A Flor Misteriosa

2 Safira Wood - Meus Primeiros Dias na Brooklin


Notas iniciais
Leiam e deixem reviews, viu?

Esta é uma história triste.

Não me culpo se você sentiu certa atração por ela, mas me culparei se você ficar com medo de tocar neste livro novamente.

É uma tentação lê-lo, compreendo, mas seria melhor para a sua sanidade se você o colocasse no lugar em que o encontrou neste momento.

Meu nome é Safira Wood.

Tenho doze anos e estudo na Escola Brooklin Para Crianças Especiais, em Londres. Se eu sou especial? Pode-se dizer que sim.

Desde que nasci, eu vejo coisas estranhas. Coisas que acontecem no futuro. Quando eu durmo, eu não sonho. Eu prevejo. As pessoas acham que eu sou louca. Então, a diretora da minha antiga escola recomendou a Escola Brooklin para meus pais.

Meus pais não tem nada a ver comigo. Enquanto eles têm olhos castanhos e cabelos louros, eu tenho cabelos negros e olhos azuis. Eles dizem que eu sou adotada. Eu gostaria de poder ver o passado também para saber quem é a minha verdadeira mãe e o meu verdadeiro pai.

Mas sejam lá quem eles foram, eu não gosto do nome que eles me deram. Tem um garoto na minha sala que vive implicando comigo:

- Ei, Pedra Preciosa – ele diz – Então, você pode me dar algumas safiras para eu pagar uma televisão de tela plana? – Ele também é especial. De início achei que fosse apenas um valentão, mas ele tem uma doença. Não sei o nome da doença, nem o que ela faz. Mas sei o nome dele: Daniel Harris. Ele é pego muitas vezes falando sozinho. Talvez ele tenha um problema mental?A todo caso, não estou aqui para falar sobre Harris e seus problemas mentais.

Ainda tem os professores. Alguns acham que é brincadeira minha quando eu assino nas provas: Safira Wood. Outros acham que é um nome tão lindo e exótico que eu deveria escrever uma redação de 200 palavras sobre o que ele significa para mim e o que eu acho dele.

Sinceramente? Eu preciso de apenas UMA palavra para dizer tudo isso: incômodo.

Mas eu sou uma boa aluna. Quer dizer, apesar do uniforme customizado e nenhuma maquiagem, eu sou a preferida dos professores. Exceto, talvez da Profª Jonhson. Espera, eu disse talvez? Eu quis dizer com certeza.

A Profª Jonhson me odeia desde que eu pus os pés no ridículo laboratório de química dela. Ela é uma velha louca que odeia crianças (eu me pergunto: porque ela trabalha na escola, então?). Ela me odeia. Nos conhecemos no meu primeiro dia, que foi basicamente assim:

Eu entrei. Era o meu primeiro dia na Brooklin, eu tinha onze anos, e a Melanie Monroe, presidente do comitê de boas vindas, me levou para ver a escola antes das aulas. O laboratório parecia mais o covil de uma bruxa do que um laboratório, mas não ouse contar isso à Jonhson.

A professora me olhou dos pés à cabeça e franziu os lábios. Eu usava as minhas roupas de sempre: camiseta larga branca cheia de assinatura de amigos, short jeans azul, botas pretas, mochila tipo carteiro coberta de buttons de artistas musicais, e o cabelo, solto e esparramado pelas costas. Eu não passava tanta má impressão, passava?

Bem, a todo caso, ela me olhou, franziu a cara e disse:

- A senhorita deve ser a aluna nova, Safira Wood, estou correta – ela não tinha emoção nenhuma na voz. Talvez um pouco de desprezo.

Eu assenti. Tinha medo de falar. Ela não gostou.

- Fale quando estiver em minha presença, boba – eu fiquei indignada. Mas a professora apenas virou as costas para nós e voltou a ler o seu livro. Devia ser um livro de feitiços para bruxas más, pensei.

Eu e Melanie saímos da sala. Quando eu tive certeza de que a bruxa não podia ouvir, eu perguntei:

- Quem é ela e porque ela me odeia?

Melanie deu de ombros.

- Ela odeia todo mundo – disse – É a professora Sarah Jonhson. Não ouse bagunçar na aula dela, nem contradizer o que ela diz. A única pessoa que faz zona na classe dela é o Daniel Harris. Chamamo-la de Bruxa Jonhson.

- Um apelido adequado – comentei. Melanie sorriu.

