A Herdeira Elementar
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Esse é o capitulo mais Dark da história até agora!
Me perdoem pelos erros e obrigado pelos reviews!
Boa Leitura!
Bella POV:
A mulher, Marlene, deixava cair poças de lágrimas, parecia desesperada, alternando olhares entre mim e Voldemort, a que parecia diverti-lo.
- V-você n-não p-pode... V-ocê... – Ela gaguejou para Voldemort.
- Ah, mas eu posso... É claro que eu posso. Sua filhinha aqui está aqui há meses. E não quer me dar o que eu quero. Mas hoje... Ela vai ter que ceder... De um modo... Ou de outro... – Voldemort falou olhando em minha direção com um brilho ilegível em seus olhos. –Será que você quer mudar de idéia sobre o que eu ofereci agora ou quer assistir o show minha preciosa? – Perguntou olhando em minha direção. Estremeci um pouco, sem saber se por medo ou outra coisa que eu preferia não nomear, olhando-o aflita. Ele arqueou uma sobrancelha esperando uma resposta, e eu neguei com a cabeça. Eu não tinha mudado de idéia... Embora tudo parecesse confuso e dividido neste momento... Quem seria pior... Voldemort... Ou a Ordem?
Eu não sabia responder essa pergunta também...
- Muito bem minha querida... – Comentou Voldemort caminhando em minha direção e passando a ponta dos dedos levemente por minha bochecha ilesa. Seus olhos correram para meu rosto vermelho e inchado pelo tapa e algo piscou em seus olhos outra vez, ele olhou-me quase arrependido, embora eu não soubesse se era real ou um ato, e passou os dedos suavemente por meus lábios parando quando eu estremeci, ao senti-lo tocar um ponto particularmente doloroso. Eu ainda não olhava para ele. A lembrança de seu rosto em fúria no banheiro, de alguma forma me assustava mais do que todas as outras vezes em que o vi com raiva. E eu não o queria com raiva, ou triste... Pensei confusa com minha linha de raciocínio. Ele desceu os dedos um pouco usando-os para erguer meu queixo fazendo-me olhar nos olhos.
- Não desvie o olhar. – Ordenou em um sussurro, seus olhos novamente azuis com um anel negro ao redor da pupila, praticamente gritavam “Não tenha medo”. O olhei confusa, ele me assustava e ameaçava, então queria que eu o desafiasse? Que fosse destemida? Eu tinha medo sim! Tinha medo dele, e muito! Ele garantiu que isso fosse concreto... Então Porque contradiz isso agora? Seria ele tão bom ator para falsificar até mesmo os sentimentos que apareciam em seus olhos? Teria ele realmente sentimentos?
Ele me olhou irritado e insatisfeito com minha linha de pensamentos, e eu tentei virar o rosto, não queria ver aquilo. Ele me impediu segurando minha mandíbula firmemente e uma onda de medo se espalhou por meu cérebro enquanto eu lembrava o que acontecera no banheiro. Ele solto então meu rosto como se o tivesse queimado e seus olhos endureceram tornando-se rubros e cruéis outra vez.
- Depois de tudo o que passou aqui você não cedeu, então acho que chegou a hora de tomar medidas... Drásticas. Sua mãe aqui é minha refém. Ou você concorda com meus termos ou... – Ele deliberadamente deixou a frase solta fazendo-me estremecer com as infinitas possibilidades, sendo espelhada por Marlene que me olhava temerosa com algo. – Mais uma chance... Você vai ceder agora? Antes que mais algum dano seja feito? As duas podem sair ilesas agora... Basta você deixar ir... – Ele disse persuasivamente para mim. Senti a tentação ondular em minha mente, mas rejeitei-a firmemente negando com a cabeça outra vez.
Seus olhos brilharam com diversão cruel e ele acenou para Bellatrix que saltitou animada até a cama e apontou a varinha para Marlene que tinha recuado. Bellatrix riu antes de enviar um cruciatus em Marlene que tentou evitar por alguns minutos contorcendo-se na cama, mas por fim ela deixou escapar um grito, em seguida outro, que veio seguido de uma seqüência cada vez mais alta de dolorosos gritos de dor.
É exatamente por isso que eu não me deixo falar, ou soltar algum ruído nessa situação... Uma vez que você cede uma vez... Não há como parar... – Pensei olhando angustiada para a mulher se debatendo na cama enquanto a vagabunda Lestrange se divertia.
Voldemort olhou para ela com o brilho misterioso em seu olhar novamente ele olhou para Bellatrix, em seguida para mim outra vez, e arqueou uma sobrancelha escura como questionasse o porque de meus pensamentos.
Eu fiz uma careta pequena, não querendo mover muito os músculos do rosto que ainda doía, e pensei.
