A Herdeira Da Máfia
7 VII. A Different Christmas.

— Me deixe ir embora, por favor. – Grito em função da chuva que, aliás, ajudava a esconder as lágrimas que se espalhavam por todo o meu rosto. Logan continuava em completo silêncio, seus olhos analisando os meus com intensidade como se tentasse descobrir algo ali. Suas mãos ainda seguravam meus pulsos, mas sem utilizar qualquer força. Era como se ele soubesse que eu só sairia dali após ouvir pelo menos uma palavra.
— Está livre para ir Hannah... Mas eu me pergunto, para onde iria? Você não tem ninguém! Tudo que você vai conseguir voltando para lá é se tornar mercadoria de novo! – Responde após finalmente voltar à realidade.
— E quando eu deixei de ser mercadoria? – Retruco baixinho segurando a vontade de bater nele. Descontar toda minha raiva naquele momento.
— Nunca foi uma mercadoria para mim. Fico surpreso em notar que pensa dessa forma...
— Você me comprou. Por cem milhões de dólares! E ainda promete reformar todo o bordel. Isso pode não ser nada para você, mas de onde eu venho, é uma fortuna que ninguém conseguiria mesmo que morresse trabalhando.
— Então devia me agradecer por isso.
— Só quero entender o motivo Logan. Por que me comprar para simplesmente viver me sustentando? Por que comprar a filha de uma prostituta, que precisa contar moedas para ver se tem dinheiro suficiente para conseguir um prato de comida? Se eu pelo menos valesse alguma coisa...
— Talvez você valha. – Me interrompe ele desafiadoramente.
— Ou talvez se sinta sozinho. Essa casa é enorme e está mais do que óbvio que você só tem a companhia de seus funcionários. Mas eles não contam, afinal, estão aqui pelo simples objetivo de se sustentar. O que importa é que seja qual for o motivo, eu vou descobrir.
— Não sei como conseguirá estando longe daqui.
— Você acaba de me dar um motivo para ficar!
— Ótimo.
— Bom... Será que dá para me soltar agora? – Pergunto baixinho e ele encara nossos corpos próximos, me soltando vagarosamente. Logan se vira, caminhando apenas alguns passos a minha frente e eu ando mancando ainda sentindo meu pé doer.
— Eu não me sinto sozinho aqui... E mesmo se eu me sentisse dessa forma, não me importaria. Gosto da solidão. Ela é melhor do que muitas companhias por aí. Deveria saber disso. – Sussurra tocando em nosso último assunto e eu engulo em seco enquanto voltávamos para a mansão.
— Sempre viveu aqui sozinho? Quer dizer, sem ninguém com quem conversar? Isso me parece horrível. – Digo apressando o passo e tentando alcançá-lo. Ele não parecia gostar daquela série de perguntas, mas era algo com que deveria se acostumar caso eu vá viver com ele pelo resto da minha vida.
— Não é tão horrível assim e... Será que dá para parar de fazer perguntas? É irritante! – Murmura parando abruptamente e se virando para me encarar.
— Irritante? Sofra humilhações a sua vida toda, veja um bordel explodir com a mãe dentro, viva em torno da constante pergunta sobre quem é seu pai, seja vendido por uma das pessoas com quem mais se importava e principalmente, seja comprado por um homem que, até agora, tem sido arrogante e frio. – Minha voz sai alta e sem demonstrar nenhum sentimento por isso. Logan bufa voltando sua caminhada e chamo sua intenção. – Poderia andar mais devagar, o meu pé está doendo. – Choramingo e assim que eu o alcanço seus braços me puxam para perto me levantando em um solavanco.
Agora ele me carregava como se eu fosse um bebê para minha mais nova casa. O engraçado é que ele parece estar carregando uma pena, pois em nenhum momento demonstrou cansaço. A chuva ainda caia fortemente estapeando nossos rostos, mas nenhum de nós parecia se importar com aquilo. Meus braços estão em volta de seu pescoço e apoio meu rosto em seu peitoral.
