A Guerra Negra
3 O primeiro contato
Ágata sobe as escadas fazendo-as ranger a cada passo que dá, dando assim um ar de suspense na casa, em outras épocas ela subiria destemida do que pudesse ocorrer sabendo que não importasse o que acontecesse ela estaria pronta para o que der e vier, mas não agora, agora ela não sabe o quanto de força lhe resta e se o tal de Merlin estiver certo, o que parece estar, ela está muito mais fraca do que imagina, então avança com cautela, nas suas diversas aventuras aprendeu que não pode confiar em nenhum novo contato e que deve sempre andar com os dois pés atrás. Terminando de subir as escadas se depara com o que parece uma sala, presume isso por enxergar uma lareira a anos abandonada, cheia de teias de aranha e incrivelmente empoeirada, as janelas estão fechadas com madeiras pregadas e só passa algumas frestas de luz do sol por entre os buracos. Ela anda através da sala e entra na cozinha no mesmo estado que a sala e encontra uma pia, rapidamente vai ate ela e abre a torneira, está com sede, a muito não toma um copo de água fresca, mas ao abrir a torneira a água que sai é podre, cheia de musgos e lama, completamente nojenta, então desiste.
Ao sair da casa pela porta dianteira, ela pode enxergar a mata que parece intacta, retirando assim a credibilidade do mago que antes a informará que tudo estava perdido. Saindo pela varanda ela desce três pequenos degraus de madeira e começa a caminhar para o sul, o mago já tinha perdido a credibilidade mas ela devia ao menos isso a ele, afinal ele a retirou do campo de batalha e a manteve viva esses anos todos se o que ele conta é verdade.
Ao caminhar pela floresta ela observa os pássaro, os fauna e a flora de uma forma geral apreciando a luz do sol por dentre as arvores, mas quanto mais ela se afasta da casa mais ela percebe que essa fauna diminui, a vida, os animais, ate mesmo as plantas vão sendo cada vez mais escassos ate que ela começa a olhar para si mesma percebendo que realmente seu corpo está mais velho suas mãos, seus braços e pernas na sua pele em geral ela pode perceber que está mais velha, nada muito perceptível, mais ela sabe que está, então começa a ficar confusa sem saber no que acreditar, tudo parece tão real e ao mesmo tempo tão improvável. Ela segue em frente e mais alguns metros a mata começa a ficar acinzentada e cada vez mais negra tomando aspecto de queimada, sem vida, isso começa a assusta-la, mas ela segue em frente ate chegar a um ponto que não há mais rastros de verde na mata e aos poucos ate mesmo o mato com aspecto queimado vai sumindo ate que enfim ela chega a um vilarejo.
Este vilarejo fica abaixo do nível aonde ela se encontra, tendo que descer um pequeno morro para alcança-lo, então ela desce e cautelosamente se aproxima das casas, chegando pelo corredor entre duas delas, ela se esgueira numa parede e observa o movimento.
Aparentemente uma vila normal, pessoas conversando na rua, trabalhando, fazendo seus deveres etc.... Ela fica ali por alguns minutos para encontrar algo de anormal, então começa a perceber que as crianças não ficam na rua, sempre que uma tentava sair, rapidamente era posta para dentro de casa novamente e nem sempre pelos pais ate mesmo os vizinho se ajudavam para manter as crianças dentro de suas casas, mas por que? Crianças precisam sair pra rua, pular se divertir, se entrosar com outras crianças e gastar energia, não devem somente ficar presas em casa, ela continua observando e começa a perceber pequenos detalhes nos moradores, eles sempre conversam cochichando, estão sempre acanhados, não se vê sorrisos nem rostos alegres, parecem viver com medo. Mais alguns minutos e ela decide entrar na cidade e conversar com as pessoas como alguém que vem de fora e ver as reações, ela pretende descobrir do que as pessoas estão com tanto medo e se a causa é a escuridão, então ela retorna e dá a volta em algumas casa afim de chegar na entrada principal da vila.
Ao longe pode-se a ver vindo pela rua que corta o vilarejo, mesma rua que dá acesso a praça principal, a onde tem um poço de água. Quando vai entrando na cidadezinha, como de costume as pessoas a olham estranhamente, mas ela ignora por já ter passado por isso milhares de vezes durante suas longas viagens, mas ainda sim ela cumprimenta alguns moradores, sem interromper seus passos para falar com alguém afim de indicar que veio em paz e que só está de passagem. Ela olha para o céu, já passa das 17 horas o sol está começando a se pôr.
