Notas iniciais
https://youtu.be/hKx1dwPKnGU-Renesmee ataca Félix. https://youtu.be/ZvMApgjbGC8-Renesmee deixa sair.

P.O.V. Renesmee.

Este lugar me afeta de maneiras que não pensei que fossem possíveis. Me sinto irritada, triste, deprimida, estou com fome. Estou ficando doente.

E para tornar tudo pior... Aro quer avaliar as minhas habilidades de luta. E Félix quer uma revanche.

Até ai tudo bem.

—Então, o que há de errado com você?

—Nada, Félix. Estou bem.

—É nós dois sabemos que isso não é verdade.

Enquanto lutávamos conversávamos. Era como um treinamento.

—Está agindo estranho Cullen.

—E o que você sabe de mim?

—Você parece meio estressada e ansiosa.

Ele continuava me azucrinando.

—Eu disse que estou bem!

Coitado, voou longe.

P.O.V. Aro.

A rajada de energia atingiu Félix em cheio e o fez voar longe e cair estatelado.

—Ai.

—Tudo bem. Eu vou... sair pra dar uma volta.

Ela saiu correndo.

—Viu aquilo?! O que diabos foi aquilo?

—Imagino que tenha sido magia.

—Magia?

—Oh, minhas desculpas. Esqueci de mencionar. Renesmee Cullen é uma bruxa.

P.O.V. Jane.

O que?! Eu to passada.

—Uma bruxa, Mestre?

—Sim.

—Mas, bruxas não existem. Mestre.

—Acreditem, meus queridos. Fiquei igualmente chocado.

P.O.V. Alec.

Caminhei até que a encontrei no jardim. Podia ouvi-la respirando fundo. Ver o ar entrando e saindo pelas suas narinas. Ela caminhava nervosamente de um lado para o outro.

—Tudo bem. Só... preciso fazer como a Elisa me ensinou. Deixar o balão explodir. Deixar tudo sair.

Então... ela respirou fundo outra vez e gritou. Quando ela gritou... houve vento e uma rajada de energia saiu de dentro dela. O grito quase estourou meus tímpanos.

—Ok. Agora me sinto melhor.

Ai ela me viu.

—Meu Deus! Você está bem?

Eu não conseguia ouvir nada. Minha cabeça estava girando, meus ouvidos zumbindo.

—Alec? Alec?

Senti-a pegar na minha mão. Na verdade ela agarrou meu braço com as duas mãos. Fechou os olhos e começou a fazer alguma coisa. Senti um calor se espalhando pelo meu corpo. Então... voltei a ouvir.

—Assinta Mulaf Hinto Sho Bala.

—O que está fazendo Cullen?

Perguntei puxando meu braço de volta.

—De nada por ter te ajudado a curar mais depressa.

—Eu não teria me ferido se você não tivesse feito... aquilo.

—Você não entende. Eu era uma bomba relógio. Esse lugar... me afeta de um jeito que... você não entende. Posso sentir toda essa... morte. A raiva, a fúria, o desespero. Posso literalmente sentir a morte. Ver as almas das pessoas mortas que vagam pelos corredores.

Ela se jogou na grama. E ficou esparramada lá, contemplando o céu.

Os pássaros estavam cantando de novo, o sol estava brilhando e ela ficava olhando para cima.

—Você realmente me assusta sabia?

—Porque? Certo. Athenodora.

—Não. Bem sim, mas você é como aqueles peixes... aqueles peixes que parecem mortos, mas podem descarregar veneno suficiente para matar um exército inteiro em meio segundo.

—Algo assim.

—Me diga, você fez algum pacto com o Satanás?

Ela olhou para mim como se eu fosse uma pessoa retardada.

—Se tá me sacaneando?

—Fez?

—Vou responder a sua pergunta com outra pergunta. Você dorme num caixão?

Não. Então imagino que a resposta seja não.

—Pois é. A resposta é não.

Ela se levantou e sentou-se no banco de pedra do jardim.

—Porque está me olhando assim?

—Assim como?

—Como se eu fosse alguém de outro planeta.

—Talvez porque eu nunca tenha visto uma bruxa. E você certamente não é o que eu esperava.

—E o que você esperava? Pele verde, verrugas, caldeirão e vassoura?

—Não sei, exatamente o que esperava, mas provavelmente se parecia menos com... você.

Ela riu.

—Sei o que fizeram com você e a sua irmã. Sinto muito por aquilo.

—Mm. Você não é culpada e eu não me lembro de nada.

—De um jeito isso é bom, mas também implica que você não lembra da sua mãe. Seu pai, sua família.

—Quando você era criança, tinha olhos castanhos.

—É. Agora são azuis. Não me pergunte porque.

—Mas, o cabelo ainda continua igual.

—É.

O cabelo dela era castanho avermelhado, cor de cobre. Igualzinho ao do Cullen. Quando era criança era cheio de cachinhos, mas agora está mais liso. Não completamente, mas na raiz é liso e nas pontas fica levemente cacheado.

—O meu cabelo tem cachos, mas eu prefiro que fique liso. É mais prático. Não tome isso do jeito errado, mas... você tem uma namorada?

—Porque? Está interessada?

—Vai sonhando.

Disse dando um empurrãozinho em mim.

—Só me pergunto que mulher ou pessoa em sã consciência namoraria com você.

—Ai! Eu não sou tão ruim assim.

—Disse o cara de olhos vermelhos flamejantes e roupa preta que solta uma fumaça horrorosa pelas mãos.

—É trabalho, Cullen.

