A Guerra do Alvorecer
11 Vértice para a segurança
A curiosidade foi vencida pelo sono. Aos poucos minhas pálpebras se fecharam com o peso que elas haviam carregado durante o dia. Um último pensamento passou pela minha cabeça antes que eu fosse rendido pelo sono – Não quero ter pesadelo. Mas minha vontade não foi atendida e eu fui remetido á outro lugar;
– Espera…– Falei – Eu sei onde estou. – E eu realmente sabia. Mas tudo estava diferente. Agora o céu estava com um tom de roxo. O chão de grama estava esburacado, e desses buracos saia fumaça. Olhei mais á frente e finalmente tive certeza, eu estava novamente no parque da juventude onde falei com Poseidon por sonho enquanto eu estava desmaiado no parque Ibirapuera. – Mas o que será que este parque tem demais pra eu ser remetido por duas vezes seguidas nos meus sonhos a ele? – Pensei. Olhei mais á frente e avistei o sino. Mesmo lugar onde Poseidon se materializou.
Fui em direção a ele, pulando e desviando dos buracos que às vezes explodiam em uma gosma verde. E como da primeira vez enquanto eu me aproximava, uma fumaça apareceu em baixo do sino. Ela girava em círculos que começavam a formar uma silhueta negra. A uma distância de mais ou menos 10 metros do sino, parei encarando essa fumaça rodear essa silhueta que aos poucos formou uma mulher. Ela tinha aproximadamente 1,80 metros, magra, pele extremamente pálida, cabelos longos e pretos. Seus olhos brilhavam num tom roxo que preenchiam cada espaço da minha mente, eram hipnotizantes. Quando a fumaça se esvaiu completamente do corpo da mulher, revelou correntes grossas e negras que prendiam seus dois braços e as duas pernas da mulher que estava cobertas por um vestido preto e longo que cobria o chão ao seu redor.
Senti como se aqueles olhos tomasse conta do meu corpo inteiro. Então uma voz suave falou em minha mente:
– Aproxime-se garoto. Não tenha medo.
E quase que involuntariamente meu corpo se arrostou até os pés da mulher. De cima para baixo ela me olhava. Eu sentia meus pelos se eriçarem com aquela energia que a mulher emanava de seu corpo inteiro. Então ela falou em minha mente:
– Eu sou Hécate, a deusa da magia…
A fala dela foi interrompida por um grito que explodiu em minha cabeça. Eu senti que meu cérebro fosse virar gelatina. Os músculos das minhas pernas falharam e eu caí curvado no chão com as mãos na cabeça. Eu tentava gritar pedindo por socorro ou algo do tipo, mas a voz não saia. Quando o grito parou, a dor aguda pelo meu corpo todo foi se esvaindo. Pude erguer a cabeça o suficiente para ver a mulher se contorcer presa às correntes. A aura dela falhava e eu senti o calor tomar conta do meu corpo novamente. Mas em poucos segundos senti que a mulher voltava ao normal, os olhos penetrava minha mente novamente enquanto eu me levantava e sua voz voltava a falar em minha cabeça:
– Preciso falar rápido, preste atenção filho do mar. – Sua voz estava mais fraca, mas ainda assim impunha um poder descomunal.
– Como você sabe, fui sequestrada. Por quem, você irá descobrir. Mas o mais importante agora é você e os outros semideuses chegarem até o acampamento. Mas vocês só conseguiram isso com a ajuda da minha pedra que está contigo, e chegando amanhã neste local onde estamos que é ponto onde há a vértice mais fraca entre as duas dimensões. E com isso vocês conseguiram chegar sem riscos ao acampamento.
E novamente ouvi aquele grito seguido por aquela dor. Mas dessa vez foi mais rápido e por isso não cai. E ela continuou só que mais ofegante:
– Eles sabem que estou me comunicando com você. Por isso estão fazendo isso. Mas eles não sabem ainda a verdadeira dimensão dos meus poderes. Mas antes que toda minha essência seja apagada eu preciso quebrar essa ligação.
Ela deu uma pausa e terminou:
– Boa sorte, semideus.
Minha visão foi tomada por um clarão. E aos poucos fui retomando minha consciência. Abri os olhos e uma dor tomou conta do meu corpo inteiro sem me deixar se mover. Então sem querer me rendi novamente ao cansaço e ao sono.