O sono parecia me consumir mais uma vez e eu não tirava da cabeça que precisava avisar Allan que a fuga havia dado errado e eu pensei melhor sobre o assunto. Realmente não teria lugar nenhum e só agora noto que... Eu estava completamente dependente de Logan Porter. O que não me animava nem um pouco.
Entramos na casa e ele sobe as escadas impedindo que eu descesse de seu colo, deixando meu corpo ainda envolvido pelo seu calor. Coço os olhos e observo por alguns segundos o olhar do homem que me segurava. Existia algo ali. Algo que estava mais do que na cara que ele não queria mostrar. Ele estava sério, encarando o meu quarto no final do corredor e me levando em direção a esse cômodo. Pensei que o mesmo me jogaria ali mesmo, mas ele me surpreende, abrindo a porta calmamente e me depositando na cama. Logan se abaixa e suas mãos alcançam meu pé machucado e grito de dor.
— Seu pé não está quebrado e também não foi nenhuma torção. Mas a queda foi feia... Nada que um analgésico não resolva, pedirei que Taylor traga imediatamente. – Sorri educadamente recebendo apenas um olhar frio de volta e ele se vira para abrir a porta quando eu chamo sua atenção. – O que é?
— Eu só queria agradecer por me trazer até aqui. – Sussurro e Logan simplesmente desaparece do cômodo.
Me jogo na cama suspirando pesadamente sem me importar com a roupa molhada. Taylor rapidamente aparece sonolenta, usando um pijama de ursinhos e segurando uma vela. Quando seu olhar se encontra com o meu, ela trata de ficar séria como se estivesse brava pelo que eu havia feito e lhe lanço um olhar de desculpa enquanto ela deixa uma bandeja próxima a mim com um copo de água e alguns comprimidos.
— Vem, me deixe ajudá-la com essas roupas molhadas. – Diz e eu me levantando apoiada em seus braços até o closet onde ela me ajuda a retirar as peças de roupa e me entrega um pijama de seda branco e bem solto.
Voltamos para o quarto e peço que ela se deite ao meu lado e fique ali até que eu adormeça. Sei que parecia um pedido egoísta, mas o sono parecia ter se esvaziado e deixei claro que ela poderia ir se não quisesse. Mas Taylor rapidamente se anima pulando sobre a cama e começamos a conversar sobre coisas aleatórias. Na verdade, ela falava mais do que ouvia e eu nem me importava.
Podia facilmente encarar o teto de gesso e imaginar Allan ali quando eu ia até sua casa e fazíamos uma espécie de festa do pijama. Taylor tinha cabelos extremamente lisos em um atraente castanho e seus olhos eram verdes, bem claros. Possuía algumas sardas no rosto e os lábios perfeitamente bem desenhados. Seus assuntos pareciam nunca se cessar e demoro mais algumas horas antes de adormecer.
Acordo estranhando o cômodo de início... Não era pecado ter a esperança de que aquilo era apenas mais um sonho. Me espreguiço, notando finalmente a presença de Taylor ali, deitada ao meu lado e dormindo calmamente. Faço de tudo para não acordá-la e me levanto, quase chorando já pensando na dor que iria sentir, mas assim que meus pés tocam o chão e caminham até o banheiro, não sinto nada. A dor da noite passada havia simplesmente desaparecido como se nunca tivesse existido. Retiro meu pijama tomando um banho rápido e fazendo minha higiene matinal. Coloco uma calça, um suéter vermelho de lã e uma bota marrom. Hoje estava mais frio que o normal. Saio do banheiro dando de cara com Taylor fechando a porta segurando uma grande caixa.
— Bom dia. Desculpe ter dormido aqui ontem, na verdade nem tinha percebido, acho que eu estava com muito sono. – Diz ela colocando a caixa sobre a cama e sorrio me aproximando dela.
— Bom dia. O que é isso? – Pergunto ignorando suas desculpas e ela segue meu olhar dando de ombros.
— Não sei. Meu pai pediu que eu deixasse com você. Disseram ser do bordel. Algumas coisas da sua mãe. – Pulo na cama encarando aquela velha caixa. Um arrepio indesejado percorre meu corpo e sinto meus olhos arderem. – Acho melhor te deixar sozinha. Quando terminar de dar uma olhada, quero que vá até a cozinha. Minha mãe está louca para conhecer você.
