A Flor Misteriosa
3 Daniel Harris - Meus Amigos Mortos
Notas iniciais
Eu não sei o porquê mais quando vi aquela menina meu coração quase pulou.
Eu não sei como mais de repente todo o Universo parou como se tivesse congelado, aqueles lindos olhos azuis que pareciam rios e aqueles cabelos tão negros quanto uma noite estrelada me fazem suspirar.
Mas eu não sei o que fazer e por isso eu brigo com ela. Talvez eu seja louco, e ela realmente pensa que eu sou mas não estou aqui para falar só dela.
Meu nome é Daniel Harris e tenho 12 anos. Vivo com meus pais, Louis e Alicia Harris. Eles são banqueiros muito ocupados (e mal-humorados) que não dão a mínima para mim e para minhas histórias. Só eles não sabem que as “histórias” são reais.
O caso é que eu tenho uma doença rara (tipo, a única no mundo) chamada Phanes, tenho essa doença desde que nasci, e o mais estranhos nela é que ela me faz poder ver fantasmas. Só que o problema é que ninguém acredita em mim exceto uma pessoa Aaron Hilst o zelador da escola (embora eu não o possa chamar de pessoa com o jeito corcunda de andar e o olho de vidro).
Eu sou bagunceiro da escola. A culpa não é minha, é dos outros. Todos me ignoram e a única maneira deu chamar atenção é ser bagunceiro, porque se eu ficar escondido ninguém vai notar que eu existo e, acredite, eu vivi minha vida toda me escondendo.
Eu já fui parar muitas vezes na diretoria (tipo umas quinhentas por trimestre). O nosso diretor, o Sr Oxford, é um cara legal, mas ele não vai aguentar muito mais de Daniel “Bagunça” Harris.
E tudo ia espetacularmente bem com minha vida de rebelde. Até eu conhecer ela.
Na verdade, eu não conheci ela realmente. A Polly Harrington mandou uma foto dela pra toda a escola dizendo: “Olhem essas roupas. A aluna nova nem começou direito”.
Bem, sinto dizer, Polly, mas para mim ela começou muito bem.
Acho que foram os olhos. Ou os cabelos. Ou a pele. Eu não sei. Ela parecia a Branca de Neve, para mim, com todo aquele negócio de cabelos negros como a neve e pele branca como a noite. Espera, eu troquei as coisas. Cabelos negros como a noite e pele branca como a neve. Isso. A Phanes está me deixando mentalmente problemático.
Bem, quando eu vi a foto, eu meio que me... Apaixonei. Ei, você só tem doze anos, e blá, blá, blá... Acha que eu não sei? Acha que eu não tento evitar? Bem, se você visse as coisas que eu faço com a Safira para... Ops. Eu disse o nome dela.
Certo, então. O caso é que eu amo a Safira Wood – só não consigo admitir, nem para ela, nem para mim.
Nós já fizemos vários trabalhos escolares juntos (acho que os professores tentam nos fazer nos dar bem). Mas quando não se trata de um trabalho, eu sou recebido na casa dos Wood tão bem quanto uma bomba atômica.
Finalmente, eu decidi falar com os meus pais sobre isso. Consegui acha-los em uma tarde tranquila em que ambos levavam papéis de um lado para o outro como se eles fossem ouro puro ou porcelana frágil. Bem... Pelo menos era tranquilo para nós.
- Mãe, pai, eu tenho que falar com vocês – comecei. Nenhum dos d s deixou de fazer o que estavam fazendo.
- Depois, querido – respondeu minha mãe.
Eu suspirei e revirei os olhos. Decidi deixar a conversa para depois e saí para um passeio.
Tyson, Thalia e Abílio me esperavam na orla da Floresta Tempestuosa.
Bem, acho que já é hora de dizer: Abílio Lockhart e Tyson e Thalia Thomas são meus melhores amigos. O problema é que eles estão mortos.
Abílio é um pouco mais velho que o meu pai, e viveu no século XVI. Eu não estou brincando. Eu o encontrei pela primeira vez em um museu quando estava tendo uma exposição sobre a vida no século XVI. Aparentemente, Abilius achava que ainda estava vivo e que aquela era a sua cidade natal. Ele é pirado.
Tyson e Thalia Thomas são irmãos. Tyson, o garoto, é o mais velho, grande, forte e estúpido. Thalia, a garota, é pequena, ágil e esperta. É incrível pensar que eles são irmãos. Eles viveram na época dos meus pais, e foram atropelados por um caminhão quando Tyson tinha 15 e Thalia tinha 12. Eu os encontrei quando saía da escola. Acho que antes de construírem a Brooklin ali naquele terreno ficava a casa.
Pra algumas pessoas deve ser assustador ter amigos mortos. Mas para mim tem tanto, às vezes eles são mais legais que os vivos. Eu quem o diga. Eles participam mais da minha vida que meus próprios pais.
Quando eu os encontrei, Thalia disse:
- Tudo bem com você?
- Espero que não – resmungou Tyson.
- A melhor maneira de fazer alguém te amar é devolver a coisa mais preciosa dela! – gritou Abílio.
Certo, Tyson não é o melhor amigo de todos, mas ele já namorou umas 150 garotas (mortas e vivas) e tem me ajudado com o negócio da Safira. Já Thalia odeia Safira e tem uma queda (ou uma cachoeira inteira) por mim. E Abílio não ouve metade do que nós falamos e às vezes dá conselhos sem pé nem cabeça que acabam me ajudando.
Como naquele momento. Eu tinha acabado de ter uma ideia incrível.
Uma hora depois, eu estava seguindo para a casa dos Wood, traçando um plano para pegar aquele colar que a Safira sempre estava usando.
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