A Gentleman and a Slut
5 Quebra-pau
Notas iniciais
– Sorria de forma tímida, Afrodite, não desse jeito arreganhado — minha mãe repreendeu e flashes me cegaram mais uma vez.
Soltei um gemido involuntário e mais um flash fez com que eu piscasse com força.
– Não vai dar certo se continuar com essa cara emburrada — Pietro franziu o cenho e saiu de trás da câmera profissional.
Lhe mostrei a língua e ele se aproveitou para mais um clique.
– Filho da puta — murmurei baixinho para que ninguém mais ouvisse.
Ele deu de ombros e sorriu de forma cafajeste.
Apenas dois dias após eu — infelizmente — ter topado ajudar minha mãe, tudo já estava quase pronto.
Suzan decidira que o nome da marca seria Afrodite. Anunciou isso orgulhosamente com um tweet sobre feminismo, antes de falar qualquer coisa comigo.
– Pronto, finalmente está pronto — ela bateu palmas e todas as câmeras, filmadoras e luzes se apagaram.
Suspirei e Pietro pegou minha mão. Ele andava se importando bastante em manter nossa imagem de noivos apaixonados, ao passo que eu não dava a mínima.
Arqueei a sobrancelha e ele deu de ombros.
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– Vai rolar uma festa irada na cobertura dos Kent, quer ir? — Pietro apareceu no meu quarto sem bater na porta nem nada.
Pulei de susto e cobri meu corpo nu com a toalha.
– Pietro, bate na porta, porra! — gritei e joguei uma revista da VOGUE nele, acertando em cheio sua cara.
– Somos noivos, eu posso te ver pelada quando eu quiser — ele franziu o cenho.
Soltei uma gargalhada.
Mas então notei que ele não parecia estar brincando.
– Desde quando você é tão babaca? — perguntei furiosa e joguei mais revistas nele.
Pietro teve um ataque de riso e tentava dizer que estava brincando enquanto segurava a barriga que doía de tanto rir.
– Sobre a festa — ele continua, já quase controlado — topa?
Arrumo a toalha sobre mim e tento pensar. Mas é meio impossível.
– Sim — respondo instintivamente — claro que vamos.
Satisfeito com minha resposta, ele saiu do quarto fechando a porta com cuidado.
Me peguei pensando se ele não sabia que eu estava pelada e entrou mesmo assim, sabendo que teria mais chances de uma resposta positiva caso eu estivesse com raiva.
Bufei e jurei a mim mesma que eu teria uma vingança e tanto.
Meu celular vibrou e me joguei na cama para conferir.
Era uma mensagem de Julian.
“Eu vi você na tevê. Parece de bem com o fato de estar noiva”.
Aquilo era ironia? Eu podia ouvir a voz dele dizendo aquilo em alto e bom som.
Franzi o cenho e já ia colocar o celular em cim do criado mudo, mas ele vibrou de novo.
“Os Kent vão dar uma festa e tanto na cobertura deles, que tal se formos? Talvez eu possa te compensar pelo que fiz, seja lá o que foi”.
Então ele achava que tudo aquilo que me jogou na cara era “nada”?
Revirei os olhos e desliguei o celular.
Se ele me visse na festa com Pietro, azar!
E que história era aquela de eu estar “de bem com o fato de estar noiva”?
Ele sabia muito bem que eu acabaria com aquela farsa na primeira oportunidade que me surgisse.
Ou pelo menos era assim que eu pensava.
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As luzes piscavam no rosto de Pietro, que estava lindo demais por sinal.
Disfarçadamente, o avaliei.
Usava uma regata cinza que deixava seu corpo esculpido de gibi ao estilo deus grego bem evidente e suas calças de jeans escuro formavam uma escolha simples, mas cuidadosa.
Balancei a cabeça e bufei.
Deus grego uma ova.
– Afrodite, aquele cara está te secando — ele franziu o cenho e apontou com o polegar para trás.
Sem disfarçar, encarei o homem de quem ele falava.
Era um típico mauricinho loiro e de olhos verdes. Eu o conhecia de algum lugar.
Pedi um drinque ao barman e o beberiquei.
Pietro parecia estar esperando alguma reação da minha parte, então simplesmente dei de ombros e comecei a dançar. Logo, ele me acompanhou.
– Tem outras garotas pra dançar aqui — eu disse ironicamente e estendi o braço à nossa volta.
