A Gata Borralheira E O Herdeiro Uchiha - Hiatus
6 Capítulo 6: Orfanato parte I
Notas iniciais
Eu observava com lágrimas grossas descendo meu pálido rosto naquela noite. Eu via a figura daquelas pessoas que sempre amei. Aqueles dois cujo eu queria espelhar-me. Os meus amados pais. Certo que como eles viajavam muito, eu ficava a maior parte do tempo com minha babá, Konan, entretanto, nos momentos que estavam em casa eu sempre estava muito alegre, e eles sempre me faziam sorrir.
Senti que algo ocorreria naquele dia. O céu amanhecera cinzento ao contrário dos demais dias. O ar estava frio e a noite acabou ficando sem muitas estrelas. Fiquei a maior parte da noite sentada na porta esperando-os. Eu queria que eles aparecessem logo, pois aquela demora excessiva já me deixava apreensiva. E depois quando a Konan falou sobre o que aquele policial fazia ali, eu apenas senti meu coração corroer de dor.
Depois do enterro, eu fui mandada para um orfanato. Lá eu vi crianças mais novas que eu sem sorrisos no rosto, sem olhinhos brilhando de alegria. Elas permaneciam neutras, impossíveis de expressar uma única forma de sentimento. O diretor, um velho de setenta anos, sempre que podia aparecer lá, já sabíamos que deveria ser algo ruim. Eu via as crianças tremerem de medo quando ele parava na frente delas.
– Você está em pé da forma errada. – falou com uma menina mais nova que eu que tentou depois se ajeitar em vão. – Vocês crianças deveriam agradecer minha hospitalidade. Se não fosse por mim e por esse local, senão vocês estariam na rua.
Ele caminhou um pouco mais para frente parando na frente de outra garota de quase a mesma idade que eu. Abaixou-se até a altura dela e pegou uma mecha de seus longos cabelos loiros.
– Você tem belos cabelos para ficarem embaraçados. – ele disse e ela começou a choramingar. – Oh! Não chore pequena. O tio aqui cuidará deles para que não fiquem mais assim.
Ele levou a pequena garotinha para dentro de uma sala e fomos dispensados. Eu dividia o quarto com ela, Rin e mais duas meninas, Masoa e Azulla. Masoa era uma menina alegre longe dos empregados da casa. Seus longos cabelos negros e olhos mais negros ainda transmitiam uma confiança que muitas crianças ali já tinham perdido.
Azulla era muito rebelde. Praticamente todas às vezes ela ia para detenção. Ficava conversando sobre ética e política, coisas que não são permitidas de se falar no orfanato. Ela tinha curtos cabelos vermelhos como o fogo e olhos castanhos mel. Eu a considerava uma de minhas melhores amigas naquele buraco.
Rin era a mais nova de nós quatro. Ela chegou a pouco tempo no orfanato e o caso dela era pior de qualquer uma de nós. Os pais a abandonaram naquele local sem motivo aparente. Ela se sentia excluída. Sempre usava seus longos cachos dourados como o sol presos em dois coques altos, um de cada lado. E por algum motivo o diretor a odiava.
– O que será que ele fará com ela? – perguntei baixinho para as outras duas no nosso quarto. – Será que...
– Nem pense nisso rosada. – repreendeu Azulla. – Ela ficará bem, ok?
Acabamos dormindo e nada dela aparecer. No meio da noite eu escuto um barulho vindo do chão da cama ao lado, a cama de Rin. Acordei assustada e quando olhei vi dois olhinhos verdes me observarem chorosos. Era ela.
– Oh kami! – exclamei vendo o estado que ela se encontrava. Seus longos cachos dourados que antes emolduravam lhe o rosto agora não existiam mais. Sua longa cabeleira loira estava raspada no zero. – O que fizeram com você?
Ela apenas chorava desolada nos meus braços. Eu não queria que ela sofresse tanto assim. Fechei meus olhos controlando a raiva antes que fizesse uma besteira enorme. Ela estava pálida e com o rosto totalmente cheio de arranhões e cortes.
– Sakura... – sussurrou a menina tremula. – Eu quero ir embora daqui, por favor, me tira daqui.
– Eu... – tentei falar mais alguma coisa, entretanto ela já estava dormindo no meu colo. – Eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você.
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Já tinha se passado uma semana inteira desde o ocorrido. Uma família tinha aparecido no orfanato para me adotar. Eu queria ir embora de lá, pode ter certeza disso, mas vendo os cabelos ralos de Rin e seu olhar triste eu desisti. Pedi a família não me adotasse, que levassem a Rin embora daquele local, e eles aceitaram.
Eu já estava deitada na minha cama observando o teto sobre minha cabeça. Não tinha percebido que não estava sozinha até Azulla aparecer do nada.
– Rosada, você desperdiçou uma grande chance de sair daqui. – sussurrou sentando na cama ao lado. – Foi uma tola.
– Eu não acho, pelo menos a Rin não vai mais sofrer aqui. – falei – E eu vou sair daqui, não se preocupe, mas precisarei de sua ajuda.
– O que você tá tramando? – perguntou curiosa.
– Vou fugir daqui. – respondi – Preciso de cobertura.
– Quando você vai fazer isso sendo que sempre tem um ou dois vigilantes atrás de nós? – perguntou – Só se você fosse uma ninja pra sair daqui sem te verem.
– Você vai ou não ajudar? – perguntei já irritada de tanta negatividade.
– Pode contar comigo, mas o que eu preciso fazer?
– Só ficar de olho no corredor da porta dos fundos. – respondi para ela. – Simples.
– Ok!
No dia seguinte botamos o plano em prática. Eu sempre ajudava as cozinheiras na hora de preparar o jantar e tinha pleno acesso a cozinha, o problema era o corredor que levava de lá para a porta dos fundos. Azulla estava em pé perto da porta observando se não iria aparecer ninguém enquanto eu saia pela porta, e felizmente tudo ocorreu bem como eu esperava.
Ela tentou ir também, mas eu a impedi antes disso, seria difícil passar pelo jardim sem que me visse, e se ela fosse comigo, seria arriscado nós duas sermos pegas.
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