Derek acordou tarde no dia seguinte e Stiles não estava na cama ao seu lado, mas ele podia ouvir o garoto cantar na sala, o lobo sorriu e se espreguiçou, sentia sua bunda coberta de balsamo calmante, mesmo que Stiles soubesse que ele já estava totalmente curado das feridas da última sessão. Era algo que Stiles fazia, era o jeito dele como dominante e pessoa cuidar de seu companheiro, demonstrar que se importava com o bem estar de Derek. O lobo estava satisfeito e estranhamente feliz em poder contar com o garoto para estar ao seu lado, prover o que ele precisava, entender seus limites, confortá-lo.

– O dorminhoco despertou. — Stiles estava suado, parecia estar dançando, a voz rouca denunciava que ele estava cantando também.

– Quanto tempo eu dormi? — Derek perguntou enquanto coçava os olhos.

– Dez, talvez doze horas. — Stiles caminhou até a cozinha e buscou água. — Aqui. — ele entregou um copo para Derek e bebeu o outro. — Como você se sente? — Derek considerou bem aquela pergunta.

– Melhor. — Stiles sorriu.

– Isso é bom. Meu pai está chegando hoje, você se lembra não é? — Derek tinha esquecido.

– Na verdade não, mas isso não é um problema. — Derek deu de ombros.

– Ótimo, eu fiz o jantar e limpei o quarto de hóspedes, vou buscá-lo em duas horas no aeroporto, mas antes eu vou passar no clube para ver se Boyd pode me cobrir essa noite. — Stiles não parava de se mexer e arrumar, mesmo que tudo estivesse em perfeito estado.

– Você está nervoso. — Stiles parou e o encarou.

– Um pouco, eu sempre fico ligado quando meu pai vem. — Derek podia sentir a verdade ali.

– Você também está feliz. — um sorriso brotou nos lábios do lobo.

– Muito. — o garoto se arrastou para perto do lobo e o abraçou. — Você está bem com o que tivemos ontem? — Derek assentiu e se aninhou ao pescoço do mais novo. — Eu estou suado Der. — Stiles riu ao sentir a barba despontando de Derek o arranhar.

– Eu gosto. — foi o suficiente para o garoto relaxar e puxar o lobo para um beijo.

O voo de John atrasou duas horas, isso deu a Stiles um tempo para ajeitar as coisas no clube e tirar o final de semana de folga. Derek trocou seus turnos para trabalhar no sábado e dar algum espaço a Stiles, mesmo que o garoto tenha insistido que ele não incomodaria.

– Pai! Como foi o voo? Comeu seus vegetais, certo? Sua coluna dói? — John revirou os olhos e puxou seu filho para um abraço.

– Eu estou ótimo Stiles, seja menos desesperado. — Stiles relaxou nos braços do pai e recebeu um beijo na testa. — Onde está seu namorado? — John comentou dividindo sua bagem com o filho.

– Pai, Derek e eu, nós não somos... — Stiles suspirou.

– Eu sei, mas eu acho que seria agressivo chamá-lo de sua propriedade? — John pontuou enquanto eles colocavam as malas no carro, não era muita coisa.

– Ele não é minha propriedade pai. Pelo amor, não diga isso nunca mais. — Stiles entrou no carro sentindo os primeiros sinais de irritação.

– Desculpe Stiles, mas eu não sei como me referir ao cara com quem você tem transado. — John revirou os olhos e o calor tomou conta das bochechas do mais novo.

– Derek, esse é o nome dele. Apenas assim que você deve se referir a ele. — John concordou. — Agora me conte como andam as coisas em Beacon Hills.

