A Hóspede

3 Muito apegado a relacionamentos instáveis


Notas iniciais
Gente, desculpa! postei o capítulo adiantado do 3, foi mal!
kkk apaguei e agora to postando o certo aq.
Obrigada leitora B. que me alertou!
-Entendi querido. –Puxa! Duas horas juntos e ela já está nesse nível de intimidade para me chamar de querido? Haha... que ousadia!

Ma eu não me importo, não muito. Ela só irá passar dos limites se por acaso, de noite, invadir meu quarto e começar trotar em cima de mim, do contrário, são só palavras que nada valem perto de atitudes.

Assim está ótimo, apenas palavras, apenas conjuntos de letras, coleções de frases. Jamais iremos ultrapassar limites com palavras, eu acho pelo menos.

Depois que o filme acabou ela riu (do filme não foi porque era terror) e se levantou. Foi para o quarto fazer lá se sabe o que e por ali ficou quase uma hora. Uma vez ou outra durante os comercias eu espiava o corredor para ver se ela estava acordada ainda. Não ouvi nenhum som a não ser o da TV na sala, porém a luz estava acesa.

Não sei por que, mas a queria ali nem que fosse para me irritar com perguntas constrangedoras. Não gosto de me relacionar com pessoas por causa disso, me apego a elas depois de certo tempo e fico querendo loucamente permanecer com elas vinte e quatro horas por dia. Mas não posso. Daí sinto a solidão com tudo o que essa palavra significa. Esse sentimento que eu mais odeio que me faz lembrar o passado, do que eu tinha, do que eu perdi e do que ganhei.

Havia três horas que a mulher estava aqui em casa e já me acostumei com a presença harmoniosa dela em minha casa gélida e vazia. Será que já estou assim? Isso não pode acontecer, jamais! Eu mal a conheço! Nem sei como se chama, quantos anos têm, de onde veio, para onde vai e essas coisas todas.

Talvez eu esteja exagerando. Por eu não sair muito de casa e por não receber mulheres em casa, devo estar sentindo atração sexual pela coitada.

Sasuke Uchiha! Toma juízo moço de Deus! Ri dos meus próprios pensamentos e fui para a cozinha pegar um vinho. E continuei minha teoria.

Como já disse, tive poucos relacionamentos e isso foi há uns anos atrás. Acho que depois que vim para Ottawa, tive três ficantes no primeiro ano aqui. Creio que não transo há onze meses.

Meu Deus!

Nunca parei para pensar isso! Deve ser por esta razão que fiquei em estado crítico só de ver as pernas da moça. Meu “amigo” está querendo diversão. E vai continuar querendo porque não vai ter, nem se ela me der permissão.

Mas por que agora: Por que ela? Com minha profissão (não é cafetão, só para constar) posso arranjar mulheres maravilhosas, fáceis e casuais, só que não sinto atração por nenhuma delas.

Terminei de encher minha taça e já ia guardar o vinho português quando a TV desligou sozinha e as luzes se apagaram. A única luz da cozinha era a do meu relógio.

23:06

Se for a Samara do filme O Chamado, está atrasada. Tomei um gole da bebida ainda segurando a garrafa na outra mão.

Fui ver se a mulher dos cabelos róseos estava bem, provavelmente estaria dormindo e nem percebeu o clarão. Não estava. A encontrei no meio do corredor iluminando o caminho pelas luzes de seu celular e isqueiro. Parecia estar se divertindo e, sem calças? Como assim ela estava sem calças. Estremeci. Faleci. Ressuscitei para dar mais uma olhada depois morri de novo.

Usava uma calzinha meio short e uma meia que se estendia até um pouco acima do joelho.

-Por que está... ‘assim’?! –Onde está a calça que eu te dei? –Perguntei nervoso.

-Pensei que fosse tirar um machado de trás das costas e dizer que seu nome era Jason! –Falou com seu típico humor irônico. Passou o isqueiro pra mim e perguntou. –Por que desligou a energia? -Não desliguei, caiu. –Respondi mais calmo. Colocando a garrafa de vinho sobre uma mesinha que fica no meio do corredor. –Avisaram sobre uma possível falta de energia também. –Comentei. –eu vou à cozinha buscar velas.

