A Flor Do Deserto

4 Perdido na escuridão


— Aily, por favor.

Ela estava mexendo em seu vestido rosa por baixo do manto escuro.

— Eu não posso.

— Por que não?

Ela silenciou-se. Olhou a tempestade lá fora.

— Por que eu não quero machucar você...

— E ir embora sem dar satisfação é uma boa opção?

Aily me olhou brava e então levantou.

— Talvez haja uma saída. — Se dirigiu ao fundo da caverna. Me levantei e comecei a segui-la.

— É. Talvez haja outra saída. — Não me referia à caverna, mas a situação.

Aily apenas me ignorou.

Andamos um pouco e então ouviu-se uma estouro. A entrada desabou, nos deixando na escuridão. Nos olhamos e continuamos andando. Procurei por algo inflamável, mas não encontrei nada.

— HUm... Aily?

— Sim?

— Você por acaso... — Ainda bem que estava escuro, por que eu devo ter corado consideravelmente — Não está com as flores que eu te dei ai, está?

— Estou, por que? — Ela parou — Nem pense nisso! Você não vai queimar o meu buquê!

Revirei os olhos.

— Vou queimar uma flor de cada vez, só até agente achar algo inflamável.

— Não! — Ela ficou em silêncio — Pegue isso. — Aily me entregou alguma coisa... Parecia um cajado.

— Não fica me cutucando com essa coisa!

— Então pega logo!

Após um certo esforço e o uso de um jutsu de fogo, conseguimos fazer o cajado incendiar. Eu e Aily nos olhamos e seguimos pelo caminho.

A caverna parecia não ter fim. Era seca e quente. Paramos algumas vezes para descansar, mas ainda assim andamos por horas. Durante todo esse tempo, o silêncio entre nós era constrangedor.

— Acho melhor a gente parar pra descansar. — Aily sugeriu.

-De novo? Desse jeito nós nunca vamos sair daqui.

Ela sorriu maliciosamente de lado.

— A gente poderia facilmente sair se eu explodisse o teto. — Disse para si mesma.

— Como assim?

Suspirou.

— Nada. Deixa pra lá. Vamos? — Seguiu pelo corredor escuro, me deixando para trás.

— Aily...

— Não é nada!

— Cuidado!

Havia uma pedra grande na frente dela. Aily tropeçou e caiu.

— AI! Kan-Kankuro... Acho que eu torci o tornozelo...

Corri até ela, tomando o cuidado de não apagar a chama.

— Desculpa, eu não devia ter te deixado sozinha...

— Não é sua culpa. — Ela olhou para o chão. — Desculpa, por tudo. Eu sou um desastre... — Lágrimas rolaram em sua face.

Apoiei o cajado no chão e a abracei.

— Eu não devia ter permitido que você se apegasse a mim.

Cravei o cajado com força no chão, e a abracei forte.

— Por quê?

Ela hesitou por um momento. Escondeu seu rosto em meu pescoço, sua respiração arrepiando os pelos da minha nuca.

— Aily, por que não podemos ficar juntos?

— Por... quê?

Ela me abraçou forte.

— ... — Eu tentei, mas não consegui dizer uma palavra.

— Por que eu estou morrendo.