A Garota do Cabelo Rosa
3 Capitulo 02 - Deixe a menina em paz
Notas iniciais
― Você está atrasado. ― O ruivo comentou desviando a atenção do celular quando o amigo se sentou na cadeira de frente para ele.
― Você está olhando isso de novo? ― Joshua riu. ― Já pensou em buscar ajuda psiquiátrica? ― O ruivo bufou ao ouvir aquilo.
― Muito engraçado. ― Falou guardando o celular no bolso da calça. ― Eu só carrego ele porque o dono pode ligar.
― Já fazem dez meses que você achou esse celular e a garota nunca ligou. Você deveria era levá-lo a um técnico para formata-lo.
― Por que você se atrasou afinal? ―Perguntou mudando de assunto. Afinal nem ele não sabia o motivo de ter guardado aquele celular e muito menos de não mandar ele para formatar. Só sabia que sua intuição, e se é que aquilo existia, dizia para ele não fazer aquilo pois havia coisas importantes naquele celular bloqueado.
― Eu encontrei Eric quando estava saindo da faculdade.
Daniel bufou.
― Já falei que não gosto daquele cara. Ainda mais depois dos boatos que andam pela faculdade nas últimas semanas.
― Só porque você ouviu…
― Já discutimos sobre isso, eu não gosto de Eric e ponto final. Não é porque você é “amigo” dele que eu tenho que ser.
O moreno levantou a mão em forma de rendição.
― Não está mais aqui quem falou. ― A conversa foi interrompido pela garçonete que veio recolher o pedido de Joshua.
― Você, ― Começou assim que a mulher saiu. ― não disse que Travis iria vir com você? Aquele que deu em cima da sua namorada e você fez amizade com ele depois. ― Daniel falou provocando.
― Ele pediu desculpas porque não usamos aliança e ele não tinha como saber que ela estava namorando, por isso viramos amigos. ― Joshua explicou aquela assunto novamente. ― Sem falar que você também é amigo dele, então já pode parar de julgá-lo por causa disso. E hoje é o último dia de aula do semestre e do ano, aquilo está horrível. Você vai ver como vai ser a noite.
― Eu não sei se vou hoje para faculdade. Eu tenho que ir em casa ainda falar com meu avô e minha mãe, sobre aquela proposta.
― Você vai ficar mesmo? ― Joshua perguntou arqueando uma sobrancelha.
― Eu já me decidi. E se isso vai limpar aquela acusação que aquele velho nojento fez sobre mim a dez meses atras, eu fico mais seis meses aqui em New Dahlíla. ― Ele olhou para o amigo e bebeu um gole do seu café. ― E você embarca amanhã sozinho e volta acompanhado? ― Joshua sorriu. ― Você não deveria está sorrindo, ela perdeu a vaga na faculdade.
― Eu sei, mas...
Uma garçonete apareceu com o café de Joshua, atrapalhando a conversa dos dois amigos.
― Desculpem o atraso, eu queria falar com o professor para saber por qual motivo da minha reprovação.. ― Um rapaz de cabelos platinados falou se sentando junto com eles a mesa, enquanto o rapaz se sentava Daniel soltou uma gargalhada chamando atenção de algumas pessoas.
Travis e Joshua olharam para o ruivo sem entender nada.
― Desculpem. ― Falou tentando segurar o riso, mas não conseguiu e começou a rir novamente.
― Danny. ― Joshua chamou a atenção do amigo.
O garoto respirou fundo controlando seu ataque de riso e olhou para Travis.
― O que aconteceu com seu cabelo? ― Perguntou.
O rapaz suspirou
― Mais um para falar mal do meu cabelo.
― É que ficou…
― Diferente. ― Joshua falou cortando o amigo que estava mordendo o lábio inferior para não rir. ― Quem mais falou mal do seu cabelo?
― A garota que eu convidei para sair, de novo. E ele está assim porque perdi uma aposta. ― Falou tentando se explicar para os dois.
― Não sei quem é ela, mas ela deve ter bom gosto. ― Falou rindo.
― Danny. ― Joshua chamou a atenção do amigo novamente.
― Bom gosto. ― Travis riu. ― Ela é a ex namorada do Eric, talvez seja por isso que ela não quer nenhum envolvimento agora.
― Essa é a garota que fica te dando um fora toda santa semana? ― Daniel perguntou e o colega balançou a cabeça afirmando. ― Você não percebeu ainda que ela não quer nada com você? ― Perguntou um tanto quanto irritado. ― Você já está sendo inconveniente com ela e se ela for mesmo a ex de Eric e se aqueles boatos forem verdadeiros você está sendo muito, mais muito inconveniente mesmo.
― Calma, cara. ― Travis falou.
O ruivo olhou as horas e suspirou.
― Eu tenho que ir para casa falar com meu avô e minha mãe. ― Falou se levantando da mesa e logo em seguida olhou para Joshua. ― Vejo você depois.
