A Herdeira Da Máfia
16 XVI. Traitors need to die.

Meu corpo todo ainda se arrepiava ao me lembrar do beijo de Logan e eu não conseguia parar de sorrir. Era como se tudo estivesse bem de novo. Principalmente depois de notar que ele não se arrependeu em momento algum do que ocorreu, apesar de ainda estar bravo por eu ter fugido. Termino de limpar meus ferimentos, que ardiam um pouco. Tomo um banho relaxante e coloco uma roupa mais confortável, saindo do quarto e indo em direção a casa de Lola.
Não tinha ideia se ela também me perdoava (mesmo eu não tendo culpa de nada), mas Carl estava lá e aquilo era motivo o suficiente para ir até lá. Me aproximo da pequena casa batendo na porta delicadamente. Não demora muito para Taylor abrir e me puxar para dentro. Um sorriso involuntário brota em meus lábios ao ver o carinho que Lola estava tendo com o pequeno.
Ele estava no chão comendo um dos bolos deliciosos dela enquanto a mesma contava histórias das quais meu pequeno adorava. Allan estava ao lado dele, também encantado com toda a cena. Pigarreio chamando a atenção de uma das mulheres mais incríveis que eu já conheci. Ela se levanta, e ao contrário do que eu imaginava, me olhava amigavelmente como antes se aproximando de mim e me envolvendo em um abraço confortante.
— Oh querida... Fico tão feliz que esteja bem. – Comenta me apertando ainda mais contra si. Era como se pudesse acabar com toda a dor que senti. Correspondo ao abraço, dando um beijo cálido em seu ombro. Eu sentia falta dela também.
— Pensei que me odiava. – Sussurrei próximo ao seu ouvido e ela me afasta por alguns segundos beijando minha testa centenas de vezes.
— Pois pensou errado. – Disse em alto e bom som. – Você é a filha ruiva que eu nunca tive.
A risada de Taylor ecoa pela casa enquanto ela se aproxima também me abraçando.
— Me perdoa, irmãzinha. – Sua frase aquecera meu coração e um nó se forma em minha garganta.
— Sim, claro.
— Acho que também lhe devo desculpas. Não consigo acreditar que Meredith teve coragem de fazer algo assim com você. Não foi assim que a criei. – Lamenta Lola.
— Onde ela está? – Pergunto docemente acariciando seus cabelos.
— Saiu assim que fez a ligação. Não voltou até agora. E pelo que conheço dela, sei que não volta hoje. – Murmura Taylor dando de ombros.
— Pelo menos estamos todos bem, certo? – Allan finalmente se manifesta e eu caminho até ele lhe dando um abraço apertado.
— Sinto muito ter te tratado desse jeito. Mas eu precisava te afastar. – Balbucio enquanto Carl senta em meu colo agarrando meu pescoço. – Ainda preciso.
— Eu entendo. – Meus olhos se arregalam ao encará-lo. – Carl e eu iremos embora amanhã. Já avisei a meu pai e Stella. Não volto, mas quero que não deixe de me ligar. Ficarei preocupado se não fizer isso.
— Claro que eu ligo. – Dou um beijo estalado em Carl que estava animado para contar algo a mim.
— Tia Lola é muito legal, Hannah. Olhe, ela fez bolo de chocolate. – Mostrou as mãos sujas de doce levando um dos dedos até meus lábios para que eu experimentasse.
— Parece delicioso. Mas você já comeu tudo. – Vocifero apontando para a bandeja vazia.
— Ela está fazendo mais. Dessa vez sou eu quem vou decorar. Eu e a Taylor.
— Ei. – Allan protesta.
— E Allan também. – Murmura Carl a contra gosto.
— Lola, se importa se eles dormirem aqui? – Pergunto e Lola nega com a cabeça.
— Claro que não. Carl e eu temos muito o que conversar, certo pequeno?
— Certinho, tia.
— Hoje eu estou morta. Acho que dormirei mais cedo. – Comento baixinho e Carl se aproxima me dando um beijo estalado na bochecha. – Não se esqueça de colocá-lo para dormir cedo.
— Eu prometo dormir bem cedinho. – Diz ele me beijando mais uma vez. – Boa noite, Hannah.
— Boa noite, pequeno. Boa noite, pessoal.
Me levanto saindo de sua casa sem olhar para trás. Eu queria ficar ali e aproveitar um pouquinho mais de Carl e Allan. A falta que eu sentia da presença deles era enorme e de certa forma, eles deixavam ainda mais viva a imagem de minha mãe. Era como se ela estivesse ali, do nosso lado, rindo das piadas toscas e chorando emocionada por Taylor e Lola finalmente terem me perdoado.
Corro até o meu quarto, já me jogando na cama, agarrando os vários travesseiros que eu possuía a minha volta. Tudo que eu precisava, era de uma boa noite de sono. Acordo ainda sonolenta, mas precisava me levantar para ajeitar as coisas da viagem de Allan e Carl.
