Notas iniciais
Nacey *-* Sei que fiquei um bom tempo sem escrever mas não abandonei a fic não gente hahaha Ta ai, mais um capítulo explicando um pedacinho do pedacinho do mistério. Eu espero que gostem!
XoXo

Durante a aula, intervalos e almoço fiquei pensando loucamente em tipos de armas que poderia esconder por baixo do uniforme. Eu estava ficando paranoica? Não era de se duvidar já que assustava toda vez que alguém tocava no meu ombro ou chamava meu nome. Libby e Nate passaram o dia falando baixo na minha presença, Augustus também ficou meio calado. A presença dele me deixava um pouco mais segura, mas não o suficiente para dar um fim às minhas inseguranças. O dia foi longo e cansativo. Dormi nas duas últimas aulas e acabei tendo curtos pesadelos com armas brancas e pessoas saindo de esgotos. Tentei ignorar a sensação e aproveitar o tempo que me restava com os meus amigos.

Augustus havia dito que entregou as nossas “investigações” para a polícia, para que pudesse ser investigado profissionalmente. Ele disse que os detetives ficaram bastante interessados na parte que relacionava o anuário às vitimas e que iriam investigar com mais atenção os antigos alunos. Com certeza, minha mãe também seria interrogada. Mesmo que as investigações estivessem dando grandes passos em direção a solução do maldito mistério, eu ainda não conseguia compreender exatamente os motivos de alguém matar crianças. Se a teoria do anuário estiver correta, porque matar pessoas inocentes se o provável culpado são os pais? Que louco seria capaz de arriscar a própria liberdade só por isso? No fundo, aquilo cheirava a vingança. Mas o tempo deixará tudo mais claro.

O céu nublado ia sendo tingido aos poucos de azul anil conforme o tempo passava. Libby caminhava ao meu lado, conversando com Augustus sobre algum tipo de livro esquisito. Ela ajeitava os óculos pesados fundo de garrafa do rosto a cada cinco minutos. Ele andava tranquilamente e ao mesmo tempo alerta a qualquer movimentação estranha ao meu redor. Não era difícil perceber que ele fitava Nate a cada dez passos, desconfiando dele. Eu segurava meu caderno rente ao peito, tentava secar a mão suada na saia quando Nate a apertou firme. Virei rapidamente, esquecendo por um segundo que era ele quem estava do meu lado, não um assassino sanguinário. Os olhos dele estavam fixos nos meus. A mensagem era clara. “precisamos conversar. Longe de Augustus”. Embora a minha mão estivesse suando ainda mais que o normal, não de ansiedade, mas de nervosismo, Nate não a soltou. Pelo contrário, apertava-a ainda mais forte para que não escorregasse da sua.

Quando chegamos à porta do dormitório das garotas, Nate seguiu reto em direção ao dormitório dos garotos e se despediu de nós. Enquanto Libby e eu entrávamos, Augustus ficou parado na porta esperando até Nate sumir atrás das árvores. Não deixei de ficar nervosa.

- O que você pensa que está fazendo Augustus? – Perguntei.

Ele mirou os olhos azuis gelados nos meus. – Como?

Sim. Aquilo estava me irritando. – Você está desconfiando da pessoa errada. Pare. Nate não é o assassino.

Augustus não disse nada. Não ficou bravo, nem irritado, nem fez menção a dar uma resposta afiada em troca. Nada. Ele ignorou-me completamente. O que me fez querer explodir ali mesmo. Soltei o ar e puxei Libby para a sala da TV. Augustus, como um robô, nos seguiu.

Natalie e Alyss estavam jogadas nos pufes conversando, uma série de vampiros passava na TV. Duas meninas do segundo ano assistiam. Quando nos viram chegando, Alyss deu um toque discreto na perna de Natalie para que parasse de falar. Mas não fora discreto o suficiente para que eu não percebesse.

- Olá meninas. Sentem ai. – Alyss deu espaço no pufe para que Libby e eu coubéssemos. Natalie indicou outro pufe para que Augustus se sentasse.

Libby ajeitou os óculos mais uma vez e colocou os cachos teimosos atrás das orelhas. – Estavam falando do que?

Alyss e Natalie trocaram olhares. A primeira respondeu. – Vimos os pais da garota que morreu aqui na escola hoje.

- E eles não estavam nada bem. – Continuou Natalie. – Não sei se podemos... – ela olhou para Augustus.

Alyss me fitou com os olhos azuis em sinal de alerta. Alguma coisa dizia que o que tinham que contar, Augustus não poderia ouvir. Libby pareceu entender também. Augustus parecia mais perdido do que imaginava. Natalie fez um sinal com os dedos que indicava “depois”.

