A Garota dos vampiros
2 History Repeating
P.O.V. Aro.
A garota estava lá. Junto a sua família e os lobos. Desta vez, eram apenas os Cullen e os lobos.
—Olha só que fofo, ele acha que pode vencer. Eu quero fazer isso sozinha.
—Querida...
—Não! Chega dessa besteira. Eles não estão aqui pra conversar ou por qualquer outra razão que não seja para matar vocês. E não tem jeito que eu vou deixar isso acontecer. Nem que eu tenha que matar todos eles. Um por um.
Haviam velas acesas e espalhadas pela campina inteira.
—Querida, você não precisa fazer isso.
—Tem razão. Mas, eu quero fazer isso. Não vou dar falsas desculpas. Não vou contar mentiras. Eu quero vocês mortos.
—E como planeja fazer isso?
—Devagar.
Caius caiu no chão e ele berrava. Podia ouvir o barulho de seus ossos se quebrando.
—Primeiro, vou quebrar o seu corpo. Então, vou quebrar o seu espírito.
Ele rastejava.
—Um maldito verme. Verme rastejante. Mas, seu espírito já está quebrado não é mesmo?
Ela fez Caius sangrar. Sangrar! Pelos ouvidos. Jane tentou um ataque, mas o escudo de Isabella inutiliza seu Poder.
—Eu sei que matar Irina foi errado.
—E ainda assim você fez de qualquer jeito!
Felix tentou também, mas com um aceno de mão ela quebrou-lhe o pescoço.
A garota pegou uma faca e estava prestes a enfia-la em Caius quando parou.
—Não. Não. Matar você seria muita misericórdia. Você não merece isso.
Então pareceu ter tido uma ideia brilhante.
—É isso. Vou tirar de você... o que tirou das minhas tias. De mim!
Ela fez Athenodora flutuar trazendo-a para perto de si.
—Você é a esposa dele, certo?
—Sim. Eu sou.
—Isso implica que ele se importa com você. Talvez, te ame. E isso vai tornar tudo muito mais interessante.
Athenodora foi brutalmente torturada. Caius tentou revidar, mas ela o prendeu num círculo de sal. Havia uma barreira invisível.
—Agora, sua esposa vai morrer. Sabe, Caius apesar de sermos inimigos eu compreendo o que está sentindo agora. Graças á você. Como deve se lembrar, eu estava lá naquele dia quando você despedaçou e queimou a minha tia. Fecho meus olhos e ainda posso ouvir o som do corpo dela sendo despedaçado, o grito de dor, de tristeza das minhas tias. O desespero delas. Pensei... isso é amor verdadeiro. Se não tivesse feito aquilo... sua esposa poderia sair daqui viva e bem. Mas, foi sua decisão não minha. Ela era inocente. Era minha família! E você a tirou de mim. De nós. Porque você fez aquilo?
—Sua abominação! Eu vou matar você.
—Bem, não importa agora, não é? Sua esposa é linda. Quase tão linda quanto a minha tia era. Essa pele alva, o cabelo loiro. Você me lembra ela.
Disse a híbrida passando a mão no rosto de Athenodora.
—Mesmo com esses olhos vermelhos como o diabo. E olhe só para estes lábios.
A esposa de Caius tentou se afastar, mas ela também estava presa.
—Imagino que ela seja sua favorita. Aquela que você mais ama. Todos fazemos nossas escolhas e temos que aceitar as consequências.
Ela beijou Athenodora. Nos lábios.
—Você escolheu assassinar a minha tia. E agora, sua esposa vai pagar por isso.
A garota limpou os lábios com um lenço de papel, tirou um frasco de dentro do bolso do casaco e bebeu dele.