Um cidadão se aproxima de Ágata e diz:
- Forasteira, é melhor você se afastar dessa vila antes que anoiteça. É melhor pra você. – Fala enquanto ajeita seu chapéu.
- Por que velho homem?
- Moça, é para sua segurança, eu mesmo se pudesse já teria o feito, será que não sabe que as criaturas da escuridão vem durante a noite?
- Que criaturas?
- Como não sabe? As criaturas das trevas que tanto atormenta a humanidade há anos, que vem nos matando aos poucos, sugando nossas forças.
Ela fica com um olhar entretido no velho homem.
- Moça, dê o pé daqui enquanto pode, veja... – Apontando para o sol – Já é quase noite vá embora não quero a ver morrer aqui.
- Então me conceda um lugar para passar a noite, não vou incomodar.
- Doce menina, é mais seguro numa gruta na floresta ao norte da cidade ou numa caverna ao leste do que em qualquer casa desse lugar, as criaturas vem e pegam o que querem... Ou melhor quem quiserem e ninguém pode fazer nada a respeito.
Ágata intrigada com o olhar de tristeza do homem, as palavras doloridas que saem de sua boca e o semblante abatido exatamente igual a todos que viu na cidade.
- Eu insisto, por favor, se não for pedir muito preciso de um lugar pra ficar esta noite, garanto que se algo acontecer não será culpa sua é minha escolha ficar.
- Moça você não sabe o que diz... Mas se insiste tanto... Venha, por aqui, minha casa fica logo ali.
As pessoas que a observavam começam a se dispersar e entrar em suas casas, enquanto caminha com o velho, percebe que as casas são trancadas firmemente, mesmo com expressões que simbolizam claramente que sabem que se uma criatura quiser entrar as trancas não iram impedir.
- Então, qual eu nome? — Pergunta Ágata.
- Franklin, mas todos me chamam de Frank, e a vossa graça?
- Ágata. – Em sua mente veio todos os títulos atribuídos a ela ao longo dos anos, mas não os mencionou.
- Ágata, belo nome, minha filha se chamava Ágata. – Fala enquanto olha para o chão.
- Se chamava?
- Sim, ela morreu há muitos anos, morta pelas malditas criaturas, eu não pude fazer nada, estava no campo, fui atrás do nosso cachorro que havia escapado, era coisa rápida e na época havia um mago protegendo a cidade, minha filha gritou chamando o Billy para entrar em casa, mas ele simplesmente fugiu, então ela começou a chorar, eu tive que ir atrás dele.... Jamais devia ter feito isso, deveria ter ficado e morrido junto se necessário se acontecesse ao menos morreria protegendo minha família. – Ágata percebe a raiva do homem enquanto conta a historia e se enfurece ainda mais quando conta os detalhes – Enquanto eu corria para o campo atrás do Billy as criaturas chegaram, eram muitas, quando os gritos começaram eu estava no campo próximo a cidade, então voltei correndo me esqueci ate do cachorro de tanta preocupação com minha família, quando cheguei próximo ao centro da vila, pude ver o mago afastando as criaturas, mas a cada um que ele lançava para longe outros avançavam, ele fez o que pôde naquela noite admito, mas o desgraçado tinha de me salvar? – Fala fechando a mão de raiva e com tom raivoso.
Eles chegam à porta da casa do homem, ele a abre e dá passagem para ela. – Por favor, a casa é simples, mas está a sua disposição. – Diz Frank.
Ela somente dá um sorrisinho como quem não se incomoda, mas no fundo estava acostumada com o conforto, afinal era uma grande maga sempre tinha o que queria.
Ele fecha a porta e passa dois trincos grossos na porta com cadeados grandes, logo depois com dificuldade levanta uma tora grossa e pesada de madeira para colocar atrás da porta na posição horizontal ao meio dando assim uma segurança a mais, no fundo sabe que se as criaturas quiserem elas atravessaram a porta assim como qualquer parte da casa de madeira com um único golpe, mas isso ao menos o deixa mais confortável.
- Pode se sentar farei algo para comermos. – Apontando para uma espécie de sofá próximo à lareira. – Eu nem preciso mais fechar as janelas, a idade nos alcança e tarefas simples começam a parecer muito complicadas então parei de acordar todas as manhas e ter que abrir todas as janelas unicamente para a noite ter que tranca-las novamente, o vovô aqui não aguenta tanto. – Dando uma risada curta.
Ágata sorri também, mas só para parecer gentil, e olha pela fresta na janela, o sol está a poucos minutos de sumir.