- Ah, fiquei sabendo que o time de futebol vai jogar amanhã contra o Internato Ben Stoneclock... – Libby cortou a conversa. Augustus abriu a boca, mas Alyss foi mais rápida.

- Sim! E adivinha quem vai jogar? Peter Miller e a trupe.

Começamos a falar de futebol e Augustus perdeu parte do interesse na conversa anterior. Ele começou a falar de futebol com Natalie e Alyss que sabiam mais do assunto do que eu pensava. A hora foi passando e então o sinal tocou para a hora do jantar. Todas as garotas e Augustus levantaram e foram em direção a saída, nós quatro andamos juntas até o refeitório.

O grande salão se enchia aos poucos de garotas e garotos de todas as idades. A fila ficava cada vez maior. Augustus estava atrás de mim, eu podia sentir a respiração dele batendo na raiz dos meus cabelos. Libby pisou no meu pé e balançou a cabeça em direção a ele. Entendi o que ela queria.

- É... Augustus?

- Oi? – Ele estava procurando alguém na multidão.

- Você pode ir lá na frente e ver o que tem para o jantar? – pisquei os olhos devagar parecendo inocente.

Ele estava desconfiando. – Não sei o que vocês estão tramando, mas não estou gostando disso. – E assim, ele saiu.

Esperamos uns cinco segundos até que Natalie soltou um grande “uffa!” – Continuando... Alyss e eu seguimos os pais da garota morta até a sala da diretora e ouvimos a conversa.

Arregalei os olhos. Pelo visto eu não era a única que saia por ai espionando e ouvindo conversas alheias.

- Sim e não é nada bom. A diretora Ross fez menção a um anuário e uma quarta voz na sala fez uma enxurrada de perguntas. Acho que era um policial ou detetive ou algo do tipo.

Eu e Libby nos entreolhamos. Por mais que confiássemos em Natalie e Alyss não era hora de criar pânico sobre o anuário. Até porque nós não queríamos que a pista se espalhasse. O assassino poderia ser qualquer um e não seria bom que tivesse conhecimento sobre até onde nós sabíamos.

- Bom, não conseguimos ouvir tudo, mas a mãe da garota disse que se mudou para o outro lado do país para tentar esquecer, mas teve que voltar por causa da morte dos avós. – Natalie prosseguiu. – Esquecer o quê nós não conseguimos descobrir, porém acho que tem muita coisa a ver com os assassinatos...

- Vocês têm alguma ideia sobre o que se trata esse anuário? – Alyss perguntou.

Eu chacoalhei a cabeça. – Não mesmo.

- Bom, nós também ouvimos algo sobre tirar Allan da escola, a mulher disse que não era seguro e que não queria perder o outro filho. Será que ele está sujeito a morrer? Será que tem alguma espécie de lista ou algo do tipo?

Eu abri a boca para responder, mas Augustus chegou. – Hoje tem filé de frango, arroz, salada de tomates, brócolis, couve-flor e para beber tem os mesmos sabores de suco de sempre. De sobremesa tem salada de frutas.

- Ah, muito obrigada. – Eu sorri como se nada tivesse acontecido.

De repente, Nate chegou e apertou a cintura de Libby que deu um salto, os óculos foram parar na ponta do nariz. – Não faça isso! – Ela ria.

- Cheguei, vou ficar aqui com vocês, a fila lá trás está muito grande. – Ele olhou para Natalie e Alyss e as cumprimentou.

Depois de pegarmos o jantar, sentamos os seis na mesa do canto. Todos riam, Nate que estava à frente fitou os olhos nos meus. Augustus ria loucamente das piadas de Alyss, Libby estava vermelha de tanto rir, já não saía mais som das suas risadas.

- Eu vou buscar mais ketchup. – Nate disse e se levantou. Ele fez menção para que eu saísse também.

Terminei de comer, já que tinha pego pouca comida e levantei depois de cinco minutos. – vou lavar as mãos no banheiro.

Ninguém percebeu a nossa ausência, estavam ocupados demais se divertindo. Augustus me acompanhou com os olhos até me ver sumindo atrás da fila, dava para sentir os olhos dele e de mais metade do salão nas minhas costas. Quando cheguei à porta do banheiro, fui puxada pelo braço para trás de um banner com dez dicas para se manter saudável. Era Nate, reconheci o perfume dele e me lembrei de semana passada quando ficamos espremidos dentro de um almoxarifado. Olhei dentro dos olhos castanhos escuros dele. “Olhos escuros. Grandes olhos escuros.” Dissera Caroline antes de morrer. Por um momento pensei se as preocupações de Augustus não faziam sentido. Mesmo que aquilo me fez sentir um pouco preocupada, não parecia certo que o culpado era Nate. Ele não seria capaz... E como ele mesmo poderia enfiar uma faca nas próprias costas? Não fazia sentido.

