A Guardiã Das Almas
7 Conhecendo o inimigo
Notas iniciais
Mais uma semana se passou e continuo em Galdera. Tive mais uma semana de testes teóricos e meus músculos coçavam só de pensar em pegar uma arma e começar a lutar. Sei que até o momento eu pareci meio bipolar, uma hora querendo ficar e outra não. É complicado. Deixei tudo pra trás. Tudo. Não trouxe nada comigo – a não ser as roupas. Enfim, não importava. Muitas pessoas já me disseram que é pior pensar lá fora.
– Preparada? — Joshua perguntou, quando nos esbarramos a caminho de Eruditio.
– Para o que?
– Ué, hoje é a semana de treinamento físico. — falou animado. Meu coração palpitou tão rápido que senti uma dor percorrer meu peito. Mantive a calma e tentei não mostrar qualquer tipo de ansiedade, mesmo que isso fosse visível para qualquer um. — Apenas mantenha a calma.
– É claro que sim. — sorri.
Minhas mãos começaram a soar. Encontrei Eric pelo caminho e segui junto dele. Aqueles nossos colares brilhavam em nossos peitos e isso me deixava intrigada.
– Teremos de usar essas porcarias sempre? — perguntei, encarando o meu.
– Sim, Anna. — riu. — Essas porcarias estimulam a magia depositada em ti. — me encarou, me vendo dar os ombros à sua explicação. — Então, como está se sentindo?
– Qual é? Vou começar meu treinamento físico hoje, é o que espero desde que cheguei. — falei, rindo. — Estou ansiosa. Confiante também.
– Que bom, Anna. — me abraçou. — Tenha cuidado. Apesar de ser só um treinamento, é tudo bem real.
– Inclusive os machucados. — Bryan apareceu, se entrometendo. Como sempre.
– Que bom, só assim eu poderei enfiar algo em seu peito, e não terei dúvidas que você parará de respirar. — encarei aqueles olhos alaranjados com fogo percorrendo meu corpo, com um sorriso debochado no rosto. — Te vejo mais tarde. — olhei Eric e logo me despedi, seguindo meu caminho.
Não demorei até que me juntei à uma pequena multidão atravessando as portas de Eruditio. Segui até minha sala, em seguida até minha mesa. Joshua e Jade só estavam por lá, conversando sobre algo aparentemente engraçado. Não me entrometi, apenas esperei Leah entrar pela porta e nos chamarmos para ir até Athaus.
E isso realmente aconteceu. Leah entrou pela porta logo que o sinal tocou, não demorou muito até avisar que a semana de treinamento físico estava para começar. Segui, junto de minha turma, até Athaus, o local onde ocorre os treinamentos. Segurei a mão de Jade até que chegamos a sala onde iríamos treinar.
– Relaxa. — ela me olhou sorrindo, apertando minha mão.
– Estou um pouco ansiosa. — sorri de volta.
– Hoje, Guerreiros – Leah passou seus olhos por todos nós –, vocês começarão a lutar. Aprender o que é certo dentro de uma batalha e o que não é.
– Que tipo de armas iremos usar? — alguém perguntou.
– Aquela que você imaginar, Guerreiro. — sorriu.
Suspirei e com o pé direito (mesmo que eu não acreditasse nessas coisas) adentrei Athaus. Já havia feito isso antes, mas não para tal ocasião. Era importante agora. Iria começar algo que não teria mais como parar. Era agora, o início.
Adentramos em uma sala, aparentemente, redonda e toda revestida com metal. Não havia monstros, armas ou qualquer outro tipo de ameaça. Apenas o metal e meus colegas de classe. Mas era uma sala grande, mais do que aparentava. Era incrível. Bizarro, mas incrível.
– Vejamos.. — encarou a turma, escolhendo alunos. — Hoje iremos começar com a Savannah, Joshua, Bryan e.. Jasmine. — sorriu. — Você começarão o treinamentos com Patrick, nos outros dias terão aulas com a srta. Alexis. Mas, vamos ao que interessa. — dirigiu seu olhar à Patrick.
– Muito bem, jovenzinhos. — falou Patrick, se aproximando. — Aparentemente, não há nenhum tipo de ameaça aqui, correto? Pois bem, basta eu apertar aquele botãozinho mágico – apontou para o botão, nos encarando em seguida –, que isso aqui vai virar um pesadelo para vocês. — voltou ao seu lugar de antes, próximo à uma mesa de metal. — Aqui, há vários tipos de armas. Vocês podem escolher aquela que bem quiserem, lembrando que não poderão trocar no decorrer do treinamento. — sorriu. — À vontade. — apontou para a mesa.
