A Herdeira Da Máfia

15 XV. Trouble after Trouble.


— O que vamos fazer? – A pergunta de Taylor me pegara desprevenida como se eu realmente tivesse alguma ideia descente... Ela realmente me conhecia? Eu estava apavorada demais para raciocinar.

Meu olhar observava Allan com os olhos arregalados tentando inutilmente esconder o medo e Carl que ainda brincava do lado de fora sem se importar com nada a sua volta e por alguns segundos quis ser ele. Aquela era uma das várias situações em que eu precisava ser forte por alguém. Respiro fundo, chamando ele calmamente e o pegando no colo.

— Taylor, eu sei que talvez ainda guarda um certo ressentimento por mim, mas eu não pediria isso se não confiasse em você. Quero que cuide de Carl, saia com Allan daqui e digam que são um casal e só querem partir.

— O quê? Sem chance...

— Taylor, eles querem a mim. Você sabe disso. Não estão seguros comigo. – Sussurro ignorando os protestos de Allan.

— Hannah, eu não vou...

— Pode fazer isso por mim? – Pergunto ainda ignorando meu amigo e Taylor assentiu confiante. Ela me entendia. Sabia melhor do que ninguém que eu jamais me perdoaria se os perdesse. Sabia que são importantes para mim, inclusive sabia que ela também era. Envolvo meus braços em seu corpo magro, lhe dando um abraço rápido quando ouvimos os barulhos de vários homens arrombando as portas desse andar.

Dou um beijo rápido na bochecha de Allan e na testa de Carl que agora chorava fazendo meu coração se apertar. Taylor guia eles para fora do quarto e lá estava eu sozinha sem ter ideia do que fazer até meus olhos se encontrarem com a porta que dava para a sacada. Caminho até ela notando que a distância entre uma e outra não era muito. Eu poderia pular. Sinto meu consciente gritar que aquilo era uma tremenda burrada, mesmo sabendo que aquela, era minha única chance.

Subo a sacada pulando sem pensar muito nas consequências. Meus braços seguram a barra de ferro e com meus pés consigo subir na sacada do quarto ao lado. Noto que a porta estava emperrada e chuto com força, fazendo-a abrir rapidamente. Meus pés se movem até o umbral da porta e noto que alguns homens arrombavam a porta do quarto onde eu até então estava e aproveito que entraram lá, correndo desesperada até a porta que dava para as escadas de emergência, mas parecia trancada. Opto então pelo elevador e aperto os botões quase os quebrando, quando um finalmente se abre, entro tendo a visão de um dos homens saindo do quarto e seus olhos se encontrando com os meus. Não tive chance de ouvi-lo informar aos outros. Aperto o botão do último andar e assim que as portas do elevador se abrem, eu corro até o quarto mais próximo e pego o pequeno telefone que havia no criado-mudo. Digito o número da mansão – pois infelizmente eu não tinha número de Logan.

— Meredith falando. – Sua voz era suave e minhas mãos quase estragam o telefone ao ouvi-la.

Desligo-o jogando em um canto qualquer e abro a porta correndo até a porta daquele andar que dava para as escadas de emergência. Aquela não estava trancada e abro com facilidade dando de cara com Taylor e Allan discutindo. Só podia ser brincadeira. Cruzo os braços os encarando, pronta para lhes dar uma bela bronca quando noto Carl agachado em um canto agarrado ao seu próprio corpo. Corro até ele acariciando seu cabelo molhado pelo suor.

— Posso saber o que estão fazendo aqui ainda? – Pergunto irritada e eles finalmente notam minha presença.

— Esse idiota insiste em não ir. – Responde jogando toda a culpa em Allan e eu o encaro estupefata.

— Se eles querem você, precisa de ajuda. – Se explica preocupado e eu nego com a cabeça.

— Vocês precisam ir. Taylor, sua irmã notou que você ouviu algo? – Pergunto baixinho.

— Não. Por quê?

— Preciso que consiga chegar até a recepção com Allan, usem o telefone para ligar no casarão. Peça para falar com Logan. Ele é o único que pode ajudar.