- Quando vi o mago fazendo o que podia e mesmo assim não conseguindo conte-los me apressei para minha casa, infelizmente uma das malditas criaturas interrompeu meu caminho, me lembro como se fosse hoje, aquela cauda cortante e pontiaguda sacudindo lentamente era como se ela estivesse decidindo como iria me matar, ate que a calda da criatura parou, sim ela tinha decidido como o fazer, então ela veio cortando o vento na horizontal pronta para me rasgar ao meio, ate que uma pilastra de pedra se levanta no caminho da cauda barrando seu ataque, a pilastra quase se parte mas consegue segurar o golpe. – Ele fala enquanto pega um pouco de lenha e coloca na lareira – Então olho para o mago e sorrio em agradecimento, dou a volta na pilastra e corro para minha casa, quando chego próximo consigo ver a porta arrebentada, isso faz com que meu coração congele instantaneamente e temo pela vida de minha filha e esposa, quando vou chegando a porta escuto a janela se arrebentar, me viro e vejo o corpo de minha mulher no chão sangrando com uma perfuração no tórax, imediatamente corro para ela me afastando um pouco da casa, mas antes que pudesse alcança-la mais um Shadow pula da mesma janela, veio conferir se tinha feito o trabalho direito, enfurecido saio em disparada contra a fera e antes que pudesse alcança-lo o mago, o maldito mago que antes tivera salvado minha vida o faz novamente – Se a joelha e começa a acender a lareira. – Ele lança uma rajada de vento em minha direção me lançando para longe da cidade caindo no campo a onde estava inicialmente, quando fui lançado tive tempo suficiente para ver minha filha sair correndo da casa sendo seguida por duas das criaturas. – Começa a chorar neste momento. – Ela fica cercada por eles, o outro que tinha pulado da janela e mais um que se juntara ao grupo por ultimo. – O homem começa a soluçar de choro. – Os desgraçados a encurralaram e juntos com um mesmo movimento perfeitamente sincronizado, sacodem a cauda de um lado para o outro, e na terceira vez eles se viram lançando o rabo na horizontal cada um em uma altura fazendo-a em pedaços. – Ele finalmente consegue acender a lareira, Frank se levanta enxuga sua lagrimas, respira fundo e continua. – Quando cai no chão fiquei desacordado, me acharam no dia seguinte e me levaram para casa, acordei chamando por minha esposa e filha, mas para minha tristeza ninguém respondeu, esse foi o primeiro ataque que nossa vila recebeu, depois deste nenhum mago voltou aqui para nos proteger, ouvi dizer que morreram, então nem posso os culpar por negligencia, egoísmo ou se quer insensibilidade. – Ele coloca numa panela um pouco de água, e alguns legumes cortados. – Espero que goste de sopa.
Ágata com os olhos cheios de água acena afirmativamente. – Meus pêsames. – Diz.
- Ah, minha querida isso já foi há muitos anos, hoje ela completaria 16, já se passaram 10 anos desde então.
Com o dedo ela enxuga a única gota de lagrima que escorre próxima aos olhos, se escondendo para não ser vista, e logo em seguida se lembra mais uma vez de Mike, e de como ele morreu, mesmo assim se contem.
Alguns momentos em silencio, Ágata indaga:
- Frank, me desculpe minha ignorância, mas... Ao acender a lareira com um fogo tão alto não irá atraí-los?
- De onde você veio? Esteve dormindo os últimos 10 anos menina?
Ela faz uma cara de desentendida.
- Ora é claro que irá minha cara, mas eles não podem com a luz, eles fogem dela, ao entrar em contato com uma luz forte eles se desintegram virando pó, sobrando apenas o crânio, luz como o sol ou de uma grande fogueira impedem que avancem, então os moradores deixam suas lareiras acessas toda a noite e dormem próximos a ela tentando se proteger um pouco mais, mesmo assim quando os Shadows realmente querem uma fogueirinha não os impedem. Vamos torcer para que seja uma noite tranquila.
Alguns minutos depois a sopa está pronta e eles começam a comer.
Ao longe pode-se ver algumas criaturas vindo na estrada, andam em quatro patas, se assemelham a uma pantera negra só que seu corpo é somente osso negro, seu rabo é longo, com extensão maior que a do próprio corpo, cada um dos gomos de sua calda se encaixa no seguinte de forma que possa se movimentar e dobrar à maneira que quiser, aos cantos dos gomos é extremamente afiado como o corte de uma espada samurai, a sua ponta se assemelha a uma lança projetada para entrar facilmente e prender, se sair que saia arrancando tudo que encontrar, uma lança tradicional tem um formato de “V” a calda dessa criatura é como se fossem dois desses “V”s e estivessem interligados, um na horizontal com outro na vertical com cada lado afiadíssimo e somente com uma ponta. Eles caminham devagar, mas ferozmente, têm sede, querem matar alguma coisa.
