Notas iniciais
Terceiro capitulo da noite ( aproveitem que estou animada kkkkk) * a partir deste capitulo haverá trechos retirado dos livres para manter a veracidade da historia e acompanhar a mesma linha, com base nisso continuarei a historia de Nicéia* (Todos os direitos reservados)

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre alguma razão na loucura."
— Friedrich Nietzsche


Winterfell-Norte de Westeros


O corpo de Nicéia afundou na água morna sentindo o aroma de flores do campo em sua pele, assim como os dedos habilidosos de Eve massageando seus cabelos com óleos perfumados.
— O menino Bran ficara bem, minha Princesa — murmurou a jovem com carinho e compreensão.— O menino é forte, acredite e reze aos deuses que não o leve embora.
— Meistre disse que o pior ja passou —sussurrou movendo os dedos em circulo, formando pequenos redemoinhos na água. — Que se ele fosse morrer ja teria acontecido, mas me corta o coração ver Lady Catelyn daquela forma. Os deuses nortenhos são tão severos com seus filhos, céus ele é uma criança não deveria sofrer tanto.
— Tenho de concordar, minha princesa — sussurrou de volta. — Minha mãe sempre me dizia que não se deve interferir na vontade dos Deuses, eles sempre sabem o que fazem.
— Fazer com que uma criança caia em direção a morte não me parece muito justo — resmungou sentindo os dedos de Eve apertarem seus ombros.
— São os Deuses dele Princesa.
Nicéia assentiu suspirando, seu corpo afundou um pouco mais na água morna enquanto refletia sobre o quanto pode-se mudar em tão pouco tempo.
— Ficará comigo aqui no Norte? — perguntou movendo-se na banheira ate que seu rosto encarasse o de Eve.
— Sua graça me comunicou esta manhã, que mandara Alissa de volta a Lannisporto e que devo cuidar de você minha princesa — contou sorrindo. — Será uma honra ficar ao seu lado em Winterfell.
— Espero que Cella não se chateie com isso — murmurou sorrindo. — Afinal, vocês se davam tão bem, não gostaria de roubar a única amiga que Myrcella parece ter. Não desejo que minha irmã fique só naquela fortaleza, Joff não é muito gentil.
— Princesa Myrcella e eu nos damos muito bem, ainda sim é muito jovem — afirmou esfregando os cachos negros da Baratheon. — Cada segundo ao lado de sua irmã foram melhores do que boa parte de minha vida, ouso dizer que ficarei ainda mais feliz ao seu lado, lhe servindo minha princesa.
Nicéia sorriu.
— É muito gentil, Eve — agradeceu delicadamente. — O norte me parece cruel e rigoroso, mas com você ao meu lado as coisas serão mais fáceis.
— Robb Stark aquecera seu coração, minha Princesa — contou enquanto se ocupava em despejar mais da água morna sobre os cabelos de Nicéia. — Verá quando se casarem.
— Assim que a corte partir iniciaremos os preparativos — um resmungo baixo deixou seus lábios. — Gostaria que Bran melhorasse antes, gostaria que todos estivessem felizes.
— Converse com Lady Stark — aconselhou enrolando o corpo despido e molhado da Princesa em lã para que pudesse se secar. — Diga isso a ela, sei que entendera.
Um suspiro escapou por entre os lábios de Nicéia que não sorria. Apenas ocupou-se em observar os vestidos dispostas sobre a cama, enquanto Eve tagarelava sobre suas cores.


[...]


Nicéia não havia visto Robb desde a noite anterior, assim como não via Jon desde o anuncio de seu casamento com o herdeiro daquelas terras, exatos quatorze dias sem vislumbrar seus belos olhos negros como a noite.
— Irmã! — a voz ainda fina de Joffrey tirou-lhe atenção da curta caminhada ate o grande salão.
— Joff, o que houve? — perguntou gentilmente dando um leve sorriso ao se virar.
Os olhos verdes do rapaz brilhavam, assim como seus finos cabelos loiros, cabelos estes que Nicéia tanto invejava quando pequena.
— Mamãe me disse que voltaremos hoje para Porto Real — murmurou afrouxando o sorriso de seu rosto pálido. — Pediu para que procurasse tio Tyrion para o café. Gostaria de saber se o viu?!