Derek chegou tarde naquele dia, tinha decidido ligar para Peter, descobrir mais coisas sobre sua família, mesmo que isso pudesse levá-lo ao fundo do poço. Seu dia foi tão estressante na livraria que ele não conseguiu lembrar que tinha que chegar a tempo para o jantar, mas deu sorte de chegar meia hora mais cedo. Entrar no apartamento tomado por um novo cheiro, muitas risadas e comida fresca feita por alguém estranho remexeu seu estômago, mas ele se obrigou a respirar e caminhar até a cozinha, encontrando um senhor bebericando uma cerveja e mexendo alguma coisa em uma das panelas e Stiles sentado na bancada enquanto cantava alguma coisa junto com o som que saía do rádio de pilha que ele nunca tinha visto na vida.

– Der! — Stiles pulou da bancada e beijou o lobo com entusiasmo. O gosto de cerveja, os lábios frios e as mãos afoitas em suas costas o fez realmente consciente da presença do outro homem.

– Hey Sti. — Derek se afastou tímido, as bochechas quentes e o olhar preso ao homem mais jovem.

– Esse é meu pai John e esse é Derek meu companheiro. — Stiles foi bastante simples nas apresentações e Derek gostou disso, mesmo que ainda não soubesse como se portar.

– É um prazer conhecê-lo Derek, Stiles esteve falando de você o dia inteiro, pensei que chegaria com algum tipo de auréola ou asas. — John deu de ombros e abriu outra cerveja oferecendo ao lobo.

– É um prazer senhor. — Derek encarou a cerveja e Stiles. — Stiles. — Derek não sabia se deveria pedir.

– Desculpe, eu não sabia se você bebia. — John viu Stiles bufar e rir enquanto tomava a cerveja das mãos dele.

– Aqui baby. — Derek sorriu e aceitou a cerveja. — Estamos colocando a mesa pai. — Stiles pegou os pratos e Derek levou os talheres.

Derek colocou a mesa em silêncio e saboreou a bebida amarga com cautela, ele sabia que não teriam cenas e que o álcool não era um problema para os lobos, mesmo assim, ele sentiu como se precisasse de cautela.

– Você está bem? — Stiles pediu enquanto bebericava a própria cerveja.

– Sim, eu só não sei como me comportar. — Derek encolheu os ombros.

– Seja você mesmo, eu não estou decidindo por você as coisas, a menos que você queira. — Stiles o puxou para mais um beijo, dessa vez Derek reagiu, estava deixando seu corpo relaxar e o gosto de Stiles se misturar ao seu.

– Vamos comer, rapazes? — John pigarreou e ambos se afastaram, corados e rindo.

– Está muito bom senhor. — Derek elogiou enquanto bebericava um pouco de cerveja, era sua segunda garrafa.

– Obrigado Derek, pode me chamar só de John. — o mais velho sorriu de um jeito que seus olhos enrugaram.

O jantar foi divertido, Derek tinha que admitir que John era um cara de muitas histórias e gentil. Stiles tinha a quem puxar e o homem o fazia se sentir tão confortável que ele nem se deu conta que estava contando sobre sua infância e colégio, ou sobre como suas irmãs e ele gostavam de passar os domingos correndo ou como eram as luas mais difíceis.

– A mãe do Stiles teve uma melhor amiga lobisomem, Cláudia e Talia viviam coladas, tão coladas que a Talia resolveu criar uma ala para crianças com câncer no hospital de Beacon Hills. — Derek se viu perdendo o controle de uma só vez.

– Derek. — Stiles chamou o lobo, os olhos piscavam em azul, o corpo todo tremia e as garras fincadas com tanta força nas próprias coxas que seu jeans era alguma coisa perto de arruinado.

– Stiles, ele vai te machucar! — o garoto bufou.

– Não, claro que não! Deixe-nos, por favor, por alguns minutos. — John assentiu e saiu, Derek mal raciocinada quando sentiu seu corpo ser envolvido pelo calor e cheiro de Stiles. — Derek, por favor, meu bem. Você precisa voltar para mim, por favor. — o lobo de Derek parecia se acalmar com aquele tom suplicante e ao mesmo tempo firme de Stiles. — Isso, assim mesmo, esse é o meu bom menino. — Stiles alisou a nuca de Derek em conforto, sem soltá-lo em momento nenhum. — Está tudo bem agora. — Derek tremia e chorava, suas garras cravaram profundamente em suas coxas.