Ela me torturou! É obvio que eu a acho uma cadela! – Ele ainda me olhou questionador e eu bufei. Provavelmente, ou melhor, haviam outras razões para achar Bellatrix uma cadela, mas eu não estava disposta ou segura o suficiente para explorá-las com a distinta sensação de que eu não gostaria da resposta.
Os gritos de Marlene pararam, e ela caiu na cama ofegante tentando recuperar a respiração.olhei de relance para os outros ocupantes da sala e percebi que Severo ainda parecia querer desaparecer dali, o outro homem parecia faminto... Observando Marlene na cama, o que me fez arrepiar, desta vez completamente certa de que era por medo. Voldemort olhava para mim em expectativa, olhei para Marlene tentando decidir. Eu mal a conhecia, mas eu me sentia quase como me senti ao conhecer Sirius. Uma afinidade instantânea. Mas a imagem do pessoal da ordem dançava por minha mente, quase como um pesadelo. Eu ouvia a voz de Harry me acusando de traí-lo. Via o rosto decepcionado e magoado de Remus, O olhar raivoso e atingido de Sirius, ouvia-os me repreender, me acusar de ser uma traidora, só por ao menos cogitar a idéia de aceitar a proposta de Voldemort. Eu estava numa encruzilhada com opções terríveis. Ou eu aceitava agora e livrava Marlene, arriscando o ódio da ordem, ou eu negava e via a tortura, para eventualmente desistir, porque pelo olhar no rosto de Voldemort eu sabia que hoje era minha ultima chance. Ou eu aceito ou eu nego. Se eu aceitar não serei mais uma prisioneira. Se eu negar serei um cadáver.
Vi Severo se retrair um pouco pegando o teor dos meus pensamentos, mas não encontrei seu olhar. Ainda não me sentia segura para isso.
Voltei meu olhar para Marlene e meu peito se apertou ao vê-la naquele estado. Pequenas e silenciosas lágrimas escorriam de seus olhos, e ela evitava me olhar.
- Então minha querida... Isso foi estímulo o suficiente? – Voldemort perguntou caminhando para trás de mim e colocando as mãos em meus ombros. Apenas neguei com a cabeça sentindo minha garganta se fechar.
Ele deve ter dado algum sinal, porque um segundo depois Marlene se contorcia na cama outra vez gritando sob o crucio de Bellatrix.
Uma lágrima escorreu pelos meus olhos e eu os fechei não querendo ver. Mas ainda assim os gritos eram perturbadores com tamanha dor... Angústia...
“Sua egoísta! Ela está sofrendo... Sua própria mãe... Você pode parar isso... Pode tirar sua dor... Mas se nega! Você não é minha filha! Você é uma traidora!” – Meu choro se intensificou ao ouvir a voz de Sirius em minha mente seu tom magoado... Raivoso... Decepcionado...
Eu não sabia se era ou não real, mas ainda assim era doloroso.
“...Você é uma traidora... Tão cruel quanto eles... Você pode parar... Mas você não quer... Você quer ouvi-la gritar! Quer ouvi-la implorar... Você é uma traidora... Não é mais minha filha... Eu quero que você morra!” – A voz continuou.
“Eu não acredito que deixei-me enganar por você...” – A voz mudou subitamente e eu senti minha mente congelar. Eu conhecia essa voz. Era a voz de Harry... “ Você é cruel! Você é egoísta! Só pensa em si mesma! Aposto que está se divertindo ouvindo-a gritar... Sua própria mãe! Você é um monstro! Pare eles? Você pode Pará-los, basta dizer... Basta aceitar... É isso aí não é? Você não quer... Você quer que eles a torturem... Você não liga para ela...”
VOCÊ NÃO SE IMPORTA COMIGO! CALE A BOCA! CALE A BOCA! – Gritei mentalmente para as vozes insuportáveis tendo como plano de fundo os gritos de Marlene. Soltei um soluço pequeno e senti as mãos de Voldemort se apertarem em meus ombros.
- Abra os olhos... – Ele ordenou com os lábios muito próximos ao meu ouvido. Sua voz plana, fria, impassível e arrepiante. – Olhe! – Ordenou outra vez. Mais duramente neste momento, suas mãos se apertando dolorosamente em meus ombros. Estremeci abrindo os olhos lentamente e eles logo se arregalaram. O Homem desconhecido estava subindo na cama retirando suas roupas... Ele não... Ele não ia... Ele não podia... Ele...
Minha respiração estava acelerada, o medo e o terror se alastrando por minha mente.
