A Flor Do Deserto
2 A Mais Bela Flor
Passei o dia inteiro mostrando a vila para Am. Ela observava tudo com cuidado, mas de vez em quando se empolgava com coisas simples, como a floricultura, a banca de revistas ou a padaria — da qual compramos um saco cheio de doces.
Era fácil estar com ela. Am ria das minhas piadas, e gostava de falar do deserto. Quando compramos os doces ela se comportou como uma criança, ao contrário dessas garotas da vila que só se preocupam com a aparência. Bem... Ela não tinha com o que se preocupar. Am era linda sem fazer esforço pra isso. Todos os homens da vila a olhavam com cobiça — e as mulheres com inveja.
De repente, ela parou.
– Ei, Kankuro... O que é aquilo? — Disse apontando para o cartaz que anunciava o baile do final do sábado.
– Ah, é que vai haver um baile depois de amanhã. É que a primavera está chegando, e logo as flores do deserto irão desabrochar. — Eu havia esquecido completamente do baile.
– Hum... — Retomou a caminhada de cabeça baixa — Será que... Eu...
A encarei.
– S-sabe... É que eu nunca fui em um baile... Eu só queria saber como é... Mas acho melhor não... Eu só estou de passagem mesmo... Eu...
– Eu acho uma ótima ideia! — Me pronunciei.
Seus olhos encontraram os meus, mas dessa vez não era intimidadores. Eram apenas lindos olhos castanhos, os mais lindos que eu já vi.
– Eu não acho que seja certo... Não quero ser uma intrusa...
– Você não é uma intrusa! Vamos! Você pode ir como minha convidada.
Am corou levemente e então eu me dei conta do que havia dito. Desviei o olhar e cocei atrás da cabeça.
– Isso é... Se você quiser ir...
Ela concordou com a cabeça.
– Eu adoraria, obrigada.
Andamos em silêncio por alguns minutos. Eu me sentia um idiota. Não, eu era um idiota. Suspirei. Queria saber no que ela estava pensando...
– Hã... Kankuro... — Eu me sentia estranhamente feliz quando ela dizia o meu nome — Eu posso até ir... Mas... Eu não tenho roupa pra uma festa assim...
– Eu posso falar com a minha irmã, Temari. Ela vai te ajudar com certeza. — Sorri.
– Hum... Ok então...
Fomos até Temari, que estava perto do prédio principal. Eu apresentei Am a ela e expliquei a situação. Elaconcordou na hora.
– Claro que eu topo! Pode ser amanhã? — Am concordou timidamente com a cabeça, fazendo com que Temari desse um largo sorriso. — Vamos nos divertir muito!
O dia seguinte foi terrível. Eu não conseguia me concentrar em nada. A todo momento, meus pensamentos se voltavam pra Am. Nós nos vimos pela manhã, antes de ela sair com a Temari, e depois disso as duas sumiram. Eu estava um pouco ansioso, era o primeiro baile em que eu levaria uma garota. Mas também estava curioso. Ficavam passando diversas imagens de Am com vestidos variados. Vermelho. Preto. Roxo. Rosa. Curto. comprido. Justo. Largo... E em todas as imagens ela parecia uma princesa.
O tempo parecia demorar muito pra passar, mas finalmente o dia chegou. Vesti uma calça e um sapato social. Camisa social branca, com um colete preto por cima. Não fiz minhas rotineiras marcas no rosto, e deixei meu cabelo arrepiado secar normalmente. Ao me olhar no espelho, me senti um lixo. Eu definitivamente era isso perto dela. Olhei em cima da cama. Um buquê de flores do deserto estava lá.
– Cara... Que droga.
Caminhei até a cama e peguei o buquê. Tinham sido uma recomendação da Temari.
Alguém bateu na porta.
– Kankuro, ainda está aí? — Era Temari. Ela abriu a porta e entrou. — O que você ainda está fazendo aqui?
Fitei as flores por alguns segundos.
– Eu to um lixo. Ela vai me achar um lixo. E vai achar as flores bregas. E não vai mais nem olhar na minha cara. E aí eu vou me mudar pra algum lugar distante e me tornar um monge.
– Meu Deus, como você é dramático! Sabe, geralmente é as garotas que ficam nervosas assim.
A encarei bravo. Temari suspirou.
– Olha, ela vai gostar das flores. Acredite em mim. E você tá muito gato, ela seria louca de não te querer. — Piscou pra mim — Agora vai logo se não você vai se atrasar!
Peguei as flores e meu casaco e saí correndo pelos corredores. Após algumas curvas, cheguei onde queria. Uma questão. Bater ou não bater na porta? Fechei os olhos e estendi a mão direita, dando três batidas na porta. Agora não tem mais volta.
A porta se abriu, e por um segundo eu pensei que havia morrido e ido para o paraíso. Am estava radiante! Seus cabelos castanhos estavam com apenas um lado preso por um brilhante. Ela usava um vestido rosa um pouco abaixo dos joelhos cuja a borda pink fazia lembrar uma flor do deserto. Isso sem falar que ele parecia ter sido feito sob medida. Sua sandália era prateada com um salto pequeno e tinha um bracelete no braço.
– Oi. — Ela sorriu, levemente corada.
– O-oi. — Me senti um ser desprezível por gaguejar assim. E obviamente por corar também. Após a admirar por alguns segundos, lembrei de algo brega, mas importante. — Isso é pra você. — Disse estregando-lhe as flores.
Am sorriu.
– Elas... São realmente lindas! Obrigada! — Enquanto am colocava as flores em um vaso, eu aproveitei para dar uma olhada no quarto. Era bem normal. Algumas roupas estavam em cima da cama e alguns desenhos na mesa de cabeceira. A parte anormal era as correntes e facas na escrivaninha. Am percebeu que eu olhava.
– Bem... Vamos? — Disse me fazendo prestar atenção nela outra vez.
– Claro, vamos. — Sorri.
A festa estava muito bonita, mas não mais do que Am. Chegando lá vimos Temari e Shikamaru conversando. Geralmente Gaara convidava alguns ninjas de Konoha para a nossa festa. Apresentei alguns amigos pra Am, que foi muito simpática com todos eles, pegamos algumas bebidas e nos sentamos em uma mesa longe do alvoroço.
– Obrigada. — Am disse olhando enquanto as pessoas dançavam. — Obrigada por ser tão legal comigo. Eu estou tendo uma noite maravilhosa.
Fiquei sem ação por um momento.
– Você também é legal comigo. E eu também estou tendo uma ótima noite. Acho que estamos quites. — Sorri e estendi meu copo de coca cola — Saúde?
Ela sorriu de lado e bateu levemente seu copo no meu.
– Saúde.
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