E era verdade. As garotas ali eram bonitas o suficiente pra eu me sentir pra baixo. Ricas, bonitas e sorridentes. Quero dizer, sorriam de verdade.
Ao contrário de mim, cujo sorriso já estava carimbado só para o caso de algum flash me pegar de surpresa. Desde pequena, sempre foi assim.
– Nenhuma delas é minha noiva — ele me puxou mais para perto e sussurrou em meu ouvido.
Me arrepiei da cabeça aos pés e arfei. O que aquele gibi-humano pensava que estava fazendo?
Mas por incrível que pareça, eu sequer fiz esforço para afastá-lo, pelo contrário: dançamos juntos, perto um do outro. Todo tipo de música: lenta, eletrônica, pop…
– Afrodite? — uma voz conhecida chamou.
Arregalei os olhos e me soltei de Pietro, envergonhada.
– Caralho, o que você quer, Julian? — perguntei, forjando uma irritação para cobrir a vergonha por ter sido pega quase agarrada ao meu suposto odiado noivo.
– Eu te mandei mensagens — ele disse, ignorando minha expressão zangada — não as leu?
Pietro franziu o cenho. Estava ficando confuso e visivelmente furioso por não saber de nada do que falávamos.
– Eu não as ter respondido não significa que eu não as li — retruquei e coloquei a franja para cima.
Julian deu um passo para trás, magoado. Comprimiu os lábios e achei que fosse chorar.
De repente, me senti uma covarde.
– Julian… Você está bem? — perguntei, tocando seu braço de leve.
Ele estremeceu com meu toque, me agarrou e fez o que no dia seguinte viraria um escândalo na internet: me beijou.
Durou poucos segundos, porque logo ele estava de bunda no chão, com o nariz sangrando. Sequer consegui raciocinar o que estava acontecendo e Pietro já estava em cima dele, desferindo socos, cotoveladas e mais socos.
– Ei, Pietro! — gritei, entrando em desespero.
Já haviam pessoas nos rodeando. Umas gritavam “soca ele”, outras “meu Deus, coitado!”.
Puxei o braço de Pietro, tentando fazê-lo parar, mas o olhar raivoso que ele me lançou fez com que eu desse um passo para trás.
Eu sequer imaginava que alguém podia fazer aquela cara.
Só em filmes.
Os seguranças chegaram e afastaram Pietro de Julian.
Aquilo sequer poderia ser chamado de briga, já que o segundo não teve a chance de se defender ou pensar no que estava acontecendo.
Pietro murmurou alguma coisa inaudível para o guarda brutamontes que o segurava firme, que o soltou imediatamente. Ele encarou Julian com o olhar carregado de raiva e me arrastou porta afora, rumo ao elevador.
Minhas mãos estavam suando frio e eu tinha certeza de que quando eu me acalmasse, começaria a tremer feito uma marica.
Estar sozinha com um Pietro diferente do que eu conhecia não era boa ideia no momento.
Tentei ficar na parede oposta, afastada dele. Mas Pietro me puxou de volta e dessa vez, não soltou ou afrouxou o aperto.
– O que aquele porra louca quis dizer com “te mandei mensagens?” — ele perguntou com a voz controlada, me fazendo pular.
– Não tente controlar minha vida, Pietro, ele já estava aqui antes de você chegar — ergui a cabeça, disposta a manter meu orgulho intacto.
– Não me interessa a quanto tempo você o conhece — ele apertou mais o meu braço e eu prendi a respiração — troque de chip, esse cara é um perseguidor.
– E você é maluco! — gritei e tentei meu braço de volta sem sucesso — e está me machucando!
Ele não pareceu se abalar com o hematoma que já aparecia por debaixo de suas mãos mesmo depois de tê-lo visto.
– Eu odeio você! — gritei quando a porta do elevador se abriu, escapei de seu aperto e corri o mais rápido que pude, chamando por um táxi ao chegar na rua.
– Afrodite, espera! — ele gritou com voz arrependida e eu quase voltei.
Mas me lembrei de que não devia nada àquele gibi-humano perdedor que entrou na minha vida sem meu consentimento. Eu havia sido paciente e tinha sido uma boa garota, para no fim ele se demonstrar um possessivo com algo que sequer era seu.
Narcisista filho da mãe!
– Mansão dos LeBlanc, rápido — ordenei ao taxista, que pisou fundo no acelerador.
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