A Garota do Cabelo Rosa

2 Capitulo 01 - Sentimento de Culpa


Notas iniciais
Oie amores, espero que esteja tudo bem com vocês e que aproveitem a leitura.

Dez Meses Depois

― Sério? Estamos em pleno século XXI e vocês ainda conseguem ter preconceito com a cor da pele? ― A garota perguntou irritada para um grupo de cinco pessoas que estavam parados em sua frente. ― Olha só, se eu ouvir vocês falando mal da minha amiga de novo vocês não vão querer saber o que irei fazer. ― Assim que terminou de falar a garota saiu puxando a amiga para longe daquelas pessoas.

― Não precisava ter feito isso.

― Precisava sim Ally, você não pode tolerar isso. ― Meredith falou ainda irritada, mas logo em seguida sorriu para a amiga. ― Além do mais, você é minha melhor amiga então é meu dever te proteger e vice-versa. ― Allison sorriu como resposta.

Meredith não percebeu que apesar do sorriso a amiga ficou totalmente sem graça com aquela frase, afinal Allison poderia ser tudo naquele momento, mas menos melhor amiga da garota em sua frente, não depois do que ela havia feito e continuava fazendo.

― Eu acho que mereço isso. ― Falou.

Meredith parou andar e olhou para a mulher de cabelos cacheados em sua frente. Ela não podia continuar se culpando pelo que havia acontecido um mês atrás, apesar de ter errado. Todos já erraram ou irão errar alguma vez e não merecem ser crucificados pelo resto das suas vidas por causa de seus erros, principalmente quando se arrependem.

― Ally, você não pode se crucificar por causa disso. Eu sei que Lucca nunca vai te perdoar por isso e ele tem razão, mas existem tantos outros caras pela faculdade e fora dela.

― Eu sei Mery. É que é complicado, ― Ela olhou em volta. ― e eu não quero ficar falando disso no meio do corredor da faculdade.

― Você nunca quer falar da sua trai… ― A garota parou falou de falar quando percebeu o olhar feio da amiga sobre ela.

Meredith bufou e olhou para as pessoas que passavam em sua volta. Seu olhar parou em uma pessoa que estava encostado na parede e conversava animadamente com seus amigos. Seu estômago embrulhou só de olhar para ele e como não bastasse o homem de vinte e três anos, cabelos negros e olhos claros a olhou também e piscou para ela.

A garota de cabelos rosa sentiu a comida dar cambalhota em seu estômago.

― Vamos andando, eu estou com fome. ― Allison falou puxando a amiga.

― Ally, eu não sei você mas eu tenho mais uma aula. ― Meredith falou voltando para realidade assim que saíram para o pátio da faculdade.

― É verdade. ― Comentou enquanto coçava a cabeça.

― E eu acho que o Sr.Smith vai me fazer repetir a matéria dele de novo. Acho não, tenho certeza.

― De novo? E a sua bolsa?

― Bem, eu tenho que ser uma aluna com notas esplêndidas para continuar com ela e o Sr.Smith não gosta muito de mim...Eu recebi um email da faculdade, me avisando que é minha última chance, se eu não passar no próximo semestre...

― Então você já foi avisada que reprovou, novamente?

― Sim. Eu estou indo para o quarto semestre e continuo fazendo uma disciplina do meu segundo semestre, se eu não passar no próximo vou ter que desistir daqui. ― Falou olhando em volta. ― Mesmo se conseguir um emprego, eu não vou conseguir pagar a mensalidade do meu curso e comer. E tudo culpa do babaca do meu irmão.

― E o dinheiro que você recebe todo mês?

― Só dá para comer e pagar o aluguel do quarto. ― Falou cruzando os braços e logo em seguida bufou.

― E se você trocar…

― Eu não vou dividir quarto com desconhecidos Allison.

― Mas é mais barato.

― Aquele idiota tinha que me expulsar de casa e me bloquear de quase tudo que foi deixado para mim. Como eu odeio ele. E vem cá esses quartos do campus não poderiam ser de graça não? ― Falou fingindo não ouvir o que a amiga havia falado.

Allison suspirou, a garota de cabelos rosa andando ao seu lado nunca iria ouvi-la.

― Você vai na festa de encerramento hoje? ― Perguntou mudando de assunto.

― Provavelmente não. ― Falou e olhou as horas em seu celular. ― Eu tenho que ir, nos falamos depois.

Meredith se despediu da amiga e saiu andando pelo pátio até o edifício em que teria sua última aula de mecanica dos solidos do ano. Não imaginava que um disciplina iria ser tão difícil de passar como aquela, Sr.Smith era conhecido pelos alunos por ser o pior professor que você tinha em Arquitetura durante a faculdade pois ele fazia de tudo para dificultar a disciplina que já não era fácil e para o azar de Meredith ela acabou discutindo com ele no primeiro dia de aula, por conta de um comentário ofensivo que o professor fez para um aluno no corredor. A garota as vezes era um tanto quanto impulsiva, principalmente quando ouvia comentários racistas, machistas e sexistas.

Suspirou assim que entrou na sala e constatou que só as primeiras carteiras estavam vazias, como o professor odiava atrasos todos faziam o possível e o impossível para chegar na sala antes dele. A garota se sentou na carteira na que ficava na parede que era a mais longe da mesa do professor e sentiu alguém cutucar suas costas.

