A Garota Do Cabelo Rosa
21 Capítulo 21
Notas iniciais
- Você só pode estar brincando... – Sakura falou. – Passou a vida inteira tendo medo daquele velho ranzinza e agora, do nada, toma uma decisão dessas sem nem ao menos consulta-lo?
- Tenho tanto direito quanto ele de trazer amigos da família para dentro do clã – respondi, um tanto quanto entediado. É uma sensação ótima sentir um peso como aquele sair de minhas costas...
- Não, não tem não, ele é o chefe do clã enquanto você é só... – me olhou de cima a baixo – É só o Neji.
- É um dever do chefe do clã levar em conta a vontade de qualquer outro membro – me aproximei dela. Perto. – E mesmo que ele não aceite, não tenho medo de brigar com ele por isso.
- Isso tudo começou porque você não teve coragem de fazer nada quando precisou, o que te faz pensar que agora alguma coisa é diferente?
Segurei a ponta de seu queixo e levantei seu rosto, selando nossos lábios rapidamente. Precisava ter pelo menos o gosto da boca dela na minha enquanto enfrentasse Hiashi, e eu precisava fazer isso agora mesmo, enquanto ainda me restava coragem.
- A diferença é que agora eu tenho certeza do que sinto, e não tenho mais medo do que um velho sem sentimentos como ele pode dizer – ri. – Podem arrumar as malas e ir para o distrito, eu vou na frente conversar com o velho... – sai dali.
Coloquei as mãos na nuca enquanto andava e olhava para o teto. Não entendo mesmo qual foi a diferença entre tudo isso, porque eu tomei coragem agora e não antes. Talvez essa coisa que os escritores de livros melosos dizem é verdade, o amor deve mesmo mudar as pessoas. Acho que eu nem percebi e ele me mudou. Não sei dizer se para melhor ou pior, mas mudou.
Andei com calma pelas ruas de Konoha, é impressão minha ou as ruas estão mais claras? Quero dizer... É como se as coisas estivessem tão mais... Simples. Eu não deveria pensar assim, acabei de assinar um contrato verbal com uma briga feia que pode acarretar em minha expulsão do clã, e isso, com certeza, não é nada legal. Mas mesmo sabendo disso não consigo pensar que seja uma coisa ruim.
Fui primeiro a casa onde moro com Hinata, a porta estava aberta e ela estava deitada no sofá com a cabeça descansada no colo do Uzumaki, que afagava o cabelo dela enquanto os dois comiam pipoca e assistiam a um filme qualquer. Nem mesmo ver os dois juntos me irritou, acho que nada mais vai conseguir isso hoje.
Pigarreei, chamando a atenção dos dois. Hina deu um pulo de susto, deixando a pipoca cair. Se virou para mim com o rosto completamente corado, enquanto Naruto coçava a nuca, em jeito.
- N-Não é o que está pensando! – se justificaram ao mesmo tempo. O que eles acham que eu estou pensando? Não está acontecendo nada demais gente, é só um filme! Acham mesmo que eu sou tão paranoico assim? Todos sabemos a resposta. Sim. Mas não hoje.
- Não importa o que eu estou pensando ou não, vocês façam o que quiser – arregalaram os olhos e eu ri. – Só vim aqui avisar que vamos voltar para o Distrito, podem fazer as malas e levar para lá?
- Por que estamos voltando?
- Porque a família da Sakura estava com problemas e eu ofereci abrigo lá, não posso deixa-los aguentando o mau humor matinal daquele velho sozinhos...
- E por que eu tenho que fazer as malas? – o loiro perguntou de braços cruzados.
- Porque assim conseguem mais tempo sozinhos longe do Hiashi... Se não querem eu posso pedir para fazerem isso por vocês e...
- Tudo bem, pode ir! – falaram juntos, me fazendo rir.
Fechei a porta e voltei a andar pela vila. Esses dois realmente tem alguma coisa. Algo forte demais para que apenas eu possa impedir, então... Por que perder tempo? Me surpreendo apenas que tenha levado tanto tempo para perceber isso. É só eu colocar câmeras nos quartos e impedir qualquer coisa maior do que um simples namorico antes do casamento que ficaremos felizes!
Virei uma rua e cheguei à frente do Distrito Hyuuga, onde todos ou quase todos os Hyuugas vivem. Adivinha quem eu encontro na porta? Sakura e seus pais com pequenas malas – com as poucas coisas que lhes restaram do incêndio -, sendo barrados e impedidos de entrar adivinhem por quem? Sim, por ele, Hiashi.
- Vou perguntar outra vez: quem os mandou aqui? – ouvi-o perguntar de longe.