—Vocês devem estar se perguntando... o que diabos acabou de acontecer? É simples. Estou punindo você. Pensei em te matar, mas seria rápido, rápido demais. Pensei em despedaçar a sua mulher na sua frente, mas ainda seria muito rápido. Então, eu criei um veneno. Um veneno forte o suficiente para matar uma imortal. Bem devagarinho. Eu o chamei de a longa despedida. Quando a beijei... ela foi envenenada. E prometo que funciona. Não sei precisamente quanto tempo ela vai levar para morrer. Horas, dias, semanas... depende da constituição do indivíduo, mas a morte é certa. Então sua mulher, esse rostinho lindo vai colapsar numa pilha de cinzas e você vai poder assistir. E você vai se lembrar da sua decisão todo dia, cada minuto para sempre. Vai se lembrar de mim.
Ela deu um sorriso sádico para Caius.
—Vampiros não morrem por envenenamento.
O garoto indígena deu risada.
—Você acha? Espera pra ver. A sanguessuga vai sofrer muito e implorar para morrer. Eu sei, eu vi. Ela já usou esse veneno em outra pessoa. Outra sanguessuga. Para ter certeza de que ia funcionar. E funcionou.
—Acho que isso vai deixar uma mensagem clara. Não mexa com a minha... família.
Todos rimos, não demos nada por aquele tal... veneno. Mas, Athenodora começou a passar mal. Ficou febril.
Sua temperatura foi aumentando, ela teve alucinações e começou a vomitar. Vomitar sangue.
P.O.V. Caius.
Ver a minha esposa se contorcer, gritar, implorar e vomitar. Foi chocante.
—Por favor. Por favor. Pare com isso.
—Oh, ele tem um coração! Então, vamos fazer um acordo. Vocês nos deixam em paz permanentemente e em troca... eu salvo a sua mulher. Fechado?
—Muito bem. De acordo.
—Todo o seu Clã está envolvido nesse acordo. Incluindo Aro. Se vocês descumprirem... vou descer nas suas cabeças como o espírito santo.
Ela tirou um frasco do casaco.
—Bebe.
Athenodora bebeu e sua recuperação foi imediata. A garota olhou no fundo dos olhos de Caius e falou encolerizada.
—Eu sei que o que fez foi... porque achou que podia, mas tente de novo. Faça de novo... e eu vou chacinar todos com quem você se importa e você vai ter que assistir. O mesmo vale para você. Aro. Machuque alguém que eu amo de novo. E a sua esposa Sulplicia vai pagar por isso. Bem, agora que já vimos quem tem o pau maior... vão pra casa. E lembrem-se do que aconteceu aqui hoje. Que a Athenodora viveu pela minha graça e misericórdia. Porque eu... permiti que ela vivesse. Dei a ela uma segunda chance.
P.O.V. Alec.
Porra! Ela fez um veneno capaz de matar um imortal?
—Fiz. Quer um pouquinho?
—Eu não sabia que tinha isso em você. É muito cruel para uma Cullen.
—É. Ninguém é perfeito. Além do mais, eu deixei ela viver. O que é muito mais do que qualquer um de vocês já fez por qualquer pessoa. Os Volturi nunca dão uma segunda chance, bem então... sorte dela que eu sou uma Cullen.
Félix finalmente acordou.
—Demorou ein filho? Pena, você perdeu o show.
—O que foi que você fez comigo?
—Quebrei seu pescoço.
—Quebrou meu pescoço?
—É meu filho. Mas, como você é um vampiro, não é permanente. É só... uma soneca.
—Você virá conosco.
—Sério? E quem vai me levar? Algum voluntário?
Santiago avançou, mas caiu estatelado. Senti o cheiro do sangue.
—É. Eu lembro dele. Agora não passa de um cadáver. Morto, morto, mortinho.
Seus olhos estavam vazados.
—Um aceno da sua mão e o cérebro dele derreteu?!
—Basicamente. Mais algum voluntário?
P.O.V. Aro.
Poderosa o suficiente para matar um vampiro com um aceno de mão.
—Que tal, um acordo.
—Mas, já temos um acordo. Vocês deixam a gente em paz de vez e a esposa vive. É simples. Caius já concordou e em nome de todos. Você... o defensor da lei... vai violar um acordo?!
Ela é esperta. Está nos fazendo passar por vilões. Virando a platéia contra nós.
—Não. Mas, proponho um acordo melhor.
