O olhei crispando os lábios e assenti rigidamente enquanto algo como satisfação passava por seus olhos. – Você me surpreende cada vez mais... – Exclamou quase animado, seus olhos brilhando com calculo.
A porta se abriu revelando um enorme quarto em paredes de mármore com um papel de parede verde e detalhes em prata nos cantos das paredes e teto. Uma cama de King Size enorme estava localizada encostada na parede central, com lençóis de seda negra, em cima de alguns travesseiros também negros com alguns bordados em prata estava uma cobra gigantesca, verde com manchas pretas sibilando levemente em nossa direção.
“Nagini.” – Voldemort disse em tom casual assentindo para a cobra que surpreendentemente retribuiu.
“Meu senhor. Esta é a garota?” – Perguntou a cobra olhando quase com curiosidade em minha direção.
“Sim. A partir de agora ela ficará aqui.” – Voldemort disse caminhando para uma porta no canto da sala passando por uma enorme estante de livros, que mesmo que não fosse o momento certo fez meus olhos se ascenderem em interesse, não importa todas as mudanças que ocorressem eu ainda adorava ler e adquirir novos conhecimentos. Bufei mentalmente vendo o sorrisinho presunçoso no rosto de Voldemort e me recusei a pensar nos livros ou em qualquer coisa boa em relação a tudo aquilo gritando ofensas em minha mente embora eu tivesse certeza que eu sentia curiosidade pela mudança repentina de cela.
Eu sabia que ele tinha escutado, mas desta vez ele não respondeu minha pergunta silenciosa. Ele abriu a porta revelando um enorme banheiro com uma pia de mármore preto, uma banheira gigante do mesmo material, um chuveiro, vaso, um espelho de corpo inteiro, e uma porta entreaberta que levava para, pelo que eu podia ver, um closet.
Voldemort me guiou até a banheira, me sentando na beirada e lançando um feitiço silencioso na banheira que a fez encher de água. Eu o observava com receio, o que diabos ele estava fazendo? Planejava me cozinhar viva dentro daquela banheira que era quase uma piscina?
Vi de relance ele rolar os olhos com meus pensamentos e em seguida ele girou em minha direção me erguendo rapidamente e entrando na banheira, me baixando para a água morna.
Mordi os lábios para não deixar escapar algum som de dor, ao sentir a água quente em todas as minhas feridas fazendo-as arder dolorosamente. Voldemort se abaixou começando a retirar minhas roupas e eu olhei com o inicio de pânico para ele. Ele não estava...
– Não. – Ele cortou meu pensamento. – Você apenas não está forte o suficiente para fazer isso sozinha e ninguém mais tem acesso a esse quarto além de mim e Nagini. – Eu continuei a olhá-lo com medo, e confusão. Porque ele estava fazendo isso? Porque me trouxe para cá? Porque estava sendo remotamente ‘agradável’? Eu era uma prisioneira afinal.
– Uma bem teimosa... – Resmungou ele em voz baixa, que eu ignorei continuando meus pensamentos.
Seria isso um fingimento? Era a opção mais viável... Qual é?! Voldemort ser agradável é o mesmo que o Tio Dumbie odiar doces, impossível!
As mãos de Voldemort desceram para o fecho do meu sutiã e eu engoli em seco. Ele retirou a peça rapidamente e eu agradeci interiormente pela banheira estar cheia o suficiente para cobrir até o meu pescoço.
Ser torturada não era tão humilhante quanto isso... Ah não, nem um pouco. Era perturbador e vergonhoso, eu nunca tinha estado tão exposta a alguém assim desde que eu tinha cinco anos e minha mãe ainda me dava banho...
Voldemort me olhou curiosamente e eu corei profundamente lembrando-me que ele ainda podia ouvir meus pensamentos. Merda!
Evitei olhá-lo a partir daí, corando cada vez mais ao senti-lo retirando cada uma das minhas peças até que não sobrou nenhuma delas em meu corpo. Ele olhou curiosamente e interessadamente para a minha bota e eu empalideci imediatamente ao vê-lo analisando-a melhor. Fudeu! Fudeu outra vez! Agora ele está definitivamente desconfiado e interessado!