— Não o vejo desde o jantar — mordeu o lábio pensativa. — Mas aposto três Dragões de ouro que vosso tio esta enfiado em algum bordel da redondeza.
Joffrey sorriu com a brincadeira, mas de certa forma concordou com a irmã. O Duende era conhecido por sua luxuria e seus gosto por putas de todos os lados, seja ela como for. O príncipe acreditava que apenas por bons trocados uma mulher sã, deitaria-se com alguém tão feio como Tyrion Lannister, contudo guardou tal comentário para si.
— Vou com cão de caça atras dele, não deve estar muito longe — apos tal afirmação salpicou um suave beijo na face bonita da irmã mais velha.
— Te vejo no café? — perguntou quando o rapaz ja virava o corredor de pedra a passos rápidos.
— Talvez.
Nicéia acenou e sorriu. Mesmo que Joffrey tenha mudado tanto nas ultimas primaveras, sentiria falta dele, acreditava que não tanto quando de Myrcella e Tommem, mas sentiria. Pensar nos irmãos apertava o coração da Baratheon, não os veria assim com tanta frequência, se afastaria deles por longos meses e teriam rápidas visitas. Nicéa sentiria falta dos Jardins da Rainha e da companhia de sua mãe, das tardes lendo com Myrcella e das historias para dormia que contava a Tommem, das aulas com Sor Barristan e da dança da água com a primeira espada de Bravos. Mas principalmente, sentiria falta do pai e tudo que lhe representava. Suspirou calmamente quando enfim alcançou as escadas que lhe guiariam ate onde seria servido o café.
O enorme estandarte cinza com um belo lobo se erguia por toda a parede, ao seu lado um candelabro alto iluminava aquele ponto. Em uma mesa longa e cheia de comida, estavam sua mãe, a rainha, Myrcella ao seu lado e Tommem ao lado de seu tio Jaime. Andou com um pouco mais de pressa e se sentou ao lado da mãe, não sem antes beijar o rosto do tio e afagar os cabelos loiros de Tommem, que lhe sorriu.
— Bom dia querida — murmurou Cersei com um belo sorriso nos lábios.
— Poderia estar melhor — comentou amuada.— Afinal, todos vocês partiram hoje.
— Mas poderá nos visitar quando desejar — Sor Jaime tentou amenizar com um leve sorriso nos lábios.
— Quero Bacon tostado, uma maça e um caldo verde com ervas — pediu a Aia ao seu lado que rapidamente assentiu começando a se afastar. — A claro, um chá de hortelã com mel, bem quente — completou sorrindo. — Não com tanta frequência, Winterfell é longe de Porto Real ou Rochedo — ironizou dando de ombros. — Não é como se pudesse montar em um cavalo e ir vê-los.
— Eu posso — gritou Tommem, dando um pulo sobre o banco. — Prometo nini, que sempre que sentir sua falta cavalgarei de Porto Real ate aqui e lhe trarei tudo que quiser.
Cersei sorriu tocada pelas simples palavras do filho, que foram tão doces, trocou um profundo olhar com Jaime que sorria da mesma forma.
— Posso vir junto, se mamãe permitir que eu possa ter aulas de equitação — Myrcella arriscou olhando rapidamente para mãe ao seu lado. — O norte pode ser um tanto longe, mas nossa saudade será ainda maior.
— Tenho certeza que algumas aulas com Jaime não lhe farão mal, não é mesmo irmão? — estimulou a rainha, trancando um rápido olhar com o irmão, apos ver os olhos esperançosos de Myrcella.
— Claro, podemos começar assim que estivermos em casa — afirmou o cavalheiro tomando um longo gole de sua bebida quente.
Nicéia sorriu com os olhos marejados e logo escondeu o rosto entre as mãos soluçando, a tristeza que se abateu sobre seu coração tão jovem a fez derramar grossas lagrimas enquanto sentia todo seu corpo tremular. Ainda achava cedo de mais para abandonar sua família, afinal possuía apenas dezessete primaveras e sem dizer que era a princesa, deveria poder escolher quando abandonar seu lar para viver em outro. Nos últimos dias ela aprendeu a não reclamar do marido que teria, Robb era um rapaz maravilhoso e demonstrava isso a cada por do sol, lhe presenteava com flores, passeios a cavalo, lhe apresentou toda Winterfell e lhe dava deliciosos beijos doces quando podiam. Pensou algumas vezes que o rapaz poderia estar verdadeiramente apaixonado por ela, o que a fez agradecer e rever seus sentimentos para com ele. Não negava as batidas fortes em seus peito e as contrações em seus intimo quando ele ficava tão próximo de seu corpo. Robb conseguia embriaga-la com seu cheiro e lhe tirar a sanidade com seus beijos e caricias.
