Notas iniciais
Boa Leitura :)

“Fuja Hannah! Fuja!”

O mesmo sonho de sempre. Agora eu entendia o que Ilza gritava, e sempre era acordada pelo seu punho esmurrando a porta.

– Precisamos conversar – Disse ela com um olhar aflito. No meu criado mudo o LED eletrônico do meu relógio informava que eram uma e vinte da madrugada.

– O que houve? É tão cedo!.

– Se vista rápido!. – Disse ela já descendo as escadas. Me vestir para quê? Aonde eu iria aquela hora da noite?. Mesmo cheia de dúvidas, e de sono, me vesti. Enquanto fazia isso percebi que todas as luzes da rua estavam quebradas e os cacos das lâmpadas estavam espalhados por todo o asfalto.

– Hannah, irei manda-la para um lugar mais seguro. Não se preocupe, lhe explico melhor quando chegarmos lá. — Disse ela pegando algumas coisas no meu quarto e colocando em uma mala.

– Qual a necessidade da mala? – Perguntei já sabendo a resposta. Estava indo, como ela havia me dito.

Alguns anos atrás Ilza me falou que minha história era quase que totalmente desconhecida por ela, e que por isso ela não poderia me dizer tudo. Mas a hora chegaria, e que quando ela chegasse minha vida mudaria. Só não sabia se seria para melhor ou para pior.

Enquanto descia as escadas da casa de dois andares na qual morávamos, avistei dois homens altos e loiros parados em frente à porta. Estavam usando ternos escuros, e tinham boa aparência, apesar de seus olhares revelarem que não estavam ali para brincadeira.

– Mas quem são eles? – Perguntei enquanto cruzávamos a sala de estar.

– Die Beschützer. – Aquela palavra, assim como o idioma, era de alguma maneira familiar para mim – Mas já lhe disse que quando chegarmos lá lhe conto tudo, então, sem mais perguntas. – Sua voz soava séria e cortante.

– Tudo bem – Respondi.

***

O Audi que me esperava do lado de fora chamava mais atenção que a tropa de homens loiros de terno que estavam na calçada. O sono fazia com que aquela visão tivesse um ar surreal, um sonho talvez? . Não, infelizmente, era real, mais real do que eu poderia imaginar.

Entrei no carro que estava parado e Ilza, junto dos outros quatro homens, entraram em outro, que estava mais a frente. A neblina tomava conta da rua que estava totalmente escura e o frio fazia meus joelhos tremerem. O carro saiu cantando pneu, enquanto a inércia me jogava para trás no banco de passageiro revestido de couro.

– Aonde vamos? – Perguntei depois do que se pareceu horas de silêncio.

– Não tenho permissão para lhe falar, desculpe.

– Okay. Mas é longe?

– Pode dormir se quiser, a viagem será longa. – Falou ele com um tom menos sério do que antes. Adormeci quase que instantaneamente, aquilo tudo estava acontecendo de uma maneira tão rápida e estranha que tinha me deixado exausta.

– Srta. Krieger, acorde! – A voz do motorista parecia extremamente desesperada, apesar de séria. Acordei e percebi que estávamos a uma velocidade absurda.

– Se abaixe! – Gritou ele enquanto pisava fundo no acelerador.

Olhei no retrovisor e vi que um carro semelhante ao nosso estava nos perseguindo. O que era aquilo?

– QUEM SÃO ESSES!? – Gritei desesperada;

– Inimigos! . – Respondeu com os dentes cerrados.

Bem a frente, de uma entrada lateral da rodovia na qual estávamos saíram os dois carros onde estavam Ilza e os outros homens. Diminuíram a velocidade para o nosso carro os ultrapassar, até que ficaram fora de vista.

– Como eles ficaram sabendo? – Pensou em voz alta o motorista.

Um barulho de explosão seguido de um espiral de fumaça soou às nossas costas. Um olhar apreensivo tomou conta do motorista. Aquilo me assustou mas tentei manter a calma, olhar em volta, até que avistei algo que me chamou a atenção.

Agente Saeger

UNIDADE DE DEFESA PESSOAL — DAS BRÜDER TECHNOLOGY.

O crachá pendia de seu bolso. Então aquele era o seu nome? Provavelmente, mas não foi aquilo que me chamou a atenção, o nome daquela empresa, o logotipo, um DBT envolto de um globo cortado por cinco linhas, eu já havia os visto. Os papéis de adoção que Ilza mantia guardados à sete chaves eram carimbados com aquele logo.

– Agente Saeger, como o senhor sabe meu nome? – Perguntei receosa. Ele olhou para o crachá em seu bolso e deu uma risadinha.

– Senhorita Krieger, seu nome carrega mais história que de muita gente. Me limito a dizer que vidas já foram tiradas por causa dele.

– Como assim? Você quer dizer que pessoas já morreram por minha culpa?

– Não exatamente por você. Mas em breve tudo será esclarecido, agora precisamos chegar ao nosso destino.

O Sol já subia no céu quando paramos em frente a um edifício revestido de janelas espelhadas e que parecia ficar no meio do nada. Era bem próximo do mar e o vento silvava nos nossos ouvidos quando ele anunciou:

– Enfim chegamos!.