A Herdeira Da Máfia
11 XI. Always And Forever.

Taylor
Uma pessoa normal geralmente nasce sem nenhum conhecimento real de mundo, mas isso é algo que deve ser aprendido com o tempo. Eu nasci e cresci na máfia. Pessoas como nós não nascem com o tempo necessário para possuir certo conhecimento. Quem perde suas preciosas horas falha nessa tentativa e morre cedo. Essa é definitivamente a primeira lição que alguém deve ter consciência quando vive da mesma forma que eu. Viver na máfia é como estar em um campo minado. Cada passo dado exige certo cuidado para não cair em maus lençóis.
Não.
Eu não sou mafiosa ou filha de um... Sou simplesmente a filha da criada. Mas acredite se quiser, limpar o chão onde eles pisam também trás com você um certo perigo. Como se um alvo fosse plantado bem no meio de suas costas. Meus pais vivenciaram milhões de guerras entre máfias e não foram poucas as vezes em que tiveram que interferir ajudando o dono da casa. Nunca me envolvi nisso, principalmente por uma decisão deles.
Éramos criados de Andrew Porter. O cara realmente é o tipo que você deve temer. Principalmente quando ele ver você na rua e não se simpatizar com você. Sim, graças a esse simples detalhe, já te torna um alvo fácil do predador. Já perdi a conta de quantas vezes meus pais quase foram um de seus alvos por simplesmente não aceitar me vender em lugares clandestinos. Andrew repugnava crianças com todas as suas forças. Para ser sincera, nunca vi algo que realmente o agradasse. Tudo que era considerado belo por grande parte da sociedade se tornava algo horrível para ele.
Com a forma de pensar pequena e a grande sede por poder, ele morreu mais cedo do que eu esperava. Meredith cresceu com Logan. Ele era um dos melhores amigos de minha irmã e um dos caras mais engraçados e carismático que eu já conheci. Quando nasci, os dois já eram grandinhos e fiquei mais amiga de Dave – seu irmão mais novo – do que de qualquer outro ali. Dave bebia muito e talvez isso tenha levado a morte dele. Não sei dizer. Logan assumiu a máfia após o incidente com o pai e tenta arrumar todas as bagunças feitas por ele. Posso afirmar que são muitas.
A frieza é um efeito colateral da máfia. Essa é a única conclusão que consigo tirar porque ele mudou da água para o vinho. Não é mais a mesma pessoa. Definitivamente. Para quem dizia que jamais permitiria que eu trabalhasse na casa se seu pai ordenasse ou coisa relacionada, aqui estou eu, Taylor O’Connell, obrigada a cuidar de tudo que envolve a estadia de Hannah Thierry. No começo fiquei indignada, chateada e irritada por ter que ser empregadinha de alguém que provavelmente era tão ruim quanto eles.
Estava enganada.
Hannah é uma garota que também convivia com seus próprios demônios. E que tinha tantas perguntas formadas, e nenhuma resposta para elas. Eu queria ter as respostas. Queria ajudá-la. Mas assim como ela, não tinha nenhum auxílio ou uma referência de onde começar a procurar. Contudo, Hannah se mostrou uma grande amiga. De fato, minha primeira amiga de verdade. Estudei a vida toda em casa e era divertido alguém com quem conversar – acho que não mencionei o fato de Meredith também ter mudado muito e não nos falarmos mais com frequência.
Já estava tarde e meu pai finalmente havia chegado após um dia cansativo de trabalho. Hannah saiu depois da notícia de que Logan exigia sua presença na casa. O chato não podia nem esperar o filme acabar. Continuo assistindo o filme acompanhado da pipoca que minha amiga fizera antes de ir e Mason, meu pai, senta ao meu lado decidindo assistir comigo. Era uma comédia qualquer, que eu já tinha visto um milhão de vezes, mas que nunca perdia a graça.
— Depois dessa, eu nunca mais vou reclamar dos vexames que já passei. – Comenta meu pai após o fim do filme enquanto eu ainda me recuperava da última gargalhada que fizera minha barriga doer.
— Totalmente. – Respiro fundo repetidas vezes. Quando finalmente paro de rir encaro meu pai que rapidamente solta uma gargalhada e eu o acompanho mais uma vez.