—É. Assassino de aluguel. Sabe, essa sua coisa pode ser usada para o bem. Tipo, sedar seres sobrenaturais que estão com dor. Porque você obedece ao Aro? Ele não é seu pai ou tio ou nada. Ele é um idiota.

—Ele me salvou.

—E? Tudo bem, ele salvou você e a Jane de morrerem na fogueira, mas... é a sua vida. Suas escolhas. Você não pode ser idiota a ponto de pensar que ele se importa com você. Certo?

Eu ri.

—E você tem muita coragem de me chamar de idiota.

—E o que vai fazer á respeito?

Disse me desafiando com um sorriso. Comecei a liberar a névoa e ela ficou em pânico e quando a névoa a atingiu seu olhar ficou perdido por cinco segundos até ela começar a gargalhar.

—Foi mal. Não consegui resistir. Ainda posso te ver e te ouvir e tudo isso ai.

Realmente, o olhar dela estava focado em mim. Então ela fez uma expressão de nojo.

—É. A fumaça tem mesmo gosto de baunília, é uma coisinha enjoativa. Quer parar com isso menino!

—Eu tenho mais de novecentos anos.

—Uau! Você tá bem pra sua idade.

Eu ri.

—Então, você é imune, como sua mãe.

—É.

Só que ela começou a ficar meio verde.

—Ai, para com isso. Tira esse negócio de perto de mim ou vou vomitar.

Eu retrai a névoa e ela se abanou.

—Credo. Coisinha enjoativa.

Enjoativa. A névoa era para deixá-la cega, surda e sem tato ao invés disso a deixou enjoada.

—Você é realmente uma forma de existência que eu não compreendo.

—Nossa! Como ele é cavalheiro.

Então, ela escalou o muro. Bem, foi um pulo e ela estava encima do muro olhando para o lado de fora.

—Nossa. Para um lugar tão desprezível, a vista é linda.

P.O.V. Renesmee.

Dava para ver a cidade inteirinha daqui de cima. O povo andando, falando no telefone, as casas, as pessoas, os carros.

E também dava para ver os guardas fazendo ronda ao redor do Castelo.

—Apreciando a vista?

Ele saiu do nada. Eu perdi o meu equilíbrio e cai.

Bem, teria caído. Se ele não tivesse segurado a minha mão e me puxado de volta.

—Obrigado. Sabe, eu tenho um coração batendo. E você quase me causou um infarte!

—Você e o lobo tem um romance.

—Esse é o seu jeito de dizer que ele é meu namorado?

—É.

—Então, sim. E você não respondeu a minha pergunta. Você tem uma namorada? Namorado?

—Eca! Não sou gay. Mas, sim tenho uma parceira. O nome dela é Ellie.

—Ellie. Gente chique é outra coisa né?

—Chique? Porque diz isso?

—Sei lá. Ellie. Parece nome de gente chique. Gente importante. Aposto que ela é uma patricinha. Ai, Alec, eu quebrei a minha unha!

P.O.V. Alec.

Disse fazendo um gesto de chilique. E eu ri.

—Tudo bem, é um saco quebrar a unha. Dói a ponta do dedo, mas... como vampira leva tipo dois segundos pra crescer de novo.

—Dói a ponta do dedo?

—É. Fica sensível. A gente não consegue relar nas coisas porque dói. Mas, você é um cara hétero então você não entende.

Olhei bem para as mãos dela e as unhas dela mais pareciam garras. Eram enormes e pontudas. Estavam esmaltadas e com base.

—Unha de bruxa.

—Rá, rá. Muito engraçado, mas chama Stiletto.

Estava pintada de francesinha e tinha uma pedra falsa grudada na unha do dedão. Ela era feminina, mas não... patricinha?

—Você troca de roupa?

—É claro que eu troco de roupa! Que pergunta.

—Ai, é que parece que está sempre com a mesma roupa. E sempre preto. Parece um comensal da morte.

—O que?

—Cultura popular zero ein, Volturi. Tem um mundo inteiro lá fora. Tá vendo? Os carro, as pessoa, as lojas? Se tá vendo aquilo né?

—É claro que eu to vendo Cullen.

—Você sabe o que é uma calça Jeans?!

—Sei. Não sou tão alienado quanto pensa. Como você virou uma bruxa?

—Não virei uma bruxa. Eu nasci bruxa. Meu vô e minha vó eram também, mas minha mãe é um aborto. Então para todos os efeitos ela era... humana. Mas, como nasceu numa longa linhagem ininterrupta de viajantes... eu sou uma bruxa.

—Viajantes?

—Pense nisso como... uma designação. Tipo, você é Volturi porque é parte do Clã Volturi. Não, espera... é mais complicado do que isso. Sou uma Bishop. Essa é a minha linhagem. Sou uma primogênita descendente direta de Bridget Bishop. Mas, meu povo são os viajantes. Caminhantes dos sonhos, do tempo, podemos até mesmo nos fazer passageiros dentro do corpo de outra pessoa.

—Como possessão?

—Mais ou menos. Começou como Blackwell, ai mudaram para Blake, depois pra Bishop.

—Então, Bridget Bishop era mesmo uma bruxa?

—Sim. A única que de verdade que já conseguiram pegar. Vamos, temos que descer.

Eu desci primeiro. Então ela pulou e eu a peguei.

—Você percebe que eu sou meio vampira certo? Podia ter aterrizado no chão sozinha.

—Eu sei.

—Cuidado, assim eu começo a pensar que é um dos mocinhos.

Essa foi a primeira conversa real que já tive com alguém que não era membro da alta guarda em séculos. Literalmente.

P.O.V. Renesmee.

Voltei para o meu quarto e decidi tomar banho. Já que estava suja de terra e grama.