Notas iniciais
Paraíso dos Nacey kkkkkkkk Eu acho que esse capítulo não ficou muito bom. Vai explicar tipo 30% do mistério mais ou menos, dai pra frente acho que vocês vão poder ligar alguns dos fatos... Mas é claro que nem tudo eu vou contar porque tem que ter aquele choque no fim e tal hahaha
Espero que gostem

-... Você sabe o que tem que fazer. – A voz dizia para Nate. Era uma voz rouca, como alguém cansado.

- Eu não posso. Eu não consigo. Eu não quero fazer parte disso. – Ele falava entre espaços.

Eu não estava conseguindo prestar toda a minha atenção naquilo porque parecia que o meu coração estava batendo dentro dos meus ouvidos. O meu sangue virou chumbo nas minhas veias e senti aquela sensação terrível de adrenalina. Pisquei várias vezes para tentar não chorar.

- Ou você faz, ou estouro os miolos de Zacarias. – Não faço ideia de quem seja Zacarias. Pelo que sei, não há nenhum aluno da escola que tenha este nome. Será que é algum parente próximo de Nate? Ou até mesmo um amigo? Ficar sabendo dessas coisas não estava me ajudando. Eu não queria que o que Augustus estivesse falando fosse verdade. – Não vai dizer que trocaria a vida do seu irmão pela vida dela. – A palavra parecia ser contagiosa. Nate tinha um irmão e nunca contou a ninguém. Por quê?

- Vou entregá-lo a polícia. – Nate ameaçou.

- Não, você não seria tolo a esse ponto. – Ouvi passos dentro da cozinha. – Eu só preciso de um telefonema para que seu irmão morra. Quantos minutos a polícia demoraria a me encontrar debaixo de todos esses túneis, não é?

Achei que fosse gritar. Nate estava fazendo alguma espécie de negociação com o assassino. A pessoa que esfaqueou Penny, perfurou a barriga de Caroline, cortou o próprio Nate e atirou em Jacob. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
Um impulso dentro de mim me mandava invadir aquela cozinha, procurar alguma coisa pontuda e enfiar no peito dele, acabar de vez com essa onda.

- Por que você está fazendo isso? Matando adolescentes! – A voz de Nate estava falha.

- Porque eles tomaram o que era meu! A única coisa que eu tinha! – A voz do assassino era ao mesmo tempo gelada e afiada. Eu já ouvira aquela voz antes... E mais de uma vez... Mas não consigo me lembrar... Onde exatamente? – Eu quero que todos paguem pelo que fizeram!

Eu nunca tomei nada de ninguém. Então porque estaria sujeita a morrer? Questionei as nossas teorias conspiratórias... Se ele estava matando filhos de ex-alunos, os pais dos mesmos fizeram algo de errado. Sim, isto está claro... Mas o quê? Eu estou uma pilha. Não consigo entender nada do que está acontecendo e a cada dia que passa me sinto mais próxima da minha morte. Espero que Nate não esteja tramando-a agora, com aquele estranho. Pisquei várias vezes para tentar não chorar.

- Mas o que eles fizeram de tão ruim assim para que você queira matá-los a todo custo? – Nate falava baixo, ele estava pensando. Era assim que ele respondia suas dúvidas. Sussurrando as perguntas.

- Isso não vem ao caso agora. Mas então, vai matar a garota ou eu terei que fazer eu mesmo? Mas se tiver que fazer, seu irmão se juntará aos seus pais.

- Não ouse falar dos meus pais. – Embora eu soubesse que Nate estava desesperado, sua voz soava tranquila. Como quem tentasse manter-se sob controle.

- Acalme-se. – O assassino abaixou o tom de voz. – Estou te dando a chance de salvar seu irmão. Tem até o pôr do sol de sábado para se decidir. Agora, Nathan Glantz, está tudo em suas mãos. Não faça nenhuma bobagem. – Ouvi mais passos e um rangido metálico, como dobradiças enferrujadas. – Ah, já ia me esquecendo. Tome cuidado com o segurança particular dela. Ele está procurando uma oportunidade para despachar você da jogada. E se isso acontecer, o seu irmão morre do mesmo jeito. – Ouvi o rangido mais uma vez. Ele estava falando de mim. Para que Nate me matasse.

Alguma coisa me dizia que eu precisava correr de volta aos sacos de dormir. E rápido. Levantei o mais depressa que pude, minhas meias escorregavam um pouco no piso encerado do refeitório. Meus batimentos não poderiam acelerar mais ou teria um ataque cardíaco.
Quando cheguei ao saco de dormir, ouvi de longe a porta da cozinha se abrir, devagar. Cobri-me rapidamente e fingi estar dormindo.
Trinta segundos depois, Nate voltou e se ajoelhou ao lado do meu saco de dormir. Ele não disse nada, apenas ficou parado ali por um tempo. Depois de alguns segundos, senti a mão dele passando pelos meus cabelos. Elas estavam frias e trêmulas. Senti Nate se aproximando mais de mim, sua respiração fazia barulho e o vento quente roçava o meu pescoço. Uma gota de água ou até mesmo uma lágrima caiu na minha têmpora.
Ele levantou a mão que pousava em cima do meu cabelo e secou a lágrima.