– Eu sinto muito. — ele murmurou em prantos.

– Não sinta, está tudo bem. — Stiles o aninhou e ninou até que a calma tomasse conta. — Venha, vamos limpar essa bagunça. — Derek obedeceu, choramingando.

Derek observou Stiles o livrando das roupas, preparando a banheira, o fazendo entrar e então se desfazendo das próprias roupas e o acompanhando. A água estava rosa por causa do sangue de Derek, sua ferida não estava curando tão rápida, ele não se sentia bem ou consciente o suficiente para incentivar suas células a se regenerarem, ele só queria ficar ali, sentindo os dedos hábeis de Stiles desfazendo os nós em seus ombros, o calor do mais novo em suas costas, a respiração calma e as palavras doces, até que ele se sentia sonolento e pesado.

– Ele está bem? — Stiles viu seu pai lavando a louça algum tempo depois de deixar Derek adormecendo na cama.

– Vai ficar. Família é um gatilho para ele. — John concordou.

– Eu acho que é um pouco mais que isso Stiles. — o mais novo não entendeu.

– O que você quer dizer com isso? — John largou o que fazia e caminhou com seu filho para a sala.

– Stiles, Derek Hale é filho de Talia Hale, melhor amiga da sua mãe, dona do Memorial Claudia Stilinski. Derek não é ativado pelo tema família, Derek é ativado pela família dele. Eu demorei um pouco para reconhecê-lo, mas eu tenho uma foto da sua mãe com ele bem novinho, Talia nunca foi religiosa, mas quis que sua mãe fosse madrinha dele. — Stiles estava chocado.

– Pai, Derek foi expulso de casa. — Stiles não conseguia organizar seus pensamentos.

– Talia o mandou embora? — Stiles fez que não.

– Derek descobriu que gostava de ser um submisso, então seu pai descobriu que ele tinha visitado uma festa com Peter e bem, Aaron o expulsou.

– Talia concordou com isso?

– Pelo visto sim, Stiles morou com o tio por dois anos e então esteve com Kate. Ele nunca mais voltou a contatar a família pai, ele se sente culpado por ouvir que a mãe e as irmãs sentem falta dele. Ele se sente covarde por tê-los deixado no escuro por tanto tempo.

– Eu compreendo Stiles, se eu soubesse não tinha falado sobre isso, você sabe.

Derek acordou de madrugada com Stiles se debatendo e chorando ao seu lado, seu lobo ficou alerta e ele se apressou em aninhar o garoto em seu peito e tentar acalmá-lo, o corpo do dom tremia ao mesmo tempo que repetia coisas desconexas sobre a própria mãe.

– Stiles! — Derek rosnou e o mais novo acordou sobressaltado, se apertou contra o peito nu do maior e soluçou. — Está tudo bem, eu estou aqui. — Derek alisou os cabelos úmidos de suor do mais novo e beijou sua testa.

– Eu tive um pesadelo com a minha mãe, eu... eu não quero terminar como ela, Der. Minha mãe perdeu a vida com uma doença degenerativa terrível, ela mal se lembrava de mim no final. Eu não quero esquecer você, eu... — Derek o apertou contra seu peito.

– Shh... está tudo bem Sti, eu estou aqui, você não vai morrer.

Derek vestiu um par de boxes e foi até a cozinha buscar mais água, Stiles o estava esperando enrolado no travesseiro do lobo, tinha reclamado da garganta seca.

– Eu ouvi meu filho chorar. — John comentou no corredor.

– Ele teve um pesadelo com Claudia. — Derek seguiu pela casa.

– Ele está bem?

– Vai ficar, ele está com sede no entanto, vim encher a jarra.

– Eu não quis ativá-lo mais cedo.

– Eu sei, não estou irritado nem nada, peço desculpas por assustá-lo.