― Se você não for para faculdade não pegue no sono só para não comparecer na festa.
Daniel deu um sorriso amarelo para o amigo e pousou se olhar em Travis.
― Deixe a menina em paz. ― Falou pegando o celular que estava em cima da mesa.
― Pode deixar.
Daniel abriu a porta do café e sentiu o vento gelado bater em seu rosto. Estava frio, muito frio na rua. Entrou no primeiro táxi que apareceu para a casa do avô, a mesma que ele morava a mais de um ano. Porém o caminho que era para demorar vinte minutos levou mais de uma hora, por conta do trânsito.
― Não pula. ― Daniel falou assim que abriu a porta e uma bola branca e peluda veio correndo em sua direção. A bola peluda não pulou nele, mas antes que ele fechasse a porta por completo ela começou a latir. ― Flora, não é para latir também. ― O ruivo falou com um quê de irritação enquanto passa a chave na porta.
― E como vai ser quando um ladrão entrar aqui? ― Um senhor que aparentava ter sessenta anos falou saindo da cozinha. ― Ela deve sentar e abanar o rabo para ele?
O garoto colocou a chave no bolso e olhou para o avô que tinha um meio sorriso no rosto.
― Você sabe que os vizinhos estão reclamando do latido dela.
― Que reclamem, que eu saiba não é proibido ter cachorros nesses prédio até porque eles também têm cachorros.
― Eu sei, okay? Mas, eles não gostam dela porque ela foi encontrada na rua, então quando menos chances ela der para eles implicarem com ela, menos reclamações teremos. ― Falou enquanto seguia para o corredor do apartamento, em direção ao seu quarto.
― Devia ter comprado um apartamento em uma área com menos gente de nariz empinado. ― Daniel riu. ― Sua mãe me avisou que já estava chegando ― O avô falou seguindo ele até o quarto e parando na porta do mesmo. ― para saber sua resposta, então... ― O mais velho suspirou e não terminou a frase.
Daniel se virou para o avô e olhou no fundo dos olhos dele. Olhos verdes, iguais os da sua mãe, iguais aos seus.
― Então o que senhor Richard? ― Perguntou.
― Seja educado com ela, Danny. ― O avô pediu e ele revirou os olhos. ― Eu também ficaria irritado se estivesse no seu lugar, mas você não pode crucificar ela para o resto da vida Daniel. Não sem ouvir porque ela fez isso.
― Você também foi enganado. Não te incomoda que a vovó sabia a verdade e você não? ― Ele perguntou enquanto tirava o celular do bolso e colocava sobre a escrivaninha.
Richard abriu a boca para começar a responder o neto, porém não conseguiu pois a campainha tocou.
― Sua mãe chegou. ― Comentou desaparecendo no corredor.
Daniel demorou um tempo ainda para sair do quarto. Fazia alguns meses que não via a mãe pessoalmente, a última conversa que tiveram havia sido um mês atrás por telefone, foi quando ela tentava fazer ele ficar em New Dahlíla ao invés de ir para Londres morar com o pai, que ele conheceu a quatro meses atrás depois de uma procura longa e cansativa por vários e vários meses.
Quando finalmente conheceu Alexander Back pessoalmente, o mesmo o convidou para morar um tempo com ele em Londres quando acabasse o primeiro semestre da faculdade. O garoto havia ficado super animado com a proposta do pai, tanto que já havia aceitado antes de falar com sua família, mas quando a mãe descobriu que ele estava em contato com o pai e ainda por cima pretendendo morar do outro lado do mundo teve um surto e pediu para ele negar a proposta e tentar ficar por mais um semestre da faculdade, que ele havia acabado de começar. Para ele ficar ela ofereceu tirar o caso de roubou que ele foi acusado injustamente de sua ficha criminal. Daniel não sabia como ela iria fazer isso, mas se ela fosse mesmo fazer isso ele ficaria por seis meses para agradar a todos, principalmente o avô, que também não estava contente com a ideia de perder o neto para seu pai biológico. Quando o semestre terminasse ele iria pegar o primeiro voo para Londres e iria estudar o que ele realmente quisesse e conhecer o pai mais afundo.
O principal motivo dessa urgência em ir embora era que Daniel não estava feliz naquela cidade e muito menos na faculdade. Ele sempre imaginou que assim que se formasse iria conseguir estudar fora da cidade e até mesmo do país. Um dos motivos da sua infelicidade era o curso que ele havia escolhido na faculdade, pois o curso que ele queria não tinha em New Dahlíla, então sua única opção que o faria desenhar um pouco era arquitetura e também era algo aprovado pela sua família, pelo menos ele achava isso.
O garoto finalmente tomou fôlego e saiu do quarto ainda meio sem jeito de rever a mãe.