O vilarejo está silencioso, nem mesmo os grilos ousam fazer barulho.
Eles avançam na cidade, sem presa, ainda terão a noite inteira, primeiro vasculham por fora analisando a vila vendo se tem algum corajoso disposto a se intrometer no caminho deles. Após alguma voltas sentem um cheiro diferente, rosnam um para o outro indicando a presença do estranho.
Dentro da casa do Frank, ele observa a rua, pode ver as criaturas rondando a vila, a raiva dele é muito visível em relação a eles, se pudesse acabaria com cada com as próprias mãos. Ágata se aproxima da janela para observar as criaturas, olhando por entre as frestas das madeiras na janela ela pode observar o aspecto sombrio delas e a sua calda mortal que de tão afiada chega por vezes dependendo do ângulo refletir a luz da lua, por mais que terríveis ainda são animais e se portam como tal, grunhindo umas para outras por vezes, quando isso ocorre na maioria das vezes gera briga entre eles, nota-se que são de temperamento forte, batem antes de perguntar e não param ate mostrar para o outro o quão é superior. Ágata pacientemente os observa tentando entende-los, e quanto mais olha mais aprende, elas não atacam se o outro não demonstrar que quer brigar, mas ficam provocando ate que ocorra nunca atacam o inimigo pelas costas nem desprevenidos, pelo menos não antes de começarem a lutar e demonstram muita honra enquanto brigam, duelo para eles é coisa honrável e quanto mais se ganha melhor é vista, mas será que fazem isso somente em lutas entre eles mesmos? Por que então atacaram Frank e sua família? Ela continua a observar ate que eles se juntam no poço do centro vila, pode se contar 6, quando todos se juntam grunhem e relincham varias vezes ferozmente uns contra os outros, alguns batem com a calda no chão fortemente as vezes ate cravando-a no solo e arrancando terra juntamente com poeira ao levantar, outros chegam a rugir bravos mostrando os dentes afiados. Quando eles param começam a correr em direção a uma casa da vila, chegam a varanda da casa se espalham dando a volta nela para evitar que qualquer um fuja, um deles vai ate a porta balança a calda de um lado para o outro, gira e desfere um golpe bruto e veloz contra a porta que já no primeiro impacto racha, numa segunda tentativa o rabo quase atravessa deixando o tronco de madeira que fica atrás da porta quase se quebrar por completo, o Shadow fica de frente com a porta da um rugido se agachando e inclinando pra frente.
Ágata ou ver esta cena sai correndo da janela e vai para a porta.
- Ágata! Aonde você vai? Fique aqui é perigoso. – Diz Frank seguindo-a
Ela alcança a porta e tenta retirar o tronco de traz da porta.
- Não faça isso, eles vão te matar, os millers foram escolhidos essa noite não podemos fazer nada. – Tentando a impedir segurando o tronco.
- Me deixa ir, eu tenho que ajuda-los... – Tentando mais duramente retirar a trava.
- Eu não vou permitir.
- Frank, Frank, olhe pra mim. – Parando de forçar a porta –Eu posso ajudar, por favor eles precisam de mim.
Frank observa a moça que mal conhecerá e já sente afeto por ela. – Está bem, mas eu vou junto. – E a ajuda a remover a trava.
Quando ela abre a porta o Shadow novamente ruge se agachando e inclinando pra frente e logo em seguida balança a calda, desta vez ele bate ela no chão com força e depois arremessa na porta fazendo-a arrebentar no meio abrindo completamente e termina o giro ficando de frente, com isso a luz forte da chama da lareira incomoda intensamente a criatura, que dá um passo pra traz, fazendo barulho como quem reclama ou sente dor, dá mais uns passos pra trás e salta de costas de diante da porta para fora da varanda no quintal logo após os poucos degraus.
Ágata e Frank saem da casa e vão correndo para aonde os Shadows estão, o que havia arrebentado a porta faz um gesto para o outro e este outro começa a escalar a casa cravando as patas na parede até chegar ao topo, junto com ele mais 3 sobem, o outro está atrás da casa vigiando.
Quando Ágata chega ao quintal da casa o Shadow percebe sua presença e se vira para ficar de frente com ela. Frank chega depois já cansado pela corrida e fica ao lado dela.
- De tudo que você possa fazer, sempre, escute bem, SEMPRE fuja da calda, se ela te pegar será somente uma vez. – Fica à 4 passos a direita de Ágata.