— Oh minha doce leoa negra, não chore — a voz abatida da Rainha lhe chegou aos ouvidos, assim como suas delicadas mãos sobre seus ombros trémulos. — Não aguento vê-la tão triste.
— Gostaria que não fosse tão difícil — soluçou ainda com as mãos enterradas no rosto avermelhado.
— Posso falar com seu pai e cancelar este maldito casamento, nem que precise derrubar esta fortaleza — Cersei trincou os dentes e um sorriso triste desenhou-se nos lábios da princesa. — Seu lugar é ao meu lado, minha pequena leoa.
— Não mamãe — choramingou secando os olhos. — Meu lugar agora é ao lado de Robb, aqui no Norte — contestou a princesa forçando que seus lábios se esticassem. — Robb é bom comigo, só esta sendo difícil vê-los partir.
— O garoto será um bom marido, Cersei — afirmou o guarda real. — Tenho certeza que daqui pouco tempo receberemos uma carta, informando a gestação de seu primeiro neto.
— Tio — ralhou Nicéia, mais ainda sim sorria.
— Vocês jovens — comentou em um suspiro bem humorado.
— Jaime, não diga bobagens — brigou a rainha.
Contudo a conversa fora interrompido pelos pequenos e barulhentos passos de Tyrion, que chegara pedindo sua refeição ao mesmo tempo que a da princesa era entregue.
— Sentirei falta dos bolinhos de uva de Minka — murmurou a princesa cortando um pedaço do Bacon em seu prato.
— Bom dia — desejou enquanto se sentava. — Que cara é esta Nicéia? Chorou esta manhã?
— Nada de mais, Tio — murmurou com um sorriso fraco. — Apenas um pouco de saudade de casa.
O anão compreendeu e assentiu rapidamente, voltando os olhos para o prato com Bacon. Assim que bebericou um pouco do chá sobre a mesa, o pequeno Tommem falou:
— Tem noticias de Bran, tio?
— Passei pela enfermaria ontem anoite — anunciou Tyrion. — Não havia mudanças. O Meistre acha que é um sinal esperançoso.
— Não quero que Bran morra — disse Tommem timidamente.
Ele era um bom menino, em nada se parecia com o irmão, contudo Tyrion e Jaime também não eram propriamente a imagem um do outro. Nicéia sorriu e engoliu mais um pedaço de seu bacon.
— Lorde Eddard, também tinha um irmão chamado Brandon — meditou Jaime. — Um dos reféns assassinados por Targaryen. Parece ser um nome sem sorte.
— Ah, certamente não é assim tão desafortunado —disse Nicéia. Enquanto tomava o primeiro gole de seu chá quente.
Cersei estudou a filha com prudencia.
— O que quer dizer, querida?
Tyrion sorriu e se virou esperando a resposta da sobrinha.
— Ora, apenas que Tommem pode ter seu desejo realizado, o Meistre pensa que Bran sobrevivera — e bebera mais um gole de seu chá.
Myrcella fez um arquejo de contentamento, e Tommem sorriu calorosamente, ja Tyrion parecia diverti-se com a situação. Quando os olhos da Princesa baixaram para seu prato um olhar significativo fora trocado entre Cersei e Jaime, algo que não passou despercebido aos pequenos olhos de Tyrion.
— Isso não me parece uma benção. Esses deuses nortenhos são crueis em fazer uma pobre criança sofrer desta forma.
— Quais foram as palavras do Meistre? — perguntou Jaime.
A xícara parou a alguns centímetros dos lábios da jovem.
— Ele pensa que se Bran fosse morrer, ja teria acontecido. E ja se foram quatro dias.
— Será que Bran ficara melhor, tio? — perguntou a pequena Myrcella, quer herdara toda a beleza da mãe.
— Ele quebrou a coluna, minha menina — disse Tyrion rapidamente. — Meistre só tem esperanças.
— Partirão ao meio dia? — perguntou Nicéia mudando o assunto.
— Tambem gostaria de saber — pronunciou-se Tyrion, atacando o peixe em seu prato.