— Posso saber o que as três pessoas que eu mais amo no mundo estão rindo? – Pergunta minha mãe entrando no cômodo, sorrindo de forma irradiante. Meredith estava sentada no canto da sala há um tempinho, de braços cruzados e séria, encarando o nada, e perdida nos próprios pensamentos.
Ela finalmente se manifesta:
— Eu não estou rindo... Eles que parecem dois idiotas. – Resmunga se levantando e indo em direção ao seu quarto e eu reviro os olhos.
— Não podiam ter feito alguém com mais humor? Nem parece que é minha irmã. – Sussurro e Lola bagunça meus cabelos, se sentando ao lado do meu pai que lhe dá um selinho rápido. Era incrível como ainda se amavam mesmo depois de tantos anos juntos.
— Querida, sua irmã está em uma fase rebelde e nada mais justo do que respeitar isso. Onde Hannah foi? – Pergunta após notar a ausência de minha amiga.
— Logan exigiu a presença dela na casa para sabe Deus o quê. – Respondo me levantando somente para colocar um filme novo para assistir.
— Esses dois... – Lola encara meu pai que assentiu como se minha mãe tivesse completado a frase e ele a entendesse sem nenhum esforço.
— O que têm eles? – Pergunto os observando com um vinco enorme na testa de tamanha confusão.
— Vai dizer que não notou? Logan tem voltado a ser o de antes novamente.
— O filme de comédia afetou a sua cabeça pai. – Ironizo e minha mãe me encara descrente.
— Estamos falando sério. Ele tem nos tratado até de modo educado e já deixou claro que não se importa mais se fizermos nossas reuniões aqui de novo. – Meus olhos se arregalam surpresos com o relato de Lola. – É, Hannah tem feito ele ser nosso querido Logan de novo. Aos poucos... Mas é um começo.
As reuniões, as quais minha mãe se referia, eram as pequenas festinhas que fazíamos ao final do expediente com os funcionários. Era a coisa mais divertida do mundo e nunca pensei que Logan fosse voltar atrás com isso. Ouço um barulho estranho do lado de fora e meus pais ficam rapidamente em alerta. Meu pai, Mason, se aproxima da janela e com cautela observa o jardim da casa, fechando a cortina e me encarando.
— Filha, suba agora para o seu quarto e vá com sua irmã para o esconderijo. – Avisa ele e sobressalto me levantando assustada.
— O que está acontecendo? – Pergunto os observando abrir o assoalho e pegar algumas armas.
— Só faça o que seu pai ordenou, querida. – Diz ela tentando da forma mais inútil do mundo, parecer calma e eu assenti.
Já estava pronta para correr em direção as escadas quando a porta de casa foi arrombada. Sete caras apareceram segurando rapidamente todos nós com força desnecessária. Sentia meu pulso arder. Odiava quando isso acontecia. Não era muito comum, mas eu sempre me escondia a tempo, rezando para que meus pais ficassem bem. Dessa vez, eu estava no meio da confusão, e não sabia para quem rezar ou se havia um Deus afinal.
— Solte ela, seu babaca. – Grita meu pai se virando para o homem que me segurava e sinto o cano gélido de sua arma em minhas costas.
— Eu vou ser direto... Onde está a garota com o nome de Hannah Thierry? – Pergunta destravando a arma e engulo em seco.
— Na casa, junto com Logan. Agora solte minha irmã. – A voz de Meredith nos últimos degraus da escada fizeram meus pais arregalar os olhos.
— Boa tentativa. Não vão me enganar então vou perguntar de novo, para o bem da sua queridinha família. Onde ela está?
— Ela já falou. – Grito alarmada e o homem me aperta mais contra si.
— Parem de bancar os idiotas, os outros estão lá e não a encontraram. É bom que dessa vez não mintam, pois não estou para brincadeiras. – Responde a mesma altura e eu respiro fundo.
— Não sabemos. – Sussurro.
— Então não são úteis para mim. – Foi tudo muito rápido. Todos eles nos soltam e antes de sair um deles atiram no meu pai. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. – Isso é só um aviso para o caso de estarem mentindo para nós.
— Pai. – Corro até ele acompanhada de Meredith. Minha mãe estava estática nos encarando sem saber como agir ou pensar e tudo que eu conseguia era chorar.