– Não o fez, eu já vi sua mãe perder o controle antes e foi muito menos bonito. — Derek suspirou.

– Eu não quero falar dela.

– Tudo bem, mas ela fala de você o tempo todo e sente sua falta. Ela se separou do seu pai tem dois anos, o colocou para fora quando ele arrumou uma amante mais jovem de um bando vizinho. — Derek encarou John.

– Por que você me contou isso? — o coração de Derek estava doendo, por sua mãe, por sua família.

– Porque você merece saber.

– Eu preciso ver Stiles.

– Derek. — John usou um tom mais firme, impetuoso. — Stiles tem medo de acabar como a mãe.

– Eu sei.

– Eu aprecio que você esteja disposto a lidar com isso. Me chame se precisar.

– Boa noite John. — o xerife apenas assentiu.

Em três dias Derek e Stiles pareciam ter superado aquela noite, assim como John e Derek tinham criado uma amizade baseada em gostos em comum. Derek estava feliz em poder falar com John sobre sua família e mesmo que Stiles tentasse, o lobo e seu pai sabiam que ele continuava sendo atormentado por aqueles pesadelos.

– Você não teve qualquer pesadelo antes. — Derek comentou enquanto eles se secavam.

– Eu tive, depois da nossa última cena. Eu realmente sofro com isso e com a vinda do meu pai é sempre a mesma coisa, principalmente se falamos dela. — Stiles se encolheu.

– Como eu posso te ajudar?

– Eu lidei com isso com Lydia, mas...

– Você precisa que alguém tome o controle? Você precisa que eu o faça? — o tom de Derek era um pouco mais emocional do que Stiles pensou que seria.

– Sim, eu preciso que alguém tome o controle, mas você não precisa fazer isso sem querer. — Stiles o encarou nos olhos e Derek sorriu doce e carinhoso.

– Eu quero. Quero fazer o que for preciso para que se sinta melhor. — Stiles sentiu os dedos de Derek escovarem sua bochecha e se inclinou ao toque.

– Você é a porra de um lobo perfeito. — Stiles elogiou.

Stiles não era ativado por qualquer coisa, ele não se sentia mal ou propenso a se encolher por qualquer coisa, mas aquela noite no clube as coisas pareciam estranhas. Lydia tinha duas noites no mês para comandar e dessa vez Stiles decidiu usar uma dessas festas da ruiva para mostrar o que ele espera que Derek seja ao dominá-lo, já que eles decidiram trabalhar em cima disso.

John sabia que Stiles precisava trabalhar as vezes, então não se incomodou em passar um tempo com Scott e Isaac, eles teriam uma noite perfeita de muita cerveja, carne vermelha e futebol, tudo o que Stiles manteve seu pai longe nas últimas décadas.

Derek concordou em ir ao calabouço naquela noite, não parecia algo feito por ele mesmo, seu lobo principalmente sabia que ele só estava buscando o melhor para o seu companheiro, agora em meio as últimas cenas, aos últimos dias onde os pesadelos e o incidente com John tinham acontecido, Derek sabia que Stiles era seu companheiro verdadeiro, a pessoa que seu lobo aceitaria e se submeteria, protegeria e faria qualquer coisa para manter feliz.

– Você tem certeza que quer descer? Eu posso explicar tudo o que eu estou acostumado a vivenciar com Lydia, você não precisa.... — Stiles foi calado com um beijo doce.

– Eu estou bem, vamos apenas entrar e observar. — Derek sorriu.

– Se você se sentir mal, eu quero saber. — Stiles estava muito sério para uma noite de divertimento.

– Eu prometo que sim, Stiles. — Derek rolou os olhos e antes que desse conta estava resmungando pelo tapa que recebeu na bunda.

– Não revire os olhos para mim. — Stiles sorria.

– Sim senhor. — Derek se inclinou e mordeu sua orelha, Stiles suspirou.