[…]
Acordei com o Dan me chamando. E por milagre sem me cutucar ou me balançar:
– Levanta Rezende. Veja quem está aqui.
Minha cabeça pesava e meus músculos davam leves choques quando requisitados. Todo dolorido me levantei devagar, me sentei na cama esfreguei os olhos e antes que eu pudesse focar minha visão fui atingido por um abraço que me jogou de volta na cama com a Saraiva em cima de mim. Gemendo de dor falei – Saraiva, pelo amor dos deuses. Meus músculos parecem que vão estourar. – Ela imediatamente se levantou saindo de cima de mim e falou:
– Ai meu Deus Re, desculpa. Como você está?
Me sentei novamente com mais dificuldade, olhei no relógio e vi que eram 4:10 da madrugada. Depois falei – Estou completamente dolorido, tive um pesadelo horrível. E eu preciso urgentemente de um banho. – Enquanto me levantava desesperado por um banho, me dei conta – Como vocês vieram parar aqui? O que aconteceu no BK? Vocês estão bem? Quem mais está aqui? – Falei desesperadamente. Depois dessa última pergunta olhei ao meu redor e o lugar estava muito mais cheio, um arrepio subiu dos meus pés até minha cabeça. Pichu, Agatha, Denis, Bieringuer, Pietro, Duh, Aria, Jhon e Ayumi, estavam todos ao meu redor me olhando com um sorriso de canto de boca. A felicidade tomou conta de mim e eu soltei um grito muito alto – MEU DEUSES! – Dei um abraço bem apertado em cada um, depois dei um passo pra trás e perguntei – Como vocês vieram parar aqui? Me contem tudo agora. – Eu estava ansioso demais pra saber o que aconteceu, mal pude me conter de alegria. Então Ayumi começou a falar:
– Vixe Biel a história é longa. Chegamos á uns 10 minutos. Mas basicamente só estamos vivos agora graças a Joseph e Jazy. – Ela apontou para dois sátiros que estavam sentados à mesa com o restante do pessoal. Os dois se levantaram e vieram na minha direção. O primeiro era um sátiro com a pelagem das pernas negras ao contrário de sua pele que era branca, muito branca. Ele tinha mais ou menos 1,70 metros, cabelos ruivos que deles saltavam a ponta de dois chifres. Estava com uma regata preta, e nela estava escrito em hashtag “#hangover” que em português significava ‘ressaca’. Ele aparenta ter uns 17 anos. De seu queixo saia um saliência de pelos alaranjados. Ele é magro, não esquelético. E no seu ombro pude ver um pedaço de um curativo. Chegou até mim com um sorriso empolgado ergueu sua mão e eu fiz o mesmo. Me cumprimentou com um tapa forte em minha mão e me puxou para rápido abraço com um tapa de leve nas costas. Ele é o tipo de cara animado e super elétrico:
– Hey Bro. I’m Jazy. And, is you… Rezende?
– Sério que com essa dor de cabeça maldita eu vou ter que falar inglês?! – Pensei. Logo em seguida Ayumi falou:
– Jazy, português, por favor.
Jazy levantou as mãos á cabeça e soltou um:
– Pultz!
E começou novamente a apresentação em um português americanizado pelo sotaque:
– Me desculpe cara. Não consigo me acostumar com o fato que estou no Brasil.
Meu humor estava péssimo, mas me esforcei, soltei um sorriso e falei – Relaxa carinha, eu acho que posso entender sua dificuldade… E sim, sou o Rezende. Prazer, Jazy. Valeu por ter trago meus amigos em segurança. – Terminando a frase me virei um pouco à minha esquerda e fui em direção ao outro sátiro que deveria ser o Joseph. Já ele é bem diferente de Jazy. Creio que ele tenha mais ou menos 1,65 metros. Pele morena e a pelagem de suas pernas era castanha, mas no meio dela pude ver alguns frios grisalhos brilhando. Imaginei que ele tivesse seus 45 anos. De seu cabelo cacheado e grisalho, saltavam enormes chifres em forma de espiral. Ele estava vestindo uma camisa de manga curta azul clara. Seus últimos botões na estavam abertos mostrando um monte de pelos em seu peito. O que achei desnecessário. E ao contrário do sátiro jovem, ele tinha uma barriga saliente que marcava sua camisa. E uma barba rala em todo seu rosto menos no queixo que era bem maior, o que me lembrava mais ainda de bodes.