- Hoje é só o seu primeiro dia – disse ela – Vai conhecer gente legal. Mas também vai conhecer gente muito mala – ela olhou para uma menina da nossa idade, de cabelos castanho-avermelhados muito compridos e olhos verdes vivíssimos. Ela vestia uma blusa azul com jaqueta cor-de-rosa e uma micromini saia pink. Estava conversando com um bando de garotas igualmente patricinhas. Então ela nos viu e veio na nossa direção.

O nome dela era Polly Anne Wendy Harrington. Porque ela se apresentava com o nome inteiro, não me pergunte.

- Oi – ela me pareceu bem simpática, então retribuí.

- Olá – eu disse. Ela me fotografou com os olhos e tirou um telefone azul do tipo teclado de computador e começou a digitar. As meninas atrás delas riram abobadamente. Meus instintos diziam para recuar, mas eu, a tola, fui e perguntei: — Qual o seu nome?

A ruiva me mirou atentamente por alguns segundos antes de responder:

- Polly Anne Wendy Harrington – ela sorriu arrogante, como se orgulhasse de seu nome – E o seu, novata?

- Wood – eu disse – Safira Wood.

Ela riu.

- Safira? – Polly disse – Como a pedra preciosa? Ah, você só pode estar brincando!

Eu a fuzilei com os olhos, e ela parou de rir.

- Polly – disse Melanie – O nome dela é Safira. Melhor você não implicar com isso.

- Ah, Monroe, fique quieta – disse Polly jogando os cabelos para trás – Você não vai conseguir fazer nada comigo.

- Mas eu vou – disse outra pessoa, atrás de Polly. Era um menino, cabelos bagunçados castanhos, olhos verdes escuros. Vestia uma camiseta verde e um jeans cinza esfarrapado. Ele chegou para Polly e disse – Não implique com a novata. Você já foi uma um dia, lembra-se?

Polly estremeceu, como se se lembrasse de uma ocasião a muito tempo atrás. Depois, ela se virou para mim.

- Dessa vez passa, Pedra Preciosa – ela disse – Mas eu já sei o bastante de você para... Bem, você verá.

E saiu andando, com a horda de patricinhas atrás dela. Eu olhei o garoto que havia me defendido.

- Hã, obrigada – eu disse.

- De nada – ele me estendeu a mão direita – Sou Kane. Kane Carter.

Eu apertei a mão dele.

- Safira Wood – eu disse.

- Ei – ele me disse – Seu nome é bonito – e com isso, saiu, me deixando mais corada do que eu nunca estivera na vida.

E assim foi o meu primeiro dia.

Foi no segundo dia que eu conheci o Daniel.

Bem, eu estava na aula de química, sentada ao lado da Melanie Monroe. Kane estava na minha frente, sentado junto a um garoto de olhos escuros e cabelos espetados loiros.

A Profª Jonhson estava na frente do laboratório, falando aqueles montes de coisas de química que eu sempre tentei entender, mas nunca consegui.

Seja lá como for, a maneira como eu conheci Daniel não foi muito agradável. Na verdade, foi muito confusa. A professora foi se sentar na sua cadeira e deu um pulo gritando de dor. Então, ela tirou uma tachinha do bumbum. Vou ter de admitir que foi engraçado.

Daí eu olhei bem a tachinha. Era uma tachinha da minha bota. Quem diabos teria se esgueirado até a minha bota para roubar uma tachinha?

Acho que a Jonhson também percebeu. Ela me olhou com fúria e disse:

- Detenção por quatro dias, Wood. E sem desculpas!

Eu abri a boca indignada. Melanie havia baixado a cabeça. Kane me olhava apreensivo. O resto dos alunos não fez nada, senão continuar suas tarefas, como se aquilo fosse algo diário.

A aula acabou e eu estava saindo da escola com um bilhete de detenção. Que é que eu ia dizer à minha mãe?

Eu já estava indo embora da escola quando o colega de laboratório de Kane me chamou.

- Ei, Pedra Preciosa! – eu me virei. Não poderia estar falando com ninguém senão eu. Do dia para a noite, toda a escola parecia ter aprendido meu nome e apelido (culpa da Polly, eu tinha certeza).

- Que é? – eu perguntei rude. Estava tendo um dia péssimo.

- Ei, calma – disse o garoto – Eu só queria dizer – ele baixou a voz – Fui eu quem colocou a tachinha.

Eu o mirei confusa. Ele girou nos calcanhares e saiu sorrindo maroto. Eu tentei me lembrar: “A única pessoa que faz zona na classe dela é o Daniel Harris”.

Bem, seja lá como for, Harris não era a minha pessoa preferida no mundo.

Notas finais
O próximo capítulo é visto do ponto de vista do Daniel. Muita coisa vai se explicar...