A Garota Do Cabelo Rosa
22 Capítulo 22 - Epílogo
Notas iniciais
Dois meses depois...
E dois meses se passaram desde aquele dia, e desde então muita coisa aconteceu. Deixe-me te colocar à par dos acontecimentos atuais: hoje eu e Sakura fazemos dois meses de namoro. Sim, naquela noite eu a pedi em compromisso e estranhamente ela aceitou. Mas não foi apenas isso que aconteceu nesses dois meses, faz um mês e meio, quase dois, que Sasuke admitiu que gosta da ruiva histérica e eles começaram alguma coisa séria, o que eu acho ainda mais estranho, porque só de ouvir a voz daquela garota eu já fico enjoado.
Bem, gosto não se discute!
Além disso, Tenten e Lee estão “ficando”, mas eu duvido que seja apenas isso, rodam por toda a Konoha boatos de eles estarem ficando há quase quatro meses, se pegando pelos cantos e coisas assim, mas não tinha admitido nada porque ela não deixou. Claro, se fosse eu no seu lugar também teria vergonha de admitir que gostava de um garoto que parece que cortou o cabelo com uma tigela de pipoca como base, mas... Deixa.
Estranhamente, e realmente estranhamente, é sério, é muito estranho, nunca pensei que uma coisa assim fosse possível de acontecer, talvez em histórias de ficção ou até de fantasia, mas nessa vida, nesse mundo, eu realmente nunca pensei que pudesse acontecer. Hinata e Naruto estão morando juntos. Sim, você leu certo, eles estão morando juntos, na mesma casa, longe de Hiashi, e com o consentimento dele. Não estão bem sozinhos, é que o velho encontrou uma viúva qualquer e se casou com ela, e como não queria ficar com a pirralha – leia-se Hanabi – deu a permissão para que morassem com ela, sabendo que qualquer coisa que eles tentassem, a garota impediria.
A família da Sakura pode voltar para a casa recém-construída deles, e infelizmente ela teve que ir também, mas mesmo assim quase nada mudou. Pelo menos não entre nós. É como se a cada dia que passasse, nada mudasse entre nós. E as coisas ainda continuavam firmes e sempre tínhamos algo para conversar. E mesmo depois de tanto tempo ainda haviam segredos e coisas que não dividíamos com ninguém.
E é por isso que eu chamei todos hoje aqui. Todos mesmo, todos os nossos amigos, estamos todos sentados no chão em um circulo nem um pouco perfeito, com um chinelo tamanho 44 no centro.
Verdade ou consequência, conhece?
Eu não conhecia esse jogo, na verdade ainda não conheço, mas como foi a minha namorada – como é bom poder dizer isso... – quem disse para eu me sentar aqui, do outro lado da roda, aqui estou eu, como o namorado idiota que nunca pensei que fosse ser algum dia.
- Como é que se joga isso mesmo? – perguntei, chamando a atenção de todos ao redor, Ino ria de mim. É impressionante o quanto ela consegue ser irritante até em silencio.
- Pela terceira vez – Karin se intrometeu – você gira o chinelo, desse lado – ela apontou – você pergunta, e desse, a pessoa responde.
- E eu posso perguntar qualquer coisa?
- Depende – Ino continuou -, você dá duas opções à pessoa, verdade ou consequência. Se ela escolher verdade, você pode sim perguntar qualquer coisa, mas se escolher consequência, você pode desafiar a pessoa a dizer ou fazer qualquer coisa.
- Então... Na verdade você pergunta, e na consequência desafia? – ela assentiu. – Então não seria melhor chamar de pergunta ou desafio?
- Dá mais para interrogatório ou sacanagem... – Hinata riu.
- Podemos começar? – Sasuke perguntou, impaciente.
- Eu mesmo começo! – Naruto deu passos para a frente e girou o chinelo. Caiu com Sasuke pergunta e Tenten responde.
Hm, vai dar merda. Sei lá, só acho.
- Então... Verdade ou desafio? – ele perguntou, com um sorriso que mostrava já saber o que fazer nas duas opções. Aquele sorriso me assusta. E pelo visto a ela também.
- ÉÉ... Verdade – acho que eu também teria medo do desafio.
- O que estava fazendo na nossa missão meses atrás? – ah, é verdade, alguns mistérios ainda não tinham sido desvendados, lembra? Esse é um deles. Não tínhamos nem como perguntar a ela, passava semanas longe em missões ou horas em algum lugar que ninguém sabia onde era, por isso os boatos de ela estar com o Lee.
