A Fugitiva

3 Num piscar de olhos


Notas iniciais
Boa Leitura :)

O sol fazia refletir na fachada do edifício sua luz alaranjada, tipicamente matinal. Saeger e eu nos dirigimos até ele quando me veio o pensamento de que, desde que acordara na madrugada da noite anterior, havia me dirigido a um estranho local, por um estranho agente de uma estranha corporação. Onde estaria Ilza àquela hora. Perguntas pipocavam na minha mente, aliás, perguntas eram a única coisa que eu tinha naquele momento.

– Bom dia! Posso ajuda-los? – Uma voz feminina ecoou no hall de entrada quando cruzamos a porta de vidro automática. Era de uma moça loira, que devia estar nos seus vinte e poucos anos, parecia mais uma modelo que uma mera recepcionista. Devia ganhar muito bem para estar trabalhando àquela hora da manhã.

– Sim – Respondeu o agente – Avise ao senhor Fischer de que trouxe a garota.

A maneira com a qual ele se referiu a mim me deixou desconfortável. “A garota”, aquilo me soou como se eu fosse um fardo, algo indesejado.

– Última sala do corredor à esquerda – Apontou a recepcionista de imediato.

Seguimos até lá por um largo e extenso corredor que era apinhado de portas, mas que naquele momento estava tão vazio quanto meu estômago. A sala no final do corredor era extremamente grande e austera, tinha somente uma extensa mesa de uma madeira de cor avermelhada que era rodeada por dezenas de cadeiras. Tive a impressão de que grandes decisões haviam sido tomadas naquele lugar.

– Krieger, Saeger! – Anunciou um homem que estava no canto direito da sala, sentado em uma cadeira que dava para a janela de visão panorâmica do mar, que inundava o recinto de uma luz do sol quase cegante. Era velho, loiro, baixo e tinha cabelos grisalhos, e sua voz passava a impressão de que estava, contra à sua vontade, sendo gentil.

– Estão bem? Espero que sim. Tem café e bolinhos se estiverem com fome, devem estar a viagem foi longa não foi?

– Sim, estamos famintos – Respondeu Saeger com um tom de voz menos sério.

– Ah, beleza, agradeço muito – Respondi. Peguei um bolinho e umas torradas que estavam em uma pequena mesa no canto da sala, e café, que parecia ter sido preparado no dia anterior, mas não estava ruim. De repente, outra coisa me veio à cabeça. Eu não fazia ideia de onde estava, sabia que havia viajado por horas, mas passei boa parte dela dormindo e não tinha visto nada que reconhecesse quando acordei.

– Saeger, poderia nos deixar a sós por um instante? – Perguntou o homem.

– Claro, é... Claro. – Respondeu ele com um pouco de relutância.

Ele sentou-se e sorrindo, indicou uma cadeira para mim.

– Então Hannah, você deve saber a razão pela qual você está aqui, não é?

– Não especificamente – Respondi, apesar de saber bem a razão de estar ali.

– Pois sim, sua família, seus pais, sua vida, a verdade. Você deve ter muitas dúvidas quanto a isso minha cara. Mas é muita coisa, muita informação, então explicarei por partes. Sua família – Ele fez uma pausa enfática – Não é a Ilza nem o Hans, apesar de terem lhe criado, eles não tem nenhuma ligação de sangue com você, não são seus avós, eles meios que foram encarregados pela gente para tomar conta de você, os dois, mas infelizmente o Hans se foi e a razão da morte dele não foi a contada para você pela Ilza. Hans era um dos nossos agentes, assim como Ilza, e sua missão era manter os filhos de Barbara e Max Krieger vivos.

– Filhos? Eu tenho uma irmã? – Perguntei já abismada com o que ele havia dito, e percebendo que era só o começo.

– Sim, um irmão na verdade, mas infelizmente não sabemos o seu paradeiro, foi levado pelos Feind, os inimigos. Uma organização que querem vocês. Não sei se você sabe, mas seu sangue é valioso.

– Meu sangue é valioso? Como assim?

– Não seu sangue em si. Seu DNA. Hannah, quando você ainda não havia nascido sua mãe sofreu algumas experiências genéticas, que foram feitas sem o consentimento dela durante sua gestação e resultou em alterações em seu DNA, mutações.

– Mutações?

– Sim. Elas foram fatais à sua mãe, mas com você agiram de uma maneira inesperada, você evoluiu. Se tornou um super humana. Hannah, você tem mais capacidade que qualquer pessoa na face da terra. Só precisa trabalha-las. Você é única Hannah.

– Única? E o meu irmão?

– Seu irmão , eu não acredito que ela ainda esteja vivo. Não temos contato com ele, muito menos informações a mais de dez anos.

Aquilo me atingiu como um banho de água fria. Tinha acabado de descobrir que tinha um irmão, o último resquício de uma família de verdade, agora ele provavelmente estava morto. Senti uma tontura, não dava para processar todas aquelas informações de uma vez só.

– Preciso ir ao banheiro – Falei me levantando e procurando por uma porta, entrei na primeira que encontrei que era um banheiro por acaso. Uma ânsia de vomito me atingia a cada vez que pensava nas palavras que tinha ouvido, era demais para mim. Fui até a pia e molhei meu rosto, olhei meu reflexo na torneira metálica que pairava sobre minhas mãos, no espelho, uma figura pálida, mais pálida que a habitual, com um semblante baixo e olhos vermelhos. Quando me abaixei o som de tiros irrompeu da sala na qual eu estava minutos antes. Barulho. Gritos. Silêncio. Fiquei ali deitada no chão em estado de pânico até que uma fumaça esbranquiçada precedida de um barulho de explosão entrou no banheiro e me deixou inconsciente. Adormeci, depois disso, só me lembro do silêncio e da escuridão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.