A Gentleman and a Slut
6 Bem feito pra mim
Notas iniciais
Minha cabeça latejava e senti algo roçar meu rosto, pinicando.
Oh, droga. Eu havia dormido no jardim.
Levantei-me com cuidado e gemidos escaparam da minha boca tanto pela dor física de ter dormido no gramado quanto pelas lembranças da noite anterior que me invadiam.
Tapei os olhos com as mãos e me espiei por entre os arbustos se havia algum segurança na entrada da casa.
Não seria muito legal eu topar com alguém naquele estado.
Trôpega, corri casa à dentro e subi as escadas fazendo o mínimo de barulho possível. Alguém abriu a porta do corredor bem no momento em que eu passava na frente. Congelei e roboticamente, me virei para ver quem era.
– Sua mãe chega em meia hora — ele murmurou conferindo no relógio de pulso e fechou a porta novamente.
“Eu definitivamente amo meu pai”, pensei e disparei para dentro do meu quarto.
Tomei um banho rápido. Queria fingir estar dormindo para que quando Suzan chegasse, me deixasse em paz com sua metralhadora de perguntas cuja munição nunca tinha fim.
Enquanto eu vestia apressadamente o roupão, a porta do banheiro se escancarou e de olhos arregalados, vi um Pietro possesso de preocupação surgir.
– Graças a Deus — ele sussurrou e me puxou para um abraço.
– Hmmmmmm — tentei dizer algo mas seu ombro abafou minha voz.
Tão bruscamente quanto me abraçou, Pietro me soltou.
– O que pensava estar fazendo Afrodite? — ele sibilou com raiva estampada no olhar.
– Fugindo de um noivo de mentirinha? — respondi arqueando a sobrancelha.
Sua expressão passou de raivosa para simplesmente nada. Pietro ficou com a face congelada numa inexpressão que me causou arrepios.
– De mentirinha — ele repetiu — pois saiba que mesmo nós sendo uma “mentirinha” eu não te quero na vista de garotos que fingem serem seus amigos mas só querem te foder. Aliás eu não quero que tenha amigos.
– O quê? — me indignei.
– É isso aí — ele trincou o maxilar e empinou o nariz.
– Julian era meu melhor amigo! Não tem noção de quantas vezes ele me ajudou quando eu precisei e tudo o que VOCÊ faz é infernizar a minha vida com sua possessividade que anda sendo infinita! — gritei e ergui a mão para estapeá-lo, mas ele a segurou no meio do caminho.
– Não erga a mão ou o tom de voz para mim Afrodite — ele disse numa voz baixa e fria, me puxando para fora do banheiro com brutalidade e me jogando sentada na cama.
Meu lábio inferior tremeu e senti meus olhos ficarem embaçados de lágrimas. Por que eu estava chorando? Raiva? Humilhação? Dor?
Balancei a cabeça negativamente.
– Não me venha com essa, DiAngelo — meu tom de voz saiu mais amargo do que pretendia — você trepava com uma garota qualquer no nosso “noivado” enquanto eu tinha um ataque de nervos.
Ele ficou tenso na hora e virou as costas para mim. Vi quando ele fechou as mãos em punho e ouvi seus dentes rangerem de ódio.
– Esqueça isso — ele disse num tom de voz baixo e autoritário.
– Sabia que eu nunca mais sentei naquele banco? — resolvi provocar — me causa náuseas…
Pietro se virou para mim de repente. Pensei que fosse me dar um tapa ou algo do tipo, mas ele simplesmente me encarou com um olhar repleto de mágoa.
– Já que nosso noivado te aborrece tanto assim, terminamos aqui — ele disse com os braços cruzados de volta à sua expressão zombeteira habitual.
Minha boca se abriu em um “o” perfeito. Surpresa seria uma palavra curta demais para definir o que eu sentia no momento.
– Era isso que queria ouvir? — ele continuou e revirou os olhos.
Me encolhi. O que ele queria dizer com aquilo?
– Pois não é o que vou dizer, Afrodite — sua expressão se tornou fria como um iceberg e ele posicionou seu rosto a centímetros do meu — não vou te deixar, muito menos permitirei que você me abandone. Não ouse tentar fazer isso ou vai se arrepender. Você é minha, entendeu?
Arregalei os olhos e me perguntei quantas faces Pietro teria. Eu não gostaria de ver aquela novamente.
Engoli em seco e desviei o olhar. Se eu concordasse, estaria assinando minha sentença de morte, se eu negasse, seria obrigada a assiná-la. Então me calei.
Senti que não era hora pra ser Afrodite, A Rebelde. Não era um bom momento pra bancar a espertinha pra cima de Pietro, pois era palpável no ar a ameaça — não, AS ameaças — nas entrelinhas. E que ele era muito capaz de cumprir cada uma delas.
Inesperadamente, ele puxou meu rosto contra o seu e colou seus lábios no meu num beijo urgente e necessitado. A respiração dele estava acelerada, o que era irônico porque era EU quem corria risco de vida ali.
– Isso é o que acontece quando me provoca — ele sussurrou e voltou a me beijar, dessa vez passando as mãos pelo meu corpo de forma provocante — bem feito pra você, fez eu me apaixonar.
E quando fui ter alguma reação diante daquilo, Pietro se separou de mim abruptamente e saiu do quarto, batendo a porta com força.
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