Notas iniciais
Oi gente! Peguem o lencinho pra sentir um pouco de saudade de alguém MUITO especial. Boa leitura ♥

– Ah cara, como eu senti falta disso! – Diz Alice, tragando o cigarro e expelindo a fumaça devagar.

– Estou me sentindo uma má influência. – Zacky ri, pegando o copo de bebida que estava na mão dela e bebendo um pouco.

– Você sabe que essa coisa de não prestar, está no sangue.

– Mas fui eu quem te ensinei a fumar.

– Isso é verdade. – Ela sorri. – Obrigado por isso.

– Você mudou bastante, já menstruou? – Debocha ZV, levando um murro nas costas.

– Há muito tempo. – Alice dá de ombros.

– Seus peitos estão maiores também, Ali.

– Porque não transa logo comigo, se sua vontade é essa? – Ela pega o copo de volta e bebe alguns goles.

– Cheguei amor! – Grita Gena por trás da porta.

– Cheguei amor! – Imita Ali, baixo, debochando da voz da loira. Zacky ri baixo, evitando demonstrar que gostava daquilo. Mas afinal, ele se sentia especial demais com a rixa das duas.

– Ela nem sabe ainda que você voltou, e que a paz que ela estava tendo vai deixar de existir.

– Avisa a ela, que a granada voltou. – Alice pisca e se levanta. – Acho melhor eu ir embora logo, não quero ter que bater nela igual fiz quando tinha doze anos.

– Ela vai te odiar eternamente por aquilo. – ZV se levanta e acompanha a amiga até a porta. – Vamos sair mais tarde, beber decentemente. Esses dois copos que bebemos agora foram inúteis.

– Com certeza. – Ela o beija rapidamente no rosto, e sai sem ser notada por Gena. Felizmente.

Ainda não havia anoitecido quando Alice voltou pra casa. Estava sozinha, então ficou no quarto tocando sua guitarra, ah como havia sentido falta dela. Mal sabia como tocar, havia desaprendido completamente. Zacky iria ter que dar mais umas aulas. Sorriu ao pensar em como era bom estar de volta. Estava feliz, por ter liberdade novamente. Um barulho vindo do andar de baixo chamou sua atenção. Era uma voz masculina, mas nem um pouco familiar. Pulou da cama e procurou algo debaixo do colchão. Sentiu-se aliviada ao ver que sua faca ainda estava ali, tinha quase certeza de que ninguém nunca desconfiara de que ela dormia sempre prevenida. Andou a passos lentos escada a baixo, e quando chegou á sala, suas expectativas se confirmaram, havia um estranho ali que a encarou rapidamente quando a viu chegar.

– Parado aí! – Grita ela, apontando a faca na direção do rapaz. – Se está pretendendo roubar algo, acho melhor desistir ou eu vou ter que decepar sua cabeça e dar pra minha cadela comer. – Informa, decidida, andando na direção dele.

– Ah... Eu não... – Ele estava completamente nervoso, mas não portava nenhuma arma, notou Alice. – Espera! Não me mata não...

– Então dá o fora moleque!

– Moleque? – Ele ri franzindo a sobrancelha. – Quantos anos você tem? Quinze? – Debocha se arrependendo de imediato, ela avançou e ele teve que segura-la como pôde.

– Alice, que porra é essa? – Grita Shadows entrando em casa e correndo pra segurar a filha, que se debatia furiosa.

– Você conhece essa psicopata? – Pergunta o rapaz, se apoiando na parede, e tentando recuperar o fôlego.

– Essa psicopata, é a minha filha. – Responde soltando um suspiro.

– Você o conhece? – Pergunta ela, tentando se soltar dos braços do pai.

– Ele é o Arin, nosso baterista. – Explica, vendo a garota se acalmar de imediato.

– Ah, merda. – Rosna ela, sentindo finalmente que o pai a soltara. – Desculpa cara. – Ela vai até o baterista e estende a mão, que ele aperta, com certo receio.

– É um prazer te conhecer, também. – Brinca ele já mais descontraído.

– Agora já pode me explicar de onde veio essa faca! – Ordena Matt, cruzando os braços.

– Que faca? – Pergunta Alice, jogando a mesma no chão e sorrindo em seguida.