Hannah
Nunca pensei que pensaria algo assim, mas realmente prefiro Logan quando está alterado, ao menos dessa forma eu entendo, mesmo que bem pouco, o que passa por sua cabeça, mas hoje tudo que consegui foi seu silêncio. Não trocamos uma palavra desde que eu acordei, fiz minha higiene matinal e comi algo qualquer que Sophie havia oferecido antes de partimos. Meus olhos estavam atentos entre a paisagem do lado de fora e o rosto sério do homem ao meu lado. Havia me cansado de tentar puxar algum assunto e ele provavelmente me agradecia internamente por ter me calado.
Eu consigo ser chata ás vezes, principalmente quando minha cabeça está uma tremenda confusão. São tantos pontos de interrogação e eu fico com aquela vontade chata de encontrar uma resposta para todas elas. Estava começando a me irritar com o fato de todo aquele constrangimento no ar. Foi só um beijo. Significou algo para mim, claro. Mas se não teve nenhum efeito sobre ele, tudo bem também. Não é como se eu pudesse obrigar alguém a gostar de mim.
Mesmo assim, não precisa agir feito um idiota. Assim que ele estaciona em frente a sua casa, saio batendo a porta do carro com força só para demonstrar o que eu estava sentindo. Ao contrário de Logan, eu queria deixar as coisas claras para ele. Corro até a casa de Taylor, acho que havia me acostumado de deixá-la sempre a par dos acontecimentos. Abro a porta de sua casa sem bater na porta.
— Você não vai acreditar no que aconteceu ontem... Melhor. Você não vai acreditar no motivo de eu estar brava com Logan. De novo. Ele... – Minha voz se prende em meus lábios. Meredith, Lola e Taylor estavam de costas para mim, sentadas no grande sofá de cor bege, completamente inertes. Os olhos fixos no carpete do chão e só então noto a poça de sangue sobre o piso. – Oh meu Deus! O que aconteceu aqui?
— Você...
— Meredith. Por favor, agora não. – Lola diz calmamente para a filha que já havia se levantado e se virado para me encarar.
— Não, ela tem que saber. – Vocifera dando a volta no sofá e ficando um pouco mais próxima de mim. – Quer saber o que aconteceu, queridinha da casa? Meu pai morreu. Porque não sabíamos onde diabos você estava. Assim, só para resumir, vou te poupar dos detalhes traumatizantes. O Logan já chegou?
— Está na casa. Eu acho. – Murmuro incapaz de me defender daquela acusação. Talvez porque em parte, ela estivesse certa. Engulo em seco e vejo Lola se levantar e me olhar de esguelha, dando um sorriso pedindo desculpa em silêncio e subindo as escadas deixando Taylor e eu a sós. – Taylor, eu...
— Não. – Seu sussurro era sufocante como se segurasse um choro desesperado. Parecia que qualquer palavra que ela dissesse agora pudesse me destruir, ou me aliviar ao menos um pouco. – Vai embora.
— Eu não posso deixar você aqui desse...
— Por favor. – Implora já chorando baixinho e sinto meu coração se apertar. – Minha linha de pensamento não está muito diferente da linha de pensamento de Meredith então eu sugiro que vá. É minha primeira amiga e não quero me alterar com você. Não agora que... Minha cabeça está queimando.
— Certo, tudo bem eu... Eu vou... Meus pêsames. – Era tudo que eu conseguia dizer? Onde estava a garota que, não importa o que o amigo dissesse, ficaria do lado sempre?
Já no batente da porta, encaro Taylor pela última vez, Lola volta do andar de cima. Ela segura um balde de água e dois panos simples. Um é entregue a filha e as duas começam a limpar o sangue de seu ente querido. Sinto meus olhos arderem e as lágrimas caem com facilidade quando Lola joga o pano com força no chão e chora com vontade, como se a ficha de que Mason havia morrido tivesse caído justamente agora.
Saio de sua casa indo em direção ao meu quarto sem nenhuma pressa de chegar lá. Quando estou no segundo andar, mudo a direção indo em direção ao porão. Os vários túneis pareciam intactos e nada havia mudado desde que fui ali, fora, é claro, a ausência de Wren. Minha mãe, Allan e agora, Taylor, se machucaram só por me ter por perto. O que havia de errado comigo? Essa é uma grande dúvida que jamais poderei responder. Mas eu precisava aprender a me defender.