Tudo ao meu redor parecia desaparecer e eu estava envolvida em uma bolha junto com aquela caixa de madeira. Respiro fundo antes de abri-la. Lágrimas escorrem pelo meu rosto ao notar que eram as únicas coisas que restaram de minha mãe. Havia um porta retrato, com uma foto que eu e Chloe tiramos no natal. Allan também está nela e tínhamos mais ou menos seis anos. Se havia algo que amávamos era o natal. Charlie dava um dinheiro a mais às prostitutas no final do ano e diferente de outras que iam comprar roupas, minha mãe comprava nossa tão amada árvore de natal.
A enfeitávamos com o que achávamos no lixo das lojas que sempre jogavam algo que estava com defeito. Nos reuníamos no salão de descanso das garotas e juntas fazíamos comidas deliciosa e presenteávamos umas as outras com o que podíamos. Sempre dava presente para Allan e geralmente eram meias coloridas já que fazia coleção enquanto ele me dava qualquer coisa que eu pudesse usar para desenhar. Lápis, giz, grafite... O natal nunca mais seria o mesmo. Observo a caixa mais a fundo e vejo um ursinho de pelúcia. Meus lábios se curvam em um grande sorriso. Aquele era o brinquedo que eu mais desejava no mundo quando pequena e demorou um bom tempo para que eu o ganhasse.
Na caixa também havia discos de cantores antigos que ela adorava ouvir quando era a vez dela de arrumar a casa. Foi ouvindo algumas dessas músicas que tomei gosto pela dança e não parei mais. Então eu vejo, no fundo da caixa, um celular descartável e ao lado, um pote cheio de lápis e um caderno de couro vermelho com folhas em branco.
Feliz natal, pentelha. – Allan.
Sinto minha garganta formar um nó e rapidamente pego o celular digitando o número que eu sabia de cor.
— Quem me atrapalha? – Ironiza dando uma risada.
— Eu poderia ficar brava, mas não sabe como fico feliz em ouvir sua voz. Como pude me esquecer que hoje era véspera de natal. – Me levanto caminhando até a sacada sentindo o vento frio sobre meu rosto.
— Sei lá... Talvez porque você não esteja com tempo para pensar justamente nisso. O taxista me ligou querendo me bater achando que eu havia passado trote nele.
— Desculpe... É que... A história é longa. – Suspiro pesadamente me sentando em uma cadeira que havia no ali no canto.
— Tenho todo o tempo do mundo.
Então lá estava eu contando ao meu melhor amigo sobre as últimas vinte e quatro horas que eu fiquei longe dele. Entre uma piadinha e outra, dizia sobre como cheguei lá, o quanto Meredith parece ser meio bipolar ao receber aquilo que chamam de visitas e a irmã mais nova dela, Taylor, ser a pessoa mais amorosa e engraçada que conheci nesse lugar. Por fim, conto sobre Logan. É bem difícil falar sobre alguém que eu desconheço, mas me esforcei.
— E como está tudo aí? – Pergunto mesmo que não tenha o menor interesse em saber sobre Stella e Charlie.
— Bom... Digamos que esse Logan é rápido quando a questão é dinheiro. Charlie recebeu tudo e você o conhece. Ele bebeu muito e saiu gritando a vizinhança que agora era rico. Me admira muito não ter sido roubado.
— E Carl? – Meu coração se aperta ao lembrar do pequeno.
— Fique tranqüila. Estou cuidando dele. Estamos cuidando um do outro.
— Se era para me deixar tranqüila, não conseguiu. – Dou uma gargalhada sendo acompanhada por Allan.
— Pois saiba que sou uma ótima babá! Aliás... Nunca me disse que esse garoto tem uma energia que daria para abastecer a cidade por anos. — Murmura e sorrio.
— Sinto falta dele. E de você também. Principalmente hoje.
— Não sabia nem que dia era até algumas horas atrás.
— E agradeço por me lembrar disso quando poderia ter me respondido com uma frase fofa que me fizesse chorar e...