Estava pronta pra sair com Zacky, mas precisava esperar sua mãe chegar. Então passou boa parte do tempo conversando com o tal baterista que era totalmente divertido, embora continuasse parecendo um invasor de casas alheias. Ele tinha bons assuntos, mas ainda achava que ZV sempre a entenderia melhor do que ninguém. Contou a Arin sobre sua temporada no colégio interno, e ele lhe contou sobre como tem sido tocar no Avenged Sevenfold. Ainda preferia o James, sempre o preferiria. Nunca sentira tanta falta, como estava sentindo agora, conversando com o substituto dele. E querendo ou não, sempre haveria mil e uma comparações. Ela praticamente fora criada pelo Rev, ele lhe levara a lugares incríveis, lhe ensinara a andar de bicicleta, a nadar. Tantas vezes dormiu nos braços dele, e acordou na cama, mas já pronta pra ir pra casa dele de novo, jogar vídeo game e comer aquelas gororobas doces que ele fazia. Seu pai morria de ciúme, dizia que ela amava mais ao James do que ao pai. E ela respondia: “Eu amo os dois igual, papai”. Foi ele quem tirou copos e mais copos de cerveja de sua mão, quando ela tentava beber escondido, nas festas que frequentava juntos com os pais. “Não é hora ainda, Ali”. Dizia ele. “Mas porque você pode, e eu não?” “Quando você crescer e ficar igual a mim, você vai poder beber tudo!” “Então eu quero ser igual a você logo”. Era um espelho, uma voz que fazia rir, que acalmava e que cuidava. Até quando ele estava caindo de bêbado, lembrava de ver o que ela estava fazendo. “Cuidado pra não se machucar!”. Quando Valary ou Matt eram incompreensivos, era pra ele que Alice corria, pra chorar, pra pedir pra ele nunca ir embora, pra nunca passar mais de um dia sem ir vê-la. E quando ele precisava se ausentar, por causa do trabalho ela esperava, esperava ansiosa pela volta do seu companheiro fiel. Alice podia afirmar com toda certeza do mundo, que a relação dos dois era a definição perfeita do amor, porque ela tinha nele, tudo o que uma criança precisava pra ser totalmente feliz. Era quando ele estava por perto, que ela tinha responsabilidade, que ela tirava algumas notas boas, que ela sabia amar. Os anos ao lado dele, foram os mais incríveis da vida dela. E quando, a maldita tragédia aconteceu... Ah, ela era tão jovem ainda, estava na fase mais conturbada, o início da adolescência. Alice teve que lidar com a perda da pessoa que mais amara na sua vida, ele foi arrancado de seus braços de forma cruel. Não houve tempo pra despedidas, pra promessas nem pra um último adeus. De repente, toda aquela felicidade, virou lembrança, e só restou a dor, da perda, da saudade, a dor de não ter certeza de mais nada. A única coisa de que teve total certeza, foi de que daquele dia em diante, estaria completamente sozinha no mundo. “Você prometeu que nunca iria embora, você prometeu!”

– Alice? – Arin chamou a atenção da garota, que parecia estava em um universo paralelo.

– Eu só estava... Pensando. – Justifica ela, enxugando discretamente uma lágrima que ousara rolar pelo seu rosto.

– É por isso, não é? – Pergunta ele, compreendendo totalmente o que se passava dentro dela.

– O que?

– É por isso que você fez todas aquelas coisas, é por isso que você teve que passar três anos aprisionada.

– Depois que ele se foi... – Ela respira e tenta conter a vontade que tinha, de chorar de saudade. – Eu não tinha mais motivo nenhum pra prestar. – Explicou encarando o baterista, que viu repentinamente dentro dos olhos dela, toda a revolta do mundo. – Eu fiz tudo o que eu não podia fazer, eu feri pessoas, eu feri por fora e por dentro, eu bebi, me droguei, transei com vários caras imundos. Eu perdi a cabeça. Hoje, mesmo eu estando mais madura, ainda sou uma pessoa desprezível.

– Não fala assim, isso tudo é a apenas o misto do seu jeito de ser com o que a vida fez com você.

– É isso. – Ela ri ironicamente. – Eu sou justamente, o que a vida fez comigo.

– Mas tem algo bom aí, eu vejo. – Arin toca o ombro dela, que recua um pouco apreensiva.

Quando olhou na direção da porta, sua mãe acabara de chegar. Alice não soube muito bem como reagir, mas ficou de pé. E aguardou sua mãe se aproximar, quando finalmente se abraçaram, Alice sentiu que metade da sua dor foi consumida. Não se dava tão bem com sua mãe, mas ela era maravilhosa na maior parte do tempo, e a amava.

– Eu senti saudades, querida. – Diz Valary, ainda abraçando a filha.

– Eu também, mãe. – Responde se afastando para encará-la. – Eu prefiro você ruiva. – Diz a vendo soltar uma risada.

– Eu prefiro você loirinha como nasceu, pra que esse cabelo preto?

– Pra destacar a minha palidez.

– Vão ficar discutindo sobre cor de cabelo? – Brinca Shadows.

– Cala a boca! – Dizem as duas ao mesmo tempo.

– Ah, desculpa. – Matt ergue as mãos e depois se senta ao lado de Arin.

– Vamos, Ali? – Pergunta Zacky de pé na porta.

– Ali aonde? – Pergunta Matt.

– Ali é a abreviação do meu nome, pai. – Ela revira os olhos indo em direção á Zacky.

– Ah... Mas eu quero saber pra onde vão, de qualquer forma. – Diz com autoridade.

– Assistir um filme. – Diz ZV.

– Sem mentir. – Pede Shadows.

– Vamos beber pra esquecer os problemas. – Diz ZV novamente.

– Eu já sabia. – Afirma Val, indo em direção á cozinha. – Voltem cedo!

Alice pisca pro pai, e sai atrás de Zacky. Entram no carro e vão pra uma balada do outro lado da cidade. Chegando lá, ela não disfarçou que esperava por aquele dia a muito tempo.

– Tudo que eu gosto, dentro de um mesmo ambiente. – Diz ela, sorrindo.

– Você tem sorte de eu ter te arrumado uma identidade falsa. – Zacky se gaba e ri ao ver o segurança olhar o documento e permitir a entrada dela com tanta facilidade.

– Não fez mais que sua obrigação, o famoso e rico aqui é você. – Diz, caminhando ao lado dele.

– Eu não devia estar aqui sem a Gena. – Zacky balança a cabeça.

– Da porta da balada pra fora você namora, da porta pra dentro você está solteiro e quer beijar na boca.

– O que? – Vengeance não acreditava que era possível aquela garota existir, ela não era normal, não podia ser.

– Quer beber o que? Eu vou de tequila.

Notas finais
Se estiverem gostando já sabem o que fazer, beijinhos