Porra! Caralho! Droga! Fil...
– Olha a linguagem! – Repreendeu ele me fazendo xingar ainda mais. Foda-se se as mulheres não xingavam no seu século meu xapa! Eu juro como Gred e Frorge!
Voldemort olhou confuso para os nomes ao qual eu não expliquei continuando a xingar mentalmente quando ele voltou sua atenção para minha bota novamente. Evitei pensar qualquer coisa mais comprometedora sobre minha bota, mesmo que ele já soubesse que tinha algo errado ali somente pela minha reação. Ele analisou a bota por mais alguns segundos antes de olhar para o salto tateando com suas mãos e eu gelei. Sua mão pressionou o ponto exato e o salto afundou em seguida subiu saindo do lugar revelando o compartimento secreto.
FODA-SE! Gritei mentalmente. Ele me lançou uma olhada repreensora, e eu agora me xingava interiormente por esquecer desse detalhe tão importante.
Ele colocou dois dedos dentro do salto mexendo um pouco e retirando de lá exatamente o que eu não queria que ele visse. O minúsculo livro estava em suas mãos enquanto ele olhava curiosamente para aquilo. Ele acenou com a varinha e o livro cresceu. Fechei os olhos em derrota, droga! Depois de algum tempo em silencio, eu abri lentamente os olhos o olhando confusa, ele encarava o livro sem entender, um vinco entre as sobrancelhas. Olhei para o livro também e quase engasguei. Mas o que... O livro não era o que devia ser, na verdade assumira a forma de um livro grande, pesado antigo, sem título, com uma capa de couro totalmente negra nada parecido com o original. Franzi o cenho confusamente até que com um tapa mental a informação clicou em minha mente. Devia ser como o outro...
Voldemort me encarou exigindo uma resposta para meu pensamento deliberadamente evasivo e eu me recusei a falar algo.
– Qual é o feitiço? – Perguntou em voz baixa. Feitiço? – O feitiço que cria a ilusão. O livro que eu vi diminuto não é o mesmo que esse que está em minhas mãos agora, qual o feitiço? – Repetiu impaciente.
Não sei. – Respondi sinceramente ainda sem falar em voz alta. Eu não sabia mesmo qual era a merda do feitiço...
– Porque precisa de uma ilusão? – eu dei de ombros recusando-me a pensar no caso. – Responda-me! – Rosnou ele enviando um arrepio por minha espinha. Olhei chocada para ele a perceber que não conseguia saber se era de medo ou de... Apreciação. MERDA! EU NÃO PENSEI ISSO! EU NÃO PENSEI ISSO! EU NÃO PENSEI ISSO!
Voldemort sorriu maliciosamente em minha direção e eu engoli em seco.
– Me responda sobre o livro. Porque é camuflado. – Insistiu em uma voz que dizia que ele na desistiria e não hesitaria em me machucar para ter a resposta, embora isso não tenha funcionado comigo até agora.
Rosnei mentalmente, não sabia se podia agüentar muito mais... Pensa... Pensa... Uma resposta satisfatória que não estrague tudo... Hm... Já sei!
Esse livro contém coisas consideradas Artes das Trevas. – Não era mentira, certamente o que ele dizia era ilegal e considerado magia escura no mundo bruxo, pelo que eu li na biblioteca da ordem.
–Porque você carregaria um livro de Artes das Trevas escondido e camuflado em si? – Perguntou ele arqueando a sobrancelha e sacudindo minha bota retirando o que restava lá. Um desenho do arcanjo, o outro livro que tinha a mesma aparência que o que ele segurava, um frasco com uma pegadinha que os gêmeos e eu preparamos...
Uma picada dolorosa se espalhou em meu peito em pensar nos meus ‘gêmeos’, mas me recusei a me aprofundar nisso.
O livro me ensina um pouco sobre meus poderes. Os dois. O feitiço deve protegê-lo de intrusos. – Pensei sarcasticamente a ultima parte.
