A Fortaleza das Feras - Livro 01 (Caos e Ruína)
5 Capítulo 4 - Sora
Fora uma viagem rápida, haviam desembarcado no início da manhã, num pequeno porto que transportava viajantes e mercadorias pelo Rio Shira, e ficava próximo de Temesia na região do Império de Eamorn. No caminho ainda teriam de passar por uma beirada da Floresta Abissal. Bom. Estavam viajando tranquilamente, e um tanto quanto contentes devido o ouro que haviam recebido. No momento era meio dia e Sora sentia o sol fraco beijar seu rosto, entre as fendas das árvores. Um leve fragmento do verão, que logo terminaria para o outono embarcar.
Ao menos, chegariam em Temesia antes do festival da estação, e ainda teriam uns dias de folga.
Portanto, cavalgaram em silêncio. Já haviam discutido o suficiente sobre a missão. Não iriam reclamar, a incumbência fora emocionante, um tanto quanto diferente das outras. Afinal, nos últimos tempos, os poderosos guerreiros da Fortaleza das Feras faziam mais trabalhos diplomáticos, negociar com cidades ou reinos para outros reinos ou cidades não entrarem em conflito. Eram poucos os trabalhos que envolviam tanto sangue e morte como havia ocorrido no Forte da Caveira. Até mesmo os pequenos conflitos que geravam batalhas entre as regiões, haviam cessado.
A paz era a calmaria, mas as vezes era entediante. Poucas eram as missões emocionantes, a última fora a mais agitada dos últimos meses, negociar com lordes, exterminar com o Mercador e acabar com o clubinho ridículo que haviam criado. E haviam auxiliado na libertação de escravos, algo honroso.
Eles, por fim, haviam recebido uma boa quantia de ouro em troca.
Então também não havia o que reclamar.
Ropher e o Lorde Darthurin haviam sido generosos.
― Vamos parar por aqui. ― Sinalizou Asher, quando encontraram uma clareira.
Sora calmamente desceu do cavalo e trançou o longo cabelo cinzento. Os cabelos prateados, que entregavam a herança mística de sua linhagem, os summoner. Ela gostava daquela característica. De acordo com Tereza, que havia lhe revelado aquelas informações há alguns anos. Características que havia herdado de sua mãe, embora a vidente tivera deixado bem claro que os olhos verdes e felinos eram um presente de seu pai. Mesmo que a guerreira não tivesse tido nenhum interesse em saber mais sobre o mesmo. Na época, ela havia recebido o posto de guerreira há pouco tempo, então, estava mais preocupada em adquirir algum conhecimento sobre seus antepassados, que pudesse auxilia-la nas missões. Um erro tolo, que terminara com uma busca por respostas pouco útil para tal coisa, mas rendera alguns conhecimentos interessantes.
Já fazia horas que não comiam, então amarraram os cavalos, largaram as mochilas no chão e as reviraram, para pegar a comida que haviam comprado antes de partir. Pães, algumas frutas e carne seca, o suficiente para uma refeição antes de chegar em Temesia, coisa que levaria provavelmente mais uma tarde de cavalgada. De certa forma, eram sortudos. Na maioria das vezes tinham condições para comer e beber adequadamente, sabiam ler, escrever, conheciam a geografia, a história, a matemática. E foram criados para serem os guerreiros humanos mais fortes do continente, de Sidgar. Tirando a parte de arriscar a vida com as missões impostas, e ter que negociar com nobres pomposos, e criar dívidas absurdas por utilizarem os serviços da Fortaleza, e claro, a possibilidade de ser caçado e morto caso resolvessem desertar. Era heroico, mas ao mesmo tempo, uma espécie de prostituição. Como alguns gostavam de chamar, as prostitutas temesianas.
― Ouvi dizer que a Floresta Abissal era habitada por criaturas mágicas, como os goblins e trolls. Há muito tempo, antes da Grande Guerra. ― Começou a falar, Bart, quando se sentou no chão e enfiou um pedaço de pão na boca. Os olhos azuis esverdeados brilhavam em excitação pelo assunto. Era um jovem curioso, de fato, e Sora gostava dele. ― E as nixies nos rios, e as pixies como pequenas guardiãs da floresta...
