A Garota Normal
34 Capítulo 32
Notas iniciais
– Bom dia. — Lara aparece na varanda.
– Só se for para você. — Digo voltando a atenção para o livro em minhas mãos.
– Muita enxaqueca? — Lara fala com uma expressão divertida. Não foi nada divertido.
– Quase vomitei. — Digo com uma expressão vaga. Eu me senti mal depois, mas quando eu tomei aquelas 'altas' doses eu sabia que sofreria consequências.
– É normal, seu organismo não está acostumado. Aconteceu comigo na minha primeira vez. — Ela disse soando como uma alcoólatra.
– Oieee! Como dormiram? — Karen aparece com três xícaras de café. Senta no sofá da minha frente.
– Ka, essa aqui tá de mal humor. — Lara diz apontando para mim.
– Claro Lara. Você fez ela tomar quase 10 doses seguidas. — Karen dispara em minha defesa.
– O QUE? 10 DOSES? — Eu largo a atenção do livro e o fecho com força. Olho para Karen e depois Lara. Fuzilo as duas só pelo olhar.
– Quase 10. Você queria mais! — Lara retrucou.
– CLARO EU ESTAVA BÊBADA! KAREN? — viro meu rosto para ela. Ela sussurra ''desculpa'' para mim.
– Calma Grace. Você já está bem. Toma esse café e você se sentirá melhor do que está. — Lara pega o café da mão de Karen e me entrega.
– Eu não estou bem. Eu posso ficar ainda pior. — Falo como se ficar com ressaca fosse a pior coisa do mundo. Está quase lá.
– Grace já são quase 8h. — Karen fala olhando no seu celular.
– Bebe logo. A mãe de Karen está quase pronta.
Pego a xícara e bebo tudo com um só gole. O café me cai bem. Espero que me faça bem.
x.x.x
– GRACE? THOMAS CHEGOU. — Lara grita da varanda.
Estou no quarto de Karen terminando de me arrumar. Estou com a mesma calça jeans de hoje de manhã. Troquei a blusa por uma baby luque de seda lilás. Passo a mão pelo cabelo e ele alisa mais ainda. Olho para o meu reflexo e pronto. Lá vou eu.
Saio do quarto de Karen e vou em direção a varanda. Thomas está sentado no bano que eu estava. Ele se levanta e sorri para mim. Eu dou um sorrisinho torto. Ele me abraça e minha cabeça fica sobre seu coração. Ouço as batidas aceleradas. Meus olhos se enchem de lágrimas. Aguenta Grace. Seja forte. Nos afastamos e ele segura minhas mãos.
– Dormiu bem? — Ele me pergunta.
– Bem? Não. Eu quase nem dormi. — Digo com uma expressão divertida.
– O que foi? — Ele sorri.
– Eu fiquei bêbada... — Falo baixinho, quase sussurrando.
– O que? Fala de novo. — Ele diz ainda com um sorriso largo.
– Eu fiquei bêbada! — Eu digo alto dessa vez. Ele arregala os olho e ri. Minhas bochechas coraram.
– Não precisa corar princesa. — Ele me dá um beijo na bochecha. — É difícil imaginar você bêbada.
– Eu me senti bem. Por um momento. Depois recebi um choque de realidade.
– Você podia ter me ligado.
– Era 5h da manhã.
– Não importa. Estou a sua disposição. — Ele abraça.
– Vamos crianças? — A mãe de Karen aparece na porta.
– Vamos. — Falo confiante.
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– Grace. — Ela pega minha mão e beija. Uma lágrima desce devagar.
– Mãe... você... está... — Eu dou uma pausa e a observo. Ela parece cansada e respira com dificuldade. Se o médico ontem disse que hoje ela estaria melhor ontem ela devia estar quase morrendo. Meu peito dói só de pensar. — se sentindo bem? — Eu pergunto finalizando a frase.
– Bem melhor do que ontem. — Ela não estava bem.
– Eu tô com saudade. — Falo.
– Dormiu onde meu amor? — Minhas mãe perguntou com tranquilidade.
– Na casa de Karen. A mãe dela foi muito boa comigo.
– Não me esqueça de agradecer a ela. — Ela dá um sorrisinho.
– Nunca mais faça isso comigo. Você me deixou muito preocupada. Não vai acontecer de novo. Vou cuidar de você.
– Você está parecendo minha mãe. — Ela diz rindo.
– Vamos trocar os papéis de agora a diante.
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O médico pediu que ela ficasse mais 5 dias no hospital. Nesse período eu estava dormindo na casa de Karen. A família dela foi muita acolhedora. É uma coisa que eu nunca vou esquecer. Eu não fui para escola naquela semana. Eu estava muito preocupada com minha mãe. Então Thomas e Lara iam todos os dias me ver. Eles foram ótimos comigo.
Os cinco dias que pareciam uma eternidade se passaram e chegou o dia de buscar mamãe no hospital. A mãe de Karen insistiu em nos levar para casa e eu concordei pois minhas mãe ainda não estava cem por cento, e ir de carro era mais seguro. Chegamos em casa e minha mãe agradeceu a mãe de Karen por ter cuidado de mim. Quando ela foi embora, ajudei mamãe a subir as escadas para seu quarto. Ela logo adormeceu.
Entrei no meu quarto. Eram 3:00. Decidi ouvir música até minha mãe acordar.
x.x.x
Meu celular tocou.
– Princesa?
Eu estava dormindo, e quando ouvi a voz dele logo despertei de vez.
– Oi.
– Estava dormindo?
– Sim, mais não estou mais. — Dou uma risada.
– Senti saudades desse som.
– Desembucha Thomas. — Falo com um tom divertido.
– Está livre?
Olho no relógio, são 15:48. Minha mãe ainda está dormindo. Não vejo problemas em deixar um bilhete.
– Estou. Qual é o plano?
– Se importa de corrermos risco de ser presos?
– É perigoso?
– Sim.
– Estou dentro.
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