A fera a encara friamente, depois de 3 segundos vira a cabeça de lado, mas rapidamente retorna grunhindo até que bate com a pata no chão arrancando um pouco de terra. Ágata sente um certo medo da criatura, sente que está muito fraca para batalhar ainda mais com um inimigo totalmente desconhecido. Agora o Shadow parece mais irritado e começa a balançar a calda atrás, movimentos simples, hora consecutivos ondulados e bem definidos hora inesperados com trajetos aleatórios. Esses movimentos ela já tinha visto antes, ele está a convidando para um duelo, ele sabe que ela é diferente, não é um simples humano, suas ordens eram para matar humanos, mas não disseram nada sobre outras coisas então pode duelar com essa criatura e se vencer terá mais um titulo a comemorar. Sabendo que era um convite para um duelo ela sabia que podia recusa-lo, mas se o fizesse estaria demonstrando medo e daí não seria diferente de um humano, alem do Shadow voltar a atacar a casa e também provavelmente a ela mesma, então ela assume uma posição de batalha. O Shadow bate a calda duas vezes no chão indicando convite aceito e inicia do duelo. Um Shadow sabe que ele só é derrotado quando morre então nunca desiste de vencer e espera que seu oponente faça o mesmo.
O Shadow coloca as duas patas dianteiras bem esticadas na frente e volta arrastando no chão fazendo marcas de arranhão no chão quando recolhe as patas solta um rugido e avança correndo, a cada passo que dá quando sua pata sai do chão ele arranca um pouco de terra de tanta força empenhada no impulso. Ágata gira o corpo agachando-se e deixando uma perna esticada, pouco antes de completar o giro ela encosta a ponta do pé esticado na terra fazendo uma linha curvada na frente do seu corpo na direção do Shadow, se levanta, e bate com o pé no chão de lado com firmeza, quando ela o faz um pouco de poeira sobe próximo ao seu pé devido a força do impacto... Mas só isso ocorre. Ela percebe que a magia deu errado, mas o Shadow já está em muito próximo a ela, ele pula e no alto prepara para dar uma garrada no rosto dela, no ultimo segundo ela se joga no chão para o lado esquerdo, a fera erra o alvo mas é mais esperta ao perceber que errou o golpe adianta a calda e faz um corte por baixo do próprio corpo afim de acertar Ágata, a calda somente com o finalzinho da ponta faz um corte profundo na batata da perna dela já fazendo a linha de sangue escorrer, Ágata cai no chão já sentindo a dor do corte, a muito não era atingida por nada e agora se vê jogada no chão sangrando.
O Shadow ao completar seu trajeto por cair no chão a alguns poucos metros de ágata se vira e a observa no chão, então começa a bater com o rabo no chão ferozmente chamando ela pra briga de novo, ele fica colocando pressão mas não ataca, após alguns segundos ele começa a caminhar em círculos como fazendo o símbolo de infinito como se estivesse pensando e a calda sempre muito ativa e agressiva. Ágata tenta se lembrar aonde tinha visto isso, após alguns segundos de reflexão se lembra do Frank e da historia dele do momento em que um Shadow entra em seu caminho, ele faz esse movimento quando está pensando e decide como matar seu oponente sendo assim ela não pode ficar no chão tem que levantar ou será morta em segundos. Se levanta com dificuldade, mas a besta não ataca ate que fique de pé e então volta a bater com a calda no chão. Ágata se apoia em apenas uma das pernas e toma posição de atalha novamente. A fera novamente vem correndo em direção a ela, nesta hora ela coloca a mão pra trás do corpo e espera quando a fera pula em sua direção ela puxa das costas uma bola de água e de baixo para cima arremessa segundos antes do Shadow a alcançar, acerta-o em cheio lançando-o a 5 metros no ar, Ágata aproveita a chance junta as mãos como uma concha fechada, ela se concentra e vai espaçando as mão criando uma bola de água que vai crescendo, fica do tamanho de uma bola de futebol, ela dá um passo para o lado ficando de frente com a casa, mais precisamente com a porta e atrás da direção que o Shadow vai cair, depois levanta a bola para cima da cabeça e dobra um pouco os cotovelos para poder arremessar a bola, quando o Shadow chega no ápice da altura que a magia podia ter lançado-o ele solta um grunhido alertando seus semelhantes, quando começa a cair prepara sua calda para mais um ataque contra a mulher, antes que pudesse fazê-lo ela lança a bola com força total nele o acertando com impulso suficiente para que ele caia dentro da casa entrando pela porta assim que a água deixa seu corpo ele começa a gemer por causa da claridade da lareira e quando tenta fugir com um grande salto ele desintegra no ar deixando somente seu crânio no chão.