― Cale a boca, todos sabem que são apenas boatos e lendas. ― Rebateu Asher, o guerreiro as vezes conseguia ser a criatura mais grosseira possível.
Sora não quis argumentar, então pegou uma maçã e comeu, silenciosamente. De fato, Bart tinha um interesse enorme pelas lendas, e não tinha medo de expor opiniões. Diferente de Sora, que já ouvira, e até mesmo vira, parte daquele universo que fora enterrado ao longo dos anos, ela preferia não revelar o que conhecia.
― Claro que agora são lendas, depois da Queda, essas criaturas nunca mais foram vistas. ― Rebateu Bart, quando enfiou outro pedaço de pão na boca novamente e deu uma longa tragada no cantil de água. Era o mais jovem dos três, o loiro era mais esguio do que Asher, embora isso não fosse um problema. Não quando ele era um arqueiro excepcional e fazia questão de mostrar suas habilidades, como fizera em Forte da Caveira.
A Queda, era um assunto repetitivo, e Sora lembrava-se claramente de quando ocorreu. Deveria ter em torno de cinco ou seis anos, na época ela não pensava na possibilidade de ir para a Fortaleza, claro. Porém, tempos depois chegara em Temesia. E ela lembrava-se dos dons escassos e mágicos que tinha na infância. A magia fora totalmente bloqueada do continente, como uma onda de força invisível que atingiu todos os possuidores de algum poder, para criar uma muralha também invisível no mar, que circundaria Sidgar e impediria que exércitos de fae, ou mork, invadissem novamente o continente. O preço a pagar por tal proteção era bem óbvio, a magia então morrera naquelas terras, para criar uma proteção que deveria ser impenetrável.
― E o que você faria se um troll aparecesse, Bartolomeu? ― Quis saber, Asher, claramente ainda desacreditando das bobagens que o loiro falava. Sora não discordava de Bart, mas também não queria entrar no assunto.
― Nunca vão aparecer novamente, agora eles estão escondidos de nós, humanos.
― Sora não é totalmente humana. ― Asher lançou um sorrisinho irônico para a jovem, que devolveu da mesma forma. ― Ela é o nosso demônio cinzento.
― Aguardo o momento em que irei arrastar você para o inferno comigo. ― Ela sorriu friamente e limpou as unhas em uma posição arrogante, Asher fez uma expressão de falso horror.
― Muitos mestiços nasceram na época da Grande Guerra, afinal, os fae ainda viviam em Sidgar.
― É, e depois mataram todos. ― Rebateu Asher. Bart deu de ombros, ignorando completamente a existência do outro guerreiro.
Era verdade, a mais pura verdade. Após a Queda, qualquer criatura com orelhas pontudas, traços soberbos e descendentes de uma pitada de magia poderosa, haviam sido todos caçados. Caçados e mortos, sobrara apenas pessoas como Sora, ou como Tereza e sua família que haviam conseguido se esconder e fugir. A mãe de Sora era uma possuidora de magia intensa, e não sobrevivera ao massacre. E de certa forma ela também não poderia ser considerada uma mestiça, embora fosse melhor que pensassem assim do que saber a sua verdadeira origem. Summoners não existiam mais, e a geração de Sora já nem sabia mais sobre aquele tipo de humano.
Era como se fosse proibido dar certos detalhes sobre o passado.
Asher abriu a boca para falar, no entanto, quase saltou quando perceberam a movimentação entre as árvores. Estava tudo silente o bastante para que notassem qualquer presença. Então, permaneceram calados, quando novamente ouviram o mesmo som, galhos quebrando, como se alguém, ou algum animal, estivesse circundando a clareira.
Sora foi a primeira a se levantar. Tanto quanto por curiosidade, quanto por querer fugir do assunto sobre fae e humano e todas aquelas merdas.
― Fiquem aqui, vou ver o que é. ― Poderia ser apenas um animal, torcia para que fosse quando se afastou. Nenhum deles estava a fim de arrumar problemas naquela manhã, mas também poderiam ser seguidos, se fossem julgar pelos acontecimentos anteriores. Os dois guerreiros permaneceram calados então, enquanto ela adentrava a imensidão de árvores.