— E Carl?

— Quando notarem que ainda estão aqui saberão que estão comigo. Preciso encontrar um lugar seguro para Carl. Allan, você...?

— Claro. – Confirma e eu assenti, vendo os dois descerem as escadas.

Pego o pequeno no meu colo, subindo vários lances até chegar ao último andar e abro a porta indo até o final do corredor entrando em um cômodo e dando de cara com uma cozinha simples, provavelmente onde os funcionários faziam suas refeições. Carl tinha o tamanho ideal para entrar em um armário e abro um colocando ele ali dentro. Seu choro era desgastante.

— Hannah...

— Eu sei querido, eu sei. Não era o que esperava ao me visitar, não é? – Ele assentiu fazendo um beicinho fofo. – Se lembra dos heróis de suas histórias em quadrinhos?

— O homem-aranha? – Pergunta e eu assenti vendo-o se acalmar aos poucos.

— Ele precisava de muita coragem para salvar a cidade... Preciso que tenha um pouco de coragem também. – Peço baixinho sorrindo atrapalhadamente tentando passar alguma confiança a ele.

— Quem são essas pessoas, Hannah?

— Os vilões Carl. Muito mais cruéis que o das histórias e muito mais frios também. Eles não se importam se é criança ou não então quero que fique escondido aqui. Não saia em hipótese alguma, promete?

— Onde você está indo?

— Buscar ajuda, pequeno. Precisamos sair daqui, certo? – Ele assentiu fungando e eu lhe dou um abraço apertado. – Prometo voltar antes mesmo de pensar em sentir minha falta.

— Você nunca prometeu algo que não cumpriu.

— Exatamente. Não vou te deixar aqui, está bem?

Não esperei uma resposta sua, apenas fechei o armário que, antes estava vazio, peguei uma faca afiada e sai do cômodo apressada dando de cara com um dos homens que me perseguia. Escondo mais que de pressa a faca, sentindo suas mãos segurarem meus braços firmemente, me arrastando para o elevador já aberto a sua espera. Ele pega seu celular discando alguns números enquanto eu suava frio.

— Callaham? Eu achei a garota. Estou descen... – O homem não tivera tempo de terminar. Minhas mãos agora estavam sujas de sangue enquanto eu o observava cair no chão. Tomo seu celular, levando-o até minha orelha.

— Dan? Dan?

— O que vocês querem de mim? – Era uma pergunta simples. Como todas as outras que eu já havia feito. Me admira eu ainda não ter chorado, mas eu podia sentir essa vontade se aumentar. Ouço um riso abafado do celular e minhas pernas travam.

— Não pode sair daqui. Nem você e nem seus amigos.

— Não foi isso que perguntei. – Grito.

— Queremos você Hannah. E não vamos descansar enquanto não conseguirmos. – Sussurra e ouço o barulho do elevador se abrindo. Lá estava ele.

Era como um pesadelo se tornando realidade. Sua voz. Eu me lembrava dele. Como se fosse ontem. Ele era o pai de Wren e estava no bordel quando tudo aconteceu. Quando... Minha mãe... Morreu. Então seu sorriso se fecha e ele eleva seu revolver usando-o para me atingir fortemente na cabeça. Meu corpo cai no chão como uma pena. Sinto meus olhos pesados e uma dificuldade imensa de abri-los. Não tenho ideia de onde estou e nenhuma voz até agora não parecia familiar. Minha cabeça lateja e minhas mãos estavam amarradas com cordas resistentes e apertadas.

— Ei... O que acha? – Uma voz não muito distante de mim ecoa pelo cômodo desconhecido.

— O quê? – Uma voz mais fina, mas ainda masculina, pergunta confusa.

— Da garota. Nada mal, não é? Não entendo por que o chefe não nos deixa se divertir com ela.

— Problema seu. Não precisa entender somente obedecer. – Resmunga e ouço passos se aproximando de mim. – Ei, se afaste dela.

— Vai dizer que não quer nada com ela também? – Longos minutos de silêncio.

— Isso não vem ao caso agora.