O som ameno e envolvente, as celas, objetos, móveis e o bar, as cruzes de Santo André, o cheiro de sexo vindo de todos os lados, látex e couro por todos os corpos, nudez, coleiras, gritos, gemidos, excitação, medo, uma mistura quase demais para os sentidos de Derek, que precisou de mais do que sua força de vontade e amor para permanecer em um ambiente assim.

– Alguma coisa que você queira beber? — Stiles perguntou quando eles chegaram ao pequeno bar, intimista e em sua maioria composto por drinques sem álcool.

– Água tônica. — Derek respondeu observando o local.

– Aqui. — Stiles entregou-lhe o copo e tomou seu próprio copo de refrigerante.

– Vê algo que goste? — Derek perguntou enquanto saboreava um dos cubos de gelo do copo.

– Eu não sei. — Stiles deu uma boa olhada ao redor. — Eu não gosto da dor. — o mais novo estremeceu ao ver uma mulher ser brutalmente espancada por um chicote de equitação.

– Sem dor então. Que tal começarmos a falar sobre o que você imagina? — Derek tentou usar o mesmo tom que Stiles usava quando o queria relaxado, confiante que ele poderia dar o que precisava.

– Eu gosto das velas. — Stiles levou a atenção a uma domme que enchia o torso de seu sub com cera quente de várias cores. — Eu gosto da queimação, da forma como minha pele é sensível depois disso. — Stiles estava estranhamente maleável e reticente nesse momento, Derek pegou sua mão.

– Continue baby, sem medo. Eu não vou julgar, nem fugir. — Stiles suspirou e se inclinou para recostar no peito de Derek, ambos sabiam como o contato físico ajudava.

– Eu preciso de um anel, eu nunca sou bom em me controlar e não quero decepcioná-lo, não enquanto eu estou muito inapto para pensar claramente. — Derek sorriu e beijou o topo da cabeça do companheiro.

– Você nunca me decepcionaria, eu não estou aqui como seu carrasco, sou mais o que seu pai gosta de dizer o tempo todo, seu namorado. — Derek riu e Stiles mordeu o lábio inferior. — Desculpe, eu não... — Stiles se inclinou para beijá-lo tão profundamente que eles se afastaram ofegantes e atordoados.

– Eu gosto quando você diz que somos namorados, eu queria que fôssemos. — Stiles admitiu sarcástico.

– Então é isso que somos. — Derek sussurrou em sua orelha e mordeu a parte descoberta pela camisa de seu ombro.

A noite ficou mais interessante depois que eles tomaram uma cabine e sentaram afastados de todo aquele amontoado de cheiros e sensações. Derek estava confortável com as conversas provocantes e os beijos lânguidos, ele se sentia bem por Stiles não era mais uma pilha de nervos.

– Você quer mesmo fazer isso? — os olhos de Stiles queimavam como um uísque envelhecido e pronto para degustação.

– Sim, eu preciso. — Derek deixou os olhos faiscarem entre o azul gélido e seu par habitual de verde amendoado.

– Entre, tire a roupa, tome seu tempo. Eu vou em seguida. — Derek depositou um beijo na testa do namorado.

– Eu devo me ajoelhar? — Stiles agarrou a camisa de Derek com força, estava tenso, seus músculos tremiam.

– Não, eu o quero na cama, deitado e de olhos fechados. Você pode fazer isso por mim Stiles? — o mais novo respirou fundo e assentiu. — Bom. Agora vá. — Derek deu um beijo casto no outro e o deixou entrar.

Stiles fez como foi pedido e Derek se surpreendeu com o coração acelerado do companheiro, parecia que há qualquer momento seu coração explodiria em mil pedaços. Era intenso, tudo o que eles estavam vivendo era intenso demais. Derek nem tinha certeza se seria capaz de dar a Stiles o tratamento adequado, ele não era estúpido, sabia como um domme agia, como as práticas corretas eram feitas e Stiles tinha um bom jeito de lidar com ele, o que o ajudou muito a descobrir o que mais ele queria, no entanto, seu medo era de ficar superficial, de não ser tão bom, de fugir do controle. Era difícil para ambos tentar algo novo com uma das partes abaladas, mas Derek tentaria, porque ele gostava de Stiles, muito mais do que conseguia verbalizar.