— Segundo seu pai, ao inicio da tarde — disse Cersei, que logo franziu o cenho. — E você? Não me diga que ficara aqui?
Tyrion não se afetou pelo tom acido da irmã, mas Nicéia percebeu o desconfortou em seus ombros.
— Benjen Stark regressara a patrulha da noite com filho bastardo do irmão. Pensei em ir com ele para ver esta Muralha de que todo os nortenhos falam.
Jaime sorriu.
— Não esta pensando em vestir negro, querido irmão?
Tyrion soltou uma sonora gargalhada e Nicéia teve a certeza que algo inapropriado deslizaria por seus lábios ariscos. Mexeu no caldo verde levemente antes de leva-lo aos lábios.
— Eu em celibado? As prostitutas virarão pedintes de Dorne a Rochedo Casterly — riu deixando a caneca de cerveja sobre a mesa. — Não, apenas desejo subir a muralha e mijar nos limites do mundo.
Cersei o encarou com os olhos felinos e rapidamente ergueu-se da mesa, chamando Tommem e Myrcella com as mãos.
— As crianças não precisam escutar suas nojeiras, Tyrion. Tommem e Myrcella venham — Cersei abandonou o salão a passos rápido, sendo seguida pelos filhos caçula.
Assim que perdeu a mãe de vista, Nicéia não evitou uma sonora gargalhada que a forçou a se curvar para trás.
— Não sei como Lorde Stark tem coragem de sair de Winterfell com o filho a sombra da morte — murmurou Jaime com seus olhos verdes gelados.
O riso de Nicéia morreu e o chá parecia frio assim com a neve lá fora. Tyrion ajeitou-se sobre o banco e partiu um pedaço de pão preto dando de ombros.
— Simples, Robert ordenou que o fizesse — afirmou rapidamente. — De qualquer forma, Ned Stark nada pode fazer pelo filho.
— Poderia por fim ao sofrimento do garoto — contestou recebendo um olhar tanto de Tyrion quando de Nicéia. — Era o que eu faria se fosse meu filho.
— Aconcelho-o a não sugerir isso a Lorde Stark, querio tio — disse Nicéia. — Ele não á receberá de bom grado.
— Mesmo que sobreviva, será um aleijado. Preferiria uma morte boa e limpa.
Tyrion relaxou os ombros e seguiu um caminho rápido ate os olhos verdes da sobrinha, apenas para depois se virar para o irmão.
— Permita-me discordar, enquanto a morte é um terrivelmente final, ao passo que a vida é cheia de possibilidades.
Nicéia refletiu ao palavras do tio e enquanto termina seu ultimo gole de chá percebeu que comera menos do que previa.
— Você é um duendezinho bem perverso, não? — zombou Jaime
— Ah, sim — admitiu Tyrion.— Espero que o garoto acorde. Estou muito interessado no que ele tem a nós dizer.
Jaime ficou branco como leite. Enquanto Nicéia enrugava o cenho não entendendo onde aquele assunto iria.
— Ah, querido irmão — disse Jaime em um tom sombrio. — , ha momentos em que dá motivos para duvidar de que lado esteja.
A boca de Nicéia se abriu levemente, ambos não pareciam se importar com sua presença, mesmo que ela não entendesse em como a melhora de Bran pudesse afeta-los tanto ao ponto de serem hostis um com o outro. Não que hostilidade entre eles fosse algo raro, mesmo em Rochedo ambos não perdiam a oportunidade de se alfinetarem pelas menores coisas, contudo tal costume era mais frequente entre sua mãe e Tyrion e não Tyrion e Jaime.
Nicéia acompanhou o tio engolir o pão e o peixe com ajuda de uma generosa golada de cerveja preta e depois se dirigir ao irmão com um sorriso de leão.
— Ora, querido irmão — debochou. —, assim você me magoa. Sabe como amo minha família.
Durante aquela longa troca de olhares e farpas, Nicéia se viu perdida. Sem entender uma única palavra dita por seus tios se levantou sem pedir licença e saiu porta afora encontrando uma suave brisa fresca de inverno. O som das vozes no patio se misturou ao cheiro de terra molhada e lodo, algo que estranhamente vinha lhe agradando nos últimos dias. Correu os olhos verdes por toda a extensão de terra e viu não muito longe junto ao ferreiro, Jon permanecia de costas e conversava algo com o homem sujo de fuligem. Quando enfim pensou em se aproximar dedos lhe tocaram os ombros, em um leve sobressalto girou sobre os calcanhares encontrando os doces olhos azuis de Robb. Sorriu quase que instantaneamente para ele.