— Tio Allan... Está perdendo a melhor parte do desenho. — Ouço a voz de Carl e meu coração pula uma batida.
— Certo, certo. Preciso ir. Vai querer falar com ele?
— Não acho que seja uma boa idéia. – Murmuro me lembrando de nossa despedida e Allan pareceu entender. – Vai lá. Eu tenho que ir também. Foi bom falar com você.
— Pode falar comigo sempre que quiser agora. Tinha ficado preocupado.
— Feliz natal Allan.
Desligo o telefone, pronta para sair do quarto quando mais uma vez olho a caixa e vejo que há algumas notas no canto. Provavelmente o que minha mãe havia ganhado nas últimas semanas, pego eles enfiando no bolso e correndo para cozinha. O lugar era um labirinto e demorei alguns minutos até chegar no exato lugar que eu gostaria, o que pareceu uma ótima desculpa e Taylor pareceu acreditar. Então ela se anima me puxando em direção a uma mulher de cabelos de tom dourado e olhos castanhos. Presumi que fosse mãe dela apesar de não possuírem semelhança alguma. Ela se parecia mais com Meredith.
— Mãe. Essa aqui é a...
— Hannah. – A mulher interrompe sua filha, soltando a colher que usava para misturar algo na panela e caminhando até minha direção. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela me envolve em um abraço apertado. Sinto todo o meu corpo se relaxar diante daquele movimento tão confortante. Devolvo o abraço com um sorriso discreto. – Você tem sido o assunto do momento nessa cozinha, afinal, é aqui onde todos os funcionários se reúnem. Fico muito feliz em conhecê-la. Por que não senta aqui? Estamos pensando em uma bela ceia de natal. Sou Lola, a propósito.
— Pensei que isso era um segredo dos funcionários. – Interrompe Meredith aparecendo no batente da porta.
— Hannah é visita e pedi a nossa mãe permissão para convidá-la. – Protesta Taylor cruzando os braços.
— Logan não comemora o natal? – Minha pergunta sai como um sussurro e todos ficam em silêncio.
— Comemorava, mas ele exigiu que a partir desse ano, as comemorações são estritamente proibidas. – Responde a mãe de Taylor sorrindo de lado. – Mas está convidada para nossa pequena festa. É bem simples, mas faremos de coração.
— Claro, mas... É natal. Ele visita algum parente não é? – Suponho e Meredith revira os olhos.
— Ele não tem ninguém mais, Hannah. E mesmo que tivesse, nunca foi fã das comemorações. Agora que é dono de tudo isso aqui, pode proibir tal festividade.
— Bom... Então em que eu posso ajudar? – Pergunto e Lola sorri animada.
Taylor me puxa para fora do casarão e seu pai, que era o motorista e me trouxera para cá, se encarregou de nos levar nas lojas decorativas. Minha mais nova amiga parecia uma criança no parque de diversões, encantada com cada objeto. Compro algumas coisas, e ela também compra um presente para o amigo secreto que teria, e, juntas passamos a tarde escolhendo coisas que complementassem sua casa. Era um lugar minúsculo de dois andares, nos fundos do casarão e me lembrava muito à quitinete em que eu morava.
Arrumamos tudo lá enquanto Lola fazia algumas comidas. Decido ajudá-la nesse processo e peço algo em segredo a ela que assentiu com um sorriso brincalhão no rosto. Meredith não parecia muito feliz e também não movia um dedo para ajudar a família que estava tão animada com a festividade. Taylor e algumas outras funcionárias comentavam animadas sobre tudo e ouço uma delas dizerem que Logan havia saído bem cedo e voltara somente agora, no fim da tarde.
Termino de preparar a comida deixando que Lola e Taylor fossem se arrumar para suas devidas festas. Em questão de uma hora, o pequeno cômodo da sala de jantar estava lotado e todos seguravam seus devidos presentes conversando sobre coisas aleatórias. A anfitriã desce as escadas usando um vestido lindo assim como sua filha. Meredith não ousou sair do sofá e até tentei puxar algum assunto com ela, mas era completamente impossível. Era oficial. Ela me odiava. E eu nem havia dado motivo a ela para isso.
