A Good Shifter
9 Porque Eu Mereço
Notas iniciais
Derek acordou com a garganta seca e um pouco atordoado, sentiu a ausência das roupas e da coleira em seu pescoço e se assustou. Stiles percebeu a agitação do sub e acordou, era bom para o lobo se sentir seguro e confortável, por isso, o humano o puxou para um abraço reconfortante.
– Hey meu bom menino, tudo bem, eu estou aqui. — Derek pareceu relaxar um pouco. — Você se lembra onde estamos? — o lobo assentiu depois de um momento. — Ótimo. — Stiles plantou um beijo na nuca dele.
– Estou com sede. — Derek se encolheu envergonhado.
– Só um segundo. — Stiles se remexeu e puxou a garrafa no criado mudo. — Prontinho. — ele ofereceu o líquido que foi aceito com gratidão.
– Obrigado. Eu acho que me assustei um pouco. — Derek comentou devolvendo a garrafa.
– Tudo bem, foi uma cena leve porém, intensa. — Derek concordou de se aninhou ao peito de Stiles.
– Você está bem? — a pergunta surpreendeu o humano.
– Sim, por quê não estaria? — Derek começou a traçar círculos imaginários no peito do dom.
– Eu não sei, nós estamos nisso juntos, certo? — Stiles sorriu e afagou os cabeços do maior.
– Certo. Eu estou bem e você? — Derek se inclinou para o dom e sorriu.
– Muito bem, com você. — Stiles corou, ele não podia evitar o tilintar em seu peito, não podia ignorar o inchaço emocional que o fazia se agarrar àquele homem.
– Você foi incrível, agora vamos descansar mais um pouco. — Stiles não interrompeu o carinho.
– Posso te beijar? — Derek pediu tímido.
– Claro que sim, livre para beijar, lembra? — Stiles riu antes de ser calado um beijo.
Faziam duas semanas desde a primeira cena. Derek achou que a partir da primeira eles fariam isso o tempo todo, era um temor que ele tinha, que isso afetasse a rotina que eles criaram em casa, mas Stiles parecia bastante confortável com tudo e não tinha mudado em nada.
Stiles não queria provocar Derek demais, com toda a história de Peter estar na cidade e ser importante que ele reativasse seus laços familiares, mas isso tinha deixado as últimas noites tensas. Primeiro Derek perguntou se ele estaria lá caso acontecesse um encontro e depois o lobo demonstrou que tinha medo, vergonha e uma porção de paranoias que não faziam o menor sentido.
Derek conseguia ver o tédio de Stiles em ouvir mais uma vez que ele não queria explicar seus motivos para Peter, o garoto e ele tinham travado pequenas discussões já que para Stilisnki, Derek estava exagerando e Peter não era um monstro de sete cabeças. Acabou que nenhuma dessas batalhas internas de Derek ou suas pequenas discussões com Stiles renderam em um acordo e o encontro com Peter se tornou casual e inesperado, quando o mais velho entrou pela livraria pouco antes de ser fechada acompanhado de um garoto bem mais jovem que ele.
– Peter. — Derek sibilou, seu corpo tenso, a nuca encrespada, tudo dentro dele parecia uma confusão.
– Derek. Caramba! Eu tive tanto trabalho em evitar o clube, em estar em lugares diferentes que você nas últimas semanas. Droga! Stilinski deveria ter me dito que você trabalhava aqui. — Peter se virou.
– Espere. — Derek o chamou.
– Escute garoto, eu sei muito mais do que você quer me contar, os boatos correm e Stiles não quis me esconder o básico, apesar dele ser bastante privado nos detalhes, mas eu não vim aqui na intenção de persegui-lo, você precisa de um tempo e eu estou bem com isso. — Derek cruzou os braços na frente do peito e riu.
– Tio. — ele chamou, era tão bom ver o Peter de sempre, o deixava tão próximo a parte boa do seu passado.
– Hum? — Peter o encarou com o mesmo olhar de divertimento de sempre.
– Eu saio em quinze minutos, talvez fosse uma boa ideia tomarmos um café? — Derek não se via pronto para falar sobre Kate, sobre seu sumiço, ele não queria, mas ter Peter ali o fazia ansiar por algum contato.
– Claro, eu vou avisar ao Danny. — Peter procurou pelo garoto que parecia entretido na sessão de esportes.
– Ele é seu companheiro? — Derek perguntou.