— Me assustou — murmurou sorrindo.
— Desculpe — disse. — Pensei que tivesse me escutado chama-la, vejo que não.
— Estou um tanto distraída esta manhã.
— A corte ela...
— Sim.
Ao desviar os olhos para a pouca neve sobre aquela parte de Winterfell, sentiu os dedos mornos de Robb sobre seu queixo tremulo. Apertou os lábios engolindo o choro e logo voltou o olhar para os azuis dele, perdeu o folego quando percebeu que estava tão próximo. Se perdeu na profundidade e se afogou em meio ao mar que eram seus olhos, e só percebeu que chorava quando um ele moveu seus dedos sobre face pálida colhendo uma solitária lagrima cristalina e quente.
— Não quero que sofra — sussurrou aproximando-se um pouco mais. — Desejo que seja feliz, não só no Norte mais ao meu lado.
— Eu estou feliz, Robb — disse Nicéia. — É apenas saudade, algo que sentirei sempre, passei toda a minha vida lá. Mas ja sou feliz aqui e ao seu lado.
Robb sorriu antes de colar seus lábios aos dela. Foi curto e simples, mas Nicéia sentiu o coração falhar uma batida quando os dedos de Robb tocaram-lhe a pele do pescoço, instintivamente agarrou-se a capa do rapaz trazendo-o para mais perto, sentindo o couro de suas roupas espremer seus seios contra o vestido claro. Sentiu falta do chão quando seus braços alcançaram e rodearam o pescoço, sorriu arteira quando ele a erguera. Balançou os pés e gargalhou quando Robb a girou no ar, sentiu os cabelos negros se desfazerem da trança e colidirem em cachos contra seu rosto, tapando-lhe a visão. O vestido girou junto ao seu corpo, a renda clara rodopiou formando uma suave camada sobre o vento fresco.
Os pares de olhos presente naquela parte do patio se viraram quase que automaticamente, quando o som gracioso de uma gargalhada soou. A maior parte deles sorriu achando graça da brincadeira dos jovens noivos, mas todos eles tiveram certeza de que não havia casal mais belo do que eles. O sorriso que Robb exibia era quase tão claro quanto um dia de verão e seus olhos brilhavam como as estrelas mais ao sul. Jon não pensava o mesmo, apenas lamentava ser ele a ama-la pro resto da vida, no final Robb teria a vida que o bastardo tanto sonhou. O destino era cruel com ele, pois seria também a mulher com qual tinha certeza que preencheria seus sonhos e pensamentos pelo resto de seus dias, pois ele teria sempre a certeza de que ela estava feliz e não seria ao seu lado. O que um Bastardo teria ou poderia oferecer a uma princesa? Jon sabia a resposta e por isso desviou os olhos quando o Rei se fez presente ao lado de seu pai um pouco mais atras do casal que ainda ria abraçado.
Rei Robert Baratheon jamais permitiria que sua doce e bela filha amasse um bastardo, mesmo que ele tivesse filhos como ele aos montes.


[...]


Quando o sol ameaçou, outra vez, se esconder atras das nuvens, Nicéia se viu novamente aos prantos enquanto assistia Tommem se agarrar a barra de seu vestido disposta a não deixa-la para trás.
— Não, nini venha conosco — gritava o jovem menino. — Não fique, vamos. Mamãe, não a deixe aqui.
— Tommem por favor — pediu tentando faze-lo soltar o tecido. Contudo seus dedos gorduchos haviam se embrenhado e seu rosto vermelho e marcado por lagrimas não ajudava.
Fora preciso que Sor Jaime o agarra-se pelos ombros e o levasse mesmo aos gritos para longe da irmã, Myrcella parecia querer fazer o mesmo, contudo se contentou em abraçar Nicéia por longo e apertados segundos, fungando baixinho no ombro da irmão mais velha.
— Prometo que antes de sinta minha falta estarei lhe fazendo uma longa visita — murmurou afastando a menina e lhe beijando os cabelos dourados.
— Promete? — perguntou docemente.