-Vinho português... –Falou andando atrás de mim. Acho que quando disse “EU vou à cozinha” ela entendeu como um convite. Na verdade, ia para a cozinha não só buscar velas, mas falar todos os palavrões existentes para descontar um pouco todo o ódio que eu sentia por estar sendo hipnotizado por aquelas penas.

-Quer? –Ofereci procurando nas gavetas e armários qualquer coisa inflamável.

-Demorou a oferecer, hein! –Como uma criança louca para abrir um presente de natal, ela sacou a rolha e sentiu a fragrância suave da bebida. Seus olhos semicerrados ao admirar aquele aroma entregavam seu gosto por álcool, o que me chamou atenção.

Achei uma lanterna!

Sorri e me voltei novamente para a moça. Ainda estava admirando o cheiro e a cor do vinho.

-Não vai tomar logo isso? –Perguntei impaciente colocando o isqueiro dela sobre o balcão. –Tá fazendo um ritual é? –Ela me olhou ofendida e eu novamente decidi rançar seu sorriso vitorioso de seu rosto.

-Desculpe-me Sra. Perspicaz, não foi minha intenção magoá-la.

-Dá para parar com isso?! –Ela me repreendeu brava, voltando a atenção à garrafa.

-Então, o que está fazendo? –Me aproximei mais dela para observar também a misteriosa garrafa.

Ela estava com um suave cheiro de morangos, do sabonete, irresistível em sua pele alva e lisa. Estava me controlando para não tocá-la, sentir a textura macia de seu pescoço exposto.

-Aprendi com minha amiga, Ino. –Explicou distraída. –Você aprecia o aroma, a cor e por último o sabor.

-Onde tem um copo? –Disfarcei meu fascínio por sua beleza peculiar. –Agora é a hora deu beber.

-Ahm... Um copo? –Estava todo enrolado e sem jeito. –Bem, Um copo. Vejamos... Ah, já sei! Vou pegar

-Um copo ou uma taça, tanto faz! –Disse confusa. -Ficou tonto, foi? Tem dupla personalidade? –Queria dar uma resposta grossa que a deixaria calada até ela ir embora, mas mudei de idéia e lhe entreguei uma taça de cristal com toda a gentileza possível. -Obrigada! –Ela respondeu preenchendo a taça até as bordas. Não me importei com o vinho, que por conseqüência de ser importado foi muito caro, mas sim com ela.

Ficaria bêbada e eu não me dou bem com gente bêbada. Não me dou bem com quase ninguém na verdade, principalmente com mulheres. Com mulheres bêbadas ainda por cima.

-Docinho! –Comentou se aproximando mais de mim. Fiquei parado observando-a chegar mais perto, perplexo. Não queria tomá-la em meus braços de jeito nenhum.

Abaixei a lanterna me entregando àquelas pernas sob as meias justas que me deixavam mais louco. Que droga! Por que diabos ela não está com a maldita calça?

-Agora que achou uma lanterna para você, não vai precisar do meu isqueiro, vai? –Disse olhando em meus olhos.

-Está na pia. –Indiquei com a voz mais baixa do que de costume. Ela se virou em um instante fazendo seus os cabelos claros se erguerem e passar a centímetros de mim, logo caindo em seus ombros novamente. Parecia um movimento ensaiado, visto e revisto em câmera lenta.

Pude ter uma visão perfeita de suas coxas recheadas de carne e suas nádegas redondinhas e excitantes sob aquele ‘short’ de lycra.

‘’Dios mio!!!”

Pensei e logo virei o restante do vinho esquecido em minha taça. Fui direto ao ateliê procurar velas. Com certeza lá teria ao menos uma.

Achei.

Um pacote fechado. Encaixei algumas em um candelabro sobre a lareira. Fogo... Precisaria de fogo, do isqueiro da garota, porque o fogão é elétrico e não tem energia e blá, blá, blá! Já ia chamá-la quando percebi se aproximar com um cigarro na boca.