Malditos homens medrosos.
A jovem desembainhou as duas adagas que trazia, sem fazer ruído algum, e pisou com cautela no chão, para evitar que fizesse barulho. Caminhou lenta e cuidadosamente, até ouvir mais uma vez a movimentação. Então observou o que havia ao redor, com a intensidade de um animal que estava caçando. Havia alguém ali, e estava observando-os. Conseguiu confirmar aquilo quando percebeu que a figura mais à frente era a de uma pessoa, embora estivesse escondido o suficiente para ela não conseguir identificar.
Mais galhos se partiram, e então passos acelerados na outra direção.
Então ela correu.
Correu no momento em que viu a silhueta disparar, estava praticamente a frente dela. Então apenas manteve a perseguição na Floresta Abissal, desviando dos galhos, das raízes das árvores e mantendo o foco no homem que fugia. Se o indivíduo que estava ali não tivesse nada a temer, então não haveria motivos para fugir dela daquele jeito.
Quando percebeu estava aproximando-se de um barranco, o vulto que perseguia desceu correndo, Sora imediatamente o seguiu, até o momento em que o perdeu de vista. A guerreira encarou o que havia ao redor, embainhou as duas adagas.
E então rolou.
Desgraçado.
Aquele fora um golpe sujo.
No entanto, ao menos tivera tempo suficiente para puxá-lo quando desabou, fazendo com que ambos deslizassem na terra e descessem o barranco.
E aquilo fora o satisfatório para irrita-la, e abundantemente. Ah, ela iria socar a cara de quem quer que fosse assim que a oportunidade surgisse.
Contudo, só pararam de rolar quando ambos foram barrados pelas raízes de uma árvore, ao alcançarem uma clareira. Sora levantou-se furiosa e correu até o outro homem que já estava de pé, só então puxou-o e o prensou contra a árvore abissal.
A guerreira não esperou nenhuma resposta quando acertou um soco no nariz daquela criatura.
E ele revidou, empurrando-a para longe e a derrubando no chão. Tentou desgraçadamente fugir, mas Sora segurou seus pés e o derrubou também, bufando. Ela ergueu-se, puxou-o para cima pela gola da túnica encardida, e então o prensou novamente contra a árvore. Era quase da altura de Sora, alguns poucos centímetros mais alto. Embora ela pudesse ser considerada uma mulher alta, ele tinha um tamanho padrão para um homem.
― Quem é você? O que está fazendo aqui? E por que estava nos espionando? ― Três perguntas rápidas, que ele deveria responder rapidamente. O sujeito deveria ser um pouco mais velho, uns vinte quatro anos no máximo, cabelos negros e olhos castanhos, um rosto comum, porém, bonito. A guerreira não pôde reparar nas roupas, nem poderia ao julgar pela imundície que ele estava.
Fedia, ele necessitava de um banho urgente.
E somente fuzilou a guerreira com o olhar. Quando não respondeu.
Mais um golpe, desta vez no estômago. E ela se aproximou, os olhos verdes brilhavam com fúria.
― Responda a minha pergunta, agora. E não minta. ― Ele continuou sem responder, então ela acertou uma joelhada em seu estômago. Gemendo de dor, ele a encarou com os olhos castanhos. Havia um misto de pavor, de raiva e angústia.
Por um momento o sujeito abriu a boca para falar, no entanto, fechou e pareceu ponderar sobre o que dizer. Sora lançou mais um olhar ameaçador e ergueu a mão, pronta para lançar mais um golpe quando ele finalmente disse:
― O meu nome é Ethan Rosenrot, eu estou indo para Temesia e não estava espionando ninguém. ― Não parecia assustado, parecia nervoso, enquanto sangue escorria de seu nariz
Os olhos verdes de Sora quase saltaram de seu rosto quando ouviu o nome.