— Sim
— Vai me enviar cartas sempre que puder? Me contar tudo o que esta fazendo e os detalhes de seu casamento com Robb? — a pergunta feita pela menina fora um tanto alto, fazendo com que Cersei sorrisse pelo doçura da filha assim como Robb.
— Prometo — disse Nicéia. — Mesmo que seja uma pena não poder ficar e ve-lo com seus próprios olhos.
Myrcella então decidiu se afastar posicionando um pouco atras da mãe e despedindo-se de Robb e Rickon. A princesa secou as lagrimas em vão, pois ao observar a mãe se aproximar chorou um pouco mais. Cersei não derramara uma única lagrima, Rainhas não choravam. Contudo seus olhos se afogaram nas lagrimas que ela jamais derramaria, não na frente de tantas pessoas. Abraçou a filha e salpicou vários beijos em seus rosto o cabelos, apertou sua corpo ao dela, colheu o máximo do perfume de sua pele.
— Eu te amo, minha pequena leoa negra — disse a Rainha com a voz embargada. — Te amo mais que as estrelas, mais do que amo Rochedo.
Nicéia soluçou lembrando-se de tais palavras, agarrou-se ao vestido escarlate da mãe e desejou que ela não fosse. Mesmo assim se separaram e os dedos da rainha deslizaram sobre a face vermelha da filha limpado as lagrimas. Beijou-lhe a testa e se afastou relutante. A princesa ergueu a cabeça e antes mesmo que Robert pudesse se aproximar, Nicéia se lançou sobre os braços do pai agarrando-lhe as vestes igual a Tommem havia feito com ela a poucos minutos. Não ousou solta-lo ate que ele o fizesse, com dificuldade e com o rosto retorcido em dor e saudade o Rei dos sete reinos se ajoelhou ficando a altura da filha. Lhe afagou os cabelos e a observou atentamente, gravando cada pequena sarda translucida de sua pele, mesmo que ja as tivesse marcada em sua mente.
— Eu te amo, minha princesa. Jamais se esqueça disso — murmurou contornando os suaves traços da filha. — Mesmo em Porto Real meu coração ficara aqui ao seu lado em Winterfell.
— Eu te amo, papai. Jamais o esquecerei — sussurrou fungando.
— Gostaria de ve-la se casando, mas prometo estar presente para pegar meu primeiro neto no colo — disse Robert olhando de esguelha para o herdeiro do Norte que avermelhou. — Espero que seja tão grande e forte como eu e Ned fomos um dia, ou talvez, uma doce menina assim como você.
Nicéia sorriu radiante e assistiu o pai se erguer com um pouco de dificuldade pelo peso e a idade, apanhou-lhe a mão e devagar a conduziu ate Robb, que parecia um tanto encabulado. Com uma suavidade que só usava com a filha mais velha, deu-lhe a mão para que o Stark a pegasse. Os lábios de Nicéia tremeram quando finalmente percebeu a intensão do pai, sentiu os dedos de Robb entrelaçarem nos seus e deu um passo ficando ao seu lado.
— Esta união será abençoada pelos Deuses e mais afortunada que a ultima — disse Robert apoiando a grande mão sobre o ombro de Robb. — A faça feliz meu rapaz ou retorno a Winterfell para arrasta-lo ate Porto Real, com o pé amarrado ao meu cavalo, apenas para mata-lo e pendurar-lhe a cabeça nos muros da fortaleza.
O som da risada de Ned fez com que Robb relaxasse apos tal ameaça, talvez não fosse assim tão seria.
— Me de muitos netos, meu jovem.
O herdeiro Stark apertou com um pouco mais de força a mão da noiva, passando-lhe confiança enquanto a família real terminava as despedidas e se recolhia para o patio central. Ao lado de Nicéia ele assistiu o Rei despedir-se da filha de longe enquanto ia embora em seus cavalo, viu também os cabelos dourados da Princesa Myrcella voarem quando sua cabeça fora posta para fora da casa com rodas. Lagrimas finas escorreram pelos olhos de Nicéia que se apoiou sobre o ombro de Robb fungando baixinho, enquanto assistia sua familia retornar ao lar enquanto ela permanecia no seu.

Notas finais
E a corte se vai!! Essa é literalmente a ultima vez que Nicéia vê Robert, Myrcella e Joffrey. Pois sabemos que cada um deles tem seu destino e estes serão mantidos nessa historia... O Fim da primeira fase da historia esta no fim, mais um capitulo e PUFF...