Observo aquelas grandes prateleiras repletas de armamentos que eu desconhecia. Me aproximo do grande saco de areia, minhas mãos fechadas em punho em uma falha tentativa de aliviar toda a dor que eu já havia acumulado. Um único murro foi o suficiente para que eu cambaleasse. Praguejo me levantando e noto a presença de Logan. Seu olhar me analisava atento e sinto minha respiração ficar pesada à medida que ele se aproximava. Volto a esmurrar aquele saco de pancadas que ganhava de mim, vergonhosamente. Sinto então mãos fortes em meus quadris de forma firme, fazendo com que eu não movesse todo o meu corpo. Somente os meus braços, trabalhando bem as mãos. Finalmente consegui dar um murro descente e o encaro agradecida.
— Já largou seus livros e decidiu tentar algo mais radical? – Arrisca se sentando em uma cadeira no canto do cômodo.
— Decidiu falar comigo? – Retruco voltando a deixar toda minha raiva fluindo através de minhas mãos. – Desculpe. Eu só estou brava.
— Era exatamente isso que queria falar, não culpe sua raiva. – Balbucia e eu o encaro.
— O pai de Taylor...
— Morreu. Estamos preparando o funeral dele. – Ele me interrompe e eu literalmente me jogo no chão agarrando minhas próprias pernas e voltando a chorar.
— Acha também que a culpa é minha? Que tem algo de errado comigo? Por que todos com quem eu me importo se machucam? – Solto algumas de várias perguntas que me rondavam. Logan agora possuía uma expressão suave e rapidamente se levanta da cadeira, se agachando em minha frente me dando uma ampla visão de seu rosto.
— Não acho que seja sua culpa. As garotas só estão bravas e suas últimas duas perguntas são as mesmas que faço todas as manhãs quando eu acordo até a hora em que vou dormir. – Sussurra finalmente confessando, indiretamente, sobre sua vida enquanto limpava uma lágrima teimosa que escorria pelo meu rosto.
— O que aconteceu para você se tornar assim? – Pergunto baixinho.
— A vida, a máfia, meu pai... Uma garota. – Responde e eu sobressalto em surpresa.
— Como assim uma garota?
— Não interessa. – Ele se levanta finalmente se dando conta de que estava, simplesmente, desabafando.
— Tem mesmo medo de deixarem as pessoas verem o seu lado bom não é?
— Por algum motivo você viu, mas isso não muda nada. Não pode mudar. – Sussurra mais uma vez suas velhas metáforas.
— Já está mudando. – Me aproximo dele, somente para sair do cômodo, mas ele se afasta e eu sorri, notando o que ele havia imaginando. – Relaxe, eu não vou beijar você.
— E se eu pedir?
— Logan Porter nunca pede. Logan Porter manda. – Ironizei curvando meus lábios em um meio sorriso antes de sair dali.
Meu quarto parecia completamente distante, talvez porque minha mente estivesse à milhas daqui. Eu pensava em Taylor e na probabilidade de me odiar para sempre. Eu pensava em Lola que provavelmente perderia todo o brilho no olhar e seu sorriso jamais seria o mesmo. Pensei em Meredith, que me odiando ou não, também sofria com isso. Respiro fundo entrando em meu quarto que agora, perdeu toda a graça. Tudo nessa casa perdera a graça.
Tomo um banho gelado tirando todo o suor que me impregnava e coloco um vestido fresco para passar a tarde por aqui. Seria uma tarde longa. Muito longa. Me sento na cama observando a paisagem da sacada e a desenhando pela milésima vez quando o celular que Allan havia me dado toca. Engulo em seco. Eu precisava tirá-lo da minha vida de uma vez por todas. Havia pessoas atrás de mim. Pessoas cruéis. E não queria que ele se machucasse.
— Allan...
— Adoraria um bom motivo por não ter me ligado faz cinco dias. E não me venha dizer que tem passado um tempo com a tal da Taylor. Eu sou seu amigo há anos. — Resmunga ele e eu sorri, me esquecendo por alguns segundos o que eu estava decidida a fazer.
