A Garota de Edmundo
7 A carta.
Notas iniciais
Pedro olhou para nós, deu um sorrisinho e disse:
-Então vocês estão juntos? Eu bem que desconfiava.
-Depois que as pessoas descobrem elas sempre dizem que já sabiam! – disse Lizie sorrindo.
-O.K. Vocês me pegaram, eu não fazia a menor ideia disso, mas fazer o que?
Ficamos em silencio durante alguns segundos.
-Ah, me desculpe Elisabeth, sente-se, por favor! Vamos todos entrar.
Eu ainda não tinha nada para dizer, estava meio chocado com toda a situação. Todos nós entramos e sentamos no sofá, Lizie do meu lado.
-Lizie... – disse meio inseguro do que ia falar – Se me permite perguntar... ãhh... não que seja uma coisa ruim...
-Você quer saber por que eu comecei a acreditar em você?
-É, o que vocês querem dizer por “acreditar”, Edmundo? – disse Pedro já suspeitando do que eu tinha feito.
-Eu contei a ela, sobre Nárnia!
-Eu sei de tudo, mas não se preocupe eu sei guardar segredo.
-Eu confio em você.
-Sério?
-Claro, você acreditou no meu irmão e está aqui querendo nos ajudar em uma causa que eu tinha desistido, você com certeza é digna de confiança!
-Ah! Obrigada – ela enrubesceu.
-Elisabeth, sabe uma coisa que eu estou pensando aqui comigo?
-Sim, Eddie.
- Que você esqueceu de nos contar como você chegou a conclusão que eu não estava mentindo.
-Bom, primeiro eu fiquei com muita raiva e não queria te ver nuca mais, mas depois que eu me acalmei, percebi que não fazia nenhum sentido eu não acreditar em você, afinal por que você falaria isso para mim se não fosse verdade, qual seria a finalidade, mas mesmo assim era muito difícil de acreditar nessa história, então noite passada eu estava em rezando quando eu ouvi uma voz que disse “Porque você não acredita em mim?” e um rugido, então eu entendi, era Aslam e você falara a verdade.
O quarto ficou em silencio, só havia o som de nossas respirações, então ouvimos o sininho das cartas, um sino que eu fiz que soa quando a portinha da caixa de correio é aberta. Pedro levantou.
-Com licença, Edmundo e Elisabeth.
Foi pegar a carta quando voltou entregou a mim.
-Está endereçada a você, é de Eustáquio.
Eu abri e li.
-Você pode nos dizer o que diz nela – disse Lizie.
-Claro...
“Querido Edmundo,
Respondendo sua outra carta , não, não tenho ideia do que fazer para que Susana acredite, é realmente uma pena, pensarei mais e se me ocorrer uma ideia eu te escreverei.
Como sabe minhas aulas já começaram há algum tempo e as férias chegarão em breve, então peço que me deixe “hospedar” na sua casa quando eu for passar as férias em Londres, só irei eu, estou ansioso por vê-los e contar as novidades de Nárnia, sim, eu voltei para lá, foi maravilhoso ver a terra de Nárnia, é realmente linda como nas histórias que você me contou. Trago também uma notícia triste de Nárnia, a morte de uma pessoa que todos amamos.
Estou ansioso em vê-los,
Eustáquio.”
-Carta de Eustáquio, Eddie? – disse Lúcia que acabara da aparecer na porta.
-Sim quer lê-la?
-Aham.
Ela veio e se sentou no chão do meu lado, eu lhe entreguei a carta a ela leu.
-Deve ser Cáspian. – murmurou.
-Que? – disse Pedro.
-Bom, a pessoa que faleceu, deve ser Cáspian.
-É, deve ser.
-Eustáquio foi para Nárnia sozinho? – Elisabeth reparou.
-Não sei, nada diz sobre outra pessoa ter ido.
-Estranho.
-É verdade – disse Lúcia – ninguém nunca foi a Nárnia sozinho.
-É mesmo – disse eu – mas por hora vamos deixar o assunto de lado, que eu tenho que responder a carta autorizando a hospedagem de nosso primo aqui, isso se todos estiverem de acordo.
-Sim – disseram Pedro e Lucia ao mesmo tempo.
-Bom – peguei um papel e uma caneta – Ei vocês repararam que mesmo que Eustáquio tendo mudado, seu estilo pomposo de escrever uma carta é o mesmo?
-Sim – disse Lúcia rindo.
Passado esse momento de descontração comecei a escrever e então Elisabeth disse:
-E se vocês se reunissem!
-Como assim? – Pedro fez uma careta, ele odeia reuniões, sentimento herdado das reuniões de Nárnia para guerras, era triste definir qual é a melhor maneira de matar seu adversário.
-Você podiam se reunir para falar das suas aventuras, escreve-las, discuti-las, interpretá-las, seilá, para falar sobre Nárnia.
-É – disse Lúcia – Podíamos ser os amigos de Nárnia!
-Que ideia maravilhosa, Lizie, você merece um beijo – e beijei sua bochecha.
-Vocês estão juntos? – Lúcia perguntou surpresa e após assentirmos disse – Eu sabia!
Pedro, Lizie e Eu rimos, não, gargalhamos com essa fala.
-O que foi? – perguntou Lúcia – O que eu disse?
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