— Querida. – Lola chama minha atenção e a encaro sorrindo educadamente.
— Está deslumbrante. – A elogio e ela dá uma risada fraca. Podia ver nela a figura materna de Chloe. Sempre se dedicando aos filhos.
— Imagine! Veja só, tudo que me pediu está naquela cesta. Se não ir agora, é provável que Taylor não te deixe sair daqui! – Me alerta e eu sorrio me aproximando dela e lhe dando um beijo estalado na bochecha.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer. Tenha um feliz natal!
— A senhora também! – Grito de volta saindo pela porta da cozinha.
Entro no casarão e organizo a mesa. Planejava uma ceia para Logan mesmo que ele não gostasse. Deve ser horrível não ter ninguém e mesmo proibindo tal tradição, faço ainda assim. Arrumo em poucos segundos e já subo as escadas parando naquela que daria no terceiro andar. Chamo por Logan que não responde e quando decido subir, ouço seu grito estridente no primeiro andar e corro, dando de cara com ele encarando a ceia estupefato.
— Você...
— Sim! – Sorri educadamente me aproximando da mesa e me sentando.
— Eu proibi qualquer festividade dentro dessa casa, por acaso eu falei grego com os funcionários? – Perguntou alto em alto e bom tom.
— Muito pelo contrário. Entendi perfeitamente bem sua regra e decidi desacatá-la.
— Não imagino o motivo.
— É natal. Não queria que passasse essa comemoração sozinho... É uma tradição muito linda. A família reunida, a ceia e a decoração da árvore é definitivamente incrível. Um vez...
— Tire isso daqui agora! – Rosna próximo de mim e me levanto da cadeira assustada.
— Me desculpe, eu só pensei que...
— Pois pensou errado. – Me interrompe subindo as escadas.
— Me desculpe. – Sussurro novamente me sentando na cadeira esperando que ele voltasse se arrependendo de deixar toda aquela comida farta na mesa. Mas nada disso acontece.
Decido por fim comer um pouco sozinha e depois retiro tudo dali. Arrumo a cozinha que eu havia bagunçado e volto para o meu quarto pegando o presente que eu havia comprado para ele. Tudo era tão confuso. Eu não tinha idéia de nada e não sabia o que fazer. Mas Logan havia me comprado e ao contrário do que eu pensava, estava cuidando de mim. Indiretamente, mas ainda assim, estava cuidando de mim. E por mais estranho que aquilo pareça, eu me sentia em dívida com ele e queria mostrar minha gratidão mesmo não tendo idéia do por que ele ter me comprado sem propósito algum. Saio do meu quarto pegando o caderno e os lápis que Allan havia me dado caminhando até a escadaria que dava para o terceiro andar.
— Estou começando a desacreditar na sua capacidade de ouvir. – Murmura ele no alto da escada me dando um susto.
— Eu não ia subir. Fique tranqüilo, não precisa fingir ser mal educado. – Retruco secamente e deposito a caixa no primeiro degrau. Encaro Logan que agora o analisava.
— O que...?
— É uma gravata. – Eu o interrompo. – Nos vimos só duas vezes, sendo assim, eu não tinha idéia do que você gostava, mas a vendedora disse que muitos homens usam isso aí então... Feliz natal!
Viro os calcanhares e sinto seu olhar pesado sobre mim até que eu desapareça do andar e saia de sua casa. Vejo de longe a bagunça e as risadas vindas da sala de jantar de Taylor. Uma parte mim adoraria ir até lá, mas Logan fez com que todo o espírito do natal se esvaziasse de mim então decido caminhar pela praia.
Sento-me no píer amadeirado que havia alguns metros dali e noite passada eu não havia notado. O mar estava em sua total calmaria e eu abro meu mais novo caderno, pego um lápis e começo a desenhar a bela paisagem a minha frente. Minha cabeça vira automaticamente para o casarão atrás de mim e vejo... Ao longe... Logan em sua sacada tomando alguma bebida que presumi ser alcoólica. E mesmo acreditando que era impossível eu ser vista ali, parte de mim acreditava que ele me observava.
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