- Jacey... Não confie em Augustus. – Ele disse sussurrando, tão baixo que eu quase não ouvi. – Ouça o que estou dizendo. Não confie nele.

- Por quê? Ele está me protegendo, não me faria nenhum mal.

- Ele não faria, mas poderia ajudar alguém a fazer. Ele é muito novo para ser encarregado disso. Jacey, é sério. Eu já tentei entrar e não é tão fácil assim. Não confie nele. – Nate estava tão próximo que conseguia sentir o cheiro do tomate que ele acabara de comer. Eu balancei a cabeça, olhando nos olhos dele. – Isso ainda não acabou. Precisamos conversar mais. Jacey me encontre com as garotas no prédio da biblioteca sem que o Augustus saiba, mais ou menos às 3h. Pode ficar tranquila, eu descobri umas coisas que vocês precisam saber. Mas Augustus não. – Ele olhou para a multidão. – Tenho que ir, não demora tanto para pegar ketchup. – Ele deu um sorriso metidinho.

Eu balancei a cabeça de novo. Nate deu um beijo na minha testa e saiu em direção a fila de molhos. Esperei alguns segundos e voltei para a mesa.

Eles estavam do jeito que deixei. Nem notaram a minha ausência. A comida estava quase intocada no prato de todos. Sentei no meu banco e uns três minutos depois, Nate voltou com um potinho de ketchup.

Assim que todos terminaram seus jantares, voltamos para os dormitórios. No caminho da volta, Andrew, um dos amigos de Peter, puxou Alyss para conversar. Mais a frente, o outro amigo de Peter, Matt falava com Summer, uma garota com o cabelo loiro alaranjado. Peter e Louis andavam lado a lado atrás de mim, conversando. Libby andava mais a frente, de braços dados com Natalie, Nate andava ao meu lado, segurando a minha mão. Augustus, do outro, andava emburrado.

Não pude deixar de ouvir a conversa de Peter e Louis atrás de mim.

- Lou, você conhece o Matt, ele não vai fazer mal algum para a sua irmã. Ele é nosso amigo. Fica tranquilo... – Peter dizia.

Eu não sabia que Summer e Louis eram irmãos. Comecei a prestar mais atenção na conversa.

- Eu sei, mas se você tivesse um amigo que estivesse pegando a sua irmã, aposto que não ia gostar. – Louis disse, com raiva na voz. Ele tinha o mesmo cabelo loiro alaranjado da irmã e os mesmos olhos verdes aguados. Nunca tinha reparado a semelhança antes.

- Você tem que se distrair... – Peter fez uma pausa. – E a garota que você estava a fim? Não é aquela amiga da garota que o And tá pegando?

Ouvi-los falando assim de Alyss me deu vontade de bater a testa de um no outro, repetidas vezes até entrarem em coma.

- A Natalie? Eu não entendo essa garota. E a sua ruivinha nerd? – Louis riu alto. Com certeza estava cutucando Peter com uma piada antiga.

- Ah cale essa boca! – Peter dizia entre risos.

- Vou marcar em uma árvore as iniciais P e L, em memória desse lindo casal.

Alguém parecia ter jogado um balde de água fria em mim. Eles estavam falando de Libby!

- Cale a boca, não quero que a escola inteira saiba. – Peter disse. – Muito menos Matt e Andrew. Eles iriam me aloprar pelo resto da vida. Além do mais, isso não é da sua conta.

Agora sim, alguém pareceu dar um murro gigante na minha cara. Peter gostava de Libby! Peter gostava de Libby! PETER GOSTAVA DE LIBBY! Eu queria gritar, mas não podia. Os garotos pararam de falar, chegamos ao ponto em que o dormitório dos garotos era para um lado e o das garotas para o outro. Nate puxou a minha mão.

- Boa noite. – Ele disse ainda segurando meu pulso.

- Boa noite. – Eu disse. Mas sabia que nos veríamos dali algumas horas.

Embora eu tenha dado tchau para ele, Nate não soltou a minha mão, em vez disso me puxou e me abraçou subitamente.

- Jacey! – Augustus estava gritando um pouco a frente. – Vamos, já está ficando tarde.

- Eu tenho que ir. – disse e soltei a sua mão.

Caminhei lado a lado em silencio com Augustus até o dormitório.

Notas finais
O que acharam?