Voldemort estreitou os olhos para os livros e os colocou cuidadosamente em cima da pia, voltando para a banheira com vários frascos de poções. Engoli em seco outra vez e ele sorriu perversamente para mim ciente do que eu sentia.
Bastardo!
Ele estreitou os olhos para mim, provavelmente coçando a mão para me lançar uma maldição pelos insultos. Ele já tinha tolerado bastante essa noite, o que era uma surpresa, ele nunca tinha tolerado, sempre me torturava para que eu aprendesse “Modos”, mas eu sempre o ignorava, ou tanto quanto é possível a vitima ignorar o malfeitor.
Eu corei profundamente quando ele arregaçou as mangas derramando um pouco De uma das poções nas mãos e começou a passar pelo meu corpo, sem perder o sorriso perverso. Isso ficava cada vez mais humilhante. Foda-se o fora do Edward, foda-se ao fora do Jacob, foda-se a minha tentativa de homicídio para os Cullens, foda-se ver gente morta... Isso não é nada comparado ao que eu estou sentindo, e seu sorriso só aumentava ao ver meu rubor descendo por meu pescoço e desaparecendo debaixo d’água.
Eu queria obrigá-lo para longe de mim, mas eu realmente não tinha forças, literalmente, para isso.
“Não é isso que você quer...” Uma voz irritante em minha mente me fez saltar e eu corei ainda mais arregalando os olhos, mortificada ao sentir onde a mão dele foi parar com meu movimento desajeitado. A dor em meu corpo pelo movimento fez a vergonha escapar um pouco, mas ainda assim eu estava em choque. Ele parecia surpreso e malicioso com isso e eu desviei olhar para longe querendo que ele me soltasse logo.
Olhei para a janela e inesperadamente senti meus olhos quente como se estivesse prestes a chorar. Tentei ignorar isso, mas eu simplesmente não conseguia. Não queria chorar na frente dele, ele provavelmente zombaria e me faria sentir pior ainda mais, então tentei um pouco mais forte.
Eu não vou chorar! N-não vou chorar! N-não v-vou c-chorar! N-não vou... N-não...
Perdendo a batalha uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu movi minha cabeça mais longe de sua vista mesmo que soubesse que ele tinha conhecimento do que se passava comigo através da minha mente. Mesmo assim eu não o olhei, seria tornar mais real e humilhante.
Eu nem ao menos sabia por que estava chorando! Talvez fosse frustração... Dor... Tristeza... Eu sabia que meus cabelos estavam cinzentos, depois de um tempo aqui, eles assumiram quase permanentemente essa cor. Nunca mudando até agora. Cinza significava isso. Dor... Depressão... Isso queria dizer que eu estava quebrando... Minha mente estava quebrando...
Pensei com horror... Em breve eu provavelmente perderia minha sanidade... Assim como Frank e Alice... Ou provavelmente a vida... Com minha mãe...
Senti dedos frios me forçando a virar o rosto e encontrar o olhar de Voldemort e fechei os olhos não querendo enfrentá-lo.
– Olhe pra mim! – Ele ordenou em uma voz de comando. Apertei ainda mais os olhos e me recusei a olhá-lo, sentindo mais lágrimas quentes escorregando por entre os meus cílios, correndo por minha bochecha e pingando em sua mão. – Olhe para mim! – Ordenou mais nitidamente apertando sua mão dolorosamente em meu queixo. Relutantemente abri meus olhos. – Porque está chorando? – Rosnou. Eu não respondi. – Porque derrama água salgada e inútil de seus olhos? Eu não estou machucando você! Então porque está chorando? – Gritou a ultima parte fazendo-me encolher. Seus olhos agora brilhavam vermelhos. – PARE DE CHORAR! – Isso teve o efeito contrário em mim. Meu choro se intensificou e o medo se agarrou em mim fortemente. Ele rosnou seu rosto se contorcendo em raiva, sua mão subindo no ar e descendo impactando com meu rosto e um tapa forte e doloroso que fez minha cabeça bater no mármore duro atrás de mim manchas negras atrapalhando minha visão enquanto meu rosto pulsava assim como minha cabeça. Algo passou pelos seus olhos, diminuindo a fúria em seu olhar, mas tão rápido quanto apareceu foi embora e um segundo depois ele apontou sua varinha para mim enquanto eu fechava os olhos esperando o pior.