– Algo parecido com o que você tem com o Stiles e eu o proíbo de falar qualquer coisa sobre sua idade. — Derek riu.
– Chame-o também, não estamos falando de Kate. — Peter entendia.
Stiles recebeu a mensagem e sentiu seu próprio coração apertar. Derek tinha dito que o queria lá quando esse encontro finalmente acontecesse, mas ele não podia, não em meio a uma reunião e estando do outro lado da cidade, isso o destruiu um pouquinho. Os primeiros trinta minutos foram silenciosos, pelo menos Derek estava mudo por um longo tempo. Danny era divertido e falava bastante para o que o lobo se lembrava que seu tio gostava, mas os dois pareciam fazer bem um ao outro, Danny parecia saber o que Peter precisava.
– Então você está com o Stiles agora? — Peter bebericou seu café tentando fazer Derek falar.
– Ele é bom para mim. — Derek não tirou os olhos das próprias mãos inquietas.
– Eu vejo. Ele é um bom garoto também, construiu tudo o que tem com muito esforço. Eu posso dizer que ele sabe o que está fazendo, quando não envolve o coração. — Peter tinha um ar de deboche no final.
– Ele cuida de mim. — Derek deu de ombros.
– Eu posso ver isso Derek, não estou questionando seu direito de escolher, apenas concordando com ele. — Peter se defendeu.
– Ok. — Derek ignorou todos os vinte minutos de conversa seguinte, ele estava começando a se sentir desconfortável.
– Talia sempre pergunta de você. — Peter comentou enquanto esperavam a conta.
– E o que você tem dito a ela nos últimos quatro anos? — Derek tinha um tom amargo, ele mesmo sentia o gosto de bile na boca.
– Que você é um adulto e seguiu seus próprios caminhos. — Peter deu de ombros. — Cora foi para faculdade, ela está cursando artes em Colúmbia. — Derek sentiu todo seu corpo empertigar.
– Você tem visto ela? — Peter sorriu.
– É para isso que eu vim a Nova Iorque, mas ainda não nos encontramos, talvez você queira estar junto. Ela sempre diz que morre de saudades de você. — o estômago de Derek deu algumas voltas. — Todos sentem na verdade, Laura está enrolando o noivo há dois anos na esperança do irmão ser seu padrinho. — aquilo era demais para Derek.
– Eu preciso ir. — Derek deixou uma nota de vinte dólares na mesa e saiu.
Quando Stiles chegou em casa teve a impressão de ser estapeado pela angústia, algo dentro dele o obrigou a ignorar sua vontade de chamar por Derek, indo diretamente para o quarto de hóspede. Derek estava vestindo apenas a coleira, ajoelhado aos pés da cama, as mãos unidas nas coxas e ao seu lado tinha uma palmatória, algo que Stiles só se lembra de ter usado para a punição. Stiles não precisou de palavras para ver que estava tudo tão mal para seu sub, ele nem precisava pensar muito sobre aquilo, ele daria exatamente o que Derek precisava, dentro dos limites seguros.
– Derek, olhe para mim. — Stiles se agachou na frente do lobo. — Se você precisa de alguma coisa, peça. — era um tom de ordem, Derek tomou seu tempo para se adequar.
– Eu preciso ser punido, senhor. — a voz baixa e sem hesitação trituravam o sistema nervoso de Stiles.
– Por quê? — ele perguntou mantendo o controle firme do queixo de Derek em sua mão.
– Porque eu mereço, senhor. — Stiles soltou o ar com força.
– Incline-se contra o colchão, eu vou me preparar. — Stiles o soltou e caminhou para fora do quarto.
Stiles procurou não demorar muito, ele odiava deixar seu sub sozinho em uma cena, mas ele sabia que Derek precisava deve tempo para pensar. Quando ele voltou, viu o lobo exatamente onde tinha ordenado, a respiração controlada e os músculos tensos apenas pela posição. O garoto não podia deixar de pensar que tudo isso poderia funcionar melhor se ele soubesse o que tinha acontecido, mas isso não era o que Derek precisava e ele estava ali para ajudar o lobo e suprir suas necessidades.
– Eu vou bater-lhe duramente por quinze vezes com a palmatória e eu não quero ouvir nenhum som ou ver qualquer movimento, você me entende lobo? — Derek percebia que esse Stiles, era um pouco mais duro e ameaçador do que aquele que o levou ao subespaço há algumas semanas.
– Sim, senhor. — Stiles caminhou até Derek e acariciou lentamente a pele de sua bunda.