—Sou toda ouvidos.
—Venha passar uma temporada no Castelo de São Marcus. Conosco.
—Como sua convidada?
—Sim. Nossa convidada. Convidada de honra.
—Ela não vai.
—Oh, mas eu vou. Sempre quis conhecer a Itália. E eu adoro macarrão.
P.O.V. Edward.
A tensão pairava no ar. E ela estava jogando com Aro. Sabia que o líder do Clã Volturi estava com mais raiva do que nunca. O diálogo entre eles era tenso.
Voltamos para casa para que ela pudesse fazer as malas.
—Tá ficando maluca?
—Eu não sou maluca Jacob. Além do mais, sou convidada. Convidada de honra. E se algo acontecer comigo enquanto estou lá, vai pegar mal para o Aro.
—Só tenha cuidado. Não sabemos do que esse cara é capaz.
—Posso cuidar de mim mesma. E tenho alguns truques na manga. Relaxa, eu vou ficar bem.
P.O.V. Renesmee.
Peguei minhas malas e a guarda estava esperando lá fora.
—Ligue todo dia. Se não ligar, vou atrás de você.
—Fechado.
Eu o abracei. E o beijei e disse tchau. Felizmente havia um jato esperando.
—Obrigado.
Disse para o Félix que colocava as malas no bagageiro do avião.
—Corta essa Cullen.
—Só estou demonstrando um pouco de gratidão. Desculpe por ter quebrado seu pescoço, mas foi auto defesa.
—Ainda não acredito que quebrou meu pescoço.
Dei de ombros. Eles carregaram o cadáver de Santiago para dentro do avião, estava num caixão.
—Planejando fazer um enterro?
—Esperando ele acordar.
—Ele não vai. Esse ai já era. Ele tá morto. Morto mesmo.
P.O.V. Alec.
O voo foi relativamente tranquilo. Athenodora não parecia confortável de estar na presença dela e não houve diálogo. A garota enfiou seus fones de ouvido e ficou o resto do caminho ouvindo música.
Quando finalmente chegamos ao Castelo de São Marcus, ela parecia impressionada.
—Impressionada?
—Enojada, na verdade.
P.O.V. Renesmee.
Os enormes portões levadiços, a edificação de pedra com sei lá quantos metros de altura, as gárgulas nos telhados, as torres imensas. Mas, quanto mais para dentro íamos, mais eu via.
—Tem tantos. Quando mais para dentro, pior.
—Sim. Temos muitos guardas.
—Não estava falando disso.
Muitos. Demais para contar. De diversas épocas, desde a época da renascença mais ou menos. Mulheres, homens e então...
—Uma criança. Meu Deus! Uma criança.
A menininha estava usando um vestidinho e segurando um ursinho.
—Você viu a minha mãe?
Senti as lágrimas nos meus olhos.
—Não. Mas, posso te ajudar a encontrá-la.
—Ei, Cullen... tá ficando maluca?
—Bem que eu queria. Quem fez isso com você?
—Foi o monstro.
Acho que a menina nem sabe que morreu. Como você diz para uma criança de aparentemente uns sete anos que ela está morta?
—Você se lembra do que aconteceu?
—Não. Eu só quero achar a minha mãe.
—Tudo bem. Vamos encontrar a sua mãe. Eu prometo.
P.O.V. Félix.
Ela estava agachada no chão falando com o nada. Então se levantou e estava chorando.
—Não estava falando com o nada. Eu sabia que vocês eram sujos, mas... matar uma criança? Sério?! Uma criança?
—Do que está falando?
—Estou falando da garotinha de mais ou menos uns sete anos carregando um ursinho que está morta. Mas, não atravessou. Como você diz para uma garotinha de sete anos que ela está morta?
—O que?
Ela estava transtornada.
—Você sabe o que é um fantasma Félix?
—Sei. Espera, você viu um fantasma?
—Fantasmas. Plural. Os corredores estão explodindo com eles. Homens, mulheres e até mesmo uma criança.
Depois de desfazer as malas, levei-a para o salão dos Tronos.

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