A Garota Do Cabelo Rosa
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Me levantei da cama, sentindo meu estomago roncar. É óbvio, quando você está em um genjutsu não come e nem bebe nada, e eu já estava com fome na tal ilusão... Olhei em volta. Nada que eu reconheça, exceto o outro idiota na cama do lado, ele estava quase dormindo, mas ainda assim resistia ao sono, fitando o teto branco como se fosse a coisa mais legal do mundo. Idiota.
Caminhei pelo quarto e olhei pela janela, estávamos certamente em um lugar seguro. Era um lugar alto, como o topo de uma torre, dali era possível ver as pequeninas casas e as pessoas, que daquela altura pareciam nada mais que formiguinhas vivendo suas pobres vidas medíocres sem saber o que se passava dentro desse lugar. Não os culpo, nem eu sei o que está acontecendo por aqui.
Girei a maçaneta, esperando que aquele quarto estivesse trancado, mas para minha surpresa estava aberto. Tenho certeza que o Uchiha também esperava que estivesse trancada, por isso tinha um sorriso no rosto, que se desfez assim que a porta abriu e ele saltou da cama, me empurrando e saindo dali já com a espada desembainhada.
Resolvi não dizer nada, apenas revirei os olhos e sai também, tomando cuidado para fechar a porta ao sair. Do lado de fora, estávamos em um longo corredor, que estava completamente vazio. O lugar era completamente fechado, por isso, luz do dia não havia ali, mas luz elétrica também não. Tochas eram espalhadas pelas paredes, dividindo espaço com quadros antigos e bem pintados, porém de cenas horríveis que me deram enjoos.
Cenas de lutas, guerras sangrentas com muitos mortos, como a luta que travamos dias atrás, na Vila da Chuva. Pessoas mortas por todos os lados, fogo sendo alimentado pelos restos de casas destruídas... A cena estava pitada com tanta perfeição que eu quase pude ouvir um grito agudo. Perai, quase não, eu ouvi mesmo, e vinha de dentro de uma dessas portas.
Na mesma hora abri a porta, reconhecendo a voz. Lá dentro, encontramos Naruto e Sakura, os dois desaparecidos pelos quais nós brigamos e quase jogamos nossas vidas fora, jogando xadrez. É, vocês leram direito, depois de nós quase morrermos para sacrificar nossa vida por eles, FILHOS DA PUTA ESTÃO JOGANDO XADREZ!
- Que merda é essa? – Sasuke perguntou, colocando a espada no pescoço de Naruto, ensando eu o loiro fosse uma transformação.
- Ficou com raiva só porque não te chamamos para jogar? Desculpa Teme, da próxima vez eu juro que te chamo! – se defendeu, chegando ainda mais para trás. Com certeza aquele idiota não era nem um tipo de transformação.
- Nos chamar? – perguntei, me aproximando deles. Olhei para Sakura, ela tinha os olhos presos em mim e uma expressão gélida, mas logo pude ver um sorriso cínico e malvado brincando em seus lábios bonitos.
- Vocês estão dormindo faz dias e... Sakura-chan não me deixou chama-los, a culpa é toda dela, se for para matar alguém, que matem ela – colocou a rosada a frente do próprio corpo. Kami, ele é mesmo muito retardado, colocando uma garota à frente de si...
- Há quanto tempo? – o Uchiha tirou as palavras da minha boca..
- Não sei, não contei... – a espada voltou ao seu pescoço e fez um corte pequeno, fazendo um filete de sangue descer por ali. – AH, SEI LÁ, TIRA ESSA COISA DAQUI, UMAS DUAS, TRÊS SEMANAS, NÃO SEI, AGORA SAI DAQUI! – berrou e saiu de trás dela, correndo para fora do quarto.
- Eu vou tentar tirar mais alguma coisa daquele Dobe e você... – olhou para a rosada, que não parecia nem um pouco disposta a falar – se vira.
E então ele também saiu, fechando a porta atrás de si. Suspirei comigo mesmo, tendo em mente muitas prováveis respostas para minhas perguntas, mas nenhuma delas parecia realmente se encaixar, o que só aconteceria se ela resolvesse falar.
- Por que não acordamos? – perguntei. Ela me olhou por um instante, mas logo depois desviou o olhar para as peças do jogo, as arrumando nos devidos ugares. Me aproximei e sentei onde o loiro estava minutos atrás. – Eu te fiz uma pergunta.
Ela simplesmente ignorou, continuando a fazer aquilo. Revirei os olhos. Ela não diria nada. Comecei a ajuda-la com aquilo, colocando as peças nos lugares certos.
- A cada peça sua que eu ganhar, você me responde uma pergunta, certo? – ela finalmente olhou para mim, mas eu continuei arrumando as peças.
- O mesmo vale para você, então – e deu uma risada estranha. Estranha porque não parecia nem um pouco com a risada feliz e sem pudores que eu conhecia como sendo a dela, ela fria, malvada, cortante. Aquela que estava ali não era a minha Sakura, era outra pessoa, uma pessoa ruim. Eu não entendia por que, mas tinha a chance de descobrir.
