A Garota de Edmundo
6 Somente acredite.
Notas iniciais
-Oi, Eddie!
-Oi, Lizie!
-Tenho que te contar uma coisa! – peguei sua mão e levei até um lugar totalmente vazio.
Já haviam se passado meses que estávamos juntos, eu já havia feito dezoito e Lucia faria dezessete daqui sete semanas, depois daquela conversa na sala havíamos tentado de tudo, realmente de tudo e eu já não sabia mais o que fazer, havíamos levado ela a missa e falamos com o pároco , mas nada surtiu efeito, Pedro já havia desistido disse que Susana não tinha jeito, que ela nasceu assim e morreria assim, eu e Lucia não concordamos e continuamos a tentar, mas nada deu certo, então eu resolvi falar com Elisabeth, contar a ela toda a verdade, sobre Nárnia, sobre nós, sobre Susana e implorar que nos ajudasse, se ela acreditar em mim.
-Que foi Eddie querido?
-Tenho que te contar uma coisa sobre meus irmãos e eu!
-Estou ouvindo.
-Bom, na época em que a guerra estava acontecendo nossa mãe nos mandou para a casa do professor Kirke, se lembra dele? – já havia apresentado ela a ele.
-Sim, um homem muito singular! –se lembrando da visita e rindo – Mas a casa dele não é meio pequena para que mais de uma pessoa possa morar junto com ele?
-Sim, mas aquela não foi sempre a casa dele, ele tinha uma casa enorme e... – não consegui terminar de falar, não tive coragem.
-O que foi Edmundo? Está tudo bem? Não precisa me contar se não quiser.
-Não! Eu quero, mas por favor não me julgue, por favor!
-Claro.
-Um dia Lucia entrou no guarda-roupa, um de madeira toda detalhada que havia em uma sala. Agora que eu estou te contando que percebi o quão estranho isso parece, um guarda-roupa dentro de uma sala vazia, apenas o guarda-roupa.
-E o que você fez Edmundo?
-O que eu fiz?
-Você não pregou uma peça nela, você tem cara de ter sido uma criança arteira. Não é isso que você quer me contar?
Eu poderia ter dito sim, poderia ter inventado uma história e acabado com isso, teria sido mais fácil.
-Não, mas você está certa eu era uma criança arteira. Ela descobriu dentro desse guarda-roupa um novo mundo, Nárnia. – fiquei aguardando sua reação, mas ela simplesmente disse:
-Termine.
-Bom ela encontrou um fauno lá e quando voltou contou tudo a nós, mas nós não acreditamos nela, um dia ela foi de novo para o guarda-roupa e eu a segui, para pregar uma peça, mas era realmente real, realmente existia Nárnia... – e fui contando a ela sobre Nárnia e nossa primeira aventura a traição e nossa aventura com Cáspian e a bordo do peregrino da Alvorada.
-Então vocês eram reis, você e seu irmão, ambos os reis e suas irmãs, rainhas, mesmo não sendo casadas com vocês elas eram rainhas? E vocês cresceram lá, mas quando voltam é como se nada tivesse acontecido?
-É – vendo como isso parecia mentira aos seus olhos, que se encheram de lágrimas.
-E sua irmã deixou, simplesmente, de lembrar-se disso?
-É.
-Não é o mais certo dizer que talvez ela tenha sido a única que se recusou a me enganar.
-Elisabeth! – ela estava chorando.
-Edmundo, eu realmente queria acreditar nisso, mas eu não consigo acreditar que tudo isso é real, que você não está mentido para mim, me desculpe, mas eu não sou tão crédula quanto pareço. – ela deu as costas e saiu.
-Elisabeth, espere – disse correndo para alcança-la.
-Adeus, Edmundo. – ela se desvencilhou de mim e saiu correndo, eu não fui atrás ela precisava de um tempo para pensar, era o que eu dizia a mim mesmo me convencendo que ela não me abandonaria para sempre.
Dias se passaram e eu comecei a ler, sabe eu adoro ler, mas quando estou triste leio desesperadamente para tentar esquecer dos problemas. Pedro apareceu na biblioteca.
-Edmundo, lendo de novo? – não respondi.
-Sabe do que precisa?
-De uma namorada, sabe para se distrair – respondendo a própria pergunta com um olhar malandro – você tem dezoito anos, garoto, acho que precisa mais da companhia das garotas do que de livros, se você quiser, eu te apresento umas boas amigas minhas.
-Não, Pedro, pode ter certeza que essa é a última coisa que eu preciso. – eu nunca contei a ninguém sobre eu e Elisabeth, não que eu tivesse vergonha dela, só achei que não precisavam saber.
Ele me olhou estranho e a campainha tocou, fomos atender, era Elisabeth.
-Oi – disse meio bobo, não creditando no que via.
-Oi, Lizie, sentimos sua falta por aqui! – mas ela não o ouviu apenas me beijou como se fosse a fosse a última vez que íamos nos beijar, havia muita saudade naquele beijo e arrependimento. Se não me engano senti lágrimas escorrendo dos seu olhos.
-Edmundo, eu acredito em você e vou ajuda-los.
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