- Eu não posso. – Ele sussurrou tão baixo que mesmo estando a centímetros de mim, quase não pude ouvi-lo.

Não conseguia imaginar Nate me matando depois de tudo que passamos. No primeiro dia quando ele invadiu o meu quarto, quando me chamou de Fiona pela primeira vez no refeitório, quando me mostrou onde ficava a sala história. Até mesmo quando levou uma facada nas costas para me manter viva. As visitas que fiz a ele no hospital, as piadas no café da manhã, as aulas de geografia juntos, o beijo que ele acabara de me dar a algumas horas atrás, ou até mesmo minutos. Nate não podia simplesmente me matar, podia? Eu me senti um pouco egoísta. E o irmão dele? Eu já estava condenada, de um jeito ou de outro. Mas não era justo que o irmão dele, um inocente, morresse por culpa minha. Nunca pensei que poderia me sentir assim, pensando no outro. Mas os dias que passei nesse internato, me forçaram a se preocupar com quem está do meu lado. Como uma família.

- Nate. – Eu me virei e olhei nos seus olhos, tão escuros... Eram como ônix.

Ele se assustou e afastou a mão. – Jacey, me desculpe eu não queria... – Ele disse, olhando ao redor.

- Tudo bem. – Eu estava reunindo coragem para proferir as palavras seguintes. Uma centelha de ódio acendeu em mim. Ódio por que uma pessoa queria que eu morresse por uma bobagem. Uma vingança que não o levaria a lugar nenhum. Ódio porque, quando finalmente encontrei uma pessoa que gostasse de mim não pela popularidade e dinheiro, e sim por quem eu sou, eu teria que morrer. Não era justo. Mas a vida nunca é justa, ouvi minha mãe dizer na minha mente. Chorar não ajudaria em nada. Mandar alguém resolver por mim não adiantaria. Meu dinheiro não poderia me salvar. O que me restava era desistir.
Não, eu ainda não aceitei completamente. Sempre há uma saída, certo? Custasse o que for eu a encontraria. Mas agora, largarei todas as minhas preocupações, Nate precisava do meu apoio. – Pode deitar aqui, se quiser.

Ele não disse nada por um tempo, depois, se amontoou dentro do saco de dormir de volta comigo. Seu rosto estava molhado de lágrimas e o nariz gelado.

- Você quer conversar? – Eu perguntei. Não acho que seria certo contar que ouvi toda a conversa. Pelo menos não agora. Não ali. Espero que Nate não resolva me matar antes que possamos pensar em uma solução.

Nate balançou a cabeça e afundou o rosto no meu cabelo. – Agora não. – Ele resmungou. Nate era do tipo de garoto que não gostava dos outros verem a sua fraqueza. Era exatamente como Augustus nesse ponto. A diferença era que Nate se escondia nas piadas e nas brincadeiras, Augustus se escondia na pose de machão.

- Está bem. Durma. – Eu disse baixo e segurei uma das suas mãos, que estavam tão frias quanto cubos de gelo.

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Nate adormeceu alguns minutos depois. Já eu, não preguei os olhos. Era a segunda noite seguida que eu dormira mal. Se continuasse assim, não sei o que poderia acontecer comigo. Eram pensamentos demais, coisas que o meu cérebro tentavam ligar para fazer algum sentido. Havia peças faltando deste quebra cabeça. Mas agora eu tinha uma ideia do que estava acontecendo. E tinha certeza de três coisas:
a) A nossa teoria sobre o assassino estar matando ex-alunos está parcialmente correta, exceto pelo fato que ele não está matando todos, só alguns.
b) O motivo envolvia vingança. “Eles tomaram o que era meu! A única coisa que eu tinha”, ele havia dito. Mas tomaram o quê? Não consigo imaginar alguma coisa que tenha tanta importância para fazer uma pessoa matar descontroladamente adolescentes de um internato, como se já não fossem infelizes o suficiente.
E c) Se não descobrisse quem era o assassino e não o prendesse até sábado ao pôr do sol, eu estarei morta. E talvez Zacarias também esteja, caso Nate não queira me matar.

Fiquei imaginando quantos anos ele poderia ter, se era parecido com Nate, se tinham os mesmos olhos estranhos. Eram tantos pensamentos que cai no sono sem perceber, quando o céu ainda estava escuro. Que horas eram? Quatro, cinco da manhã? Não importava. Dormi como uma pedra.

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Acordei algumas horas depois com Libby me chacoalhando levemente.

- Jacey, hora de acordar. Vamos perder o café da manhã. Eles precisam colocar as mesas. – Libby não estava mais com cara de sono. O que diz que ela acordou faz tempo. E eu continuei dormindo.