Me aproximei da mesma e observei. Olhei uma arma de fogo, parecia ser bem útil, mas quando fui tocar a mão nela, Jasmine a agarrou, me dando em troca um belo sorriso doentio. Avistei Bryan com um facão que deveria pesar quilos e Joshua com um arco e flecha.
– Só falta você, Algenfritz. — ouvi a voz de Patrick. Meu sangue correu mais rápido pelas minhas veias, até que avistei, pendurada na parede, uma espada, uma espada de samurai com efeito meio aredondado e extremamente cortante.
Abri um sorriso me aproximando da espada; senti sua extremidade gelada, mas logo fora se acostumando com o calor que minhas mãos liberavam. Ela não pesava nada, até me surpreendi. Depois de admirá-la mais um pouco, segui ao centro da sala. Olhei Patrick, que bocejando e revirando os olhos, apertou o tal botãozinho mágico.
Senti o chão tremendo abaixo de meus pés. A sala rodou e rodou e rodou, formando uma escuridão, dificultando não só a minha, como a visão de meus colegas. Assim que parou de girar e tremer, uma luz forte adentrou minhas vistas. Senti uma brisa em minha nuca e olhei em volta, conhecendo o lugar para que fomos “enviados”. Era uma floresta deserta, se ouvia apenas a cantoria dos pássaros. Eu não sabia como aquilo era possível, mas apertei minha espada com força e suspirei.
– Se preparem. — comentou Bryan. — Daqui a pouco vocês vão entender o por quê de Patrick chamar isso aqui de pesadelo. — encarava o horizonte.
Não virei o rosto, mas observei Bryan de canto. Pude ver um sorriso em seu rosto, o que me deixou ainda mais animada para lutar. Meu corpo soava adrenalina. Senti mais uma vez o chão tremendo, mas agora não porque a sala iria se transformar novamente, mas sim porque algo pesado corria por ele. Observei aquele céu azulado e tentei distinguir, apenar com a audição, o que de fato se aproximava.
Quando virei o rosto para o lado, segundos foram o tempo que tive para erguer minha espada e me proteger de ser atingida. Havia começado. Movimentei meu corpo, após sair do susto e avistei meus colegas. Joshua lutava com um monstro redondo e peludo, parecia uma bola de pelo. Bryan enfrentava algo mais forte do que seu próprio tamanho podia aguentar. Não me entrometi, quando fui olhar Jasmine, mais uma vez, quase fui atingida por algo que sobrevoava aquele céu.
Me concentrei. Observei o que passou por mim e que, agora, voltava em minha direção em alta velocidade. Era um pterossauro. Esperei ele se aproximar, mostrando suas garras e suas presas, e segurando minha espada com as duas mãos, fiz um movimento que lhe arrancou a cabeça fora. Observei-o e logo sumiu de minha visão. Sumiu mesmo, evaporou.
Olhei meus outros colegas e ainda estavam na mesma situação. Observei ao meu redor, nenhum pterossauro estava em meu campo de visão.
– Savannah!! — ouvi Bryan gritar, me olhando com uma cara de pavor. Ele não olhava fixamente para mim, mas sim para algo atrás de mim.
Me virei de súbito e algo pesado se lançou para cima de mim. Mesmo com a força do impacto, mantive minha espada apontada para cima, sentindo-a atravessando o peito do que quer que estivesse em cima de mim. Em poucos minutos, a criatura desapareceu.
Ouvimos um barulho ensurdecer e logo aquela floresta toda desapareceu também. Olhei ao redor e tudo o que eu via, era o metal e meus colegas com cara de tédio. Acho que nenhum deles havia visto o que acontecera conosco. Ainda estava jogada no chão, lembrando das coisas que vi, até que Joshua me ajudou a levantar.
Nós quatro encaramos Patrick que estava no mesmo lugar de antes, imóvel. Ele segurava seu rosto com alguns dedos e se mantinha de braços cruzados. Parecia pensar em algo. Aquilo estava me matando. Não sabia se ele iria dizer algo à favor ou contra minha equipe, mas não importava, eu havia adorado aquilo. Eu poderia sair pulando dali que não iria me importar.
Aos poucos minha respiração ofegante foi voltando ao normal. Meus músculos não se contrariam, e eu pude amenizar a força que fazia na espada. Senti minha mão dormente e meu pescoço duro. A queda foi drástica e eu realmente a havia sentido. Isso iria me doer por alguns dias. Mas eu não me importaria de repetir quantas vezes fosse necessário.
Patrick se movimentou. Me enchi de esperanças achando que ele iria comentar sobre o meu treinamento, mas o único som que ouvi saindo de sua boca foi:
– Os próximos alunos!
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