— Aconteceu algumas... Coisas... Por aqui.
— O que o Logan fez dessa vez hein?
— Não foi ele, foi eu. Mas eu não quero falar sobre isso.
— Tudo bem... Tenho uma notícia para você! Contei minhas economias e finalmente tenho dinheiro suficiente para ir visitá-la.
— O quê? – Engasgo com minha própria saliva. – Não!
— Não?
— Não! Não! Você não pode!
— Hannah, você está bem?
— Eu não posso deixar que se arrisque vindo até aqui. Allan... – Engulo o choro, respirando fundo. – Precisa parar de me ligar. Esquecer que eu existo, sei lá... Não posso deixar você se machucar. Não você: meu melhor amigo.
— Do que está falando? Hannah, eu...
— Adeus, Allan. – Sussurro desligando o celular e jogando-o com força na parede fazendo-o quebrar em pedacinhos.
Eu queria poder parar de chorar e que todo esse drama ridículo acabasse. Me aproximo de minha escrivaninha no intuito de pegar o livro que eu queria e o puxo com tanta força que a caixa de madeira onde havia as coisas de minha mãe cai junto e grito por pura raiva. Raiva de tudo. Raiva de mim. Me abaixo, colocando a caixa em pé e juntando as coisas para colocar de volta quando noto uma foto diferente ali.
Eu ainda não havia vasculhado toda a caixa então talvez esse seja o motivo de não tê-la notado. Havia um casal, a mulher, que supus ser minha mãe, segurava o rosto do homem com delicadeza enquanto as mãos dele pousavam em seus cabelos sedosos, ambos prestes a se beijarem. Uma foto tirada da forma mais espontânea. Eu não via os olhos dela, eles estavam fechados. E seus lábios entreabertos. Mas eu sabia: ela estava feliz. E aquele homem, se parecia tanto com alguém que eu já conhecia, apresentando apenas ser um pouco mais velho então viro a foto, lendo a escrita que havia no verso da foto.
“Always and Forever” — Chrisian G. Brian
“– Quero que volte para o carro, procure na lista o nome de Anthony Gavin Brian e ligue para ele. Diga quem é, avise onde estamos...
— Logan...
— Só faça isso, Hannah. – Sussurra.”
Aproveito que Taylor e Lola não se encontravam em casa e entro sorrateiramente pegando as chaves do carro de Mason, e dando uma olhada na enorme lista telefônica que Meredith tem em casa, com alguns números adicionados para o uso de Logan, procuro o nome de Anthony e logo abaixo do seu número, havia também o endereço. Eu não era a melhor motorista do mundo. Mas também não era pior e mesmo assim, opto por dirigir vagarosamente. Não tinha pressa e também nenhum conhecimento amplo sobre essa cidade. Tudo que eu sei é por ser uma ótima observadora quando saio da casa de Logan, que aliás, não faz ideia que eu sai. Ele deu folga aos seguranças para também dar os pêsames a Lola. Desço do carro, checando uma última vez se eu estava no endereço certo. A casa era o triplo da casa de Sophie e Logan juntos. Engulo em seco e marcho decidida até a porta de entrada, apertando à campanhinha. Observo a câmera de segurança que havia no canto da entrada e não demora muito para que Anthony a abra.
— Hannah, o que está fazendo aqui? Onde está Logan? – pergunta olhando em volta e antes que ele falasse qualquer coisa, tomo coragem para encará-lo.
— Eu vim pedir sua ajuda para encontrar meu pai. – Sou direta e clara. Anthony engole em seco.
— Quer que eu a ajude? Por acaso tem alguma... Referência? – Pergunta e eu coloco a mão no bolso retirando a foto de minha mãe com o homem desconhecido. Eu não tinha certeza sobre quem ele era, mas minha mãe jamais guardaria a foto de alguém que não se importasse. Só havia uma hipótese e iria agarrá-la com todas as forças.
— Não... Mas tenho um nome. Eu acho. Talvez seja alguém que conheça. Ouso dizer que é da sua família.
— Quem? – Ele sorri nervoso e eu levanto o rosto entregando a foto para ele que a pega. Seus olhos se arregalam.
— Seu nome é Christian Gavin Brian.
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