– Palavra de segurança? — Derek estremeceu.
– Triskle. — ele respondeu com a respiração vacilando.
– Cor? — Stiles podia sentir a tensão no ar.
– Verde. — Derek não tinha mais permissão para falar.
O primeiro golpe não era tão duro, mas a surpresa fez o lobo precisar de muito autocontrole para não se mover ou gritar. O segundo deu-lhe uma espécie de formigamento, do terceiro ao quinto ele começou a se perder na sensação da dor. A cada golpe, Stiles concentrava um pouco mais de força, ele observava a pele esquentar e ruborizar com cuidado, ele sempre mantinha o golpe duro o suficiente para ocasionar dor e não romper a pele. Stiles admitia que Derek tinha uma boa resistência. No décimo golpe Derek se remexeu, o lobo ficou tenso quando percebeu o que tinha feito e Stiles interrompeu momentaneamente os golpes. A mão corria pelas coxas e bunda de Derek esfregando a pele sensível o fazendo chorar e agonizar por querer se retrair, sem poder.
– Cor? — a voz de Stiles ainda era dura, apesar dele estar ofegante pelos movimentos.
– V-v-verde, senhor. — Derek estava chorando.
– Você sabe que se mexeu, que quebrou a única mínima coisa que eu lhe pedi. — Derek choramingou. — Estou acrescentando mais cinco golpes. — foi a última coisa que o humano falou antes de voltar a usar a palmatória.
Derek podia sentir sua mente vagar entre a dor e o desespero para ser bom, tudo isso se misturando as palavras de Peter, a forma odiosa como seu pai o tratou quando descobriu que ele era um submisso, a forma como sua mãe não o defendeu mesmo sendo sua alfa. Stiles percebeu quando acabou que Derek ainda esperava por mais, que ele não estava mais preso aos golpes e sim a sua própria mente.
– Hey, venha cá. — Stiles puxou Derek para a cama. — Está tudo bem, acabou. Está tudo bem, baby. — Derek sentiu seu corpo relaxar contra o de Stiles e o carinho em seu cabelo o fazer parar de chorar gradativamente. — Você ainda está comigo, Der? — Stiles pediu sem movê-los.
– Sim. — Derek tinha a voz grossa pelo choro, seu corpo ainda tremia.
– Sede? — o lobo assentiu. — Aqui. — Stiles se moveu e fez Derek beber água. — Você deveria comer também, você sabe. — Stiles deu de ombros entregando uma barra de chocolate pequena para Derek.
– Obrigado. — o lobo não contestou, apenas seguiu as ordens e se deixou embalar pelo garoto.
– Você quer me dizer o que nos levou a isso? — Stiles perguntou aninhando Derek nas cobertas e se afastando.
– Você não vai ficar? — o lobo fez careta.
– Claro que sim, só vou buscar uma pomada. — Derek relaxou.
– Peter falou das minhas irmãs, ele disse que Cora está na faculdade aqui e Laura está noiva, elas... ele disse que elas sentem minha falta. — Stiles voltou para a cama e fez Derek deitar de bruços.
– Isso o fez achar que merece uma punição? — Derek rangeu os dentes ao sentir Stiles esfregar delicadamente a pele sensível.
– Eu sinto falta delas. — Stiles terminou e voltou a deitar ao lado de Derek.
– Isso te faz merecer uma sessão de espancamento? — Derek esfregou o nariz no pescoço de Stiles, o cheiro de terra, suor e menta habitual do garoto o reconfortava.
– Não, mas eu fui covarde. — Stiles sentiu o tremor do lobo em seus braços e correu os dedos pela sua coluna.
– Covarde? — Derek suspirou e se afastou.
– Eu as abandonei, sumi. Elas deveriam me odiar e não sentir minha falta. — os olhos de Derek estavam úmidos de lágrimas.
– Você não teve muitas escolhas, não transfira toda essa culpa para você. — Stiles limpou as lágrimas com carinho. — Você é tão bom, não precisa disso. — Derek cedeu nos braços de Stiles.
– Eu estou tão cansado. — Stiles tinha a impressão de que era um pouco mais do que exaustão pela cena.
– Eu sei, estou com você. Por que não dormirmos um pouco? — Derek concordou e se enroscou nas cobertas. — Meu bom garoto. — Stiles sussurrou deixando um beijo no topo da cabeça do maior e o ninando até dormirem.
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