A Guerra ''Livro'' 2
7 Fynn
Notas iniciais
Comecei a andar na neve, ouvia Max gritando, me chamando para voltar para dentro...
Mas fingi não ouvir. O lugar estava horrível, neve vermelha para todos os lados,
mortos soterrados. Mas, sinceramente, eu não me importava com eles. Só queria chegar
na zona Norte de uma vez e descer para o subsolo, encontrar Fynn e minha família sã
e salva. Quando Max desistiu de gritar, era porque ele já estava correndo em minha
direção, enfrentando a neve. Então, eu ouvi uma tosse. Doce e feminina, de criança.
Corri em direção a tosse comecei a gritar:
– HAYLEY! FYNN! MÃE!? PAI?
– Anna! — Ouvi um grito abafado. Não era um grito, era apenas um chamado. Então algo
tocou minha perna e deixou marcas de sangue na minha calça. Me abaixei e me ajoelhei
ao lado de minha irmã ferida.
– Hayley! Hayley, por favor, fique comigo! Não, não me abandone! — Apoiei sua leve
cabeça em minhas pernas e ela deu uma tossida de leve. Seus olhos estavam brilhando.
– Anna... Por... favor... Ajuda... — Ela falou, abafando a voz.
– Você vai ficar bem, fique calma! Você está bem... Vamos te levar para o hospital e
ficará tudo bem. — Meu olho começou a lacrimejar e temi que a lágrima congelasse.
– Eu... t... am... — Então seus olhos olharam os meus fixamente. Mas eles não
piscavam. E nem olhavam meus olhos. Apenas algum lugar distante que eu não podia
ver...
Comecei a chorar. Max pôs um casaco pesado em mim e me deu luvas, que eu só pus
depois de apoiar a frágil cabeça de Hayley na neve e fechar seus olhos. Então me
levantei e me pus a andar novamente. '' Por favor, que eles estejam vivos...''.
Passei pelo corpo imóvel de Kimber, mas não me sentei ao seu lado, apenas a olhei e
chorei. Ela era sim minha amiga, mesmo que nós não admitíssemos. E ela era sensível
e se preocupava com os outros. Ela estava segurando duas crianças em seu colo, ambas
mortas. Não quero parecer insensível, mas eu tinha mais pessoas com quem eu sentia
algo e continuei a andar.
Então me pus a chorar novamente, quando vi meus pais no chão. Eles estavam a um
metro de distância e devem ter tentando alcançar suas mãos pois os dois braços
estavam esticados, um na direção do outro. Me ajoelhei entre eles e peguei suas
mãos.
– Lembra papai? De quando eu derrubei meu livro favorito no rio, quando estávamos
andando juntos numa tarde extremamente fria de julho? E então, você pulou dentro do
rio e pegou meu livro e me devolveu. Eu nem agradeci... Me desculpe! — Eu chorei,
alto. — Obrigado, pai! Por tudo!
Virei para minha mãe a apertei forte sua mão.
– Mãe... Sei que você sempre foi muito ausente, estava sempre doente... Tudo o que
eu mais queria na vida era que você conseguisse melhorar de vez. Parar de sofrer,
conseguir voltar a viver! — Chorei alto. — Agora, você não sofre mais... Mas também
não pode mais viver! Isso... É... Muito... Injusto. — Falei chorando.
Peguei a mão do meu pai novamente e apertei a mão dele e a da minha mãe com força.
– ME DESCULPEM! Eu conseguiria ter vindo com vocês! Mas eu só pensei em salvar minha
própria pele! Eu que deveria estar morta!
Então abaixei minha cabeça e soltei as mãos geladas deles. Comecei a chorar muito.
Então me levantei, quando Max se ofereceu para me ajudar, eu o empurrei para trás e
comecei a correr tropeçando.
– FYNN! FYYYYNNN!!!!!
– Anna... — Isso foi quase um sussurro.
– FYNN? FYNN!!!! — Gritei mais alto.
– Enn... — Então algo bateu no meu pé e eu olhei para baixo. Ele estava quase
soterrado debaixo da neve.
– FYNN! — Me abaixei e sentei de seu lado. Comecei a tirar a neve de cima dele. Ele
estava congelando, então pus meu casaco em volta dele. Ele não vai morrer!
– Enninhhhha. — Ele tremeu. — Eu te...
– NÃO! Não se despeça! Você NÃO vai morrer!
– Não... tente... não diga... — a voz dele começou a fraquejar
– NÃO FYNN! Fique comigo! — Comecei a soluçar. — Não me deixe, por favor!
– Eu te am... — Então ele parou de falar.
– Fynn? — Comecei a chacoalhar ele. — Fynn! — Dei um tapa no rosto dele. — FYNN!
Não, não vai embora! Você prometeu que jamais me deixaria! FYNN!
Mas ele não respondia. Me abaixei num flash e beijei sua boca gelada e morta.
– Volte Fynn! — Outro beijo. — Não me deixe! — Mais um e mais um. — FYNN! Não... -
Então comecei a chorar alto porque percebi que ele jamais me responderia... Ele
disse que não me deixaria! E ele não teria feito isso se eu não tivesse obedecido o
Max! Ou então, nós dois teriamos morrido juntos.
Tirei minhas luvas e enfiei meus dedos na neve e puxei de volta com rapidez e raiva.
Virei meu corpo para cima e gritei. Então eu cai na neve ao lado do corpo imóvel de
Fynn e implorei em minha mente para que Max me deixasse ali. Tremendo, soluçando e
chorando. Foi assim que eu planejei minha morte. Por que foi assim que muitas
pessoas morreram.
Hayley, meus pais Fynn, Kimber e mais milhares de pessoas mortas. A garota de olhos
brilhantes, que agora não brilham mais. O casal que estava sempre brigando, agora
não brigam mais. A garota dura na queda, que teve sua última queda. E o doce garoto
que tudo o que queria era o meu amor, agora não sente mais...
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