- Ele vai. – Voldemort sussurrou para mim. – Ele vai fazer o que quiser com ela... Você pode parar isso minha querida... Basta dizer as palavras... E se não disser... Ele vai usá-la como bem entender... E se você não ceder por ela... Cederá pelo nosso companheiro Severo... Vocês se tornaram próximos na ordem não é? Ele merece uma punição por não me contar sobre isso... E você merece uma punição por ser tão teimosa... – O homem agora não usava nada. Eu recusava-me a olhar para algo além de seu rosto, vendo-o começar a rasgar as roupas de Marlene que agora implorava para que eles parassem.
- Não... – Sussurrei baixinho, minha voz seca e quebrada pelo tempo sem falar. – Por favor... – Implorei a Voldemort. – Por favor... – Senti uma nova onda de lágrimas caindo em um fluxo quase interminável por meu rosto, as lágrimas salgadas queimando os cortes pequenos em meu rosto machucado. Eu não conseguia desviar o olhar, ele a despia brutamente, estremeci quando ele a estapeou enquanto ela esperneava. Não... Não... Não... Não...
Ela estava completamente despida agora... Seu corpo continha inúmeras cicatrizes embora não deixasse de ser uma mulher bonita. Ele a estapeou novamente, então outra vez, e outra, e outra, e outra...
Meu choro crescia a cada tapa e eu estremecia a cada impacto, como se os tapas fossem desferidos contra mim.
“Egoísta...” – Uma voz ecoou em minha mente.
Eu não podia ver isso... Não podia ver... Isso me quebraria mais rápido do que todas as torturas... Eu não podia...
Ele desceu as mãos apertando seus seios com força o suficiente para fazê-la gritar de dor... Então levou suas mãos às suas pernas a posicionando na cama...
Não... Ele não pode...
- Diga as palavras... –Voldemort sussurrou.
Por favor... Por favor... Por favor, não! Por favor... Por favor... Por favor, não! – eu implorava mentalmente em um eco das palavras de Marlene.
Ele a prendeu na cama levando suas mãos ao seu pênis, seu olhar subiu em minha direção e um sorriso maníaco pintou seu rosto monstruoso... Ele voltou a olhar para ela inclinando-se para frente...
Harry... Eu amo você... Eu sinto muito... – Pensei sentindo toda a dor que me foi exposta nos últimos meses explodir dentro de mim, meu peito ardia, mas minha mente sentia tudo com perfeita nitidez.
Vi como ele estava a ponto de penetrá-la fortemente e gritei.
- NÃO! PARE! EU ACEITO! EU ACEITO! PARE ELE! POR FAVOR, PARE ELE! – Gritei entre o choro. Sentia a dor crescendo ainda mais, em múltiplas explosões, debilitando meu corpo, eu sentia inúmeros cortes aparecendo em meu corpo, e eu sentia meu sangue fervendo.
- Pare. – Voldemort ordenou com triunfo em sua voz. Vi o homem olhá-lo em dúvida, ele não queria parar. Minha mente se encheu de dor e fúria e eu senti uma nova explosão, muito maior dentro de mim. As amarras invisíveis que me prendiam de repente sumiram e eu me impulsionei para frente pegando Voldemort de surpresa, sentia meus cabelos clareando em uma mistura de branco indicando descontrole, laranja escuro indicando raiva e fúria, azul escuro indicando uma tristeza profunda, algumas partes ainda eram acinzentadas, indicando dor e desespero. Meus olhos eram uma mistura de todas essas cores o poder correu por mim pela primeira vez em meses e eu só pensava em uma coisa.
Matar!
Tudo ocorreu em milésimos de segundo. Um momento eu estava presa à cadeira, no seguinte eu prendia o filho da puta estuprador no chão, minhas mãos fechadas em punho brilhantes com poder canalizado para elas.
Soquei-o no rosto, sentindo o osso de seu nariz se quebrar, ele tentava me soltar, mas era impossível. Desferi uma seqüência de socos, colocando toda a raiva, todo o ódio, toda a dor, toda a fúria que eu sentia em destruir a vida daquele miserável.
Eu ouvia o som de carne rasgando, ossos se quebrando e gritos, mas isso não me parou. Meu poder o fazia sentir dor, muita dor, uma mistura de tudo o que eu senti todos esses meses. Senti o sangue fluindo dentro de suas veias e meu ódio nublou minha mente. Eu nunca havia tentado isso antes, mas eu estava disposta agora. Eu podia sentir todo o sangue de seu corpo, e eu sabia que eu podia manipulá-lo como quisesse.