Estiquei os braços para lado e não encontrei Nate. Ufa. Ele deve ter saído assim que amanheceu. Sentei-me e senti a cabeça latejar. Falta de sono me deixava com enxaqueca de vez em quando.

- Libby, que horas são? – Perguntei ainda meio grogue. Só o meu saco de dormir estava no refeitório. Todos os outros alunos já haviam enrolado os seus e colocado no canto do salão, inclusive Libby. Levantei-me depressa e enrolei o meu também. O refeitório não estava tão cheio, mas todos podiam me ver de pijama. Que vergonha.

- São quase nove. Vamos. Você tem que escovar os dentes e trocar de roupa. A menos que queira passar o dia de pijama. – Ela disse, os óculos faziam seus olhos chocolate parecerem maiores. – Você está bonita de pijama, mas não acho que seria certo andar por ai de pijama... Você que sabe. – Já estava sentindo falta da Libby tagarela.

- Ai meu deus. Vamos logo. – Joguei o saco de dormir no canto e calcei uma pantufa que estava do meu lado. Libby me levou para o dormitório, fomos praticamente escoltadas por policiais até o lugar. Augustus me encontrou na saída do refeitório.

- Bom dia. – Ele falou para Libby e para mim. – Vocês demoraram.

- A Jacey quis dormir mais um pouco. – Libby justificou.

- A Jacey ainda quer dormir mais um pouco. – Eu disse, meio sonolenta.

Augustus sorriu.
O dia estava bonito, o sol brilhava no céu e os passarinhos da floresta ao lado do internato cantavam. Parecia tudo perfeito até eu me lembrar da noite passada e meu ânimo morrer subitamente.

Entrei no dormitório, escovei os dentes, vesti o maldito uniforme da escola e voltamos para o refeitório. Nesse meio tempo, todas as mesas já estavam em seus devidos lugares. Libby e eu pegamos a fila do café da manhã e sentamos-nos à mesa de sempre. Augustus nos acompanhou.

Enquanto eu mastigava o meu bolinho com nenhum apetite, Nate se aproximou da mesa com a sua bandeja e se sentou do meu lado. Ele passou o braço em torno dos meus ombros e beijou a minha bochecha.

- Mas o que é isso? – Augustus olhou para Nate confuso.

- As pessoas costumam beijar o rosto das outras, é uma espécie de oi. – Nate explicou. Ele se virou para mim. – Dormiu bem?

Ele sabia que eu tinha dormido bem porque dormiu do meu lado praticamente a noite inteira. Nate era impressionante. – Sim, dormi. – Eu sorri para ele. A nossa piada interna pareceu incomodar Augustus. Não queria que ele ficasse chateado ou algo do tipo. Ele gostava de mim e em algum lugar eu também gostava dele. Maldito coração indeciso. – E você? – Mesmo eu estando alegre por dentro, não consigo esquecer a conversa de ontem à noite. Nate também tenta, mas a sua expressão corporal o denuncia. Ele está cabisbaixo, seus movimentos estão mais lentos e seus ombros caídos. Ele ainda ri e faz piadas, como esta que acabou de fazer. Eu poderia cair fácil se não soubesse o que aconteceu, mas Augustus era outro caso bem diferente.

- Mais ou menos, estou com um pouco de dor nas costas.

- Eu também dormi bem, obrigada por perguntar. – Libby disse, com a boca cheia de bolo de baunilha.

Todos riram.
Alguns segundos depois, vi alguém se aproximando pela visão periférica.
Era Peter.

- Ahn... Libby. Pode vir aqui um minuto? – Ele disse do jeito “Peter” de ser. O cabelo castanho escorrido cobria-lhe os olhos cor de céu.

Libby se levantou e olhou para mim com uma expressão de “O que ele quer?”, como se eu tivesse todas as respostas. Ele a puxou pelo pulso até a porta do refeitório e depois sumiram do lado de fora.

- Vocês podem me dizer o que está acontecendo aqui? – Augustus indagou.

Nate e eu nos entreolhamos. Será que ele sabe que eu ouvi a conversa ontem? Ou será que ele apenas olhou para mim com relação ao beijo? Oh, céus. Tantas coisas em um dia só. Ou melhor, em uma noite só. Eu não podia falar nada para Augustus. Realmente nada. Ele está esperando algo para poder tirar Nate do jogo. E o assassino disse ontem que se Nate fosse pego, o irmão dele morreria e consecutivamente, eu também. Então, pensei em algo que poderia tirar a atenção de Augustus e de Nate e ao mesmo tempo, ajudar a resolver os crimes.

- Nós precisamos conversar com o professor Richard. – Lembrei-me de ontem, quando ele disse que eu me parecia com a minha mãe. Obviamente, ele fora professor dela também. Embora o professor Richard aparentasse quarenta e cinco anos mais ou menos, ele deveria ter bem mais do que isso. Mas eu tinha certeza de que ele sabia de algo.

- Por quê? – Augustus perguntou.

- Por que ele tem informações que precisamos.

Notas finais
Espero que tenham gostado...