– Você é incrível. — Derek alisou a bochecha corada de Stiles. — Olhe para mim. — o garoto o fez e Derek suspirou com a visão de um Stiles tão entregue e ansioso. — Estou te vendando e prendendo você na cama, vou usar algemas de couro macio em seus pulsos e tornozelos, preciso que me diga se estiver muito apertado. — Stiles assentiu. — Você pode falar e eu vou me certificar de deixá-lo ciente de tudo o que vou fazer, antes de fazê-lo. — Stiles ronronou.

– Sim, senhor. — ele choramingou.

– Feche os olhos. — Stiles obedeceu.

Quando o garoto estava bem acomodado, vendado e preso na cama, Derek se livrou das próprias roupas. O lobo não podia negar seu próprio nervosismo, ele não se sentia capaz de ferir ou reivindicar seu dom, mas naquele momento Stiles era apenas um punhado de ansiedade e desejo, a expectativa vazando, implorando por tudo isso e Derek se sentia mais do que bem em dar tudo o que Stiles desejasse.

– Qual sua palavra de segurança Stiles? — Derek pediu enquanto preparava tudo o que usaria, as luvas pretas de borracha sintética, próprias para sua alergia a látex, preservativos, lubrificante, um vibrador e pregadores de mamilos.

– Xerife, senhor. — a voz de Stiles tremeu.

– Muito bem. — o silêncio reinou por alguns segundos, Stiles se sentia inquieto. — Eu estou aquecendo a vela e vou pingá-la por todo seu corpo. — Stiles ronronou. — Você adora isso, não é? — mais um gemido escapou de Stiles, seu corpo se remexeu. — Cor? — Derek pediu antes de começar.

– Verde, senhor. — Stiles apertou os lábios.

Quando a cera quente começou a pingar em sua pele, Stiles quis gritar. Primeiro de surpresa, depois pela sensação deliciosa de queimação, ardência e prazer o tirando facilmente de órbita. Stiles geralmente chegava ao subespaço com facilidade, mas hoje ele se sentia alto desde já.

– Você é tão incrível. — Derek correu a vela alto o suficiente para evitar queimaduras, enquanto traçava um caminho de gotas de cera por todo o torso do namorado.

– Oh! — Stiles gritou e se retorceu ao sentir as gotas quentes se acumulando nos pelos ralos e aparados em seu púbis.

– Tão lindo. — Derek correu a língua pela virilha do humano que choramingou.

– Por favor, por favor, por favor. — ele repetia a cada movimento de língua, a cada gota de cera.

– Eu vou prender seus mamilos com pregadores de madeira, eles são menos agressivos. — Stiles tentou controlar a respiração. — Cor? — Derek pediu apagando a vela e pegando o que precisaria.

– Verde, senhor. — Stiles se arrependeu no momento em que Derek estimulou seus mamilos com os dedos, os dentes e então os prendeu. — Porra! — ele gritou, a dor irradiou por todo seu corpo, ele sabia que precisava dela, mas ele nunca conseguiu gostar, não depois de Lydia, não depois de tudo.

– Stiles. — Derek o chamou. — Cor? — o lobo pediu assustado com o cheiro confuso de medo, dor e aflição escapando dos poros de Stiles.

– Verde. — Stiles estava chorando.

– Cor? — Derek pediu mais uma vez.

– Verde, senhor. — a voz de Stiles era dura, Derek não tinha certeza se deveria continuar.

– Eu vou fazê-lo aberto para mim, baby. — Derek sussurrou no ouvido do garoto que ronronou. — Sim, então eu vou fodê-lo e você vai gritar e esquecer qualquer coisa que esteja atrapalhando seu sono. — Stiles soluçou.