Aquela resposta foi como um soco no estômago dela, desta vez. Ela acabara de socar a cara de Ethan Rosenrot? O príncipe herdeiro de Edésia? Mas que diabos ele estava fazendo ali? No meio da Floresta Abissal, perambulando como um mendigo imundo e fedorento?
― Como pode provar? ― Semicerrou os olhos quando se preparou para dar mais um golpe. Ela estava torcendo para que aquilo fosse um blefe, ou apenas uma coincidência. Afinal, quantos rapazes deveriam existir com o mesmo nome do herdeiro do Norte, com a mesma idade e que, possivelmente, poderiam estar indo para Temesia?
Aquele encontro era absurdo.
Ou só o destino sendo um arrogante idiota como sempre.
― Veja, eu tenho o colar com a Rosa Invernal. ― Sora afastou-se um pouco, ainda o segurando pelo braço com força, quando o rapaz puxou a corrente do pescoço.
Merda. Realmente era ele.
O pingente da rosa era feito do mais puro diamante azul, e o formato da flor brilhou adornado pelo círculo de ouro branco quando refletiu na luz fraca do sol. Era mais lindo do que ouvira falar. E era ainda mais bonito do que a própria flor invernal verdadeira, a cor azul combinada perfeitamente com o original. O símbolo de Edésia, a representação da vida que florescia naquele inverno maldito do Norte.
Pelos deuses, ela ainda não conseguia acreditar.
― Você... Não deveria estar aqui. ― Afastou-se, constatando que não havia perigo e deu alguns passos, arredando-se e limpando a sujeira da roupa. Pelos deuses, de novo. Ela havia socado a cara do príncipe herdeiro, iria deixar ele alguns dias com aquele hematoma. Qual seria a punição para um ato como aquele?
Não adiantaria nada se preocupar com aquilo, somente quando chegassem na fortaleza eles poderiam resolver aquele problema. Por hora, Ethan poderia ser seu prisioneiro.
― Eu sei, realmente não queria estar ― ele parecia mais inquieto que ela, e até mesmo apavorado. Mas falava a verdade, ele realmente não gostava da ideia de estar ali ― Dei meu nome verdadeiro pois vi que você é da Fortaleza das Feras... Seus companheiros, bem, não é qualquer viajante que anda com tantas armas a mostra ― Então Ethan havia identificado. Interessante... Porém, era um palpite certeiro demais ― Qual seu nome?
― Sora. Sora Hill. ― Falou, por fim.
― Nunca ouvi falar de seu sobrenome.
― Nós da Fortaleza das Feras, não temos famílias, alguns nem sobrenome têm. ― Aquilo era verdade, mas quando ela fora encontrada, lembrava-se o suficiente do nome de sua mãe para querer usá-lo. ― Vou levá-lo até a Fortaleza. ― Nenhum sinal de respeito devido a posição dele, era realmente verdade o que falavam, os guerreiros da Fortaleza não davam importância para títulos. Sora não iria se desculpar facilmente de ter quase lhe espancado, aquilo era fato.
E sem dizer nada ela virou-se, o príncipe imediatamente entendeu que deveria segui-la pela trilha na Floresta Abissal. Era possível perceber que ela o avaliava, mesmo que de costas, e se ele tentasse fazer qualquer movimento estúpido, facilmente seria imobilizado e arrastado. E talvez espancado mais um pouco.
A jovem não tirou as mãos das adagas que carregava presas junto ao corpo, em nenhum momento, e permaneceu calada. Aquilo estava estranho demais, ele surgir do nada e tentar escapar... E depois falar que estava indo para Temesia... Era suspeito demais. Ou algo dera muito errado, ou ele estava mentindo e aquele colar com a rosa era falso. Mas iria descobrir, por bem ou por mal.
De qualquer modo, se fosse um impostor, deveria ser preso.
Então, por hora, o trabalho dela de levá-lo até Temesia estava bom tamanho.
― Peço desculpas por surgir desse jeito, não queria parecer que estava espionando. ― Falou, enquanto limpava o sangue do nariz. Sora assentiu, em silêncio ao caminhar, havia uma tensão no ambiente. Mas nenhum deles daria o braço a torcer.