- Missão? Que missão? – estava atordoada. Estranho.
- Você sabe, aquela missão onde estávamos indo acompanhar um Senhor Feudal até a Vila da Chuva e você apareceu em um dos dias do nada com uma desculpa estúpida...
- Acho que você deve estar me confundindo com alguém... Aquele dia eu estava com o- Estava ocupada. – ela ficou vermelha ao falar aquilo. Tenten. Vermelha. Estranho.
Naruto bateu na própria testa, chamado a atenção dos outros.
- Você está mesmo confundindo Teme, aquela não era a Tenten, era a Sakura-chan usando um henge, lembra? Ela queria perguntar uma coisa pro Neji e... – o que se seguiu foi um soco realmente assustador por parte da Sakura no loiro. Ninguém sabia de onde ela viera. Ninguém sabia como ela conseguiu chegar ali tão rápido. Mas ela estava lá. E foi assustador.
- CALA A BOCA IDIOTA! – ela berrou, enquanto ele segurava o rosto com as mãos, quase chorando. Coitado.
- Naruto-kun... – Hina choramingou, ajudando o loiro.
- Ah é... Verdade... – Sasuke tinha o dedo no lábio enquanto pensava, tirando risadas de todos. – Consegue girar, Dobe?
- Acho que não consigo nem respirar... Gira pra mim, mô? – fez biquinho para a namorada e eu estava quase vomitando. Por que eles insistem em tornar o namoro uma coisa tão melosa? É broxante...
- Claro... Naruto-kun... – ela corou com o apelido. Eca. Foi até o chinelo e o girou. Caiu em Karin e Ino. A loira pergunta.
- Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Você beijaria uma garota? – a ruiva pensou um pouco.
- Desafio – mudou na hora. Um sorriso realmente assustador apareceu no rosto da loira.
- Bem... Vejamos... Eu te desafio a beijar uma garota na frente de todos – eu acho que a Ino tem um fraco por garotas que beijam garotas. Não que eu não goste, mas... Eu sou um garoto, tenho o direito de gostar, ela não.
- Quem? – suspirou.
- Tenten.
A ruiva olhou o namorado, que tinha um pequeno sorriso no rosto, a encorajando. Sim, qualquer garoto sonha com isso, que sua namorada tenha uma amante. Estranho, mas verdade. Tenten olhou Lee, que tinha um sorriso ainda maior.
Deu de ombros e se aproximou da morena, dando um selinho mais demorado do que o necessário. Hmmm... Bom de ver...
- Hm... Eu vou... – a morena girou o chinelo, que parou em mim e Sakura.
Finalmente, finalmente! Você não faz ideia de há quanto tempo espero por isso... Eu pensava em perguntar isso mais tarde, escondido, sem ninguém por perto para o caso de eu levar um fora, mas... Acho que na frente de todos ela não teria coragem de fazer isso comigo, teria?
Sim, teria, mas tenho que mostrar que não tenho medo disso e fazer alguma coisa.
- Verdade ou desafio? – perguntei, sem nem ao menos tentar esconder o sorriso no rosto.
- Desafio – ela também tinha um sorriso no rosto.
- Não, você tem que escolher verdade... – assim acabava com a minha ideia!
- Mas escolhi desafio, contente-se com isso e me surpreenda.
Revirei os olhos. Teimosia? Não, imagina!
- Te desafio a escolher verdade – agora quem revirou os olhos foi ela.
- Para de viadagem e diz um desafio.
- Bom... É... Te desafio... Hm... Não sei...
Respirei fundo. Era agora ou nunca.
Me levantei e coloquei a mão no bolso, tirando dali a pequena caixinha azul escura que tinha comprado ainda hoje e me aproximando dela. Assim que viu o que eu tinha em mãos, seus olhos se arregalaram e sua mão cobriu a boca, chocada. Estendi a mão e ela a segurou, puxei-a pelo braço e a levantei, enquanto isso eu me abaixei, ficando de joelhos.
Olhei para o chão, lembrando de todos os bons momentos que passamos juntos, todos os beijos, todas as brigas, o gosto da boca dela na minha... E ainda mais como deu trabalho para chegar até aqui. Essas lembranças me deram forças para encontrar as palavras certas.