Ágata da um suspiro de alivio que termina quando percebe que os outros estão alvoroçados em cima da casa, é uma certa excitação não como uma coisa ruim ter encontrado alguém que possa mata-los mas sim ter encontrado um oponente a altura. Quando eles começam a deixar a casa Ágata percebe que não pode com todos, alias não pode com nem mais um.
- Frank... – Diz sem desviar os olhos das criaturas com medo no tom da voz. – Corre. Corre Frank, corre. – Se vira e sai em disparada sentido a mata.
Frank sem pensar duas vezes a segue, corre o Maximo que pode, mas sabe que não vai conseguir acompanha-la, os Shadows inicialmente só caminham seguindo-os e quando eles tomam uma distancia considerável começam a correr, devagar e aumentando a velocidade. Os dois deixam a estradinha da vila e entram na mata, Ágata é muito mais ágil que Frank e passa por dentre os arbustos e troncos no chão com facilidade, mesmo sentindo uma dor forte na perna sabe que é melhor doer a perna do que morrer. Quando ela olha pra trás enxerga as criaturas vindo com o vento pela mata e quase alcançando o velho homem, ela ainda está longe da casa aonde havia deixado Merlin e não podia deixar o velho a própria sorte então puxa das costas duas bolas de água e lança nas feras mais próximas do Frank derrubando-as temporariamente.
- Corre Frank, continue nessa direção eu estou logo atrás. – Ela fala quando ele passa por ela.
- Eu não vou conseguir... – Ele grita se afastando dela correndo na direção indicada.
Ágata cria mais um bola de água e lança, mas a fera é mais rápida e desvia, então ela volta a correr acompanhando Frank, as criaturas chegam muito próximas, uma salta pronta pra cravar a garra em Frank e por pouco erra acertando uma arvore rasgando um bom pedaço dela, mesmo assim não impede de continuar seguindo.
- Vamos Frank, estamos na metade do caminho só mais um pouco.
O velho já ofegava e sentia falta de ar, seu corpo não conseguia correr mais, os braços caiam frequentemente por não conseguir mantê-los firmes durante a corrida, as pernas já tremiam a cada passo que dava e Ágata via isso, sabia que ele não iria conseguir, mas não podia deixa-lo.
- Chega não aguento mais, se for pra morrer quase seja agora. –Frank para de correr e se vira para os Shadows que vem com sede.
O Shadow mais próximo salta de encontro com Frank e vem com as duas garras para o peito do homem, antes que ele pudesse alcança-lo um punhado de terra se desprende do chão a frente de Frank e acerta violentamente o focinho do Shadow que cai imediatamente relinchando e balançando a cabeça completamente atordoado com a terra. Frank escutando o barulho de cachorro abatido abre os olhos e percebe o ocorrido porem não tem tempo para observar logo e puxado pelo braço por Ágata que procura de onde veio essa magia, eles voltam a correr e encontra mais a frente Merlin no meio da floresta executando magias uma atrás da outra, todas simples pequenas bolas de paradigmas diferentes mas com isso vai impedindo a chegada dos Shadows. Quando os dois passam por ele já podem visualizar a casa ao longe e se encaminham pra lá. Merlin sabendo que já estão seguros, risca na terra uma linha com o pé, puxa a perna para trás e chuta o chão no local aonde tinha feito a linha e com o mesmo impulso leva a perna para cima dobrando o joelho e fecha os pulsos junto ao peito, dá uma pausa de dois segundo e bate o pé no chão firmemente fazendo assim levantar várias bolas de terra espalhadas na sua visão por entre os Shadows, esse bolas sobem a dois metros de altura e quando chegam no alto ele desfere socos no vento em direção as bolas fazendo-as explodirem jogando muita poeira no ar, depois de estourar a ultima ele estica os braços para os lados com as palmas abertas, espera um segundo para se concentrar e bate as mãos na frente do seu corpo rapidamente uma única vez, quando as palmas se encostam uma forte brisa de ar passa entre a mata fazendo com que a poeira antes geradas se torne densa e se espalhe muito rapidamente criando uma cortina dificultando a visão dos inimigos. Agora Merlin começa a correr para a cabana também. Ao chegar lá rapidamente levanta a alçapão no chão e os manda descer seguindo-os, depois fecha e tranca com um trinco de ferro que nada aguentaria caso fossem descobertos. Eles descem as escadas e correm pelo corredor fechando a porta no fim, ainda não conseguem falar por causa da falta de ar da corrida principalmente Frank. A respiração é profunda e rápida fazendo o típico barulho ofegante.