O feitiço me atingiu e eu senti minha mente entorpecendo, meus pensamentos fugindo para longe de mim, e a escuridão me inundou fortemente.
[...]
Acordei horas depois sentindo meu rosto pulsar dolorosamente, minha cabeça não doía mais, e eu sentia meus cortes fechados, embora meu corpo ainda doía bastante. Eu estava em uma cadeira, novamente presa. Uma nova onda de lágrimas inundou meus olhos ao perceber que não fora um pesadelo ruim, mas a realidade. Eu não posso acreditar que por um segundo deixei-me iludir por sua repentino comportamento bondoso. Não posso acreditar que deixei-o me tocar... Não posso acreditar que deixei-o me ver em uma posição tão fraca e vulnerável enquanto chorava... Não posso acreditar que esqueci por um segundo que o rapaz belíssimo que eu via, era na verdade um monstro sem coração que não se importava com ninguém além de si mesmo...
Oh Ceus! Porque ele simplesmente não me mata de uma vez? Eu não posso agüentar muito mais... Não posso mais suportar tudo isso... Deixei-o enfraquecer minhas barreiras o que resultou em um colapso emocional e mental... Todo o peso e horror dos acontecimentos dos últimos meses, que eu jogava no fundo da minha mente me concentrando em não dar a eles a satisfação de me ouvir gritar, foram por água abaixo somente por que o bastardo fingiu por alguns minutos que não era tão ruim... Eu me tornei frágil e eu odiava isso, me sentia impotente... Eu estava impotente... E não poder controlar isso era horrível... Toda a dor e sofrimento voltava para mim rapidamente, toda a aflição que eu acumulei nos últimos meses voltava com um impacto enorme dentro de mim, e eu me sentia desmoronando... Sentia minha vontade... Minha mente... Minha esperança... Tudo... Se perdendo aos poucos para o desespero e a depressão.
Harry não se importava comigo... Nem Sirius... Nem Remus... Nem os Gêmeos... Nem Severo... Nem Gina, Fleur, Hermione... Nem Dumbie... Ninguém... Eu estava presa aqui... Destinada a morrer de forma terrível e brutal ou me tornar uma assassina a sangue frio, alguém semelhante ao monstro que estava me destruindo por dentro... Eu simplesmente não conseguia... Eu não podia traí-los... E eu não podia me conformar em me tornar uma deles... Eu não conseguia matar nem uma mosca! Quem dirá uma pessoa... Que anda, fala, tem uma vida, família, pessoas que sentirão sua falta... Eu não posso... Eu só quero que ele me mate... Só me matar de uma vez por todas e acabar com isso... Será que ele não entende que eu não posso?
Escutei uma porta se abrir e lentamente ergui meu olhar para ver quem era, mas eu já sabia quem era pela voz, antes mesmo que eu terminasse o movimento.
– Ótimo. Está acordada. É só o que eu preciso. – A voz fria e cortante de Voldemort ecoou pela sala. Estremeci com a dor em meu rosto somente pelo pequeno movimento e olhei ao redor percebendo que eu estava ainda em seu quarto. Mas não haviam só nós aqui. Bellatrix estava num canto sorridente. Voldemort estava do lado da cama que por sinal, minha cadeira estava posicionada para que eu tivesse uma visão privilegiada da cama, onde uma mulher de roupas degradadas, desacordada, cabelos cinzentos e pele pálida estava inconsciente. Eu podia ver as diversas cicatrizes em seu corpo, podia ver vestígios de sangue e sujeira, indicando que ela era também uma prisioneira, provavelmente, há mais tempo que eu. Eu não podia ver seu rosto devido ao seu cabelo o cobrindo. Mas pelo olhar sádico e vitorioso no rosto de Voldemort me dizia que eu não iria gostar nada disso. Meu olhar deixou a mulher olhando para mais pessoas dentro do quarto e eu lutei contra alguma reação ao ver uma figura totalmente de preto, cabelos longos e negros, olhos de ônix aparentemente frios, mas que eu podia ver no fundo uma dor tão profunda que era vergonhoso de olhar, algo em suas orbes me disse que ele ouvia meus pensamentos, e tinha escutado meus desabafos anteriores, assim como tinha avaliado minha aparência machucada, meus cabelos ainda molhados assim como os de Voldemort, o fato de que anteriormente eu estava sozinha com ele aqui... Eu nem queria imaginar o que ele pensava disso tudo... e isso o machucava de alguma forma... Vi um flash de algo parecido com dor em seu olhar, mas desconsiderei... Certamente ele não se importava comigo! – Pensei amargamente. Desviei o olhar com dor, da figura parada no canto da sala o mais longe possível de todos, Severo Snape parecia desejar estar em qualquer outro lugar exceto ali.