— Não é como se o chefe fosse notar... – Sinto alguém traçar um caminho de minhas bochechas até a barra de minha blusa.

— Será que dá para parar de pensar só nisso e vir me ajudar? Precisamos encontrar aquele garotinho enquanto Callaham procura pelo casal que passou por nós e que também estava com ela. – O homem que estava perto de mim bufa e ouço-o se afastar.

Meus olhos finalmente se abrem ao notar que se referiam a Carl e movo meus braços amarrados à procura da faca que estava comigo, mas não a encontro. Os homens estavam sentados em uma grande mesa com várias televisões pequenas à frente. Observo uma pequena placa que comprovava que aquela era a sala de segurança do hotel. Suspiro um pouco aliviada. Vejo um copo de vidro em cima de uma mesa próxima de mim e com o pé jogo-o no chão, voltando a posição de antes rapidamente e fechando os olhos fingindo estar desacordada.

— O que está acontecendo aqui? – O homem mais magro e de voz fina pergunta, provavelmente virado em direção ao barulho.

— Estava ao seu lado o tempo todo. – Ouço o outro dizer. – Deve ter sido o vento ou sei lá...

— O vento não pode fazer algo assim, seu idiota. A não ser que esteja muito forte, o que não é o caso. Provavelmente você estava bebendo e deixou o copo sobre a mesa de qualquer jeito. Típico de gente como você.

— O que está insinuando?

— Ainda por cima é lento. Esqueça.

Espero alguns minutos antes de abrir os olhos e pegar um dos cacos de vidros rapidamente, voltando a me deitar e cortando vagarosamente a corda que amarrava meus pulsos. Minha mão sangrava devido à força desnecessária que eu usava para segurar o caco. Sinto meus olhos arderem e demora alguns minutos até que eu consiga me soltar. Continuo na mesma posição pensando em uma maneira de fugir porque era provável que a porta estivesse trancada.

— O garoto é uma criança não é? Talvez possamos mexer com o psicológico dele, ou sei lá.

— Claro que não, isso é a coisa mais... – Sua voz falha por alguns segundos. – Inteligente que eu já ouvi da sua boca.

— Obrigado... Eu acho.

Abro os olhos somente para ver eles ajeitarem uma espécie de microfone, apertando um dos vários botões do painel. Ai não.

Ei garoto. Por que está escondido? Estamos fazendo uma brincadeira muito legal do lado de fora. Somos os monstros que procuram por vocês. Já pegamos sua amiguinha ruiva e adivinha só... Sabemos onde está e vamos atrás de você.

Há uma movimentação em uma das câmeras. O pequeno Carl corre aos tropeços para fora do armário onde eu o havia deixado e os homens riram comemorando.

— Vá atrás dele enquanto fico aqui procurando pelo casal.

— Por que eu tenho que ir atrás dele?

— Porque você teve a ideia e eu estou em um cargo superior ao seu, por isso, tenho total direito de mandar em você. – O homem bufa se virando para sair.

Espero alguns segundos e quando não ouço mais seus passos do lado de fora, me levanto em direção ao mandão que estava sentado confortavelmente na cadeira. Seguro seus cabelos puxando para trás deixando o caco de vidro próximo a sua garganta.

— Se o seu amiguinho tocar em um fio de cabelo do Carl, não terei piedade de você. – Grito e o homem se levanta me jogando no chão em um movimento rápido. Enfio o caco de vidro em sua barriga, criando um corte profundo.

— Vadia. Agora você me tirou do sério. Que se foda o que Callaham ordenou... – Ele urra me dando um tapa ardido no meu rosto. Quando penso em reagir, suas mãos vão até o cós de sua calça retirando dali um revólver, apontando o mesmo para mim. – Sempre quis perguntar isso antes de matar alguém. Não acho que eu deva jogar essa oportunidade no lixo então... Alguma última palavra?

— Me diz isso você – Sussurro com um sorriso no rosto e o homem me encara sem entender.

— O quê?

— Eu teria escolhido algo diferente. – O barulho da arma de Logan é silenciosa e seu disparo é rápido, fazendo o homem cair sobre mim.