- Shiiii...... – Colocando o dedo indicador na boca, olhando-os atentamente.
Todos se seguram para respirar o mínimo possível sendo essa uma tarefa bem difícil quando se está com falta de ar, mas logo se acostumam quando a porta do andar de cima é aberta violentamente fazendo um grande barulho. Pode se ouvir os passos dos Shadows caminhando e farejando por todos os cômodos, estão bravos por terem os deixado escapar, eles procuram batem em coisas grunhem e brigam entre si por alguns minutos depois vão embora. Agora podem respirar aliviadamente o velho logo se senta na cama, Ágata puxa a cadeira se senta e recosta a cabeça na mesa, Merlin continua de pé.
- Como sabia que não entrariam aqui? – Pergunta Ágata.
- Como sobreviveu esses anos todos?
- De fato.
- Quem é você? – Pergunta Merlin.
- Franklin. Mas pode me chamar de Frank.
- Sou Merlin. – Diz estendendo a mão para cumprimenta-lo.
- Eu já o vi algumas vezes no vilarejo, nunca falou com ninguém muito menos passou mais que uma hora nele, ao menos sendo visto. – Cumprimentando-o de volta.
- Você estava amarrado, como se soltou?
- Ora, sou um mago tenho meus artifícios, embora não tenha tido um mestre, não significa que não seja capaz de fazer algumas coisinhas.
Ela olha com uma cara meio desconfiada, mas não indaga. Ela se deita na cama e quando encosta a perna no colchão sente a dor do corte levantando rapidamente e segurando a perna enquanto analisa o corte.
- Minha nossa filha, parece profundo. Deixe-me ver isso. – Diz Frank, enquanto se ajoelha próximo a perna dela.
- Não precisa, eu me viro. – Puxando a perna para longe do homem.
- E como pretende se cuidar se não tem seus poderes ainda? – Pergunta Merlin.
Ágata se mantém em silencio sabendo que o que ele diz é verdade.
- Vamos minha filha, não sou medico, mas já fiz muitos curativos de cortes como esse. – Diz pensativo e triste se lembrando que os cortes eram exatamente iguais a este.
Após um segundo pensando Ágata consenti deixando que Frank a faça um curativo.
- Preciso de panos limpos, agulha, linha e água limpa. Acho que a água você pode conseguir pra gente, certo?
- Não, a água assim como outros elementos que nós magos conjuramos não são “Limpos” eles contem energia mágica concentrada, energia essa que se transforma no elemento que queremos, porem não totalmente, então sobra resquícios de energia concentrada justamente para causar dano maior nos ataques, alem disso somem ao termino da execução da magia, isso para que não deixemos muita bagunça, quando queremos que uma magia continue desprendemos de mais energia mágica nossa e continuamos a fornecer essa energia enquanto quisermos que esses elementos continuem nesse plano, isso só é feito por magos muito experientes e com muita energia mágica em seu corpo pois quanto mais tempo a magia conjurada permanece ativa mais ela nos consome até que não possamos nem mesmo nos permanecer de pé. – Explica Merlin enquanto Frank observa e escuta atentamente.
- Não teve mestre, mas se empenhou muito nos estudos, muito bem. – Fala Ágata com um sorrisinho de canto no rosto.
Merlin sorri de certa forma envergonhado e ao mesmo tempo lisonjeado e orgulhoso.
- Vou procurar por água limpa, panos, agulha e linha, para você Frank.
- Você pode encontrar essas coisas na minha casa, logo de frente da fonte central do vilarejo, primeira casa na rota do leste. Amarela.
- Você vai agora? – Diz Ágata preocupada.
- Mas é claro, seu corte não pode ficar sem tratamento por muito tempo.
- Ela tem razão Merlin, essas criaturas estão soltas durante a noite, e as ultimas estão com raiva de você.
- Como eu disse, eu preciso ir, o quanto antes ajeitarmos isso mais rápido você ficará boa novamente. Eu já vou indo. – Vira as costas.
- Tome cuidado... – Impressionada com o novo homem que acaba de conhecer e ao olhar em volta percebe o olhar desconfiado de Frank, então pigarreia... – É.... ou não sei lá... ahhh vá de uma vez homem estou com dores não sei o que falo... – Irritada e envergonhada.
Merlin abre a porta e sai.
— Ora e você? O que está olhando? – Quase brigando com Frank.
- Nada, eu nada. – E volta a analisar a ferida.