Olhei para a última figura na sala e encontrei um homem desconhecido, com uma aparência escura e sociopata que enviou arrepios de medo por minha coluna. Talvez fosse o sorriso sádico e maldoso, quase tanto quanto o de Voldemort, ou talvez fosse o olhar lascivo de expectativa que ele mandava para mim e para a mulher na cama.
– Pronta para o show minha querida? – Voldemort sibilou com olhos loucos e cruéis fazendo-me estremecer e olhá-lo. Não havia nenhum vestígio de algo parecido com gentileza nele, não havia nenhum traço semelhante ao que ele demonstrara no banheiro. – Você a reconhece? – Perguntou Apontando para a mulher na cama. Eu neguei com a cabeça. – Olhe mais atentamente... – Ordenou ele sentando ao lado da mulher puxando seus cabelos de seu rosto. A olhei atentamente achando o rosto familiar, mas sem me lembrar de onde o reconhecera. Vendo a dúvida em meu olhar Voldemort apontou a varinha para ela lançando um ‘enervate’. A mulher estremeceu acordando e sentou-se subitamente assustada. Seu olhar parou em Voldemort e ela se encolheu para longe dele como se só o seu olhar a causasse dor. Seu olhar viajou para Bellatrix e ela estremeceu outra vez. Seu olhar parou em mim então e ambas arregalamos os olhos ao mesmo tempo em puro choque.
Seus olhos eram de um castanho chocolate profundo, seu rosto pálido e doentio, ela tinha bolsas escuras sob os olhos e parecia minha versão mais velha. Eu estremeci ao pensar que esse era o destino reservado a mim, e vi lágrimas caírem pelos olhos da mulher. Senti meus olhos se aquecendo levemente e vi pelo espelho do outro lado do quarto que eles clarearam para um laranja quase como chamas em seguida escureceu lentamente para um castanho chocolate profundo. Era assustador. Nossos cabelos estavam em cores iguais, embora os meus estivessem mais curtos, nossos olhos estavam iguais, nossos rostos eram incrivelmente semelhantes, ela era ligeiramente mais alta e mais adulta, e parecia mais sofrida... E eu me lembrava agora de onde a reconhecia... Uma foto... Uma foto que eu vi na sede... Uma foto onde Sirius abraçava-se a essa mulher a olhando como se ela fosse o centro de seu mundo...
– Oh sim! Vejo que você a reconheceu minha cara Isabella... – Voldemort disse sorrindo maldosamente. – Esta é Marlene Mckinnon. Marlene querida, apresento a você Isabella Mckinon Black, sua filha.
Fim do Capitulo.
Notas finais
NÃO ME MATEM!
LEMBREM-SE VOCÊS NÃO TERÃO O RESTO DA HISTÓRIA SE ME MATAREM...
*Multidãodelixadorescomtochastridenteseumcarrodesomdogummybearparaolhandodesconfiada*
*Limpaagargantanervosamente* Bem, agradeço os reviews do capítulo passado, e espero que esse cap tenha ficado... B-bom... *Multidãoolhandocomcaradeserialkiller*
Hmm Beijos e até mais! *Abrenacarreiracomamultidãocorrendoatrás*
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