- E eu vou responder outra vez: Neji – a rosa respondeu.
- Pare de mentir garota, é óbvio que Neji nunca faria isso, ele é tão fraco quanto se pode imaginar, nunca faria uma coisa assim sem antes me consultar, e mesmo assim, é óbvio que eu diria não – deu um sorriso maligno.
- Então eu sou um fraco? – berrei, me aproximando ameaçadoramente. – Eu sou um fraco você diz! Mas é claro que eu sou um fraco, qualquer um que é diferente de você, você diz que é fraco! Qualquer um que é capaz de amar ao contrário de você, é fraco, não é?
- Ah, então é esse o problema, não? O idiota caiu na lábia da vagabunda e se apaixonou... – ele riu. – Posso esclarecer uma dúvida? Ela se deixou levar para a cama antes ou depois da missão?
O sangue me subiu a cabeça e quando me dei conta do que estava acontecendo, eu tinha dado um soco certeiro no queixo dele. Um filete de sangue descia lentamente de seus lábios, mas ainda assim ele mantinha um sorriso no rosto.
- Está mostrando as garras, Neji?
- Estou defendendo a mulher que amo, coisa que você nuca vai entender, porque não ama ninguém além de si mesmo!
Ele não respondeu, seu sorriso apenas se alargou, mas não era mais um sorriso zombeteiro, era um sorriso real, de felicidade, coisa que nunca imaginei que poderia ver no rosto daquele homem. Sua postura novamente se ergueu e ele entendeu uma mão para mim.
- O que é que vai fazer agora? – perguntei.
- Te cumprimentar por finalmente ter aprendido a agir como homem – e foi como se uma lâmpada ascendesse em cima de minha cabeça enquanto eu apertava a mão dele.
Ele tinha feito tudo aquilo, tinha sido contra, tinha humilhado Sakura, tudo isso, esperando que eu amadurecesse ao ponto de poder encará-lo cara a cara como homem para a defender. O pior de tudo isso é que faz sentido. E pior ainda é que eu nunca percebi. Quem diria que Hiashi olhava para esses pequenos detalhes... Ele é um gênio.
- Eu estava apenas esperando você me enfrentar para permitir que fiquem juntos de verdade – continuou falando. – Nunca deixaria alguém desonrar o clã Hyuuga por não saber como defender uma mulher – se virou para a família. – Me desculpem pelo modo rude com que falei com vocês, principalmente com você, Sakura-san, mas saibam que tudo isso foi para o crescimento de meu sobrinho.
- Nossa... Que complicado... Ainda bem que tivemos uma menina, não é amor? – o homem perguntou a esposa, fazendo todos rirem.
Ajudei-os a carregar as malas para dentro enquanto conversávamos sobre coisas banais a caminho de uma das casas vazias que tinha por ali. Acho que nunca antes me senti tão leve quanto naquele momento... Sem Sasuke, sem Hiashi, com Tenten longe, ninguém para nos impedir ou separar.
Logo o tempo passou e os pais dela foram para um dos quartos e meu tio foi embora. Sim, finalmente consigo pensar que ele seja meu tio. Estávamos a sós. Apenas eu e ela, ela e eu.
- Gostou da casa? – tentei puxar assunto, me sentando na cama dela. Sim, estávamos em seu quarto, ela colocava as coisas da mala no armário.
- É... Bem... Eu preferia a minha antiga, mas... Dá pro gasto né? – rimos.
- Mas aqui você tem uma coisa que na sua casa não tem...
- Um idiota me enchendo o saco vinte e quatro horas por dia? – sorri.
- Um idiota que enche o saco e que beija muito bem... Quer experimentar? – ela revirou os olhos.
- Você é meio convencido, não acha? – ela caminhou até mim.
- Vai dizer que não acha que eu beijo bem? – riu. Me levantei, ficando frente a frente com ela.
- Só não digo a verdade porque você fez hoje uma coisa muito legal... – passou os braços ao redor do meu pescoço.
- Ah é? Eu fiz... – coloquei as mãos em sua cintura. – Não acha que eu mereço uma recompensa por isso?
Ela apenas sorriu, me beijando finalmente. Um beijo de verdade. Nossas línguas dançavam a mesma melodia no mesmo ritmo, o gosto viciante da boca dela na minha, o cheiro de cereja do seu cabelo se impregnando em mim e eu não precisava de mais nada.
- Então estamos bem outra vez? – perguntei.
- Não sei... Acho que vou ter que experimentar outra vez...
Sorri e nos beijamos outra vez, e agora eu tinha certeza que estava tudo bem.
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