Empurro-o para longe, me levantando rapidamente. Abraço Logan em um movimento desesperado para me sentir segura ao seu lado mais uma vez. Seus braços não demoram muito para corresponder aquele ato e ele afunda seu rosto no espaço entre meu pescoço e ombro. Ter seu corpo ali próximo ao meu era um grande alívio porque parte de mim jamais acreditaria que ele chegaria tão rápido.

— Logan, eu...

— Precisamos ir. – Ele me afasta, apenas para segurar minha mão e corremos para fora dali dando de cara com Allan e Taylor que também arfava tão aliviada quanto eu.

— Acho que essa é a primeira vez em que eu desejei ter você por perto. – Sussurra Taylor dando uma risada nervosa. O braço de Logan envolve minhas costas me puxando para perto em uma força desnecessária e o encaro notando que ele observava Allan atentamente.

— Quem é ele? – Perguntam quase que juntos.

— Allan esse é meu... – Dono? – Logan. E Logan, esse é meu melhor amigo Allan.

— Então esse é o Logan? Pensava que fosse velho. – Sussurra mais para si mesmo e o homem ao meu lado bufa.

— E eu pensava que... Ah, é mesmo, eu nunca tinha ouvido falar de você. – Logan definitivamente tinha ativado o modo educação zero justamente nesse momento.

— Se queria que isso me atingisse, não conseguiu alcançar seu objetivo...

— Meninos. Que tal pensarmos em algo mais útil além de como nos atacar e sim em como sair daqui? – Pergunto nervosamente e eles parecem voltar a si.

— Você está bem? – Logan toca minha bochecha com cuidado e assenti segurando suas mãos com carinho. – Vamos embora.

— O quê? Não.

— Como assim não?

— Precisamos salvar Carl.

— Outro garoto?

— Ninguém que vá te causar ciúmes, acredite. – Ironiza Taylor e Logan bufa.

— Onde ele está? – Pergunta baixinho.

— Até onde sei... No último andar. – Respondo baixinho e ele assentiu.

— Vá com eles para o carro e eu vou atrás do garoto.

— Eu vou com você. – Digo, mas Logan me para imediatamente.

— Acho que já causou problemas demais para mim hoje. Estarei com vocês antes mesmo do que imagina. – Vocifera e eu assenti. Precisava confiar nele. De uma maneira que jamais confiei antes.

— Logan... Tome cuidado. – Sussurro antes de ser arrastada por Taylor.

O automóvel não estava muito longe dali e nem acreditava que finalmente estava do lado de fora do hotel. Respiro fundo antes de entrar no carro de Logan, já colocando o cinto de segurança. Allan e Taylor entram no lado de trás. Minha cabeça latejava ainda mais ao pensar no que estava acontecendo lá dentro. Ouço meus amigos conversarem assuntos aleatórios tentando me incluir nesses assuntos, mas eu os corto sabendo que estavam tentando me acalmar.

Nada poderia me acalmar agora além de Carl e Logan. Meus olhos encaravam a fachada do hotel e não desviavam dali nem por um segundo. Já havia se passado alguns minutos, o que me deixava preocupada. Abro a porta do carro ao ver Logan sair em passos lentos, segurando o pequeno no colo que agarrava seu pescoço com força. Corro até eles, pegando Carl no colo e lançando um olhar agradecido para Logan.

— Shh... Você está bem querido. Estamos todos bem. – Sussurro o acalmando enquanto entrávamos no carro e Logan pisava fundo no acelerador.

Carl havia dormindo em meus braços e somente Taylor e Allan deixavam o lugar menos embaraçoso. Entendo que Logan estava preocupado comigo, mas agora que tudo estava bem, a preocupação deu lugar à raiva, afinal, eu havia desafiado suas regras mais uma vez e eu sabia disso. E sinceramente não havia argumento algum que pudesse usar e só o que me restava era pedir desculpa...