Fechou os olhos, ela sabia quem era. Na hora que se sentou não percebeu que havia sentando na frente dele. Ela adorava a pessoa que estava a cutucando, mas há algumas semanas ele havia começado a ficar insuportável, então fazia de tudo para evitá-lo

― O que foi? ― Perguntou se virando e encarando um par de olhos castanhos.

Ele sorriu.

― Você...Ah, qual é Meredith é a última aula do dia e do ano, você não vai me dar uma chance, mesmo?

Ela bufou.

― Travis, eu já disse que não estou a fim de sair com você. Custa você aceitar isso? ― Perguntou um tanto quanto irritada. ― Você era mais legal quando não enchia meu saco com essas perguntas.

― Na época que eu te conheci você estava namorando, então guardei o quanto eu te achei bonita para mim mesmo.

Ela revirou os olhos e encarou o rapaz de cabelos platinados.

― Só cala boca, Travis. ― Falou assim que viu a porta se abrindo e Sr.Smith entrando na sala. ― Eh, há propósito, seu cabelo ficou horrível. ― Meredith se virou para frente e passou o resto da aula sem ouvir a voz de Travis, que provavelmente havia ficado ofendido.

Assim que a aula acabou a garota esperou todos sairem da sala para falar com o professor e não foi tarefa fácil. Afinal o professor havia pregado uma lista com o nome dos alunos na parede e todos os alunos que estavam com aquela famosa palavra escrita em vermelho queriam reclamar com ele. Depois que a última aluna saiu da sala quase levando uma cadeira junto com ela, Meredith se aproximou da mesa do professor. Ele a olhou feio.

― Eu não vou mudar sua nota, pensei que já soubesse disso.

― Eu não iria pedir isso, eu só queria saber se minha reprovação tem haver com nossa briga na minha primeira aula com senhor no começo desse ano.

Ele sorriu.

― Você acha que é por isso que você está reprovada pela segunda vez na minha disciplina?

― Eu…

― Você já se esqueceu que além de tirar nota baixa você perdeu uma prova semestre passado e agora nesse tirou notas baixa em quase todos os trabalho porque me entregou exatamente os mesmos do semestre passado?

― Você está me reprovando por 1 décimo Sr.Smith, eu tenho todo o direito de pensar que foi pela nossa briga.

― Senhorita Ferrari, você já pensou que o problema aqui seja você? Talvez você não sirva para arquitetura. ― A garota deu dois passos para trás. Não esperava que ouvir aquilo, principalmente de um professor. ― Você talvez devesse seguir os passos da sua falecida mãe. ― O estômago de Meredith revirou mais uma vez naquele dia.

― Minha mãe? ― Perguntou um tanto quanto nervosa com aquele assunto. Falar sobre a morte dos pais adotivos sempre acabava com ela no hospital.

― Minha mulher adorava ler a revista da sua mãe, pena que ela está decaindo desde daquele trágico incidente com o avião. A senhorita deveria fazer jornalismo e ajudar a revista e o blog da sua mãe se reerguer, porque acho que para arquitetura você não serve. Sem falar que sua mãe, lá em cima, iria ficar bem orgulhosa de você. ― Meredith não conseguiu responder o professor apenas deu alguns passos para longe dele e saiu correndo para o banheiro mais próximo.

A garota fechou a torneira e secou a boca com o dorso da mão. Odiava ouvir sobre a morte dos pais por causa daquele sentimento de culpa, que resultava nela abraçando o vaso sanitário por dias. Geralmente ele iria parar no hospital, por ficar fraca demais.

Olhou-se no espelho e secou as lágrima que ainda caiam. O professor não tinha o direito de falar aquilo para ela. Ele não tinha o direito de falar sobre sua mãe e sobre a revista e o blog dela que Kaique não estava sabendo comandar e também não queria vender. Sentiu o estômago revirar novamente por causa dos seus pensamentos e correu para a cabine do banheiro, mais uma vez.

Mais de uma hora depois ela conseguiu sair do banheiro feminino. Os corredores estavam vazios, porque os alunos já estavam no esquenta para a festa e outros estavam em aula. A garota deu dois passos e se apoiou na parede, estava fraca. Havia vomitado tudo que tinha e não tinha no seu estômago.

Enquanto a garota tentava voltar a andar viu um desenho, ou parte dele no chão. Com muito custo ela conseguiu se abaixar e pegar ele. Apesar do desenho estar rasgado ea conseguia ver que havia uma garota de costas e seu cabelo era curto e rosa pastel, exatamente como o dela há alguns meses, agora ele estava mais comprido. Meredith resolveu guardar aquele desenho rasgado, não soube o motivo de porque guardar ao invés de jogar no lixo, mas por um momento se sentiu bem vendo aquele pedaço de papel.

Ela olhou para saída do prédio, precisava de ar fresco, não podia ficar ali parada. E assim que desencostou da parede e começou a andar alguns pontinhos pretos começaram a surgir na sua vista e suas pernas perderam a força.

― Meredith! ― Ouviu uma voz conhecida chamar por ela antes de tudo ficar escuro.



Notas finais
Lembrem-se: eu não sou formada em língua portuguesa, na realidade na escola eu era péssima em português. Eu escrevo porque eu gosto e me faz bem, eu nunca tive o sonho de ter um livro publicado. Seu comentário será bem vindo ♥ Beijos!!