Parei os socos descendo as mãos para seu peito e rosnei olhando bem em seus olhos verdes pálidos que demonstravam horror e medo nesse instante. Isso não me apiedou. Ouvi alguém gritar, um segundo depois senti minha dor aumentar, ignorei e rosnei outra vez com um sorriso assassino no rosto e cravei as mãos em seu peito. Ele gritou e eu cravei as mãos ainda mais forte fazendo questão de fazer o mais dolorosamente possível. Suas costelas se quebraram em meu percurso em busca de seu órgão vital. Retirei uma das mãos e impulsionei a outra, senti meu pulso rasgar em um dos ossos quebrados enquanto o tirava, mas novamente ignorei. Minha outra mão se fechou ao redor de seu coração e eu sorri novamente, embora fosse amargo, doloroso, e odioso, sem nenhum pingo de diversão.
Vi o espanto em seus olhos e meu sorriso aumentou quando eu puxei seu coração com força rompendo as veias e artérias, meu poder circulou por meu corpo se concentrando em minha mão e o sangue de seu corpo começou a ferver. Puxei minha mão de uma vez e assim que minha mão emergiu ao redor de seu coração para fora de seu peito, meu poder impulsionou seu sangue e suas veias explodiram dentro de seu corpo rompendo a pele e me banhando no líquido quente e rubro.
Olhei para seu coração em minha mão e finalmente a realidade me bateu.
Eu acabava de matar um homem. Tinha seu sangue em meu corpo... Seu coração em minhas mãos... Eu tinha tirado uma vida...
E o mais assustador era... Eu não me arrependia... Sentia-me culpada, por não me sentir culpada, mas fora isso não havia nenhum outro sentimento a não ser desprezo para com o homem morto abaixo de mim.
Senti lágrimas quentes picando em meus olhos e não tive força para impedi-las. Deixei o choro aumentar, tentando esquecer a ultima hora, ou melhor, os últimos meses da minha vida. Larguei o coração como se me tivesse queimado e me afastei com repugnância do corpo me encolhendo no canto mais distante do quarto. Olhando horrorizada para minhas mãos.
Olhei para o espelho do outro lado do quarto e senti meu estômago embrulhar. Eu vestia somente uma camiseta masculina de botões e minha roupa de baixo. Meu corpo estava totalmente coberto de sangue, meus olhos estavam em uma tonalidade de vermelho, e meus cabelos estavam em um vermelho muito escuro, clareando para laranja nas pontas até ficar completamente branco com uma tonalidade cinza, o laranja era a raiva agora esculpida profundamente em meu coração, o branco era o sinal de poder e frieza, e o cinza era a dor, também profundamente gravada em minhas entranhas.
O aroma metálico de sangue não me incomodou por um tempo desde que eu me acostumei com ele constantemente ao meu redor. Mas agora a visão do sangue espalhado por todo o quarto, o corpo quebrado no chão, o olhar não disfarçado de horror de Bellatrix e Severo, o medo nos olhos de Marlene e o triunfo nos olhos de Voldemort me enjoava profundamente. Senti o bile subindo pela minha garganta e movi-me rapidamente para meus joelhos vomitando no chão ao meu lado.
A maior parte era sangue e ácido, devido a pouca alimentação fornecida a mim nos últimos meses, eu não tinha o suficiente no estômago para colocar para fora. Senti meus olhos queimando com lágrimas mais fortes tanto pelo choque e regurgito. Mesmo após colocar tudo que tinha no estômago para fora a vontade persistia, solucei fortemente outra vez e arrastei-me para longe do vômito me encolhendo sobre mim mesma enterrando a cabeça em meus joelhos e deixando o choro lavar por mim.
Escutei uma movimentação no quarto, mas não consegui prestar atenção o suficiente para saber o que era. Senti dois braços frios ao meu redor e estremeci, mas não me afastei. Não tinha forças para isso. Senti a pessoa me levantar em seu colo e me encolhi em seu peito sentindo-o em movimento sem prestar atenção o suficiente para onde ele me levava.
Escutei o som de água e um momento depois senti-me sendo baixada para a água morna. Minhas feridas queimaram, mas isso era banal. Minha dor era emocional e psicológica.
Não fiz nenhum movimento para ajudar quando a pessoa tentou tirar minha roupa, ele por fim desistiu de tentar me impedir de me afogar ao mesmo tempo em que tentava me despir, e apenas lançou um feitiço que baniu as roupas.
A pessoa me abraçou novamente e eu me enrolei em uma posição fetal em seu peito, com os olhos firmemente fechados tentando esquecer tudo o que tinha passado.
Não sei quanto tempo se passou, mas em algum momento senti minha mente escorregando para a escuridão fria e nada acolhedora, entrando em um sono profundo e perturbado onde pesadelos em que o corpo do homem que matei era na verdade Harry, me encarando acusadoramente com seus olhos verdes.
Fim do Capitulo.
Notas finais
Espero que tenha ficado bom!
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