E começamos o jogo. Nem um dos dois afim de perder uma peça sequer. Ela não colocava nem ao menos um sorriso no rosto, estando completamente concentrada. Eu simplesmente não consigo entender o que aconteceu, o que aconteceu com ela para estar assim, como se estivesse acima de tudo e não se importasse com nada.
Bati uma palma, vendo que tinha conseguido “comer” um dos peões dela, que bufou de raiva.
- Por que ninguém nos acordou? – usei minha pergunta.
- Porque eu mandei que ninguém se aproximasse de vocês.
- Por que você fez isso?
- Uma pergunta por vez, querido – riu sem humor, voltando ao jogo.
Suspirei comigo mesmo. Só mais perguntas se formando em minha mente... Por que diabos ela mandaria que ninguém nos acordasse? Por que ela faria algo assim? Até vá ela ficar com raiva de Sasuke pelos anos que ela o amou e não foi correspondida, mas... E eu? Que merda eu fiz para merecer isso? Nada. NADA!
Ops, acho que devia ter prestado mais atenção no jogo e menos no meu dilema interno. Ela comeu uma das minhas torres. Sorriu para mim, vencedora, mas continuava não sendo o sorriso que eu tanto gosto de ver.
- Pode perguntar... – eu digo.
- Bem, vejamos, o que perguntar... – ela coloca a mão no queixo e finge pensar, mas é totalmente óbvio que já tem a pergunta na ponta da língua. – Ah, já sei! Por que você age como um moleque mimado, hipócrita e prepotente na frente de todos, mas quando chega seu tio Hiashi por perto, você fica como um cachorro adestrado e abaixa a cabeça para tudo que ele disser?
Eu não disse que ela tinha a pergunta na ponta da língua? Ninguém pensa numa pergunta como essa em tão pouco tempo... E nem em uma resposta. Mas se ela quer agir assim comigo, fria, distante, nesse jogo podem jogar dois.
- Em primeiro lugar, não ajo como um “moleque mimado, hipócrita e prepotente”, eu ajo de diferentes formas com diferentes pessoas, eu ajo com cada uma delas, como elas merecem, não abaixo a cabeça para Hiashi, apenas aceito que ele é meu superior e que merece o meu respeito, nada mais – ela cerrou os punhos, mas nada respondeu, voltando ao jogo.
Então era isso? Ela ainda estava chateada por causa do que eu disse para ela na frente de Hiashi? Quando vai se dar conta que não foi nada demais? Não tínhamos nada na época e não temos nada agora, embora agora eu realmente queira ter algo mais com ela... Mas na época não queria. Ela não pode entender isso?
Pronto, agora fiquei puto! E vou jogar com vontade... Bispo para rainha 4, é! Não faço a mínima ideia do que isso significa, mas sempre vejo os jogadores de xadrez dizendo isso ou alguma coisa parecida, mas... Eu comi a sua rainha, yeah!
- Por que não deixou que ninguém nos acordasse? – repeti minha pergunta, com um sorriso no rosto.
- Porque eu acho que vocês mereciam uma lição, e passar um tempo com quem você não gosta pode fazer muito bem para as amizades, sabia? – usou de ironia na ultima parte.
Ignorei. Merecíamos uma lição? Sasuke merecia, eu não, o que eu fiz foi apenas não contradizer o que o meu superior disse, eu não fiz nada demais, fiz apenas a mesma coisa que ela faria caso Tsunade estivesse, sei lá, humilhando o amor da vida dela Uchiha emo do caralho. Não adianta ela negar, faria a mesma coisa! E comeu um de meus cavalos. Tenso.
- Como é ser o pegador de Konoha e pensar que pode ter todas na palma da sua mão? – usou o dedo indicador para fazer um circulo na própria mão, rindo.
- O pegador de Konoha? Eu quase não saio com garotas, as que eu tenho por perto, é porque gosto de verdade – ela virou o rosto, tentando esconder as maçãs do rosto, que estavam levemente coradas.
- Como Tenten? – porra, essa aí sabe como cortar um clima!
- Uma pergunta por peça, Rosa – repeti sua frase, rindo. – Mas eu acho que essa merece uma resposta, com ou sem peça... Tenten é uma garota muito legal, divertida e luta muito bem, mas é grudenta demais. Além do mais... – levantei seu rosto para que ela olhasse para mim. – Não é ela que eu quero ao meu lado...
Ela tirou minha mão de seu rosto com um tapa fraco, mas ainda assim estava corada. Eu simplesmente adoro quando ela cora. Voltamos a jogar, mas foi até um pouco sem graça, eu logo comi outro de seus peões e já tinha minha pergunta na ponta da língua.
- Quem nos colocou em um genjutsu? – ela riu.
- Você poderia ter sido mais original... – comentou.
- Responda – ordenei com a voz firme.
- Fui eu, idiota.
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