Ele estendeu sua mão em cumprimento e eu apertei-a. Já ele tem um ar sério e mais respeitável:
– Prazer em conhecê-lo Gabriel Rezende filho do grande Poseidon. Eu sou Joseph, enviado pelo olimpo junto com meus dois companheiros para guiar o seu caminho e de seus amigos até o acampamento meio-sangue.
Esse tom de seriedade nunca me agradou muito. E também senti que ele tinha um respeito maior por mim do que pelos outros, e isso me incomodava um pouco também, então falei:
– O prazer é meu Joseph, e obrigado por ter trago meus amigos em segurança. E… Vamos cortar toda essa formalidade né?! Isso é chato, me chame apenas de Biel, Re ou Rezende como todos chamam.
Ainda com o mesmo ar de respeito mutuo ele falou:
– Me desculpe senhor, mas sempre aprendi a ter um respeito maior pelos filhos dos três filhos de Cronos.
Dei um sorriso e disse:
– Ah cara desencana disso. E eu acho que quem vai gostar desse respeito todo são os filhos e Zeus e os de Hades, talvez.
Ele ficou sem o que falar, mas não perdeu sua postura. Me virei para o pessoal e disse – Gente, eu preciso urgentemente de um banho. E se vocês não sabem… Sou filho de Poseidon de fato. Então já sabem né… Água + eu = Eu completamente revigorado. Então eu volto daqui a pouco pra continuarmos essa conversa. – Fui correndo em direção ao banheiro.
Arranquei a roupa suja do corpo e me enfiei debaixo de um chuveiro e o liguei na temperatura morna. Mas a temperatura morna estava quente demais, então fui abaixando a temperatura, mas a continuava muito quente então fiz algo que eu não faria antes; desliguei a eletricidade do chuveiro e a água fria caiu sobre mim. Aquilo foi realmente inexplicável. Fiquei alguns segundos apenas deixando a água cair sobre meu corpo e fui sentindo a energia e a força voltar à ele. Depois de uns 20 minutos desliguei o chuveiro e peguei uma toalha que estava na parte de fora do box e fui em direção ao espelho. Quando vi meu reflexo no espelho tomei um susto; meu cabelo estava cortado baixo quase careca como sempre, mas meu rosto estava mais magro e quadrado. No meio do meu peito uma linha apareceu e pelo resto do meu corpo os músculos saltavam e minhas gorduras a mais tinham diminuído significativamente. Não era possível apenas o esforço que eu havia feito durante o dia anterior ter feito tudo isso. Sem uma explicação sai do banheiro pra pegar minha roupa que me esqueci de pegar como sempre, e voltei para o banheiro para me trocar.
Quando sai do banheiro vi todos sentados ao redor da mesa. Quando Jazy me viu se levantou e falou:
– Hey bro. Sente-se aqui com nós. Vamos começar a explicar agora o que aconteceu no tal BK.
HISTÓRIA NARRADA POR JAZY A PARTIR DO PRÓXIMO PARÁGRAFO
Como sempre o que ronda meus pensamentos é a saudade de todos do acampamento, até mesmo de Quíron aquele centauro careta e mandão. E daquela pessoa, claro. Aquela pessoa que me hipnotizou completamente com seu charme – Estou voltando pra você. – Sussurrei alto o suficiente pra que Joseph escutasse:
– Você quem? Em? Garanhão. – Ele falou com uma leve cotovelada em meu braço e um sorriso malicioso. Senti minha orelha esquentar e soube que eu estava vermelho, mas então falei – De uma das ninfas, né… DRRR. Quem mais seria? – Menti.
– Fale o nome dela, oras. Tem dezenas de ninfas naquele acampamento. – Joseph insistiu.
– Ellie, claro. A mais linda de todas. – Menti.
– Está sentindo algum cheiro diferente? – Mudei de assunto.
– Por enquanto não. – Joseph falou.
– Man, já estou ficando sem paciência – E realmente, eu já estava impaciente.
Peguei um lata de suco e levei em direção a boca quando Joseph me interrompeu:
– Você está louco? Quer que todos vejam você comendo uma lata de alumínio?
Ele estava certo, coloquei novamente a lata sobre a mesa e me levantei falando – Vou no banheiro do segundo andar e aproveito e dou uma espiada. – Joseph segurou meu braço – O que foi agora velho? – Perguntei e ele falou com um tom irritado:
– As muletas, sátiro burro.