― A mamãe não vem para o natal, você acredita nisso? ― Ouviu a mãe reclamar. ― A última vez que nos vimos foi natal pas…― Ela parou de falar assim que percebeu a presença do filho. ― Oi querido, ― Falou coçando a parte de trás do cabelo, o mesmo estava preso em coque mal feito. ― eu pensei que iria ter que esperar até às dez, quando você… enfim, já se decidiu? ― Ela perguntou sorrindo, mas Daniel conseguia ver que ela estava nervosa, acreditava que uma parte do nervosismo da mãe era por causa da avó que desde que se casou de novo não vinha muito visitá-los.
O garoto suspirou e cruzou os braços.
― Joseph consegue tirar mesmo aquilo da minha ficha? ― Perguntou e viu os olhos da mãe se iluminarem.
― Você está querendo dizer que vai ficar? ― Eliza perguntou abrindo um sorriso de orelha.
― Se você me entregar algo que comprove que Joseph conseguiu. ― Ele falou dando de ombros e continuou. ― Eu fico mais seis meses, mas isso não quer dizer que eu não vou morar em Londres. Isso quer dizer que eu vou tentar mais um semestre da faculdade e se não gostar eu pego o primeiro voo no primeiro dia das férias.
― Isso é ótimo. ― Ela falou juntando as mãos e rindo. ― Podíamos pedir algo para comer, o que acham?
Mas antes que algum dos dois conseguisse responder o celular de Eliza começou a tocar interrompendo a conversa. Daniel percebeu que o sorriso da mãe e sua cara de felicidade sumiu assim que ela atendeu o telefonema, foi substituído por preocupação. O garoto entendeu menos ainda quando ela saiu apressada do apartamento dizendo que não era nada demais.
Meia hora depois que sua mãe sumiu apressada o avô apareceu na porta do quarto com o telefone na mão.
― Eu vou pedir algo para comer, você quer pedir algo também? ― Perguntou.
― Não. Eu comi o resto da pizza de ontem que estava na geladeira, enquanto você estava no banho.
― Já vai sair?
O garoto balançou a cabeça afirmando.
― Joshua ia pegar carona com Travis, mas ele teve algum problema e não sabe se vai poder comparecer. Então eu vou ser o motorista substituto de Joshua. ― Ele olhou para o rosto do avô e balançou a cabeça enquanto ria. ― Essa sua expressão de quem comeu e não gostou é porque vou usar o carro que meu pai me deu ou porque vou a uma festa que tem bebida alcoólica dirigindo?
― Deve ser pela duas coisas.
― Não se preocupe, não estou muito afim de beber hoje ou iria de táxi. Mas, sobre o carro eu já evito de usar ele bastante para não ver a expressão de desgosto no seu rosto. ― O garoto se dirigiu para porta e parou na frente de Richard. ― Saiba que seria mais econômico para mim usar ele do que pegar algum transporte público todo dia. ― Falou e saiu do quarto.
― Se você beber uma gota de álcool que seja, não dirija. Ouviu?
Mas a única resposta que o mais velho conseguiu foi o som da porta de entrada batendo junto com um latido de Flora.
― O que Travis fez para parar no hospital? ― Daniel perguntou assim que Joshua entrou no carro.
― Ele levou uma garota que desmaiou no meio do corredor da faculdade para o hospital. Ele tinha voltado para a faculdade porque esqueceu a carteira em alguma das aulas que ele tinha hoje e quando estava saindo encontrou a garota já caindo no corredor. Eu acho que é aquela garota que namorou o Eric, a que ele vive convidando para sair. ― Joshua completou.
― E ele não ligou para os pais dela?
― Ele pegou o celular dela e ligou para o número que ela havia deixado em emergência, mas agora que ele chegou em casa e eu não estava afim de chegar muito tarde na festa.
― Então ele ainda vai na festa? ― Daniel perguntou.
― Claro. Agora dá para pisar no acelerador ou vamos ficar plantados aqui por muito tempo?
― Desculpa, é que… deixa para lá. ― Daniel falou ligando o carro.
Joshua olhou para o amigo e riu enquanto balançava a cabeça.
― Vai me dizer que achou que Travis iria perder uma festa por causa de uma garota?
― Não eu nunca imaginei isso, porém ele vive convidando ela para sair, achei que ele gostasse dela.
― Acho que não. Conhecemos ele há pouco tempo você menos que eu, mas eu acho que ele só corre atrás dela porque foi rejeitado e continua sendo rejeitado.
― Espero que ele me ouça e pare de incomodar a garota no próximo semestre.
― E você está preparado para aquela matéria no próximo semestre? ― O moreno perguntou rindo. ― Travis me disse que pelo menos um terço da turma, isso inclui ele, reprovou em Mecânica dos Sólidos.
Daniel sentiu uma sensação ruim só de ouvir o nome da disciplina. Sabia o que o pessoa da arquitetura falavam do professor e da matéria nos corredores.
― Será que podemos parar de falar de faculdade, por favor? ― Perguntou e não deu chance para o amigo responder. ― Então, você quer que eu vá te encontrar no aeroporto amanhã a tarde?
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