Sora mal percebera que naqueles poucos momentos que correra havia sido o suficiente para ter se afastado relativamente de onde os outros estavam. Por sorte o príncipe ― que ela ainda não tinha certeza se realmente era o verdadeiro ― não indicara nenhum perigo a mais, mesmo depois de tentar ataca-la. Mas Sora sabia que se caso tentasse novamente, iria impedir, e não hesitaria mesmo compreendendo quem era. De alguma forma, Ethan havia entendido aquilo, então não falou mais nada até chegarem onde os outros guerreiros estavam.
Bart arrumava a sela do cavalo, e Asher estava encostado em uma árvore, observando quando Sora surgiu entre as árvores. Eles permaneciam em alerta, mesmo que parecessem estar distraídos.
― Quem é ele? ― Questionou diretamente para Sora, ignorando a presença do outro homem, e com o tom de voz relativamente ameaçador, Asher deu um passo à frente. Mas o príncipe não se movimentou, apenas encarou o guerreiro, os olhos castanhos e sérios.
―Ethan Rosenrot, herdeiro de Edésia.
Asher pareceu duvidar, não fazia sentido. Pelos deuses, nada naqueles últimos dias parecia ter sentido.
― O que está fazendo aqui? ― Ainda era ameaçador, mas Sora já havia dado de ombros enquanto deixava Asher se virar com o príncipe.
― Fugindo.
― Do que você está fugindo? ― Até a jovem pareceu se interessar, quando se escorou em uma árvore e pegou o cantil com água. Bart, que já montara no cavalo, apenas observou de cima.
Brutais, não tinha como não distinguir de onde eles vinham, e Ethan acertara em cheio ao encontra-los.
― De Edésia, Ansélia, a capital do reino foi invadida e saqueada. ― De fato, os três guerreiros não podiam negar ao constatar que estavam desatualizados do que acontecia, nos últimos dias permaneceram tão focados em terminar a missão, que sequer haviam se dado ao trabalho de ouvir boatos. Mas eles ainda desconfiavam. Estava explicito.
― Quem fez isso? ― Asher deu um passo à frente, Ethan não recuou.
Estavam tão focados em trocar olhares desconfiados e raivosos, que sequer prestaram atenção quando Sora deu a volta na clareira.
― Uma Legião Mork. Faz dez dias que atacaram o reino. Eu fugi para pedir ajuda, mas então me seguindo, então acabei desviando o caminho diversas vezes. Já deveria estar em Temesia. ― Falava tudo com tanta facilidade, que até mesmo chegava a parecer realmente desesperado para chegar na cidade. ― Vocês realmente não ouviram os boatos?
Antes que Asher respondesse, Sora imobilizou-o e amarrou suas mãos com uma corda. Ethan tentou protestar, mas percebeu que seria inútil e que ela facilmente poderia lhe derrubar com um golpe. Aquela mulher de aparência peculiar e soberba, ela era a mais sombria entre os três guerreiros.
― Nós estávamos envolvidos em outras coisas. ― Asher respondeu quando se voltou para o cavalo marrom e montou, seguindo o jovem loiro que já cavalgava sem pressa na trilha de árvores. Eles simplesmente pareciam não se importar com a presença de Ethan, e com o que ele significava. Era esperto, de certa forma, carrega-lo como prisioneiro para a fortaleza e somente lá, quando fosse realmente seguro, descobrir se tudo o que ele dizia era verdade.
― Para onde estão me levando? ― Sora notou um pingo de desespero lampejar nos olhos castanhos do príncipe, então simplesmente respondeu:
― Para Temesia, você disse que queria ir até a Fortaleza. ― Ela já o empurrava em direção as sacolas que estavam presas na sela do cavalo. ― Não podemos confiar em você até que prove que diz a verdade. ― Puxou outra corda, então amarrou nas que já prendiam as mãos de Ethan.
― Mas eu não estou mentindo.
― Realmente espero que não esteja. ― Por fim ela montou no cavalo e amarrou a outra ponta da corda. ― Enquanto isso, você pode ser o nosso prisioneiro.
Só então partiram, seria uma longa caminhada até Temesia.
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