-Já imaginava que teria problemas com isso. –Disse meio embolado. Esticou-se nas pontas dos pés e acendeu uma vela com a pontinha de brasa do cigarro, a partir da primeira acendeu as outras e pôs-se a admirar os quadros não terminados que pintei nos últimos meses.

-Você é pintor? –Perguntou sentindo a textura do último quadro que tentei pintar, uma mulher com o coração de vidro.

-Não. Pintar é um dos meus hobbies, ou loucura, como costumo chamar. –Ela me olhou entediada e percebeu o piano de calda atrás de mim.

–Você também toca? –Sentou-se animada no banco estofado deslizando os dedos sobre as teclas empoeiradas. –Você toca? Sim ou não? –Ergueu os olhos verdes e vivos para mim insistindo ouvir uma resposta óbvia.

-Um pouco. –Respondi indiferente. Na verdade, pago minhas contas tocando piano, compondo melodias para artistas famosos. Faço isso desde os dezesseis anos e ainda não descobri o que vêem em minhas músicas.

-Puxa! –Deixou o piano ainda o contemplando sob a luz falhada das chamas. –Você é mais fino do que eu pensava. –Sorri e fitei sua expressão meiga que se transformou em distração. –Onde deixei meu cigarro?

-Provavelmente dentro da lareira. –Informei ainda parado no mesmo lugar, a observando atentamente, cada movimento, tentando memorizar tudo.

-Ah, foi? –Falou realmente esquecida. Fiquei em silêncio, atordoado com o pensamento de que ela pode ter amnésia. –O vinho deve estar fazendo efeito! –‘Em mim também!’, quis lhe dizer. Fui na sala, peguei meu notebook e cobertas no meu quarto. Creio que ficaríamos ali até pegarmos no sono. Quando voltei ela estava encolhida em uma poltrona, com frio. Agora ela me daria uma explicação para estar sem as calças que lhe emprestei.

-Ei, onde estão suas...

-Calças? –Completou mexendo no seu celular moderno. –Estava com tanto frio que a verti do avesso. Tirei para vesti-la da forma certa e tudo escureceu. –Falou como se fosse a coisa mais fantástica do mundo. –Sabe, vi O Chamado 2 uns dias atrás então estou meia assombrada para sair por aí procurando uma calça no escuro. –Abraçou as pernas forradas pela maia de lã. –Prefiro passar frio.

E eu me achei a pessoa mais idiota só por brincar que o apagão poderia ser a Samara. Essa garota já estava levando tudo a sério.

Oh dó!

-Pega. –Joguei um cobertor nela, literalmente, e me sentei na poltrona ao lado.

-Obrigada pela parte que me toca! –Desdobrou o cobertor irritada. –Poderia usar o seu lado fino e sofisticado em mim! –Sugeriu ainda arrumando o manto.

-Então me acha fino e sofisticado? –Perguntei num tom curioso, num tom de gozação.

-Só em relação à artes e vinho. Comigo você é um grosso! –Se enrolou no cobertor e fitou a lareira apagada, meio chateada.

-Te resgatei da neve, o que é o oposto do que um homem ‘grosso’ faria. –Corrigi respondendo uns e-mails. Vi que ela se calou por um tempo e voltei a puxar assunto. –Quer dizer que você deseja que eu seja mais fino e sofisticado com você? –Perguntei mio charmoso desligando o notebook e a olhando sério.

Se ela me respondesse algo positivo, ao menos um beijo dela eu tomaria. Não conseguiria dormir esta noite imaginando que gosto teria aqueles lábios vermelhos.

-Hu! –Ela ficou sem graça. Acho que a deixei tímida, pois ficou com aquele sorriso doce enquanto brincava com os dedos. Era um sorrido tão doce como chocolate, um chocolate que você come devagarzinho para ficar mais tempo com o gosto na boca.

Haha!

É hoje!!!

Notas finais
Aí está a ordem certa gente!
Mil desculpas de novo!