A Gentleman and a Slut

7 Minha herança toda por um dia de paz


Alex suspirou e colocou a cabeça para fora da porta, cansada das minhas atitudes de fugitiva.

– Está limpo — sua voz saiu um pouco abafada por estar soando no corredor.

– Tem certeza? — sussurrei alto o suficiente para que ela ouvisse.

Alex fechou a porta com uma carranca irritada e se sentou na minha cama novamente, fazendo o colchão fofo afundar.

– Sério, o que está acontecendo? — ela perguntou sem paciência — você tem fugido do Pietro já faz três semanas.

Mordi o lábio inferior, pensando numa maneira de contar o ocorrido sem que ela ficasse do lado do meu suposto noivo.

– Ele sentiu ciúmes, foi possessivo — ela concluiu com uma cara de “sério Afrodite, só por isso?”.

– O que foi? Ele foi MUITO irritante e assustador, precisava ouvir ele me ameaçando caso eu largasse dele — me encolhi e me xinguei mentalmente por minha voz ter falhado.

Foi a vez de Alex morder o lábio interior. Ela estava nervosa com o que eu disse e pensava bem nas palavras enquanto alisava meus cabelos ruivos com as mãos, como uma mãe preocupada com a saúde da filha sem ter o que fazer quando dinheiro não resolve mais.

– Alex — a repreendi — sua cara está me assustando.

Ela deu um sorriso nervoso e sua mão pousou sobre o lençol lilás da cama.

– O que sabe sobre Pietro? — perguntei e recebi seu silêncio — sabe mais do que eu imagino, não é?

Ela desviou o olhar e eu suspirei. Torturar Alex? Só se for pra diversão, porque pra extrair alguma informação daquela garota sem ela ter vontade de abrir a boca… Impossível.

– Não posso me envolver nos negócios do seu pai — ela disse simplesmente e me puxou para me levantar — em todo caso, eu estarei com você o tempo todo hoje.

– Não precisava ir pra Roma? — perguntei surpresa e ansiosa.

Ela negou com veemência com um olhar do tipo “sem mais perguntas”.

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– Onde pensa que vai, mocinha? — a voz divertida e retumbante do meu pai soou no saguão.

– Pai! — sorri e o abracei de forma contida.

– Não tinha um ensaio para a grife da sua mãe hoje? — perguntou, me impedindo de mudar de assunto.

– Ah — resmunguei — sim, mas…

– Pietro procurou por você hoje, que bom que estão se dando bem — ele se animou e fez cafuné no meu cabelo — fico feliz por você, filha.

Um sorriso congelou no meu rosto.

– Obrigada, papai — agradeci forçadamente.

Como eu poderia desmentir aquilo?

Uma risada nervosa saiu dos meus lábios e furtivamente, voltei para o meu quarto.

Tranquei a porta. Suspirei. Me joguei na cama.

– Que estado deplorável, Afrodite — ouvi uma voz zombeteira e sorridente dizer.

Congelei ao reconhecer aquele tom de voz. Aquela ironia.

– O que está fazendo aqui? Por acaso é um voyeur*? — rosnei e me levantei num pulo.

– Voyeur? Assim você me magoa — ele sorriu de lado e encostou na parede com os braços cruzados.

Semicerrei os olhos e trinquei o maxilar.

– Saia daqui — exigi, me sentindo enraivecida.

Ele gostava de me provocar. Era idiota, um galinha, e acabou se demonstrando um possessivo que dizia estar apaixonado, mas na verdade só gostava de ter controle da situação. Controle sobre mim. Como se um noivado idiota fizesse com que eu fosse atada à um babaca cretino.

O que mais Pietro era e eu não sabia?

– Eu te procuro e você foge de mim — ele rosna, saindo da parede e vindo em minha direção — o que diabos está acontecendo com você?

– Talvez eu esteja fugindo de um perseguidor idiota, e não de você — revirei os olhos e andei para trás.

– Não era uma covarde quando te conheci — ele semicerrou os olhos de forma decepcionada.

– Covarde? E por que motivo eu sou considerada covarde? — ergui o queixo, orgulhosa.

– Porque está fugindo de mim porque sabe que retribui o sentimento — ele sorri de lado, de forma cafajeste.

Pisquei, com os olhos arregalados e engasguei ao tentar dizer algo.

– Você tem algum tipo de distúrbio mental?! — explodi e soquei seu peito.

Ele segurou meu braço e aproximou seu rosto do meu.

Aproveitei a deixa e encarei seus olhos de forma fria.

– Entenda, Pietro: eu oficialmente odeio você — sibilei, me soltei e saí do quarto fazendo questão de bater a porta.

Pensei que ele viria atrás de mim num ataque de raiva, mas não foi o que aconteceu.

Dei de ombros e fui para a maldita sessão de fotos daquela grife de Susan.

– Minha herança toda por um dia de paz — resmunguei, rogando enquanto entrava no carro.

Notas finais
"Voyeurismo é uma prática que consiste num indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de pessoas". - Wikipedia