Me virei e as peguei atrás de mim – Está bom assim, Sir. Joseph? – Ele apenas se virou para frente e fez um aceno com a mão me mandando ir, e fui.
Eram muitos adolescentes com os rostos pintados alguns de vermelho e outros de azul. Eles comiam vorazmente. Chegando no segundo andar a gritaria estava mais alta, eles cantavam, corriam roubando batata um do outro, lutavam com suas espadas de espumas. Na parte separada que era aberta pra rua tinham três pessoas se pegando. O segurança se fingia de cego, surdo e mudo enquanto a zueira tomava conta do lugar. Fui em direção ao banheiro e antes de me aproximar senti um cheiro muito forte vindo do banheiro, era um semideus dos três grandes. Me apressei e antes que eu pudesse empurrar a porta do banheiro masculino um garoto saiu de lá praticamente correndo e muito atordoado, aposto que ele nem me viu ali por estar com a cabeça baixa. Esse menino aparentava ter seus 18 anos. Tinha mais ou menos 1,80 metros e estava com um boné preto de aba laranja. Era moreno e tinha uma barba rala em seu rosto. Fisionomia magra mas não muito. Estava vestido com a camiseta do acampamento meio-sangue, exatamente como é de verdade. E uma calça escura.
Ele desceu as escadas sem olhar para os lados ou para trás então pude ouvir uma menina gritar:
– Denis, onde você vai?
Ele não respondeu e continuou a descer as escadas. Então a menina se levantou apressadamente e foi atrás do garoto que se chamava Denis. Eu não poderia alcança-los usando essas malditas muletas, então mandei um pensamento através do elo empático que eu tinha com Joseph que veio se desenvolvendo durantes esses dois meses que passamos juntos viajando atrás de semideuses, já que não podemos voltar pro acampamento. – Joseph, semideus descendo as escadas.Rápido! – Só consegui mandar isso e torci para que fosse o suficiente.
Descendo as escadas vi Joseph saindo com sua bengala logo atrás da menina. Passei apressado por todos do andar debaixo que viraram o pescoço para ver um aleijado quase correndo. Chegando lá fora vi Joseph escondido ao lado de uma parede. O semideus e a menina estavam a uns 30 metros á minha direita. O menino estava sentado num degrau de uma loja de cabeça baixa e a menina agachada á sua frente. A rua estava deserta, poucos carros e ônibus passavam. Fui até Joseph. Ele me mandou um pensamento pelo elo empático – Realmente é um semideus dos três grandes. E com a sua forte aura ele despertou o cheiro de outros semideuses que estão aqui também. – Eu não sentia o cheiro de mais nenhum semideus, pois sou inexperiente e jovem demais. Já Joseph é velho nessa vida de procurar semideus, então seus sentidos são dezenas de vezes mais apurados que os meus.
Mandei outro pensamento para ele – Precisamos agir rápido. Aposto que já deve ter monstro próximo. – Ele olhou pra mim e balançou a cabeça em afirmativa. A menina tentava conversar com o semideus, mas ele nada falava. Passamos uns 5 minutos esperando o momento de agir. Então avistei dois homens do outro lado da rua encostados numa parede ao lado de uma loja de chocolate que estava fechada. Olhei para Joseph, seu olhar me confirmou. Eram monstros. Vagarosamente Joseph colocou a mão em seu bolso e retirou dele um pedaço de ferro cilíndrico de bronze celestial. Era sua lança mágica que crescia perante a sua vontade. Entendi o recado, abri minha mochila e tirei de lá minha espada de bronze celestial. Ela diminuía o quanto fosse preciso para caber nos menores lugares que fosse preciso.
Do outro lado da rua os dois homens monstros começaram a agir. Atravessaram a rua em direção aos dois semideuses que não tinham percebido nenhuma das presenças. Antes que os dois atacassem Joseph largou sua bengala e foi correndo interferir no encontro dos monstros com os semideuses, e eu corri atrás com espada em punho. Agora o pedaço de bronze celestial tinha 1,80 de altura. Joseph brandiu sua arma em direção aos monstros que se assustaram com nossa aparição um tanto que repentina. A menina se assustou e perguntou:
– Quem são vocês?
Eu me virei pra ela e falei — Calm. We came to help you.
A minha frente Joseph falou:
– Jazy, português. Por favor.
