Notas iniciais
Bem, vcs devem ter ficados P da vida por eu ter apagado a memória da Annie! Não se revoltem, vai ter um motivo

Todo dia, a Enfermeira (que eu nem sequer sei o nome, mas tudo bem, por que até um tempo atrás eu não sabia nem o meu) vem com seu tablet e uma maquiagem escura, sempre por baixo uma roupa preta. Imagino que ela tenha perdido alguém recentemente ou simplesmente é emo ou gótica. Mas não tenho nada contra, ela é a minha melhor amiga.

Quando ela não está mostrando videos que gravaram de mim (Como essas pessoas podem ter cenas da minha vida?) nós ficamos conversando. Ela nunca me disse seu sobrenome, ou se é casada e tem filhos, mas ela ama uma banda chamada Paramore, e pelo o que ela me disse, eu amava também...

Ainda não consigo entender: Eles me mostram videos de até eu tomando banho, de eu dançando e cantando, de Max e eu se beijando, mas não me mostram o vídeo (se é que tem um) de como eu perdi a memória. Ou sobre meus pais. Nada, não me mostram nada sobre isso!

Se tem vídeo de mim tomando banho, porque não tem vídeo de mim, sei lá, treinando para a guerra ou mesmo essa menção anterior sobre como eu perdi minha memória. Não consigo entender!

Quando a Enfermeira não está, ou eu não estou sozinha (o que é sempre por pouco tempo), Max vem me visitar. Ele conta histórias sobre um lugar onde estivemos chamado Centro, de como lutamos para sobreviver, do nosso primeiro beijo...

E ele SEMPRE tenta me beijar, talvez com a esperança de que minha memória tenha voltado ou que eu tenha ''aprendido'' a ama-lo novamente. E eu SEMPRE fujo. Falo alguma coisa, ou simplesmente me afasto. Mas nunca falo nada. Até agora...

– Não... — Quando ele tentou me beijar, hoje.

– Cara, porque não? Nós somos namorados!

– Não, nós não somos! Se eramos antes, não somos agora. — Vi um brilho diferente em seus olhos... — Algo me diz... Que eu estou ...

– Está brava comigo? — Ele deu um pulo para trás.

– O que? Não, magoada... Brava? — Me levantei e andei em direção a ele. — Por que eu estaria brava com você? — Tentei parecer o mais segura possível.

– Brava? O que... Não, não é nada... disso. — Ah, como ele mente mal.

– Você hesitou!

– Não hesitei não...

– Hesitou sim! Me conte! Você não quer tanto que eu recupere a minha memória?

Ele congelou. Começou a andar em direção a porta, mas segurei seu braço.

– Por favor, me conte! Nem que seja só três palavras! Não me deixe curiosa...

– É claro que eu quero que você recupere a memória... Mas...

– Mas... ?

– Menos essa parte.

Então ele saiu do quarto num estrondo e eu não sabia como ficar mais confusa.