Começou a tocar uma música romântica. "Never Gonna be Alone". Talvez...

– Hey, Am... Você...- Ela me encarou e eu desviei o olhar — Você não quer dançar comigo?

por um momento ela apenas me encarou. Então ficou vermelha e sorriu.

– Claro!

Fomos até a pista de dança. Eu coloquei as mãos em sua cintura, e ela pôs os braços em torno do meu pescoço. Nenhum de nós dois eramos exímios dançarinos, mas até que estávamos bem. Eu acho. Não sei, na verdade. Eu não conseguia desviar a atenção de Am, então a dança era o que menos me importava.

Me aproximei, tocando meus lábios suavemente nos dela. Foi algo que eu não pude controlar, simplesmente aconteceu. De imediato fiquei vermelho. Sou um idiota. Ela vai me odiar.

Mas ao contrário do que pensei, ela corou e sorriu timidamente.

Após um longo período em silêncio, Am falou.

– Hum... Sabe, eu adorei a vila. E o baile está ótimo.

Sorri.

– Que bom que gostou. — Uma nova questão surgiu em minha mente, desfazendo meu sorriso. — Mas... Você não pretende ficar, não é?

Am se afastou e fitou o chão.

– Eu sinto muito. Mas eu não quero me apegar... E não quero que as pessoas se apeguem a mim.

Essa última frase soou como uma facada. Como não quer que ninguém se apegue? Ela não vê que eu...

Antes que eu pudesse terminar a minha linha de raciocínio, Am desmaiou em meus braços. Sem que ninguém percebesse, eu a levei para fora. A segurei em meus braços e assisti enquanto acordava lentamente.

– Am, você está bem?

Ela tocou o meu rosto de leve.

– Sinto muito... — Sussurrou, e então fechou os olhos novamente.

– Am! Am, acorda! Am! — Comecei a chamar por ajuda. Gaara me ajudou a levá-la para a enfermaria. Onde começaram a fazer exames, e eu tive de sair.

Sentado do lado de fora da enfermaria, me sentia inquieto. Eu estava preocupado com ela. Tinha tantas perguntas a fazer!

– Kankuro, você está bem? — Perguntou Gaara.

Permaneci em silêncio. Eu não conseguia encontrar forças pra falar. E por mais que tentasse, parecia que eu havia esquecido de todas as palavras já aprendidas. Confirmei levemente com a cabeça.

Gaara suspirou.

– Vai ficar tudo bem. Só... Descanse um pouco. Você precisa. — Ele se levantou e foi embora.

Me recostei no banco. Gaara estava certo. Aos poucos adormeci.

Acordei num pulo. Era de madrugada ainda, mas lago me deixou inquieto. Levantei e abri silenciosamente a a porta do quarto, mas para a minha surpresa, Am não estava lá. Meus batimentos aceleraram. Olhei em volta freneticamente, mas não vi ninguém. Comecei a correr. Era um risco, mas resolvi ir até onde eu e Am nos vimos pela primeira vez. Rezava mentalmente pra que ela estivesse lá.

Correndo feito um louco em direção a fronteira norte da vila, vi de relance uma pétala de flor do deserto. Se a sorte estiver ao meu favor, esse é o caminho certo.

O vento começou a se agitar a minha volta. Meus pulmões doíam, e minhas pernas pareciam pesar uns 50kg cada uma, mas eu não podia parar. Perto de um rochedo, finalmente, eu vi uma silhueta familiar. Fiz força pra que minha voz saísse.

– Am... — Pareceu um sussurro. Reuni mais força, e finalmente o grito saiu — Am!

Ela olhou para mim, assustada.

– O que você...

Parei pra recuperar o folego.

– Então eu estava certo... — Olhei pra ela e sorri de lado — Você veio pro lugar onde nós nos conhecemos.

Ela ficou vermelha e me deu as costas, indo em direção ao deserto.

– Idiota.

A segurei pela mão.

– Você não pode ir embora.

Sem me olhar nos olhos ela disse:

– É claro que posso. Eu te disse, não é? Não sou de lugar nenhum e não pretendo ficar. Eu não quero me apegar, não quero que essa vila faça a diferença...

– Não quer que faça a diferença? É isso que você me diz? Depois de tudo? Se queria que fosse assim, por que não foi embora logo?

– Eu tentei! — Ela me olhou nos olhos. Estava quase chorando. — Mas você dificultou as coisas! Eu... Por favor, não torne as coisas piores do que já são!

Eu não entendia. Ela não parecia querer ir embora.

– Por quê?

Am não me olhou nos olhos. Ficamos em silêncio. Senti o vento se agitar a nossa volta. Uma tempestade de areia se aproximava. Ela também pareceu notar.

– Eu sei de uma caverna aqui perto — Apontou para uma fenda no rochedo — Vamos para lá até a tempestade passar.

Após entrarmos na caverna a tempestade piorou. Nos sentamos perto da entrada, sem trocar uma palavra. Isso me incomodava.

- Olha, Am...

- Aily.

- O que? — Perguntei confuso.

- Meu nome é Aily. — Respondeu sem olhar pra mim.

Processei as informações por um minuto. Am não era Am. Am era Aily. Num primeiro momento me senti traído, ela não havia me dito seu verdadeiro nome até agora. Mas então me senti especial. Dentre tantas pessoas, ela disse apenas pra mim.

- Aily é um nome lindo.

Ela me olhou e sorriu carinhosamente.

- Obrigada.


Notas finais
Muitas surpresas ~le faz suspense~