A Flor Misteriosa
1 Rose Black - O Início
Notas iniciais
Tudo começou quando eu o conheci.
Não direi seu nome, por meus princípios. Não direi onde morava ou de qual família descendia. Não direi em que trabalhava. Direi apenas o necessário.
O conheci aos dezoito. Nossa história é curta, triste e cruel para os corações sensíveis.
De início, tudo era perfeito. Ele era bom e atencioso. Passava uma boa impressão. Era bonito, e romântico. Isso que o diferenciava dos outros homens...
Eu não sabia quem ele era naquela época, é claro. Se ele tivesse me contado, eu teria fugido o mais rápido o possível.
Com vinte e um, casamo-nos. Era muito jovem, diziam-me. Mas eu não me importava. Alguma coisa nele me fazia me sentir extremamente madura e feliz. E ninguém discutiu comigo após este argumento.
Com vinte dois, fiquei grávida. Ele saiu em uma viagem de negócios. E nunca mais voltou.
Fiquei sozinha. Frustrada. Com vergonha de mim mesma, que não consegui perceber que tipo de homem ele era. No penúltimo mês de gravidez, saí de nossa casa, com nojo de ficar sob o teto que ele havia construído para nós.
As ruas de Londres pareciam frias e hostis para uma grávida abandonada. Nenhuma luz estava acesa. Ninguém iria me receber. Exceto...
Exceto os Wood. Sally e Peter Wood, jovens, recém-casados, felizes. Hospedei-me na casa deles. Não hesitei em contar meus problemas à Sally e pedir a ajuda de Peter para encontrar meu ex-marido. Peter saiu em viagem por duas semanas, e voltou, dizendo:
- Não o encontrei – aquilo me deixou extremamente furiosa. Não com Peter. Mas com ele.
No dia seguinte à volta de Peter, a pequena menina nasceu.
Fiquei fraca naquele dia. Sabia que iria morrer.
Dei à menina um nome incomum, e deixei-lhe com os Wood. Deixei com eles também meu antigo amuleto, uma flor negra que, segundo as lendas da minha família, podia reverter a morte.
Olhei uma última vez para minha filha. Havia herdado os olhos azuis-elétricos do pai. Sentindo nova fúria pelo pai da menina, minha visão turvou-se e meu coração parou de bater.
Morri pensando na garota, no que ela se tornaria e como eu não poderia acompanhar isso. Senti raiva do destino. E raiva dele.
O mundo ficou escuro, e minha última visão foi minha filha Safira nos braços de Sally, olhando para mim com uma expressão indecifrável nos olhos azuis.
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