Tomo um banho gelado, faço minha higiene matinal e uso o telefone da casa para ligar para um táxi. Não vi Logan desde ontem e ainda estou em dúvida se devo me preocupar ou não. Me sento na entrada da casa esperando vê-lo entrar pelos grandes portões. Mesmo que ele não fosse me dar alguma satisfação (e nem é obrigado a fazer isso), saber que ele estava aqui me deixava tranquila. Vejo uma sombra se aproximando, mas a esperança se esvazia ao notar que era apenas o táxi para o qual eu havia ligado. Não demora muito para aparecer dois garotos sonolentos.
— Onde estão as meninas? – Pergunto confusa.
— Saíram mais cedo e nos deixaram dormindo. – Responde Allan dando de ombros. – Acho que é hora de partir.
Pego Carl no colo que me abraça forte deixando algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto infantil. Beijo toda a extensão de seu rosto deixando claro a falta que eu sentiria do seu sorriso e assegurando que um dia iríamos nos ver de novo. Abraço Allan e beija o topo da minha cabeça, enquanto me derramo em lágrimas finalmente me dando conta que não nos veríamos por pelo menos um bom tempo.
— Eu prometo ligar. – Murmuro mais uma vez o vendo assentir.
— Hannah, sei que estávamos correndo perigo e tudo mais, mas foi impossível não pensar em você ao ver isso. – Ele me entrega uma folha amassada de propaganda. Meus olhos brilham ao ver o que era. – Acho que devia tentar. É a sua chance de realizar seu sonho e ser feliz, sem depender desse Logan.
Academia de Artes e Dança de Nova York – Vagas abertas – Oferecemos bolsa de estudos.
— Eu não sei se...
— As inscrições começam em uma semana. Tem tempo para pensar. – Ele dá de ombros me abraçando uma última vez e pegando Carl no colo. – A gente se vê por aí.
— A gente se vê por aí. – Sussurro curvando os lábios em um pequeno sorriso.
Observei o carro se afastar levando parte de mim para longe de novo. A vontade de chorar aumenta e as lágrimas caem com facilidade acompanhada dos soluços altos. Me sentia um bebe frágil caindo dos braços da mãe. Continuei ali do lado de fora, sentada nas escadas agarrando minhas próprias pernas.
Não estava muito bem do lado de fora, e não melhoraria muito estando lá dentro, afinal, eu estava completamente sozinha. Fiquei horas ali, mas acabei entrando e decidindo preparar algo para comer. Não havia muita coisa na geladeira então imaginei que Lola e Taylor tivessem ido fazer compras. Faço algo simples e quando estou lavando a louça, sinto braços envolverem minha cintura. Me viro vendo um Logan sério. Seu rosto se suaviza ao me encarar.
— Está tudo bem? – Pergunto, mas ele não responde.
Logan apenas aproxima seu rosto do meu, me dando um beijo cálido. Ainda tinha que me acostumar com aquilo, mas não seria um trabalho muito difícil. Meus braços automaticamente envolvem seu pescoço. Nossos lábios estavam em uma sincronia perfeita, e não demora muito para Logan aprofundar o beijo e um arrepio percorrer minha espinha. Terminamos o beijo com alguns selinhos breves.
— Não se preocupe. Nada podia estar melhor. – Sussurra e eu sinto a necessidade de abraçá-lo.
— Allan e Carl foram embora hoje. – Comento baixinho.
— Como está se sentindo agora? – Questiona e eu respiro fundo, aspirando seu perfume. Logan nunca se abriu para mim. Talvez nunca irá se abrir completamente mas eu não era esse tipo de pessoa. Eu precisava desabafar. E não me importava com isso.
— Eles são importantes para mim. Não é legal vê-los irem embora. – Balbucio e ele me aperta mais contra si.
— Tudo vai ficar bem. – Um vinco se forma em minha testa, mas ele não diz nada, simplesmente sai dali.
Termino de lavar a louça completamente confusa sobre o que estava acontecendo. Aproveito o tempo sozinha para ir até o último quarto que havia no segundo andar. Me sento em uma cadeira velha amadeirada, segurando um dos livros da prateleira. Eu já havia lido boa parte deles e minha paixão pela leitura aumentou ainda mais quando eu ainda achava que seria impossível. Passo horas ali e saio do quarto, já cansada de ficar sentada. Caminho pela praia quando vejo Taylor correr até mim desesperada. Lágrimas corriam pelos seus olhos.
— Hannah, você precisa vir comigo. Agora. – Grita ela me arrastando até a floresta que havia perto da mansão.
— O que está acontecendo, Taylor?
— É o Logan. Ele encontrou Meredith. – Murmura entre soluços.
— Espere... Logan sabe que foi Meredith que fez tudo aquilo?
— Sim. E ele vai matá-la se não fizermos alguma coisa. Quer dizer, se você não fizer alguma coisa. Sei que ela merece isso mesmo, mas apesar de tudo, ela é minha irmã Hannah. Não deixe minha mãe perder o marido e a filha mais velha quase que ao mesmo tempo.
Meu coração se aperta ao vê-la ali tão desesperada e sem pensar muito em todo o rancor que estava dentro de mim (e também na vontade de estapear Meredith), perguntei sem mais delongas:
— Onde eles estão?
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