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Quatro horas depois.
- Meu Deus Frank, a onde está Merlin que não retornou ainda. Estou começando a ficar preocupada. – Antes que Frank pudesse dizer qualquer coisa. – E não pense nada a respeito, estou preocupada somente por que ele está com as coisas para me ajudar.
- Eu não ia dizer nada. – Fala com um tom sarcástico. – Mas realmente ele está demorando demais, já devia estar aqui.
Enquanto os dois coversam se ouve um barulho de algo caindo no chão no andar de cima. Ambos ficam em silencio e continuam a prestar atenção. O barulho que antes foi de queda agora passar a se arrastar vagarosamente, quando não para.
- Deve ser o Merlin.
- Espere Ágata, pode ser qualquer coisa.
- Mas eu preciso ver. – Fala enquanto sai pela porta.
No meio do corredor ela cria uma bola de água e sobe as escadas com dificuldade por causa da perna que agora com o sangue frio dói muito. Quando chega ao alçapão levanta-o bem devagar, inicialmente não vê nada, levanta um pouco mais para poder virar o ângulo da visão e enxergar a porta, então ela vê Merlin caído no chão com a mão no peito e uma sacola na mão, Ela sai rapidamente do compartimento e vai o mais rápido que consegue para dele.
- O que houve? – Enquanto olha o peito do homem.
No seu tórax tem um corte extenso e fundo desde o umbigo ao pescoço sangrando muito, nem mesmo consegue falar, mesmo assim ele estica o braço e entrega pra ele uma sacola tentando falar alguma coisa. Ágata olha a sacola e vê as coisas pedidas.
- Mas o que...? – Ela pega a sacola e a coloca ao lado.
Ele tenta falar mais alguma coisa, mas não consegue.
- Shiii... Não tente falar, vamos cuidar de você não se preocupe só fique comigo. – Fala enquanto segura a mão dele.
Merlin sacode os braços a expulsando e assim que ela sai um pouco de cima dele se arrasta ate a sacola, pega e entrega para ela novamente.
- Vo... você... tem que... fi... ficar viva... não eu... – Tossi espirrando um pouco de sangue. –Vai se esconde... eles... eles estão chegando.
- Não vou sem você, te devo minha vida, duas vezes.
Eles escutam passos do lado de fora, um Shadow se aproxima.
- Vai... vai logo... Anda. – A empurrando e tentando gritar, mas se engasgando com o próprio sangue.
Ágata ouve os passos estão muito próximos mas caminham devagar, olha para Merlin quase morto e para o alçapão, estão tão próximos, mas não consegue carrega-lo, os passos estão próximos não daria tempo, ela fica confusa e não sabe o que fazer, não vai deixa-lo morrer assim como Mike morreu ao seus olhos, não suportaria.
Ágata com todo o sentimento de culpa por tê-lo deixado sair sozinho na noite, com sentimento de dor de ter perdido seu amor, de raiva ao se lembrar de que não esteve presente para proteger as pessoas da escuridão e de terem morrido cruelmente e de tristeza ao se lembrar que houveram varias historias semelhantes a de Frank, desce uma lagrima de seu rosto, mas no momento seguinte...
- NÃO! Eu não vou deixar isso acontecer. – Ela fala com firmeza e confiança, se concentra fechando os olhos, neste momento ela esta de joelhos, então assume uma posição ereta, junta as palmas como na imagem de Buda e encosta a testa na ponta dos dedos, depois levanta a cabeça ate ficar com o queixo pra cima juntando os braços no peito com os punhos fechado formando um X, após alguns segundo uma pequena bola de água se forma na frente do dos braços cruzados, ela os descruza e segura essa bola de água, se levanta, leva as mãos o mais alto que consegue com isso a bola aumenta de tamanho, ela baixa todo corpo rapidamente acertando o peito de Merlin com força, no momento do impacto a água vai cobrindo todo o corpo dele o envolvendo por completo mas por incrível que parece sem molha-lo, a água que percorre seu corpo vai curando a ferida, fazendo com que o sangramento pare e que o corte se feche, curando todos os demais ferimentos ao longo do corpo. Durante o processo de cura antes que tenha terminado Ágata começa a ficar com a visão embaçada e com tontura, completamente desnorteada, enquanto seus olhos se fecham os de Merlin de se abrem devagar nos seus últimos segundos de consciência ele escuta os passos subindo as poucas escadas da casa, quando ela olha para a porta o Shadow se mostra balançando o rabo agitado, antes que pudesse fazer qualquer coisa desmaia enquanto observa a criatura caminhar em sua direção sinistramente.
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