Meus deuses, eu não me acostumo que estou no Brasil, eu quero meu país de volta – Desculpa. Viemos pra ajuda-los. Não pergunte nada por enquanto, apenas confie. – A menina não sabia muito bem o que fazer e nem o que falar, apenas se calou e observou os dois homens se tornarem dois seres com corpo de leão e o rosto humano. Suas caldas eram espinhosas. Eram manticores. O monstro da esquerda soltou um rugido e então eu brandi minha lâmina de 90 cm e ele recuou. Joseph fez o mesmo em direção ao monstro da direita e ele recuou também. Assim os afastamos dos semideuses que estavam sem entender nada porém apavorados atrás de mim. Com uma voz grossa e rasgada o manticore da esquerda deu risada e falou:
– Um sátiro velho e gordo e o outro recém-nascido. Vocês só podem estar brincando com a nossa cara né?
Falei provocando – Se está nos subestimando, parte pra cima coisa horrenda. – O da esquerda caiu na minha provocação e lançou um de seus espinhos em minha direção que desviei com a espada. E sem dar tempo dele se preparar para outro ataque saltei com um chute em sua direção, o monstro desviou e pulou para pra trás. Atrás de mim vi Joseph afastar o manticore que era visivelmente mais forte que o que eu lutava.
Me concentrei em meu oponente e esqueci um pouco da luta de Joseph, pois eu sabia que ele podia lidar sozinho com o monstro.
O monstro a minha frente rugia e se preparava para atacar, eu me posicionei com a espada a minha frente. Seu ataque dessa vez foi diferente, ele pulou para trás, lançou três espinhos em minha direção e veio pulando em zigue zague em minha direção. Desviei os três espinhos e dei um salto mortal pra trás para ganhar o espaço que ele já tinha em relação a mim. Mas ele foi rápido demais e saltou em minha direção, e eu só tive tempo de me proteger de suas garras com a espada. Mas o peso de seu ataque foi grande e ele caiu sobre mim. Ele rugia e colocava mais força sobre suas patas da frente. Concentrei minhas forças e chutei sua barriga o jogando para trás e me levantei rapidamente. O maior erro do monstro foi me subestimar e virar as costas para mim pensando que alcançaria os dois semideuses antes que eu pudesse derrota-lo. Corri o mais rápido que pude e saltei em direção ao monstro. Grudei em sua juba forçando a espada contra seu pescoço. Eu me senti um toureiro enquanto ele pulava para escapar de mim. Coloquei todas minhas forças na espada e gritei, a espada perfurou seu pescoço. Mas segundos antes dele se transformar em pó senti algo perfurar meu ombro. Cai de cara sobre o pó. Rapidamente tirei o espinho do meu ombro com um grito de dor. Olhei para trás e pude ver Joseph caído no chão e perfurando a barriga do homem leão enquanto ele saltava sobre meu companheiro. O Maticore explodiu em pó sobre Joseph o deixando todo sujo.
Me levantei pressionando a ferida em meu ombro direito. Os dois semideuses estavam á minha frente, porém a menina estava desmaiada no colo de Denis que continuava a emanar sua aura forte. Então fui até ele perguntando – Ela foi atingida? – Ele respondeu:
– Não, ela apenas desmaiou do nada.
Ele não havia perguntado quem eu era e nem o que eu era, então perguntei – Você não está assustado? – E friamente ele respondeu:
–Estou muito confuso, mas Hades me falou sobre tudo. E sei que tem mais semideuses aqui. Então precisamos acha-los imediatamente.
Isso foi novidade para mim, mas resolvi não questionar e agilizar na busca dos outros semideuses. Quando eu ia virar as costas para ir até Joseph a menina branca, alta e cabelos pretos, começou a exalar uma aura vermelha e muito forte, ela estava sendo reclamada. Seus olhos abriram com um brilho vermelho, ela se levantou e sobre sua cabeça se formou uma coruja batendo as asas numa luz branca. Denis continuava sentado no chão e de boca aberta ele falou:
– Agatha? Você... É filha de Atena?
A menina olhou para baixo e deu um sorriso e logo a coruja irrompeu em luz e sumiu. Porém sua aura forte continuava a exalar energia, era a benção de Atena.
Joseph chegou ao meu lado se apresentando aos semideuses:
– Olá meninos, eu sou Joseph. Enviado por Dionísio para levar vocês para o acampamento meio-sangue.