Seus olhos estavam atentos no trânsito e era incrível como ele ficava ainda mais bonito bravo. Tinha certeza absoluta que ele tinha total consciência que eu estava o encarando, mas não ousou fazer o mesmo e ninguém ali parecia notar a tensão que havia entre nós dois. Agradecia mentalmente por isso. Logan estaciona saindo do carro e batendo a porta com força desnecessária, fazendo Carl abrir os olhos assustados, mas voltar a dormir rapidamente. Todos descemos do carro e eu entrego o pequeno para Taylor.

— Se importa de levar os dois para sua casa?

— Claro que não, minha mãe ama crianças. – Balbucia e Allan me encara.

— Não vai entrar lá dentro, não é? Esse Logan não parece muito feliz. – Sussurra e Taylor dá uma risada.

— Ele nunca está feliz. Acredite, Hannah sabe o que fazer. Vamos logo, você deve estar com fome, sua barriga roncou todo o caminho até aqui. – Comenta puxando ele com ela e eu a agradeço em um gesto rápido.

Corro para o lado da mansão abrindo as grandes portas e subindo as escadas até o famoso andar onde eu estava proibida de entrar. Eu sabia que Logan estaria lá justamente por causa dessa regra ridícula. Era um corredor simples e havia uma porta ao fundo que supus ser seu quarto então rapidamente corro até lá abrindo a porta sem me importar em bater dando de cara com Logan jogando objetos pela parede em uma tentativa de conter uma raiva.

— Qual parte da regra...?

— Esqueça essas regras idiotas Logan, eu vim me desculpar com você. – Sussurro e ele bufa alto.

— Você quase morreu lá, tem alguma ideia disso?

— Espera... É por isso que está bravo? – Pergunto perplexa porque eu realmente esperava que o motivo fosse eu ter simplesmente fugido.

— E que outro motivo eu teria?

— Me responda você porque eu já me cansei de tentar entender você e suas expectativas.

— Não são expectativas, é a mais pura realidade. Você. Precisa. Me. Obedecer.

— Eu não vou obedecer alguém que só sabe me tratar com respeito e educação quando lhe der na telha.

— O que você quer exatamente que eu faça?

— Eu quero que pare de tentar agir como um homem frio que não se importa com nada e com ninguém. Você não é esse tipo de pessoa. Eu vi isso lá e estou vendo isso agora. Eu quero que pare de reprimir seus sentimentos.

— Eu? Acha que estou reprimindo meus sentimentos? – Ele se aproxima de mim bravo.

— Você faz isso o tempo todo! Tudo que sabe é medir suas palavras e isso me irrita muito. Não pode se soltar por alguns segundos e, sei lá, dizer a primeira coisa que pensar, fazer a primeira coisa que passar pela sua cabeça.

— Quer que eu pare de reprimir meus sentimentos?

— É... É isso que eu quero. – Vocifero. Logan já estava mais calmo e também mais próximo de mim do que eu esperava.

— Eu já fiz isso uma vez. Mas ser esse tipo de pessoa traz consequências. Hannah, eu já disso isso... Você pode se machucar... E eu não posso deixar você...

— Isso sou eu quem decido Logan. – Murmuro sentindo suas mãos acariciarem minhas bochechas. – E eu não me importo com as consequências.

— Quer saber o que estou pensando agora? – Assenti. – No quanto eu quero beijar você quando me der na telha. — Murmura repetindo as palavras que usei agora a pouco e eu dou uma risada.

— Contanto que não se arrependa amanhã...

— Nunca mais.

Então seus lábios capturam os meus com facilidade enquanto seu corpo se colava ainda mais ao meu. Fechei os olhos me deixando aproveitar mais uma vez o calor de seus braços, confiando cegamente que ele realmente não se arrependeria mais. Minha língua busca a sua quase que em desespero por mais contato e ele me prensa contra a parede aprofundando o beijo e deixando um rastro de fogo por onde suas mãos passavam enquanto meus braços acariciavam os fios de seu cabelo macio. Nossos lábios pareciam se encaixar perfeitamente como o ultimo pedaço do quebra cabeça de mil peças. Meu coração parecia querer sair do meu peito enquanto várias borboletas eram liberadas em meu estômago.

Se meus lábios não estivessem tão ocupados, eu me permitiria sorrir.