- Eu não sei quando parei de olhar para você como apenas uma garota e comecei a te ver de verdade, ver o quanto você é uma garota inteligente e dedicada e gentil e... Uma garota não, você é uma mulher, é tudo o que eu sempre quis, mas nem ao menos sabia que queria.
Você me ajudou quando eu precisei e foi meu refúgio, me acolheu e me fez perceber que tudo o que eu pensava que estava certo... Na verdade não era nada. Tudo o que eu penso simplesmente se esvai quando eu olho para essa imensidão cor de esmeralda. Uma imensidão que eu quero conhecer cada vez mais, dia após dia, até o resto da minha vida.
Ela ainda não acreditava no que eu estava dizendo, eu não acreditava no que estava dizendo, ninguém ai acreditava. Mas mesmo assim eu estava dizendo. As palavras simplesmente fluíam. Era natural. Assim como o que eu estava sentindo por ela.
- Neji-kun... Você não acha que está sendo precipitado? – perguntou ela.
- Eu acho que nunca estive tão certo de uma coisa na minha vida.
- Mas estamos namorando há só dois meses e...
- E eu nunca estive tão certo de alguma coisa, eu sei que eu te amo mais do que tudo e que minha vida não vai ser completa se você não estiver ao meu lado. Não importa quanto tempo eu passe ao seu lado, sempre vou querer mais. Você é a minha droga, o meu vicio. Até sua teimosia... Quando você me irrita... Ou quando brigamos... Tudo, eu amo tudo em você. E tenho certeza que você sente a mesma coisa. Então...
Abri a caixinha, mostrando o pequeno anel com um diamante rosa na ponta para ela. seus olhos estavam marejados e eu não conseguia tirar o sorriso do rosto. De novo.
- Sakura Haruno, eu te desafio a se casar comigo, aceita?
Ela segurou minha mão e me fez levantar. Levantou um dos braços e eu pensei que fosse fazer como nos filmes, me abraçar e dizer mil juras de amor... Mas ela me deu um tapa forte no rosto que fez minha bochecha arder.
É, esse é um bom jeito de dizer não.
Me virei para ela novamente, e ela sorria.
- Isso foi por ser um completo idiota! – riu de si mesma, ainda chorando. E rindo ao mesmo tempo. Tem como entender as garotas? – Antes de te responder, tenho uma coisa para você também, uma coisa para te dizer.
Deu um passo à frente e puxou uma correntinha dourada do pescoço, tirando dali um colar com uma pequena flor de cerejeira. Igual a que eu dei a ela, mas branca.
-Eu... – começou. – Desde quando te conheci, só conseguia pensar em como você era um garoto frio, calculista e completamente imbecil – levantou os olhos para mim. – Mas com o tempo você conseguiu me mostrar que a idiota sou eu, por não ter conseguido resistir a esses olhos perolados perfeitos.
Também não sei quando, mas você estava lá. Sempre lá. Nos meus sonhos, nos meus desejos, em tudo o que eu pensava. Quando eu não queria pensar em nada, você estava lá, e quando você me magoou... Mesmo assim não conseguia te esquecer. E foi então que eu percebi que não podia mais fugir disso.
- Por isso comprei esse colar – puxou o seu rosa de dentro da camisa. – Para que possamos ser um pouco mais iguais – riu. – Mas eu acho que você foi mais rápido do que eu.
Sorri de volta para ela. A rosa chegou mais perto de mim e colocou o delicado colar no meu pescoço, um colar que eu nunca aceitaria e que, obviamente, qualquer um me zoaria infinitamente por estar usando, mas agora, que sabem como veio, duvido que tenham coragem para isso.
- Então... – cocei a nuca, um tanto sem jeito. – Vai aceitar meu desafio ou não? – ela riu e colocou os braços ao redor do meu pescoço.
- Bem... Que tipo de garota eu seria se negasse um pedido tão lindo quanto esse?
Não consegui esconder o sorriso enquanto colocava o pequeno anel em seu dedo.
- É... Então... Somos noivos? – perguntou, vermelha até a raiz do cabelo.
- Somos mais do que isso. Somos amantes. Um casamento pode acabar, mas meu amor por você eu tenho certeza que nunca vai terminar. Nunca. Eu te amo, Sakura.
- E eu te amo, Neji.
E eu posso dizer que nenhum beijo antes daquele foi tão bom, perfeito e delicioso quanto aquele. Não éramos apenas amorados, éramos finalmente um.
Eu e ela.
Até o fim.
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