Derek fez o que prometeu, ele ainda sentia os cheiros de dor e aflição vindo do namorado, mas ele queria acreditar no que Stiles estava lhe dizendo, ele precisava confiar. Seu dedo molhado e coberto pela luva escorregou pelo períneo do mais novo, até encontrar a entrada rugosa e contraída, fazendo Stiles se contorcer e gemer.

– Derek, por favor. — ele pediu sem nexo.

– Shh, eu vou cuidar de você menino bonito, confie em mim. — isso parecia acalmar o garoto.

O lobo de Derek estava incomodado com a dor, aquela mesma dor que Stiles reafirmou que odiava, mesmo que a apreciasse de forma recreativa. Derek arrastou as garras pelas coxas peludas do mais novo, o fazendo gemer e relaxar, ao mesmo tempo que se arrastou pela cama, se livrou das luvas arruinadas e liberou um mamilo por vez. O alívio e a dor pela retomada da circulação tomaram conta do quarto. Derek se inclinou e cuidou de um mamilo de cada vez, dando atenção redobrada com os dentes. Stiles apreciou bastante, a ponto de estar tão duro e vazando líquido pré seminal que mal conseguia se manter.

– Como você se sente baby? — Derek arrastou seu pau contra o de Stiles que gemeu.

– Bem, verde, eu quero mais, por favor. — Stiles gemia e ronronava.

– Shh, tudo bem, você sabe que eu só quero fazê-lo se sentir bem. — Stiles assentiu, relaxando na cama, sentindo a fricção dos membros e então a perda total de contato.

Derek escorregou para o meio das pernas de Stiles e arrastou novamente suas garras pela parte interna das coxas, forte o suficiente para marcar mas não romper a pele. O lobo recolheu as garras de uma das mãos e voltou a trabalhar seus dedos dentro do garoto, cuidadoso e provocador.

– Por favor... — Stiles suspirou.

– Eu amo você assim, eu não esperava que fosse amar, mas é real. Você é incrível. — Derek mordiscou a coxa de Stiles, deixando a pele sensível a ponto de quebrar.

– Derek... — Stiles se contorceu.

– Eu vou fodê-lo tão difícil. — o lobo mordeu a outra coxa, quebrando um pouco da pele, deixando o sangue pingar em sua língua, o marcando como seu. — Eu quero você implorando. — sua língua correu pelo membro em riste de Stiles.

– Oh! — Stiles não aguentava, Derek não tinha usado um anel nele, mesmo que ele tenha insistido.

– Eu quero fazê-lo vir na minha boca, porque o seu gosto é perfeito. — Derek abocanhou seu membro e Stiles não demorou mais que quatro golpes até se desmanchar. Ambos gemiam com o orgasmo.

Stiles não se deu conta do que estava acontecendo até Derek estar dentro dele, empurrando contra sua próstata, o fazendo duro de novo, mesmo que ele estivesse sensível demais ainda, dolorido e cansado. Ele não reclamou, era bom de um jeito único e martirizante.

– Você está comigo Sti? — Derek alisou seu rosto, o ritmo quebrado e incansável do lobo contra seus quadris.

– Verde. — ele apenas sibilou, Derek se tornou quase impossível de acompanhar depois disso.

Quando Derek veio, Stiles não tinha certeza que ele podia raciocinar, seu cérebro parecia uma grande piscina de massa encefálica em curto circuito e ele só se deu conta que acabou quando o lobo o enrolou em uma manta quente.

– Tudo bem, você está limpo e bem. Está tudo bem. — Stiles resmungou e se agarrou ao homem que o embalava. — Aqui, é água. — Derek levou o conteúdo aos lábios do mais novo que aceitou em goles curtos e lentos. — Você se sente bem? — Stiles assentiu. — Algo dói? — Stiles não sabia.

– Eu não sei... cansado... sono. — Derek viu o homem mais novo bocejar e o aninhou no colchão.

– Só durma, estarei aqui quando acordar. — Stiles ronronou caindo no sono.