Eu o interrompi. Joseph era muito educado, formal e paciente, mas não tínhamos tempo pra essas chatisses – Gente, eu me chamo Jazy, e isso é o suficiente por hora. Agora precisamos encontrar os outros. – Joseph me olhou furioso, mas ele sabia que eu estava certo, então não falou nada. Eu tomei a frente e falei – O cheiro está mais forte lá em cima. Vamos precisar de vocês que conhecem todos que estão lá, Denis e Agatha, certo? – Eles balançaram a cabeça em afirmativa. E entramos novamente no BK.
Coloquei minha jaqueta de coro para não mostrar que eu estava sangrando, mas a ferida doía e eu sentia que se demorássemos muito eu iria desmaiar. Subimos como se nada tivesse acontecido. Os dois semideuses souberam disfarçar bem. Enquanto subíamos combinamos com eles de que mandaríamos informações de onde os outros estavam através de mensagem empática. Seria difícil fazer isso pela primeira vez com alguém desconhecido. Mas nós sátiros ganhávamos esse poder quando recebíamos a missão de salvar algum semideus.
Agatha e Denis foram para o meio de todos enquanto eu e Joseph nos sentamos afastados. E como eu dominava melhor o elo empático fiquei com essa missão enquanto Joseph se concentrava apenas no cheiro emanado. Joseph tinha acabado de descobrir um e apontou disfarçadamente. Avistei uma menina baixinha dos cabelos enrolados e um pouco bagunçados. Ela é magra e da pele branca. Seus cabelos era sua principal marca. Algumas mechas loiras os marcavam. Ela estava bem agitada e feliz. Pude ouvir alguém a cutucar e a chamar de Pichu. Então me concentrei em Denis que estava mais perto dela e consegui mandar apenas – Pichu – Ele rapidamente foi até ela e acho que pediu pra que ela descesse pra rua, pois ela imediatamente desceu as escadas. Imediatamente Joseph apontou um menino que estava sentado com mais outras 3 pessoas. Ele aparentava ser alto. Magro, cabelos lisos e pretos. Estava com uma camisa xadrez e por baixo a camisa do acampamento. De longe um cara com as mesmas características que ele só que com uma badana vermelha na cabeça gritou:
– BIERINGUER
O menino se levantou e foi na direção do que lhe havia chamado. Me concentrei e mandei o pensamento para Agatha – Bieringuer – E assim foi com Saraiva, Pietro, Duh, Aria, Jhon e Ayumi.
Agatha e Denis tinham conseguido fazer um trabalho incrível. Agatha com seus argumentos invencíveis e Denis... Acho que ele usou um pouco do medo sobre as pessoas. Mas esse foi jeito. Eles desceram e eu e Joseph fomos atrás. A conversa foi um tanto difícil, mas conseguimos convencer a todos sobre tudo que estava acontecendo.
Estávamos reunidos todas lá fora. Eles já tinham pego suas mochilas e se despedido de todos. Agora a pergunta era como chegar ao esconderijo de Dédalo. Até que Denis se manifestou:
– Eu vou levar todos pelas sombras.
Joseph tomou um sustou e falou:
– O quê? Você está doido menino? Você acabou de descobrir quem é seu pai olimpiano e já quer usar esse poder? Só pode estar doido.
Denis continuou com seu ar sério e disse:
– Não, eu não sou louco. Tenho certeza do que estou fazendo. Mas temos que fazer antes que minha benção de Hades acabe.
Olhei para Joseph e falei – Esse é o único jeito. Esse cheiro de semideus está muito forte, daqui a pouco vai chegar uma legião de monstros aqui e não teremos chances. – Joseph não podia discordar ele apenas balançou a cabeça em negativa e disse:
– Denis, você tem noção de que você pode se matar e matar á todos nós se algo der errado, certo?
Denis apenas falou:
– Deem as mãos. Joseph descreva o lugar pra onde temos que ir. Preciso de cada detalhe possível. – E assim Joseph falou tudo o que sabia sobre o esconderijo.
Depois de cada detalhe que Joseph sabia ele falou:
– É tudo. Que os deuses estejam conosco.
Fechei os olhos e pedi a benção de Hades e Hermes e todos os deuses que pudesse nos ajudar.
O mundo girou e tudo ficou preto. Daí em diante eu não vi mais nada.
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